Olimpo doce Olimpo

12 De onde vem os nenéns?


A terça-feira começava, Métis dava café da manhã para Anne e Têmis para Helena, depois as meninas saíram para brincar. Anfitrite apareceu na cozinha com um questionamento:

— Será que a nossa família não vai crescer mais?

Métis e Têmis se olharam espantadas.

— De onde surgiu essa ideia, Anfitrite? — Perguntou Métis, enquanto recolhia as tigelas amarelas.

— É que eu estive pensando, antes haviam nascimentos e em sequência na família. Depois que a Halinor, neta da Hera, nasceu, não houveram mais nascimentos. Será que paramos ali? Não haverá mais crianças chegando?

— Que ideia, Anfitrite. — Disse Métis. — Claro que haverá mais nascimentos daqui a alguns anos. Mas, por enquanto, não haverá.

— Até porque nossos filhos, nessa semana, estão com três anos. — Completou Têmis. — Mas confesso para vocês, quando Helena voltar a ser adulta e se casar, vou pedir para ela encomendar logo um netinho para mim. Quero muito ser chamada de vovó.

— Tenho certeza de isso irá acontecer, Têmis.

— Ai, quero muito ouvir aquela vozinha dizendo “vovó, vovó”. É isso, assim que tudo voltar ao normal e Helena se casar, vou encomendar um neném com ela. — Disse Têmis, enquanto lavava a louça.

De repente Anne e Helena voltaram para a cozinha e pegaram a conversa na metade.

— Encomendar neném? De onde ele vem? — Perguntou Anne.

Métis, Anfitrite e Têmis ficaram espantadas ao ouvirem a voz de Anne. As três olharam e viram duas menininhas loirinhas as olhando com curiosidade.

— Querida, é um assunto complicado. — Disse Métis.

— Acho que eles vêm do quarto da mamãe e do papai quando falam eu te amo. — Disse Helena.

— Vamos perguntar pra quem sabe, o papai sabe tudo. — Disse Anne.

Anne e Helena saíram correndo da cozinha. Anfitrite disse:

— Apesar de adorar ter meus filhos e sobrinhos pequenos outra vez, essa semana será um desafio para nós. Precisamos tomar cuidado com o que falamos, pois, eles são espertos e entendem tudo.

...

Zeus tomava seu café quando Anne e Helena se aproximaram dele.

— Oi Helen. Oi Anne. — Disse Zeus, sorrindo.

— Papai, podemos te fazer uma pergunta? — Disse Anne.

— Claro, o que querem saber? — Disse Zeus, enquanto tomava o café.

— De onde vem os nenéns? — Perguntou Helena.

Zeus engasgou com o café. Têmis e Métis se aproximaram.

— Têmis, Métis, porque elas estão fazendo essa pergunta? — Perguntou Zeus.

— Elas ouviram uma conversa nossa e ficaram curiosas. — Disse Métis.

— Eu acho que eles vêm do quarto do papai e da mamãe quando dizem eu te amo. — Disse Helena.

— Eu acho que vêm do jardim, igual as florezinhas. — Disse Anne.

Francine se aproximou e disse:

— Um passarinho traz eles, no seu bico enorme.

— Acho que eles vêm em caixas de presentes no natal. — Disse Brandon, se interessando pelo assunto.

— Eu acho que eles vêm da plantação de uva. — Disse Ivana, deixando de lado o tapete de pintar.

— Posso saber o assunto? — Perguntou Hera, se aproximando com Delayoh nos braços.

— As crianças estão tentando formular teorias de onde vem os nenéns. — Respondeu Demeter.

— Eu sei de onde vem os nenéns. — Disse Delayoh.

— Sabe? — Disse Hera, olhando espantada para a filha.

— Sim, da neve. A mamãe joga neve pro ar e depois vem o neném. — Delayoh respondeu com toda a segurança.

Hera respirou aliviada e explicou para a filha:

— O neném chega em um momento muito especial, quando o amor da mamãe e do papai fica tão grande, que tem que ter mais uma pessoa para compartilhar esse amor.

— Ah. E como isso acontece? — Perguntou Delayoh.

— Como acontece? — Disse Hera, devolvendo a pergunta em espanto.

— Quero ver agora como vai sair dessa, Hera. — Disse Métis.

Hera hesitou, mas iria responder. Porém, Zeus a interrompeu.

— Deixa que o papai explica. — Disse Zeus.

— Cuidado Zeus! — Disseram Métis, Hera e Têmis.

— Tá bom. Os bebês vêm de...

— De um supermercado. — Disse Poseidon.

— De um supermercado? — Perguntaram as crianças.

— De um supermercado? — Perguntaram os adultos.

— Sim, no supermercado não tem um monte de coisa? Então, tem nenéns, eles ficam embaladinhos perto dos chocolates. — Respondeu Poseidon.

— Então dá pra comprar um irmãozinho? Mamãe onde fica esse supermercado? Eu quero um. — Disse Stanley.

— Na verdade, esse supermercado fica em um lugar especial, na cama do papai e da mamãe. — Hades entrou na brincadeira.

— Não piora as coisas, Hades. — Disse Zeus.

— Vamos gente, vamos procurar! — Disse Stela, empolgada.

As crianças foram aos quartos dos pais, subiam e olhavam embaixo das camas, levantavam e sacudiam as cobertas, afastaram os travesseiros, procuravam e não encontraram nada. Voltaram desanimadas.

— Não achamos nada, não tinha supermercado. — Lamentou Elisabeth.

— Meu anjinho, vem cá. — Anfitrite pegou a filha no colo e deu um beijo no rosto dela. — Não tem supermercado nenhum na cama da mamãe.

— É, seu tio Hades fala muita asneira. — Disse Poseidon.

— E até agora ninguém respondeu a nossa pergunta, de onde vem os nenéns? – Disse Nihon, com os braços cruzados.

Héstia achou uma graça a pose do filho e explicou:

— Ô Nihon, é que é um assunto complicado. Vocês são muito novinhos para entender certas coisas.

— Tá bom. Se não querem falar, nós vamos descobrir. — Se irritou Khayna.

As crianças saíram da sala, os adultos ficaram aliviados e um pouco tensos.

— Como surgiu esse assunto? — Perguntou Hera.

— Anne e Helena ouviram uma conversa minha, de Têmis e de Anfitrite e surgiu a curiosidade. — Disse Métis. — Agora teremos que falar alguma coisa para eles.

— Mas o que? Não podemos falar o que acontece de verdade, são muito novinhos.

— Eu ia explicar pra eles, mas Poseidon me interrompeu com a teoria maluca de supermercado e começou uma discussão. — Disse Zeus.

— Eu sou apenas uma amiga de vocês, não quero me intrometer, mas, por que não usam a fabula da abelha e da flor? É fofinha e se aproxima um pouco da realidade. — Sugeriu Afrodite.

— Gostei dessa ideia, Dite. Mas as crianças são espertas e vão fazer outras perguntas e essa fabula pode cair por terra e vão ficar mais curiosos. — Disse Amimone.

— A historinha que contava para Ares e Ilitia quando fizeram essa pergunta, parece ser uma boa ideia. — Disse Zeus.

— Ah não, essa historinha não. — Protestou Hera. — Ela me deu muita dor de cabeça. Ares colocava pólen em tudo, Ilitia tinha pesadelos com a cegonha e não me deixava dormir, nunca mais quero ouvir falar nessa historinha.

— Tá bom, tá bom, não falo mais. — Zeus levantou as mãos. — Mas como vamos resolver esse problema?

Demeter observava a conversa, de repente, teve um estalo e disse:

— Gente não percebem, já temos a solução. Com as ideias das crianças, as nossas conversas, montamos uma história e contamos pra elas. Só precisamos organizar.

Todos concordaram e começaram a elaborar a história.

...

Enquanto isso, em uma das varandas com piso de mármore e muitos vasos de plantas, as crianças ainda falavam no assunto.

— Já sei, os nenéns chegam por encomenda, porque a minha mamãe falou em encomendar. — Disse Helena.

— Mas como será que faz pra encomendar? — Perguntou Gálio.

— Ora, o papai encomenda e a cegonha entrega. — Respondeu Stanley.

— Hm, a minha ideia da neve é muito mais legal. — Protestou Delayoh.

— Não é nada, é chata. Assim como você.

— Chato é você.

— Vocês dois querem parar? — Esbravejou Francine.

...

Depois de um dia inteiro, a história ficou pronta. Depois do jantar, todos se reuniram na sala dos tronos.

— Hoje vocês, pequeninos, vão ouvir uma historinha antes de dormir. — Disse Métis.

— Uma historinha onde será desvendado o maior mistério de todos: De onde vem os nenéns? — Disse Hera.

— Vamos começar? — Perguntou Têmis. — Era uma vez, uma linda jovem chamada Flor, ninguém sabia nada sobre ela, vivia solitária numa floresta. Apesar de solitária, ela era gentil, sonhadora, meiga, todos os bichinhos gostavam dela. Um dia ela resolveu sair de sua floresta e se aventurar pelo mundo, depois de muito andar, encontrou uma moça, ela não estava sozinha, a moça tinha um neném que se parecia com ela.

— De quem é esse bebezinho fofo? — Perguntou Flor.

— É meu. — Disse a moça. — Foi um anjo que trouxe pra mim.

Métis continuou:

Flor ficou curiosa e perguntou novamente, como ela teve o bebê e a moça com ternura respondeu:

— Um milagre chamado amor me trouxe ele.

As duas conversaram e depois de um tempo Flor decidiu dar uma volta pela cidade, gostou do lugar e decidiu:

— É aqui que vou ficar.

Os dias se passaram e Flor encontrou um belo rapaz, os dois se entendiam e um tempo depois, os dois estavam apaixonados um pelo outro e se lembrou da moça que conheceu e se perguntou:

— Será que isso é o tal milagre amor?

Hera finalizou:

O amor dos dois era lindo e grande, se uniram e algum tempo depois, Flor recebeu a visita de um anjo que dizia:

— Trouxe um presente pra você Flor, em alguns meses o maior amor do mundo chegará para você.

Dito e feito, alguns meses depois, Flor teve um lindo neném, ao olhar para a criança entendeu, que através do amor que sentia pelo seu amado rapaz, conseguiu o mais lindo presente que poderia ter.

— Então, cada uma de nós recebeu a visita desse anjinho. — Demeter apontou para cada mãe que estava na sala, inclusive, para si mesma.

— E nos presenteou com vocês. — Completou Héstia. — E nós somos muito felizes, vocês nos trazem muitas alegrias.

— Nossa, então é um anjinho que traz os nenéns para as mamães? — Perguntou Francine.

— Sim, Fran. Mas ele só vem quando tem amor entre um papai e uma mamãe. — Respondeu Métis.

As crianças sorriram e abraçaram as mães e os pais e foram dormir.

...

No meio da noite, Stanley sobe na cama de Métis.

Mommy, mommy, mommy. — Dizia Stanley, enquanto tentava acordar a mãe dando cutucadas nas costas dela.

— O que foi, Stanley? — Perguntou Métis, um pouco sonolenta.

— Como é esse tal anjinho amor?

— Ah filho não sei, pode ter várias formas. — Métis se virou na cama. — Agora volta a dormir, meu amor.

Stanley deu um beijo no rosto da mãe e desceu da cama. Enquanto voltava para a caminha, ele continuou falando:

— Tá, mas eu sonhei com ele. E ele estava entregando um neném pra mim e pra Delayoh, dizendo que era o nosso neném. Nós estávamos grandões.

Métis acordou espantada e arregalou os olhos.