Olimpo doce Olimpo
13 A febre
Notas iniciais
Eram dez horas da manhã quando Frizioh e Hera acordaram.
— Guten Morgen, Ivy. — Disse Frizioh.
— Guten Morgen, Frizioh. — Disse Hera.
— Acho que poderíamos aproveitar esse momento sozinhos e namorar um pouco. O que acha?
— Agora? Mas está de manhã. E quem disse que estamos sozinhos? A Delayoh está bem ali na caminha e pode nos escutar chamando o anjinho.
Frizioh olhou para a caminha e viu Delayoh dormindo toda enrolada na coberta, quase não dá para ver a menina, apenas a ponta de seu cabelo negro.
— Não vamos chamar o anjinho agora, Ivy. Talvez mais tarde. — Disse Frizioh, com um sorriso malicioso. — Vamos apenas trocar alguns beijos e Delayoh está dormindo tranquilamente. Vamos aproveitar.
Frizioh se aproximou dela e a beijou. No beijo havia amor entre os dois, Hera estava adorando sentir os lábios de Frizioh nos seus, as mãos dele deslisando sobre a camisola vermelha de seda. Ela teve um estalo. Parou o beijo, afastou Frizioh e disse:
— Delayoh está dormindo até agora? Estranho, ela sempre acorda junto conosco.
— Ela pode querer ficar mais um pouco na cama. — Frizioh se aproximou de Hera para dar mais um beijo.
— Frizioh... — Hera o afastou novamente, com um olhar sério. — Vá ver a Delayoh.
Frizioh desanimou e atendeu ao pedido dela, preferiu não a contrariar, principalmente por causa da mudança do tom de voz.
— Guten Morgen, meine tochter. — Disse Frizioh, se aproximando da caminha. — Vamos levantar?
— Não quero. — Respondeu Delayoh, com o jeito manhoso.
— Vamos, schatz. — Frizioh tirou as cobertas de cima da filha, colocou a mão nela e se preocupou. — Ivy, a Delayoh está quente. Muito quente.
— Tô com frio. — Disse Delayoh, puxando a coberta de volta.
Hera se preocupou e rapidamente levantou da cama, foi até a filha, colocou a mão na testa dela e constatou que o Frizioh disse era verdade.
— Delayoh está com febre. Vem com mutti. — Hera pegou a filha no colo. — Vou te dar um banho.
Ares bateu na porta e pediu licença antes de entrar.
— Bom dia, demoraram e vim ver o que está acontecendo. — Disse Ares.
— Delayoh está com febre, sua mãe foi dar um banho nela. — Disse Frizioh.
— Frizioh, pega o moletom que separei para ela. — Disse Hera. Assim que viu Ares, o desejou bom dia.
Frizioh entregou o moletom rosa escuro para Hera. Minutos depois, ela apareceu com Delayoh nos braços, a colocou na cama e a cobriu.
— Prontinho, agora vou te dar o remédio pra febre e você vai ficar boa logo. — Hera estalou os dedos e surgiu um vidro âmbar vazio. — Oh não, não tem mais remédio. E agora?
— Mutti, tô com fome. — Disse Delayoh.
— Vou para a cozinha deixar tudo no jeito para você, mãe. — Disse Ares, saindo do quarto
— Tudo bem, vou preparar o seu café e já trago pra você. Tenho que correr, pois, terei que ir para Ásgard comprar o seu remédio.
— Ivy, se quiser, posso ir com você. Conheço uma botica em Ásgard e tenho uma ficha para descontos.
— Excelente, Frizioh. Poderá ir comigo sim. — Disse Hera, sorrindo. — Aliás, serás importante para me mostrar onde fica essa botica. Porém, antes de irmos terei que passar algumas funções para Ixião e Zeus.
...
Hera foi apressada para a cozinha preparar o mingau. Durante o preparo, ela chamou por Ixião, ele prontamente atendeu.
— Ixião, preciso falar com você. — Disse Hera, enquanto mexia a panela de mingau.
— Bom dia, Hera. Claro, pode falar. — Disse Ixião.
— Delayoh está com febre. Eu vou para Ásgard, com Frizioh, para comprar o remédio. Com isso, quero te pedir para tomar conta de Khayna e Ciano. E algumas vezes pode tomar conta de Delayoh.
— Faço o que está me pedindo com muito gosto. Mas posso saber o motivo de eu tomar conta da Delayoh só algumas vezes?
— Porque quem vai tomar conta da Delayoh, é o outro pai dela, o Zeus.
Ixião ficou surpreso, mas acabou concordando, quer ver como Zeus irá se sair nessa. Hera se despediu de Khayna e Ciano e pediu para se comportarem, eles falaram que sim e deram um beijo em cada lado do rosto da mãe.
...
Hera preparou o mingau e quando ia para o quarto, encontrou com Zeus.
— Vou te dar uma tarefa para hoje. — Começou Hera.
— Pode falar. — Disse Zeus.
— Você vai tomar conta da Delayoh hoje.
— Vou adorar tomar conta da minha Lilica.
— Ela está mais quietinha hoje, porque está com febre. Irei para Ásgard comprar o remédio dela, Frizioh vai comigo. Enquanto Ixião vai tomar conta de Khayna e Ciano e vai fazer algumas visitas para Delayoh. E você, vai tomar conta dela, também vai tomar conta de Germano e Germana.
— Com febre? Vou chamar o Apolo, ele pode ter o remédio.
— Não. Ele não vai saber lidar com uma febre ásgardiana. — Hera entrou no quarto, Zeus foi logo em seguida. — Mutti trouxe o seu mingau e quem vai te dar ele é o Vater Zeus.
— Oba! — Comemorou Delayoh.
— Vou ficar o dia inteiro com a minha Lilica. — Disse Zeus. — E pode deixar, Hera, vou me organizar com Hebe, Almatéia e Ares para que possam também tomar conta de Germano e Germana, enquanto estou com Delayoh.
— Muito bem. — Disse Hera. Ela se virou para Delayoh. — Mutti já vai, fique quietinha, dorme um pouquinho que eu já volto com o seu remédio, está bem, Dede? — Disse Hera dando um beijinho na filha.
— Ivy, vamos? — Perguntou Frizioh. — Mas antes quero dar um beijo bem carinhoso em Mein Schatz. — Frizioh fez um carinho e beijou o rosto de Delayoh, a fazendo rir.
— Vamos, Frizioh. O Zeus vai tomar conta da Delayoh, enquanto estivermos fora. Ah, um recado, Zeus. Não tire a Delayoh do quarto, senão a febre dela vai piorar e nem o remédio vai resolver.
— É mesmo?
— É. — Respondeu Zeus, com satisfação. — Pode deixar, Hera, Delayoh fica no quarto hoje.
Frizioh disse que estava tudo bem, deu uma leve risadinha e saiu com Hera.
— Vamos tomar um delicioso mingau, Lilica? — Perguntou Zeus, se sentando na cama e pegando uma pequena quantidade com a colher.
— Sim! — Respondeu Delayoh, com empolgação.
Zeus colocou a colher na boca dela e fez isso repetida vezes, até Delayoh tomar todo o mingau.
...
Aquela risadinha que Frizioh deu antes de sair, tinha seus motivos. Não era uma febre comum e aos poucos Zeus iria descobrir isso. A começar pelos objetos que levitavam quando Delayoh espirrava, almofadas voavam, a louça do café foi parar no chão, fazendo Zeus as consertar no mesmo instante. Ele restaurava cada vez que o vidro da janela trincava, quando Delayoh tossia. Ele ficava assustado, mas dava um jeito para amenizar.
Ares apareceu para visitar a irmã e para dar um recado:
— Não deixe a Delayoh chorar.
Zeus ficou confuso, mas disse que estava tudo bem.
— Vater. Posso sair do quarto? — Perguntou Delayoh.
— Não pode, Lilica. — Respondeu Zeus. — Sua mãe foi clara, você não sai desse quarto hoje.
— Ah, mas eu queria ir brincar. — Delayoh tirou a coberta e ia se levantando da cama.
— Nada disso. — Zeus recolocou as pernas da filha na cama e cobriu novamente. — Você não pode sair do quarto, Delayoh.
— Mas eu quero...— Choramingou Delayoh.
Um choro começou a formar, Zeus sentiu um leve tremor sacudir o Olimpo, o fazendo a começar a entender do recado de Ares e rapidamente contornar a situação.
— Calma, Lilica. Já sei, vamos assistir televisão. E eu vou pedir para a Hebe trazer o Germano e a Germana aqui. Aí vocês brincam aqui. Pode ser?
— Pode. — Disse Delayoh, acalmando o choro.
Zeus respirou aliviado, conseguiu impedir Delayoh de chorar. E ainda uniu o útil ao agradável, trazendo Germano e Germana para perto de Delayoh, ele ficaria de olhos nos gêmeos, ao mesmo tempo que tomava conta de Delayoh. Ele pediu para Hebe trazer os gêmeos para o quarto de Delayoh, ela prontamente atendeu ao pedido e minutos depois, Germana e Germano brincavam e assistiam desenho com Delayoh.
Depois de algum tempo, Anne, Francine e Ivana apareceram no quarto.
— Oba desenho! Podemos ver? — Perguntou Francine.
— Claro, cheguem mais perto meninas. — Disse Zeus.
— O que a Delayoh tem? — Perguntou Anne.
— Ela tá um pouquinho dodói, mas vai melhorar.
— Melhore Delayoh, quero brincar com você. — Disse Ivana.
Ivana deu um abraço em Delayoh e ela retribuiu, mesmo pequenas, a amizade entre as duas prevalece. As meninas se assustaram quando o vidro da janela trincou quando a Delayoh tossiu.
— Não se preocupem meninas, isso faz parte da febre. — Zeus restaurou o vidro. — Prontinho, o vidro voltou ao normal.
...
Enquanto isso em Ásgard, Hera e Frizioh caminhavam até a botica.
— Essa botica fica muito longe? — Perguntou Hera.
— Pelo que me lembro, devemos estar chegando. — Respondeu Frizioh.
— Pelo o que se lembra? Então, não sabe onde fica.
— Calma, liebe. Eu sei onde fica. — Frizioh riu e deu um beijo no rosto de Hera. — Só quis brincar um pouco com você. A botica fica bem ali.
— Aonde?
— Ali, onde está aquela fila enorme. — Frizioh falou com desanimo.
— Pelo visto, vamos demorar para sermos atendidos. — Bufou Hera. — Vou aproveitar e saber notícias da Delayoh.
...
Depois de um tempo, Delayoh dormiu agarrada a um ursinho. Zeus ficou admirando a filha, reparava em como ela se parecia com Hera, nariz, boca, rosto, iguais ao da mãe. Ixião entrou no quarto.
— Como ela está? — Perguntou Ixião.
— Está um pouco melhor, mas ainda com febre. Pelo menos ela está dormindo bem. — Respondeu Zeus.
— Se estiver muito cansado ou quiser ficar com seus filhos pode ir, eu tomo conta dela.
— Eu estou bem, Ixião, posso continuar cuidando da Delayoh. Quanto aos meus outros filhos, eles vêm aqui e fazem uma visita para mim e para a Delayoh.
— Está bem, já vou sair. — Ixião levantou as mãos em rendição. — Só vim aqui saber notícias da Delayoh, a Hera e o Frizioh me pediram.
— Falou com os dois?
— Sim. Recebi uma mensagem austral deles. Falaram que iriam demorar, parece que estava muito cheio lá. Por isso, eu fiz aquela proposta, para ficar com seus outros filhos...
— Ixião, por favor, volte a cuidar de Khayna e Ciano. E pare de ficar me azucrinando. — Disse Zeus, demonstrando irritação.
— Está bem, já vou.
Ixião deu um beijo em Delayoh e saiu do quarto, com Zeus o encarando de cara fechada.
...
Na cozinha, o almoço estava quase pronto, Métis, Têmis, Anfitrite auxiliavam Amaltéia e Ganimedes, quando o almoço ficou pronto, Métis colocou para seus filhos, Têmis e Anfitrite fizeram o mesmo. Zeus apareceu na cozinha.
— Amaltéia, pode preparar um prato para Delayoh? — Perguntou Zeus. — Ela acordou com fome.
— Sim. Como ela está? — Perguntou Amaltéia, enquanto montava o prato.
— Dormiu bem, mas acordou com febre. Ilitia deu um banho nela para baixar a febre.
— Eu posso levar pra ela, vou adorar cuidar daquela pesti...princesinha. E também te dar um descanso e para a Ilitia. — Disse Ganimedes.
— Tem certeza disso, Ganimedes? — Perguntou Amaltéia.
— Tenho. Você tem outros afazeres, vou te ajudar te tirando uma tarefa.
Amaltéia disse que estava tudo bem.
— Que bom, cuide da minha Lilica direito. — Disse Zeus.
— Pode deixar. — Disse Ganimedes.
...
Ganimedes chegou ao quarto, quando o viu, Delayoh fechou a cara.
— Lilica, trouxe seu almoço. — Disse Ganimedes.
— Não me chame de Lilica. Só meine vater pode me chamar assim. Cadê ele? —Perguntou Delayoh, com a cara amarrada.
— Está almoçando e me pediu pra te dar o almoço. A comida parece deliciosa.
— Não quero você aqui, se meine vater não pode vir, então chame a Ilitia.
— Por favor, come só um pouquinho, Lilica.
— É Delayoh Alexandra pra você, seu bobo!
Ganimedes colocou a colher na boca de Delayoh, que cuspiu imediatamente na blusa de Ganimedes.
— Chama a Ilitia. ILITIA! ILITIA! ILITIA! — Berrava Delayoh.
Ilitia ouviu os gritos de Delayoh e foi imediatamente para o quarto.
— O que foi, Delayoh? Ganimedes? O que faz aqui? — Perguntou Ilitia, surpresa com a presença dele.
— Eu vim dar o almoço pra ela, mas ela quer que você dê. — Respondeu Ganimedes.
— Não vê que ela não gosta de você? Deixa que eu dou o almoço pra ela.
Ganimedes saiu do quarto, foi para a cozinha e chegou reclamando:
— Pestinha, olha o que fez na minha roupa.
— O que foi, Ganimedes? — Perguntou Métis.
— Fui levar o almoço para a Delayoh. Coloquei a colher na boca dela e olha o que a pestinha fez, cuspiu a comida na minha roupa.
— Ela te deu o recado, não gosta de você. — Disse Anfitrite.
— Pestinha irritante, ninguém mais pode chama-la de Lilica, só o senhor Zeus pode chama-la assim. E é pirracenta a pirralha viu, queria dar umas boas palmadas nela. — Reclamou Ganimedes enquanto limpava sua blusa.
— Cuidado, Ganimedes. Daqui a dois dias a pirralha vai voltar a ser uma deusa de 2 metros e 16 e ela é forte. — Disse Têmis.
...
Delayoh terminou de almoçar e assistia televisão com Ilitia.
— Como está, Lilica? — Perguntou Zeus.
— Ela está um pouquinho melhor. — Disse Ilitia. — Pai, por que o senhor pediu para o Ganimedes dar o almoço para a Delayoh?
— Porque você estava almoçando, eu também. O Ganimedes se ofereceu, achei uma boa ideia.
— Fique sabendo que Delayoh não gosta de Ganimedes, inclusive cuspiu a comida na blusa dele.
— Você fez isso, Lilica?
— Fiz e se ele continuasse aqui, ia fazer de novo. Não gosto dele nem um pouco. — Disse Delayoh.
— Quando sua mãe chegar, vou ter uma conversinha com ela sobre seu comportamento.
— Cadê mutti?
— Ela está demorando, mas ela já volta.
— Eu quero a minha mãe. — Choramingou Delayoh.
— Ela foi lá em Ásgard, mas já volta.
— Mas eu quero ela agora, mutti...
— Calma, vater está aqui com você.
— MAS EU QUERO MUTTI! MUTTI! MUTTI! MUTTI!
— Não chora, Lilica. Oh, vamos ver desenho.
— MUTTI.MUTTI. MUTTI.MUTTI.
E Delayoh abriu a boca para chorar. O choro fez tremer o Olimpo, todos estavam assustados e tentavam se segurar nas pilastras de mármore. As mães protegiam as crianças. Amaltéia protegeu Khayna e Ciano, a pedido de Ixião, que foi agachado até o quarto. Zeus e Ilítia tentavam acalmar Delayoh sem sucesso, a preocupação dele é que o choro de Delayoh é tão forte, que podia ser ouvido até em Ásgard.
...
— Conseguimos! — Comemorou Frizioh.
— Com esse remédio, a febre da Delayoh vai passar. — Disse Hera, erguendo o frasco âmbar cheio, sorrindo.
Os dois pararam de andar quando ouviram algo.
— Isso é o que estou pensando? — Perguntou Frizioh.
Hera reconheceu o choro, ficou séria e disse:
— Vamos voltar para o Olimpo!
...
— O que houve? — Perguntou Ixião, chegando ao quarto.
— Ela está chorando porque quer a minha mãe. — Respondeu Ilitia.
— Não se meta, Ixião. Ela só quer a mãe. Deixa que eu resolvo. — Disse Zeus.
— Nada disso, eu sou o pai dela e quero cuidar da minha filha. — Disse Ixião, firme.
— Eu é que sou o pai dela. — Zeus esbravejou e segurou o braço de Ixião para tira-lo do quarto. Ixião livrou seu braço das mãos do outro e os dois começaram a discutir.
— Vocês dois parem. Parem com isso agora mesmo. — Disse Ilitia.
— Que bela cena, não acha, Ivy?
Ixião, Zeus e Ilitia ficaram mudos com a voz que ouviram. Zeus e Ixião se viraram e deram de cara com Hera e Frizioh encostados na porta.
— Oh não, não parem só porque cheguei. Podem continuar a discussão de vocês, estou adorando ver essa cena, finjam que nem estou aqui. — Disse Hera, com um rosto sério. — Ilitia pegue a água, vou dar o remédio para Delayoh.
Ao ouvir a voz da mãe, Delayoh parou de chorar e o Olimpo parou de tremer.
— MUTTI! VATER! — Disse Delayoh.
— Meine totcher. — Hera abraçou e beijou o rosto a filha muitas vezes. — Que saudade estava da minha Dede.
— Dede. — Frizioh deu um beijo no rosto da filha.
— Aqui a água, mãe. — Disse Ilitia, entregando um copo de água.
— Obrigada, filha. Dede, vamos tomar o remédio pra essa febre chata passar? — Todos
— Não, tem gosto ruim! — Disse Delayoh.
— Delayoh...
Zeus e Ixião tentavam sair de fininho, mas Hera os percebeu:
— Vocês dois, me esperem na sala dos tronos. Vamos ter uma conversinha.
...
Após dar o remédio, Hera deixou a filha aos cuidados de Frizioh e Ilítia e partiu para a sala dos tronos. Na grande sala cheia de tronos em madeira, ouro e mármore, cortinas e tapetes de veludo fino com detalhes brilhantes, Zeus e Ixião esperavam por Hera, quando chegou, pediu explicações.
— Eu fui vê-la como me pediu, ela estava dormindo calmamente. Quando a ouvi chorar, fui correndo para vê-la, fiquei preocupado. — Disse Ixião.
— Hm, muito bem. — Disse Hera, com os braços cruzados. — Zeus, se explique e não me enrole.
— Eu ia até conversar isso com você. Em minha defesa, posso dizer que Delayoh se comportou muito bem comigo, brincamos, assistimos televisão, dormiu. Me assustei com os efeitos da febre, mas fiquei ao lado dela e não a deixei sair do quarto.
— Hm, continue.
— Não saía do quarto um minuto se quer. Só saí para almoçar, mas não se preocupe, ela não ficou sozinha, muito menos com fome, Ganimedes levou o almoço e fez um pouco de companhia.
— Para, para, para, tudo e volta a fita. Você deixou a Delayoh, A MINHA FILHA, com o Ganimedes?
— Eu tinha ido almoçar, Ilitia e Ares também. Não podia deixar a Lilica sozinha, não é? E o Ganimedes disse que levaria o almoço para ela.
— Ixião, pode ir. Cuide de Khayna e Ciano e visite Delayoh. Tenho um assunto para resolver. — Disse Hera, com uma cara nada amigável.
— Claro, vou indo. — Disse Ixião, mal segurando o riso.
Assim que Ixião saiu da sala, Zeus começou a se explicar:
— Delayoh tinha acordado com fome, então pedi pra Amaltéia preparar um prato pra ela, aí o Ganimedes se ofereceu pra levar e eu não vi problema nisso. Ah, temos que falar sobre o comportamento de Delayoh, ela cuspiu a comida em cima de Ganimedes e fez pirraça até Ilitia ir no quarto.
Zeus terminou de se explicar e Hera ouviu tudo em silencio.
— Hera, fala alguma coisa, seu silencio está me assustando. — Disse Zeus, receoso.
— Estou pensando em motivos para não te acertar com um raio agora mesmo.
— Não fiz nada de errado, já te expliquei o que aconteceu.
— Ah não? Você deixou o Ganimedes ficar perto da minha filha. Disfarçadamente disse que Delayoh não sabe se comportar. E a chamou de pirracenta. — Hera falou enquanto andava em torno de Zeus.
— Mas...
— Ganimedes não tem preparo nenhum para cuidar de uma criança de três anos, principalmente se ela estiver com febre, além de eu não ter nenhuma simpatia por ele. E se tivesse acontecido alguma coisa com Delayoh durante a presença dele?
— Mas não aconteceu nada.
— Mas podia ter acontecido. Você começou muito bem Zeus, mas esse final, hm, estragou tudo.
— O que vai fazer comigo? — Perguntou Zeus, receoso.
Hera preparou um raio e Zeus tremeu. Ela deu uma risadinha e guardou o raio.
— Calma, não vou te acertar com o raio. Ainda. Só queria te dar um susto. Dessa vez, deixo passar o seu deslise. É apenas um lembrete. Se na sexta feira os meus filhos não voltarem a serem adultos — Hera formou outro raio. — Não vou deixar passar. — E tornou o raio vermelho.
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