Notas iniciais
Boa tarde, gente! Espero que gostem ♥

— Pessoal, eu trouxe uma música para vocês ensaiarem. – Disse Blaine, entregando as partituras para todos. Ao entregar a minha ele deu um sorrisinho.

— Isso está em forma de dueto. – Eu estranhei, encarando-o.

— Sim. Eu pensei em você e Sebastian cantarem. – Explicou calmamente.

— Professor, admita, eles são seus preferidos. Tudo você dá para eles. – Intrometeu-se Carl.

— Não posso fazer nada se somos os melhores. – Disse Sebastian dando uma piscadinha.

— Eu não estou dando a chave da cidade a eles. É apenas uma música. – Explicou Blaine.

— Podia ser “For Your Entertainment” de novo. – Disse Jon. – Eles arrasaram nessa música.

— A voz deles quando juntas fica muito legal, fora que eles têm muita química. – Disse Calvin.

— Isso não se trata de química. Se trata de talento. – Disse Blaine irritado.

— Acho injusto, você sempre deixa que eles façam as coisas e nunca dá oportunidade para o restante. – Disse Carl.

— Eu estou dando essa música para eles ensaiarem com vocês, já que eles vão cantar na assembleia e querem que vocês os ajudem. Sejam menos egoístas. Todos terão a oportunidade que tanto desejam. Como temos tempo até as nacionais, eu vou deixar vocês fazerem testes para o solo e para o dueto. Assim será algo justo. E não serei eu a pessoa a julgar, não se preocupem. – Disse Blaine.

— Então, quem será o jurado? – Perguntou Sebastian.

— Minha mãe. – Blaine respondeu sorridente.

— E quando vamos conhecê-la? – Eu perguntei como se ainda não a conhecesse e Blaine riu.

— Na hora dos testes. – Ele disse sem tirar seu lindo sorriso do rosto.

— Tudo bem! Vamos ensaiar então. – Falou Sebastian.

“I'm sorry for everything (Me desculpe por tudo)
Oh, everything I've done (Oh, tudo que eu fiz)

Começamos cantando juntos, nos entreolhando e logo desviando o olhar com um sorriso triste estampado em nossos lábios. Definitivamente aquela música era uma definição perfeita dos sentimentos de muita gente, incluindo Sebastian.

“Am I out of touch? Am I out of my place? (Estou fora de contato? Estou fora do meu lugar?)
When I keep saying that I'm looking for an empty space
(Quando eu continuo dizendo Que estou procurando por um espaço vazio)
Oh, I'm wishing you're here
(Oh, eu desejo que você esteja aqui)
But I'm wishing you're gone
(Mas queria que você tivesse ido embora)
I can't have you and I'm only gonna do you wrong
(Eu não posso ter você, e só vou lhe fazer mal)

Sebastian cantou essa parte. Todos estávamos sentados nos sofás, Blaine estava tocando piano, John estava tocando violão e todos estavam fazendo o fundo. Nós estávamos fazendo uma versão acústica da música. Na assembleia ficaria mais animado.

“Oh, I'm going to mess this up (Oh, eu vou arruinar tudo)
Oh, this is just my luck
(Oh, isso é apenas minha sorte)
Over and over and over again
(Mais e mais e mais vezes)

Eu cantei essa parte de olhos fechados, apenas pensando nas coisas erradas que eu já vi as pessoas fazendo sem justificação, tentando encontrar um motivo para tais coisas terem acontecido e o porquê de tantas coisas horríveis terem acontecido com essas mesmas pessoas.

“I'm sorry for everything, oh everything I've done (Me desculpe por tudo, oh tudo que eu fiz)
From the second that I was born
(A partir do segundo que nasci)
It seems I had a loaded gun
(Parece que eu tinha uma arma carregada)
And then I shot, shot, shot a hole through everything I loved
(E então eu atiro, atiro, atiro em tudo que eu amei)
Oh, I shot, shot, shot a hole through every single thing that I loved
(Oh, eu atiro, atiro, atiro através de cada coisa que eu amava)

Cantamos novamente juntos. Eu estava, como sempre, deixando que a música tomasse conta de mim. Dessa maneira, seria mais fácil interpretá-la e eu sabia que aos poucos tal música estava deixando Sebastian um pouco triste. Conseguia perceber isso em seu olhar.

“Am I out of luck? Am I waiting to break? (Estou sem sorte? Estou esperando romper?)
When I keep saying that I'm looking for a way to escape
(Quando continuo dizendo que procuro por uma maneira de escapar)
Oh, I'm wishing I had what I'd taken for granted
(Oh, eu estou desejando que eu tivesse o que tinha dado como certo)
I can't help you when I'm only gonna do you wrong
(Não posso ajudá-la quando só vou lhe fazer mal)

Eu cantei essa parte, e por mais que eu esteja feliz, a letra da música me deixou um pouco triste, porque era só olhar para Sebastian que eu já desabava. Ele estava mal e eu talvez nem entendesse todos os seus motivos para isso. Apenas sabia que não queria vê-lo daquele jeito, já que ele se tornou meu melhor amigo.

“Oh, I'm going to mess this up (Oh, eu vou arruinar tudo)
Oh, this is just my luck
(Oh, isso é apenas minha sorte)
Over and over and over again
(Mais e mais e mais vezes)

Sebastian cantou se emocionando. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Eu não o culpo por estar assim. A vida inteira ele viveu em uma mentira, ele sempre foi apaixonado pelo melhor amigo sem nunca ser correspondido. Sua mãe não sabe sobre sua sexualidade. Ele fingia uma vida, onde odiava a tudo e a todos, incluindo a mim, que agora sou o melhor amigo dele. Ele realmente nasceu como se tivesse uma arma carregada atirando em tudo que ele ama.

I'm sorry for everything, oh everything I've done (Me desculpe por tudo, oh tudo que eu fiz)
From the second that I was born
(A partir do segundo que nasci)
It seems I had a loaded gun
(Parece que eu tinha uma arma carregada)
And then I shot, shot, shot a hole through everything I loved
(E então eu atiro, atiro, atiro em tudo que eu amei)
Oh, I shot, shot, shot a hole through every single thing that I loved
(Oh, eu atiro, atiro, atiro através de cada coisa que eu amava)

Como era só um ensaio e uma versão acústica, cortamos a música nessa parte.

— Parabéns a todos. Ótimo ensaio pessoal. – Disse Blaine e todos nós aplaudimos a nós mesmos. – Sobre a competição, eu já tenho preparada a lista para quem quiser se inscrever tanto para o solo quanto para o dueto. Quem quiser se inscrever nos dois, pode, só tem uma condição, a audição será no dueto. Pois se fizermos duas audições vamos perder muito tempo. Um tempo que não é necessário ser desperdiçado.

— Como assim no dueto? – Perguntou John.

— Exemplo: Eu me candidatei para o solo e o dueto, eu vou por meu nome nas duas listas, na do dueto eu vou colocar com quem pretendo fazer o dueto. Ainda me usando de exemplo, vou fazer o dueto com o Kurt, então vou colocar nossos nomes na lista. – Disse Blaine. – Ao invés de fazer uma performance sozinho, eu vou fazer apenas o dueto, aí a avaliação será feita a partir disso. Entendeu?

— Ah sim! Eu sou um pouco lerdo. – Disse John e alguns riram.

— Estou aqui para responder todas as suas perguntas. Não tenham medo. – Disse Blaine sorrindo.

— Obrigado. – Agradeceu John.

[...]

— Seb, o que vamos cantar? – Eu perguntei encarando a lista de inscrição. Sebastian não queria o solo, mas eu sim, então coloquei meu nome no solo e no dueto, e o dueto farei junto com ele.

— Eu tenho a música perfeita, não se preocupe com isso. – Seb respondeu me tranquilizando.

— Acho que vocês foram os últimos a se inscrever. – Disse Blaine atrás de nós.

— Achei que você já tivesse ido embora. – Estranhei, olhando ele sorridente.

— Diretor me chamou, disse que tinha uma coisa importante para me falar. – Explicou ele.

— Só de pensar que o diretor quer falar com você eu já fico com medo. – Disse Seb.

— Por quê? – Perguntou Blaine.

— Não quero perder meu professor preferido. – Disse Sebastian e eu achei fofo, acabei apertando sua bochecha e recebendo um olhar ameaçador por conta disso.

— Não se preocupe, ele disse que tem algo a ver com a assembleia. Nada muito importante. Mais tarde eu aviso vocês sobre o que era. Tenho que ir. – Ele disse e ficou me encarando, após alguns segundos foi embora.

— Que namoro estranho é esse? Sem nenhum beijinho? – Perguntou Sebastian.

— Dois motivos para isso. Primeiro: Você disse que não queria segurar vela, e nós respeitamos isso. Segundo: Esse é o nosso lado profissional. Aqui dentro eu sou aluno e ele professor. Simples. – Eu falei pegando meu material. – Quer que eu te leve para casa?

— Aceito. Não estou afim de pegar um táxi. – Ele disse e fomos até meu carro.

O caminho foi tranquilo, não morávamos longe um do outro, eram apenas seis ruas de distância. Fomos o caminho inteiro cantando.

— Chegamos! – Eu disse estacionando.

— Quer entrar? Você nunca veio na minha casa.

— Sua mãe deixou bem claro não gostar de pessoas “como eu”. – Eu disse fazendo aspas. – Falando nisso, ela já sabe?

— Não. Nem vai saber tão cedo. Ela não está em casa, você pode vir tranquilo. – Ele falou descendo do carro.

A casa dele era grande como a de Blaine ou ainda maior. Era linda e era verde. Entramos e ele atirou sua mochila em um canto qualquer, foi até a cozinha e eu o segui. Ele pegou dois copos e uma jarra de suco e serviu para nós dois.

— Você nem perguntou se eu queria! – Eu exclamei arqueando a sobrancelha.

— Você está na minha casa e faz o que eu quiser. – Ele disse me olhando de um jeito meio assustador e superior e logo soltou uma risada. – Toma e não reclama.

— Tudo bem. – Eu disse rindo e tomando.

— Você está sorrindo até com o cabelo de tão feliz que está. – Disse Sebastian rindo.

— Eu tenho bons motivos, não acha? Pensa bem: no início desse ano eu era só mais um excluído que fazia parte dos Warblers, e acho que praticamente ninguém sabia meu nome. Você me odiava, ou fingia odiar. Blaine tinha uma noiva. E se formos olhar agora: Eu fiz solos, todos na escola me conhecem como líder dos Warblers, você e eu somos praticamente melhores amigos e eu namoro Blaine.

— Só falta eu arranjar um namorado, aí o ano vai encerrar da melhor maneira possível. – Ele disse e eu arregalei os olhos. – Que cara de pavor é essa? Até parece que viu um fantasma. – Ele disse rindo e eu apontei para trás dele. – Mãe? Você deveria estar no trabalho. – Disse ele nervoso.

— Bem, eu estava. Mas então, eu resolvi vir para casa para passar um tempo com meu filho. Você sempre reclama que eu não converso com você nem nada. Então eu vim, pedi para meu chefe para sair mais cedo hoje, sabendo que vou ter que ficar a mais amanhã, mas eu não me importei. Passei em um mercado e comprei algumas coisas para fazer uma janta especial para nós mais tarde. E quando eu chego escuto meu querido filhinho falando que quer um namoradO? – Ela grifou o “o”.

— Esse é o momento que você tem que ser a melhor mãe do mundo e me aceitar não importa o que eu diga. – Ele começou e ela encheu os olhos de lágrimas. – Eu sou gay.

Eu me espantei, ele demorou tanto para falar e quando falou não foi sutilmente. Quando eu falei para meu pai eu falei aos poucos. Mas ele me conhecia tão bem que sabia da minha sexualidade antes mesmo de mim.

— Eu não acredito nisso. Sebastian, eu não te criei para isso. – Disse ela.

— Você não me criou, mãe. Durante meus primeiros quatro anos você era a melhor mãe do mundo, até que se separou. Quando meu pai foi embora você se transformou em outra pessoa, você botou a culpa em mim e nunca conseguiu perceber que na verdade, ele te largou por culpa sua. Você sempre preferiu o trabalho do que a família. E isso sempre machucou a nós dois. Eu nasci assim e não posso mudar. Não só não posso como não quero. – Sebastian disse calmamente, eu queria fazer algo para ajudar, mas tive medo de piorar. – Você pode agir como se isso fosse uma doença ou o que for, mas não pode me mudar. Eu nunca te contei porque eu sempre soube que você agiria dessa forma.

— Parece que aquele professorzinho mudou sua cabeça mesmo. – Disse ela irritada.

— Blaine? Mãe, escuta bem o que eu vou te falar! Lembra do vídeo que você viu? Do professor dançando com o aluno? Aquele vídeo que Carl te mostrou? – Perguntou Sebastian.

— Eu nunca vou esquecer daquela indecência. – Disse ela arrogante.

— Pois então, aquele professor é o melhor professor que eu já tive. E esse aqui. – Ele apontou para mim. – É o menino do vídeo e mais que isso, ele é meu melhor amigo.

— E o que essa criatura está fazendo em minha casa? – Começou ela apontando para mim. – Saia já daqui, vai infectar mais ainda minha casa.

— Você não pode expulsá-lo daqui. – Sebastian disse incrédulo.

— Você vai junto. Eu não quero nunca mais te ver, Sebastian. – Disse ela.

— O que? – Eu gritei.

— Você pensa que é quem para vir na minha casa e gritar comigo? – Gritou ela de volta.

— Olha bem o que você está fazendo. Você está expulsando seu próprio filho só porque ele é gay. – Eu disse irritado.

— Eu já entendi o que ele é, não precisa ficar repetindo. Agora, os dois: Vão embora daqui.

[...]

— Desculpa ter gritado com ela. – Eu disse para Seb que estava deitado no meu colo, chorando. Eu falei com meu pai e pedi para ele ficar aqui em casa.

— Isso não é sua culpa. – Ele disse com a voz falhando.

— Muito menos sua.

— Você tem certeza que eu posso ficar aqui? – Ele perguntou tentando secar as lágrimas.

— O tempo que precisar. Nós temos um quarto a mais na casa. – Eu disse secando as lágrimas que ele não conseguia, pois não paravam de cair.

— Um quarto de hóspedes? – Ele perguntou depois de um tempo.

— Não exatamente. Quando meu pai comprou a casa aqui, ele e minha mãe pretendiam ter mais filhos, só que ela faleceu, então o quarto ficou vazio. – Eu expliquei.

— Sinto muito pela sua mãe. – Disse ele se sentando. – Como seu pai reagiu quando você contou a ele?

— Eu fui falando aos poucos. Até que eu disse. Eu não disse: Pai, eu sou gay. Eu disse: Pai, eu gosto de meninos.

— E o que ele falou?

— Ele disse a seguinte frase: “Eu sei disso faz tempo”. Fiquei me sentindo um idiota, depois eu fiquei pensando que estivesse estampado na minha cara que eu sou gay, e depois eu abracei ele. Ele não disse que aprovou a ideia, mas também não disse que discordava. – Eu disse e ele fez uma careta. – O pior foi quando eu contei aos meus avós.

— O que eles fizeram? – Perguntou ele com os olhos ainda vermelhos.

— Disseram que iam me deserdar e que eu era a desonra da família. Aquilo me magoou, até que eu comecei a receber xingamentos piores na escola, na maioria das vezes, de um tal de Sebastian Smythe, conhece? – Eu disse e ele riu.

— Eu estou rindo, mas não é engraçado. O que eu fiz foi errado. Eu devia ter me unido a você, pois assim um poderia ter defendido o outro. Ou poderíamos ter sofrido juntos, sei lá. Mas, teria sido muito melhor. Desculpa!

— É como você disse, isso ajuda na nossa amizade, pois assim, conhecemos o lado escuro um do outro. – Eu disse.

— Tem até uma música que fala sobre o lado escuro.

— Qual?

Dark Side, Kelly Clarkson. Essa é boa para a assembleia, não acha?

— Topo qualquer coisa. – Eu disse sorrindo.

[...]

Eu e Sebastian estávamos já no auditório esperando o restante do pessoal que logo foi chegando. Hoje faríamos as audições para solo e dueto.

— Ok. Nós temos dez audições, então, vamos começar logo. – Disse Blaine com a lista. – Essa é a minha mãe, ela será a nossa jurada, e também será permitido que vocês votem. Assistam a todas as performances calmamente. Nessa ficha que está sendo entregue a vocês, tem o nome de todos os solos e duetos. Coloquem uma nota de zero à dez em cada performance. – Disse ele meio rápido.

— Boa sorte para todos vocês. – Disse Pam que logo que me viu deu um enorme sorriso.

— Primeiro vamos as performances dos solos. John, você é o primeiro. O palco é todo seu, boa sorte.

“I'm hurting, baby, I'm broken down
I need your loving, loving
I need it now
When I'm without you
I'm something weak
You got me begging, begging
I'm on my knees”

Ele cantou a música inteira sério e parado em frente ao microfone. Se fosse possível cantar sem respirar, ele teria o feito.

— Ok. Muito obrigado. Próximo: Carl. Boa sorte! – Disse Blaine.

“I'll be your light, your match, your burning sun
I'll be the bright, in black that's making you run
And we'll feel alright
And we'll feel alright
'Cause we'll work it out
Yeah, we'll work it out
I'll be doing this, if you ever doubt
'Till the love runs out
'Till the love runs out”

Ele cantou olhando para Sebastian que parecia entediado. Ele realmente tinha percebido que Carl não o merecia e não estava nem fazendo questão de que merecesse.

— Kevin, sua vez. Boa sorte! – Disse Blaine esperando que viesse algo bom.

“Slip back out of whack at your best
It's a nightmare
So I'm joining the army
No house phones, but can I still call?
Will you wait for me now?
We got the right 'cause they'll fight to use it
Got everything and you can just choose it
I won't just be a puppet on a string
Don't go that way
I'll wait for you”

Blaine largou sua caneta e colocou as mãos na cabeça. Todos queriam a oportunidade de fazer um solo, porém nenhum estava se mostrando merecedor de tal feito.

— Tudo bem. Próximo: Chris! Boa sorte. – Disse ele já cansado.

“Take it out, blow it up
Ignite the memory in between us
Through the storm and all the dust
Take it out of these walls with a cannonball
But don’t let it go, don’t give up the ghost
While staring at the moon and the sun
Just trying to remember where we came from
So climb the mountain, swim for shore
Bring it back to how it was before”

Até o momento, ele havia sido o melhor. Não ficou que nem uma múmia parada no centro do palco.

— Muito bem. – Blaine sorriu. – Nosso último solo: Calvin.

“Gonna soften the blow
Soften the blow and give it up
I saw the surprise
The look in your eyes, I gave it up
Gonna be who I am
Be who I am, and give it up
I tried all the way”

— Tudo bem. Vamos aos duetos, onde temos um teste duplo. Vamos deixar esse por último. Vamos começar com Brian e John. Boa sorte.

“You told me you loved me
Why did you leave me, all alone
Now you tell me you need me
When you call me, on the phone
Girl I refuse, you must have me confused
With some other guy
Your bridges were burned,
And now it's your turn to cry”

Eles cantaram inteiramente juntos. Ficou um bom trabalho, porém eles não estavam acostumados em ser o centro, então não sabiam muito o que fazer.

— Brendon e Adam. Boa sorte!

“Kiss me
Beneath the milky twilight
Lead me
Out on the moonlit floor
Lift your open hand
Strike up the band and
Make the fireflies dance
Silver moon sparkling
So, kiss me”

Eles cantaram um completando a frase do outro, encerrando a performance com um beijinho, algo que eu achei extremamente fofo e que fez Sebastian revirar os olhos. Um verdadeiro bruto esse meu amigo, isso sim.

— Ok. Uma das duplas não está presente, então vamos seguir. Eddie e Andrew. Boa sorte!

“So don't go away
Say what you say
But say that you'll stay
Forever and a day
In the time of my life
'Cause I need more time, yes, I need more time
Just to make things right”

Apenas Andrew cantou, o que deixou todos intrigados. Era para ser um dueto.

— O teste era um dueto, por que só Andrew cantou? – Perguntou Blaine.

— Porque só eu ensaiei. – Andrew respondeu sincero.

— Tudo bem. Vamos para nossa última dupla. Sebastian e Kurt. Boa sorte!

“This town is colder now, (Esta cidade está mais fria agora,)
I think it's sick of us
(Eu acho que ela está cansada de nós)
It's time to make our move,
(É hora de nos movermos,)
I'm shakin off the rust
(Eu estou desenferrujando)
I've got my heart set,
(Meu coração pertence)
On anywhere but here
(A qualquer lugar, menos aqui)
I'm staring down myself,
(Eu estou olhando fixamente para dentro de mim mesmo,)
Counting up the years
(Contando os anos)
Steady hands, just take the wheel...
(Mãos firmes, apenas tomam o controle)
And every glance is killing me
(E cada olhar está me matando)
Time to make one last appeal...
(Hora de fazer um último apelo)
For the life I lead
(Para conduzir minha vida)

Começou Sebastian o nosso dueto. Ele tinha escolhido a música por achar ser a apropriada para a situação e, considerando os últimos acontecimentos, eu apenas concordei. Além do mais, gostava da música.

“Stop and stare (Pare e olhe)
I think I'm moving but I go nowhere (Eu acho que eu estou me movendo mas eu não vou a nenhum lugar)

Yeah I know that everyone gets scared (Yeah eu sei que todo mundo tem medo)
But I've become what I can't be, oh (Mas eu me tornei o que eu não posso ser, oh)
Stop and stare (Pare e olhe)
You start to wonder why you're here, not there (Você começa a se perguntar por quê você está aqui, não lá)
And you'd give anything to get what's fair (E você daria qualquer coisa para conseguir o que é justo)
But fair ain't what you really need (Mas justo não é o que você precisa realmente)
Oh, can you see what I see (Oh, você pode ver o que eu vejo?)

Cantamos juntos. Ele estava chorando, provavelmente se lembrando dos últimos acontecimentos. Acabei deixando a emoção tomar conta de mim também. Eu estava triste por ele, ninguém merece ser expulso de casa pela própria mãe.

“They're tryin to come back, (Eles estão tentando voltar,)
All my senses push (Todos os meus sentidos golpeados)
Un-tie the weight bags, (Desfazer as malas pesadas,)
I never thought I could...
(Eu nunca pensei que poderia...)
Steady feet, don't fail me now (Pés firmes, não me falhem agora)
Gonna run till you can't walk (Corram até não poderem mais andar)
But something pulls my focus out (Mas algo tira meu foco)
And I'm standing down... (E eu estou no chão...)

Eu fui andando até ele e entrelacei nossos braços. Eu nunca o vi tão sensível, tão frágil. Sebastian era sempre tão confiante, tão cheio de si, até mesmo arrogante e mesquinho. Mas ali ele apenas parecia tão debilitado, tão apenas ele...

“Stop and stare (Pare e olhe)
I think I'm moving but I go nowhere (Eu acho que eu estou me movendo mas eu não vou a nenhum lugar)

Yeah I know that everyone gets scared (Yeah eu sei que todo mundo tem medo)
But I've become what I can't be, oh (Mas eu me tornei o que eu não posso ser, oh)
Stop and stare (Pare e olhe)
You start to wonder why you're here not there (Você começa a se perguntar por quê você está aqui, não lá)
And you'd give anything to get what's fair (E você daria qualquer coisa para conseguir o que é justo)
But fair ain't what you really need (Mas justo não é o que você precisa realmente)
Oh, you don't need (Oh, você não precisa disso...)

Encerramos a música antes do fim, ele não conseguiria ir até o final. Quando acabou ele me abraçou forte e não conseguiu mais parar de chorar.

— Sebastian, você está bem? – Perguntou Blaine, vindo até nós.

— Não. Eu não estou. – Disse ele com dificuldade e Blaine se juntou ao abraço.

— Ele só está fazendo charme para poder ganhar o dueto. – Disse Carl subindo no palco.

— Eu queria que fosse só isso. – Eu disse.

— Então o que é? A mamãe não te deu o dinheiro do lanche hoje? – Disse Carl debochando.

— Não. ELA ME EXPULSOU DE CASA POR EU SER GAY. – Sebastian disse e saiu correndo, eu, Blaine e Pam fomos atrás dele.

— Seb, volta aqui! – Eu gritei enquanto ele ainda corria. Só o alcançamos quando ele se atirou no grande gramado que havia no pátio da Dalton.

— Sebastian, eu ainda não sabia o que havia acontecido. Por que vocês não me contaram? – Perguntou Blaine.

— Eu não estava em condições de conversar com ninguém e pedi para que Kurt não falasse nada. – Explicou Sebastian.

— E onde você está? – Perguntou Pam.

— Na minha casa. – Eu respondi a ela sorrindo.

— Sebastian, se você precisar, por algum motivo, de qualquer coisa que seja, pode me pedir. Eu falei sério quando disse que me preocupo com vocês. – Disse Blaine.

[...]

— Tudo bem! Vamos as votações. Quem não terminou de preencher as fichas, preencha agora. Quem já preencheu, venha até aqui e coloque em cima da bancada. – Disse Blaine quando voltamos para o auditório.

— Oi gente, meu nome é Pam, como vocês já ouviram, eu sou a mãe de Blaine. Eu vou fazer alguns comentários sobre as apresentações. – Disse Pam sorridente.

— Uma perguntinha: O que a senhora entende de música? – Calvin perguntou e Blaine soltou uma risadinha.

— Eu era atriz da Broadway. – Ela respondeu e eu fiquei de boca aberta. – Seguindo. Quando ouvirem seus nomes, deem um passo à frente. Aqui estão as minhas anotações: John, se você pudesse desaparecer no palco enquanto cantava, você com certeza, teria feito. Eu achei que sua apresentação foi muito fraca para um solo. Se você se apresenta assim em frente àqueles que vê todos os dias, imagine na frente de quem você nunca viu. – Disse ela tranquilamente.

— Tudo bem. – Disse John cabisbaixo.

— Carl, eu realmente gostei da música que você escolheu, porém, a sua apresentação pareceu forçada e você ficou agindo como se fosse melhor que qualquer outro aqui. Todos vocês têm talento, isso é algo visível, mas, o melhor daqui, não precisa forçar para ser o melhor, ele simplesmente será. Isso vale para todos vocês. Se vocês forem realmente bons, não vão se preocupar em serem os melhores, pois já serão por natureza. – Disse ela olhando para ele.

— Esse resultado é comprado. Provavelmente Blaine pediu para que você escolhesse Kurt como o solista, eu sempre soube que os dois tinham algo, só não achei que fosse para tanto. – Disse Carl tentando ser engraçado. Só que ninguém riu.

— Se está achando tão ruim, por que continua aqui? – Perguntou Sebastian.

— Eu devia sair mesmo, só para não ter que aguentar essa sua cara. – Disse ele vindo para cima de Sebastian, porém Blaine interviu.

— Ninguém vai bater em ninguém aqui. Carl, vai dar uma volta para esfriar a cabeça. – Blaine ordenou. – Mãe, pode continuar.

— Kevin, honestamente, você ensaiou? Você errou vários trechos e cantou como se estivesse com uma batata na garganta. Eu não entendi o que aconteceu. – Disse ela, e por mais que aquilo fosse um xingamento, ela não perdeu a simpatia por nenhum segundo.

— Não, eu não ensaiei. – Disse Kevin triste.

— Chris, você cantou muito bem, mas eu nunca tinha escutado a música que você escolheu, pode me dizer quem canta? – Disse ela novamente sorrindo.

— Phillip Phillips, e o nome da música é “Where We Came From”. – Disse ele sorrindo.

— Ah, sim! Pode ficar aqui do meu lado, por favor. – Ela disse e ele foi até o lado dela. – Nosso último solo, Calvin. Eu gostei tanto da música quanto da performance. A sua atitude é algo que precisa ser trabalhada, mas você também pode vir até meu lado.

— Muito obrigado! – Disse ele contente.

— Vamos agora aos duetos. Em ordem. – Começou ela, novamente. – Brian e John, eu não gostei muito da música, mas vocês dois ficaram bem cantando juntos. A minha única reclamação mesmo, é que vocês agiram como se estivessem fazendo um coro não um solo.

— Ok. – Disse John e Brian apenas saiu do palco.

— Brendon e Adam, eu simplesmente amo essa música, e eu adorei a apresentação. Podem vir aqui para o meu lado. – Eles apenas sorriram e foram. – Eddie e Andrew, vocês tiveram a performance desclassificada, afinal, só um cantou. Sinto muito.

— Acho justo. – Disse Andrew e eles desceram do palco.

— Sebastian e Kurt, eu não acho que seja necessário algum comentário, mas mesmo assim o farei. A voz de vocês, quando juntas, formam uma explosão de mágica. Eu não tenho nenhuma reclamação quanto ao dueto. Em relação a avaliação de solo do Kurt, você cantou maravilhosamente bem. Sendo assim, vocês dois, venham aqui para o meu lado. – Disse Pam e nós fomos.

— Eu vou contar os votos. Podem ficar na minha volta, assim vocês vão ver que eu não estou “trapaceando”. – Disse Blaine olhando para todos.

Ficamos alguns minutos esperando pelo resultado.

— Parece que o solista é Kurt. E o dueto está empatado. – Disse Blaine ao largar a última ficha.

— Empatado entre quem? – Sebastian perguntou.

— Entre você e Kurt, e Brendom e Adam. – Respondeu Blaine.

— E como vamos resolver isso? — Perguntou Adam.

— Poderiam ter dois duetos ao invés do solo. – Disse Brendom e Blaine me olhou.

— Se Kurt ganhou o solo é porque foi merecedor. É injusto tirá-lo. – Disse Pam. – Eu acho que vocês poderiam tirar o dueto e fazer duas apresentações em grupo.

— Não gosto dessa ideia. – Disse Sebastian.

— E quando você gosta de alguma coisa? – Disse Carl quando voltou.

— Não me enche. – Retrucou Seb.

— Não precisam brigar. Por mim tanto faz quem ganha. – Eu disse.

— Se até o estressadinho mal amado da equipe está falando é porque você pode nos deixar cantar o dueto. – Disse Brendom.

— Agora você criou briga comigo. – Eu disse indignado.

— Ok, já que vocês não conseguem entrar em uma decisão juntos, eu terei que dar a minha opinião agora. – Blaine disse e todos o observaram. – Eu acho que ambas as duplas foram bem na apresentação. Mas acho que deveria haver outro teste, com os quatro cantando juntos. E EU vou escolher a música. – Disse Blaine.

— Qual a música? – Perguntou Adam.

— “She Don’t Like The Lights”, Justin Bieber. Conhecem? Eu tenho as partituras aqui. – Disse Blaine.

— Por mim podemos cantar agora mesmo. – Eu disse e todos concordaram.

Blaine avisou que seria uma versão acústica e pegou o violão para nos acompanhar.

“She don't like the flash, wanna keep us in the dark
She don't like the fame, baby, when we're miles apart”

Começou Brendom, me olhando como se me desdenhasse. Tal atitude só me fez querer ganhar mais ainda.

“And she getting to the point where it's too much for
And she wanna throw us all away, it's too much for”

Acompanhou Adam.

“She can't hide away, cause the world knows who we are

She don't like the lights
She don't, she don't, she don't
She don't like the lights
She don't, she don't, she don't”

Eles seguiram cantando juntos.

“She's giving ultimatums, she don't like this live
She said if I loved her, I'd give it up won't think twice
I can't do that”

Cantou Seb, me encarando e me lançando um pequeno sorriso.

“And it's getting to the point where it's too much for
Wanna throw it all away, cause it's too much for
She don't wanna live this life, damn, it's my life too”

Eu cantei simples.

“She don't like the lights
She don't, she don't, she don't
She don't like the lights
She don't, she don't, she don't”

Eu e Sebastian cantamos juntos e no meio da performance já estávamos recebendo aplausos.

“Don't wanna share no one else, want me to herself
Don't want no love in front of the camera”

Brendom e Adam cantaram tentando conseguir aplausos também, mas a única coisa que eles conseguiram foram alguns suspiros.

“She don't like the lights
She don't, she don't, she don't
She don't like the lights”

Encerramos a música e Blaine foi para o centro do palco.

— Vamos fazer por aplausos. Quem quer Kurt e Sebastian aplaude. – Blaine disse e todos aplaudiram e gritaram, incluindo ele. – Quem quer Brendom e Adam? – Ele perguntou e foi o único a aplaudir. – Acho que temos nosso solista e a nossa dupla.

[...]

— Como Sebastian está? – Perguntou Blaine sentando comigo no sofá.

— Foi dormir um pouco. Ele está devastado. – Eu disse. – Eu queria poder fazer algo para ajudar. Mas ele disse que só por eu existir já estou ajudando.

— Eu fico muito feliz com essa amizade de vocês. – Ele disse sorrindo.

— Eu também. – Eu disse também sorrindo.

— Foi difícil passar o dia ao seu lado sem poder encostar em você. – Ele disse pegando minha mão.

— Eu concordo. Foi horrível. – Eu falei rindo e roubei um selinho dele.

— Como você consegue ser assim? – Perguntou ele me puxando mais para perto.

— Assim como? – Eu perguntei o olhando.

— Tão fofo, que consegue fazer com que eu me derreta só por me olhar com esses lindos olhinhos azuis brilhantes. Perto de você eu sou pior que gelo no sol. Nunca esperei passar por isso. – Ele disse e eu dei uma risada estranha e ele riu junto.

— Você me faz feliz, sabia? – Eu disse olhando para o nada, me escorando no braço dele.

— Você talvez não saiba, mas você também me faz muito feliz.

Notas finais
Músicas: https://open.spotify.com/user/onemoreklainer/playlist/68uE4bwob6xEhZ3IGWt3d0 Essa fic tá muito fofa e parada... ai, ai... O que acharam? Me contem ♥ Bjo ♥