Olimpo doce Olimpo
8 Visitas ásgardianas
Amanheceu, o Olimpo já havia se enchido um pouco. Héstia, Atlas, Polyana, Nihon, a esposa e os filhos dele chegaram na noite passada. A deusa polonesa e o deus japonês queriam muito ter ido à festa no castelo de Ásgard, mas chegaram muito cansados da viagem e por isso, preferiram ficar no Olimpo.
O mesmo não se pode dizer de Ares e Ivana. Os dois foram à festa e se esbaldaram, voltaram durante a madrugada e agora dormem profundamente.
— Papá, a mama não vai acordar? — Perguntou Michael.
— Vai sim, bambino. Só que mais tarde. Ela precisa descansar. — Respondeu Vincenzo.
— Por que?
— Porque a mamãe foi em uma festa lá em cima e voltou bem tarde. Vamos deixa-la descansar. — Vincenzo fechou a porta bem devagar, para não fazer tanto barulho. — Quer tomar um café da manhã delicioso?
— Siiiim! — Michael respondeu com empolgação.
...
Ganimedes é sócio de Almatéia em uma empresa audiovisual, porém, durante essa época de Olimpíadas estará no Olimpo para ajudá-la com os serviços domésticos, inclusive, ele ajudou a preparar o café da manhã.
Francine aproveitou o momento para conversar com Stanley e o assunto era bem tenso, pelo menos na visão do deus americano, Delayoh.
— Fran, você sabe muito bem a trabalheira que tive para preparar aquele jantar, gastei dinheiro comprando um anel caro e pra quê? Para no final das contas, ela não aceitar o meu pedido. — Disse Stanley. — Amo a Delayoh, mas ela tem um gênio difícil de aturar.
— Sei disso. — Francine tomou um pouco de iogurte. — Mas precisava colocar aquelas sanções?
— Foi em momento de raiva, estava tão bravo que não pensei direito. E quando vi, o estrago já estava feito.
— Isso a irritou e muito. Delayoh está com raiva de você, capaz de não te deixar ver Halinor.
— Delayoh não teria coragem de fazer isso, nossa filha não tem nada a ver com a nossa briga. E também, só queria formar uma família, viver com ela, a amo tanto.
— Sei disso, mas você conhece a Delayoh, ela não quer se casar.
— O que ela quer então? Que eu seja o brinquedinho dela, para ela brincar comigo quando quiser?
— Não é isso Stanley, tenho certeza que ela te ama, mas se casar, não está nos planos dela. — Francine segurou a mão do irmão e o olhou com seriedade. — Daqui a pouco a Delayoh vai chegar aqui e vocês dois vão conversar. Nada de briga, hein? A conversa será para se acertarem.
— Está bem, assim que Delayoh chegar, converso com ela. — Stanley soltou a mão da irmã. — Só não prometo que será uma conversa tranquila.
Ivana apareceu na sala, esfregando bem os olhos e colocando a mão sobre eles para tampar a claridade.
— Bom dia, Ivana. — Disse Francine.
— Buongiorno. — Ivana falou com a voz rouca.
— A noite foi boa ontem, hein? Nem vi a hora que você e Ares chegaram. — Comentou Stanley.
— Você nem imagina como foi animado, Stanley. — Ivana colocou o café preto na xícara de porcelana branca. — Comemos, bebemos, brincamos, dançamos, rimos. O castelo de Ásgard se encheu de música e luzes. Estava tão bom que perdi a noção do tempo e só sai de madrugada. — Ivana tomou um gole de café. — Eu e Ares, aquele lá não queria vir embora de jeito nenhum, mas cedeu e acabou vindo.
— E ele já acordou? — Perguntou Francine.
— Acho que sim. — Respondeu Ivana. — E ele já me avisou e pediu para passar o recado, hoje ele vai dormir em Ásgard, parece que combinou algo com Silvik durante a festa, se é que vocês me entendem. — Ivana deu uma rápida olhada e viu Ares se aproximando, ele ainda estava zonzo de sono. — Por falar nele. Bom dia, Ares!
Ares pegou a xícara que estava na mão de Ivana, a deixando espantada, e tomou o resto do café.
— Bom dia. — Ares respondeu, ele fez uma cara de nojo e se arrepiou. — Nossa que café amargo.
— Eu tinha colocado para mim, Ares. — Reclamou Ivana. — Mas tem mais café na garrafa. Se quiser pode colocar mais açúcar.
— Agradeço, mas não será necessário. Essa quantidade já foi o suficiente para que eu acorde. Vou tomar um banho e me arrumar, daqui a pouco minha mãe e minhas irmãs vão chegar aqui.
— Elas já estão vindo? — Perguntou Stanley. — Estou perguntando mais por causa de Halinor.
— Quando conversei com o Germano, ainda estavam tomando café, mas devem vir logo. E Stanley eu percebi.
— Percebeu o quê?
— O seu interesse disfarçado sobre a Delayoh vir. Mas não se preocupe, guardarei bem o seu segredo. — Ares deu uma piscadinha para ele.
...
Algum tempo depois, um forte barulho foi ouvido.
— Minha mãe chegou. — Disse Hebe.
Do lado de fora:
— De volta ao Olimpo. Ebaaa! Que legal. — Disse Hera, ironicamente.
— Nossa mãe, falou com tanta empolgação. — Disse Ilítia.
— É porque o Olimpo me traz lembranças, péssimas lembranças. E tu sabes muito bem disso, Ilítia.
— Mas agora, tu não és mais a rainha do Olimpo e principalmente, não é mais casada com o Zeus. Ou seja, esses tempos de sofrimento ficaram no passado. — Frizioh deu um beijo no rosto de Hera.
— Tens razão, meine liebe. — Hera retribuiu o carinho com um sorriso. — Então, vamos entrar?
Ao entrarem foram recebidos com festa por Hebe.
— Mamãe, estou tão feliz em vê-la. Khayna, Delayoh, Ciano, Ares, Ilítia e Beatrissa, é bom vê-los irmãos. — Hebe deu um abraço apertado na mãe e nos irmãos e também cumprimentou Frizioh e Ixião.
— Também é bom te ver, filha. — Disse Hera.
— E onde está a Halinor? A titia está morrendo de saudades dela. — Hebe abraçou Halinor. — Também quero dar um grande abraço nos meus sobrinhos. — Hebe abraçou Hong, de oito anos e Yang, de quatro anos, os dois são filhos de Khayna.
— Mutti, cadê vatti? — Perguntou Halinor.
— Stanley está na cozinha. Vou avisar que chegaram. — Disse Francine. — Ele está louco para ti ver, Halinor.
— Danke, Francine. — Disse Delayoh.
Francine foi até a cozinha e encontrou Stanley, conversando com a mãe, melhor, ele estava a ajudando a lavar e a guardar a louça do café. A deusa francesa lamentou em ter que interromper o momento, mas que precisaria levar Stanley. O deus americano perguntou o motivo.
— A Halinor chegou. — Disse Francine.
— Ah, as visitas ásgardianas chegaram para passar um tempo conosco. — Métis fez um comentário irônico.
Stanley abriu um largo sorriso e se desculpou com a mãe, que entendeu e disse que terminaria de guardar a louça. Empolgado, o deus americano foi correndo para a sala. Quando chegou, se deparou com Delayoh, que conversava com Castela e Neverly, as duas também tinham ido para a festa em Ásgard.
Delayoh percebeu que Stanley a olhava, os dois ficaram um bom tempo se olhando. Ele pensava “Como ela está bonita com os cabelos negros longos e soltos. Seus olhos azuis cristal ainda me encantam. Sinto falta de te abraçar, de sentir o seu perfume, de te dar um beijo apaixonado. Ah, Delayoh! Te amo tanto”. Ela também sentia falta dele, também o amava, mas prefere esconder esse sentimento e continuar chateada por causa de um desentendimento recente. O silêncio entre os dois foi quebrado por um grito:
— VATTIII!
Stanley imediatamente abriu os braços, para receber Halinor, que corria na sua direção. Ele a abraçou e beijou o rosto dela várias vezes.
— Hali! Que saudades eu estava da minha filhinha. — Disse Stanley, enquanto Halinor ria. — Olha só para você, cresceu e está ficando linda a cada dia. Papai vai aproveitar cada segundo com você aqui. Oi, Delayoh. — Stanley cumprimentou a deusa alemã.
— Oi, Stanley. — Delayoh o cumprimentou de forma comedida e com a voz um pouco baixa.
Halinor foi abraçar Zeus, enquanto Stanley e Delayoh se olhavam meio sem graça um para o outro, Francine cutucou Stanley como se estivesse dizendo “conversa com ela”. Ele ia se aproximar dela, quando Zeus interrompeu para cumprimentar Delayoh.
— Lilica. Nossa, como está alta. Estava morrendo de saudades de você. — Zeus abraçou Delayoh. Ele estava impressionado com o tamanho da filha que não via a um bom tempo.
— Não estou mais alta, Vater. Continuo com os meus 2,16. Aliás, tenho uma pergunta para o senhor, por que não foi me visitar na Alemanha? — Perguntou Delayoh.
— Tive muitos assuntos para resolver. — Respondeu Zeus, acanhado e coçando a cabeça.
— Isso está me parecendo desculpa. — Disse Hera, de forma provocativa.
— Ou até medo. — Frizioh continuou a provocação.
— Não consigo entender, muitos anos se passaram e Zeus continua com medo da Alemanha. — Completou Ixião, rindo.
— Oi, para vocês também Hera, Frizioh e Ixião. E não é medo nem desculpa. Eu realmente tive problemas para resolver nos Estados Unidos, no Brasil, além de dar rápidas passadas na França e na Argentina.
— Hm, sei. — Responderam os três.
— Hera, é um prazer revê-la. Seja bem-vinda. O quarto em que ficará já está pronto. Eu o arrumei e o limpei, aqui está a chave. — Disse Almatéia, se aproximando.
— Também estou feliz em vê-la Almatéia, mas não poderia ter trocado o chaveiro? Pena de pavão? Eu odeio pena de pavão. Não estou reclamando de você, mas é que pena de pavão me traz péssimas lembranças. — Hera olhou para Zeus.
Hera trocou o chaveiro de pavão por um com lua e coração em ouro, seu poderoso símbolo. Chamou Khayna e Delayoh para conhecer o quarto, elas a acompanharam. Hera colocou a chave e destrancou a porta, abriu e disse:
— Khayna. Delayoh. Conheçam o local em que China e Alemanha foram projetadas.
— Esse quarto é luxuoso, é praticamente um sonho de consumo. — Disse Khayna, admirada com o quarto.
— Cortinas em veludo, móveis refinados, roupa de cama de seda, linho e outros tecidos, isso sem falar do luxo que é o banheiro. É com certeza um quarto de uma deusa poderosa. — Disse Delayoh. — Tenho ótimas lembranças desse quarto.
— Como assim? — Perguntou Khayna.
— É que quando o exército alemão invadiu a Grécia, durante a Segunda Guerra, eu e Heringuer viemos aqui e transamos nesse quarto. Foi uma tarde maravilhosa nesses lençóis.
Hera e Khayna se olharam espantadas e sem graça com o que acabaram de ouvir.
— Bom, depois desse momento revelador, vamos ao que interessa. Construí esse quarto para as noites em que sentia raiva, ódio das traições de Zeus. Nessas noites solitárias, eu planejava como seriam as cidades, a agricultura, o exército, dentre outros aspectos. — Hera desenrolou um grande papel com vários desenhos e mostrou para as filhas, era um mapa. — Este é o esboço do mapa de Hong Kong — Hera apontou para outro lugar no mapa. — E aqui comecei a desenhar Frankfurt.
— No desenho está dando para ver que seriam grandes cidades. — Disse Delayoh.
— Eu projetei China e Alemanha para serem duas grandes potencias.
— Aos poucos vamos conseguindo mãe. E logo as nações que projetou, serão grandes potencias respeitadas em todo mundo. — Disse Khayna abraçando a mãe.
...
O dia transcorreu tranquilamente, mais tarde, Stanley tomou coragem e foi falar com Delayoh. Ele bateu na porta e ouviu uma voz dizer que poderia entrar, Stanley abriu e viu que Delayoh dava um banho em Halinor.
— Desculpa, não sabia que estava dando banho em Halinor. — Disse Stanley, fechando um pouco a porta.
— Não tem problema, afinal, tu és o pai dela. — Disse Delayoh, de modo frio.
— Precisava falar com você.
— Pode falar, estou ouvindo. — Delayoh falou enquanto enxaguava Halinor com o chuveirinho.
— Queria falar com você a sós.
Delayoh se virou para ele e disse de forma firme:
— Stanley, se quer falar comigo, seja direto e fale de uma vez.
— É um assunto que só pode ser dito a sós. Não quero falar na frente da nossa filha, é um assunto nosso.
— Vatti. Mutti. Por que estão brigando? — Perguntou Halinor, assustada.
Delayoh enrolou a filha em uma toalha branca de linho, deu um beijo em seu rosto e disse que não estavam brigando, só estavam conversando. A secou e vestiu um vestido rosinha nela. Ilitia passava no momento e Delayoh pediu para que ela levasse Halinor para a sala, Ilitia pegou a sobrinha no colo e a levou para a sala.
— Pronto, Stanley. Estamos sozinhos, pode conversar comigo. — Disse Delayoh.
— A porta está aberta. — Disse Stanley.
— E? — Delayoh perguntou com uma expressão tediosa.
— Alguém pode ouvir nossa conversa, melhor fechar.
— E se alguém ouvir, qual o problema?
— É um assunto nosso, não quero que fiquem se metendo.
— Nossa família já se mete na vida de cada um, mesmo não querendo. Então, fale o que tem para falar, ou saia do meu quarto.
— Quer saber, não é nada. Pode deixar, já até me esqueci. Me perdoe se a incomodei.
Stanley saiu do quarto de Delayoh bufando, ele pensava “Céus, como fui me apaixonar por uma mulher assim? Ô deusa teimosa!”
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