Olhos de Gato, Amor de Vampiro
2 Clube da Lulu
Notas iniciais
Obs: a Victória não é vampira "ainda" pelo ponto de vista da April.
Capítulo 2: Clube da Lulu
Que dia é hoje? Geralmente, não, anualmente tenho esse sonho duas vezes. No meu aniversário e no aniversário da tragédia. Então qual desses dois dias é hoje?
Me levantei em silêncio mas a essa hora, depois de arfar com o pesadelo, todos na casa já deviam saber que eu já estava acordada. Isso que dava ser a única “humana” da casa, mesmo sendo uma transmorfa felino, em casa eu não passava da caçula da família, a super protegida e amada irmã/filha mais nova.
Minha “nova” família era composta de ao todo onze vampiros vegetarianos, ou seja, não se alimentam de sangue humano. Minha “mãe” Elisa foi a voz que me fez sentir segurança na primeira vez que os vi. Alguns acham que o dom extra dela é encontrar humanos que quando transformados em vampiros teriam dons extras também, já que ela conheceu todos os meus “irmãos” quando eles ainda eram humanos e os transformou – quase todos — sendo todos os que ela também tem dons extras, mas ela não acredita ter dons – a não ser que fazer com que uma criança se sinta confortável numa família como essa sem ao menos se passar 72 horas seja um dom, o que acredito fervorosamente. Meu “pai” Henry pode ver o caráter das pessoas como se fosse uma áurea ao redor delas. – Aposto meus pulmões que eles adoram o dom dele quando conheço um garoto, principalmente se ele se interessar por mim. (Ainda bem eu ele ainda não viu meu namorado.)
Dos meus “irmãos” vampiros a única que não tem um parceiro é a Samantha, ela não é a mais nova de idade entre eles mas a vampira mais nova da família- mesmo com o fato de eu ter sido adotada depois dela mas como não sou uma vampira fica por isso mesmo. Os outros se dividem em casais, Cameron e Louis, Sue e Heitor, Josi e Lenny, Cindi e Sam.
Ainda nem tinha chegado atrás da porta para olhar o calendário quando ouvi uma leve batida na porta e automaticamente dei três passos para trás quando ouvi as vozes das minhas “irmãs”, quando elas vinham assim só podia significar uma dia e como para meu horror era verão e eu estava de férias então era verdade. Era dia 9 de agosto, meu 16º aniversário.
-Ela já sabe que dia é hoje. – Ouvi Cindi informando-as. Ela tem o dom de não só escutar os pensamentos que estão ao redor dela mas também fazer com que os outros escutassem os dela e conectar as mentes das pessoas em volta dela. É um ótimo modo de lembra de alguma resposta em uma prova embora ela seja totalmente contra isso.
-Estraga prazeres! Você disse a ela não é Cindi? – Ouvi Sue dizer indignada.
-Ela não disse nada. – Josi falou com certeza na voz. Ela consegue ver o futura das pessoas a cada gesto e palavra que possa muda-lo.
-Calem suas bocas! April você está vestida? – Cameron cortou as outras três – Se está pode destrancar a porta? Queremos entrar sem precisar quebrar nada. – pediu.
-Está bem. Estou indo. – Destranquei a porta, automaticamente as cinco vieram na minha direção.
Estranhei só serem elas cinco, geralmente na dia do meu aniversário todo o Clube da Luluzinha batia no meu quarto junto, isto é, além das minhas cinco irmãs nossa “mãe” vinha se juntar a “festa do chá” e ela não estar presente era, na minha expectativa, mau sinal.
-Vou pegar sua roupas novas. – Sue disse animada. O presente dela sempre era meio closet de roupas novas e surpreendentemente ela trazia tudo para o meu quarto em uma só viagem o que não era normal. Quando pensei nisso Cindi imperceptivelmente piscou para mim e escutei a voz dela na minha cabeça. “Não vou falar nada” – Virei a cara para ela.
-O que você quer de café da manhã? – Samantha é a babá eu toda mãe queria para cuidar dos filhos, – quando ela não ta com fome – atenciosa, preocupada com tudo e alerta a cada movimento eu fazemos por menor que seja. O único problema da Sammy é que toda vez que fazemos algo errado parece que ela vai derrubar uma floresta inteira pra não falar abobrinhas e cara dela me dá mais medo nessas horas do que o que ela poderia falar.
-Respostas! O que vocês estão aprontando? Por que Elisa não veio me acordar junto co vocês como faz todo ano? E por que Cindi está sondando a minha cabeça sem parar? Às vezes isso é muito irritante sabia? – Me empertiguei. Elas estavam escondendo muitas coisas pelo que parece.
-Você é muito desconfiada sabia? – Cameron me disse com sua autoridade de irmã mais velha.
-Sei. É parte do meu charme. E então, vão me responder? – Pedi.
-Elisa foi caçar ontem com o Henry e ainda não voltou, não estamos aprontando nada que eu saiba ou veja e no caso da Cindi... – Josi foi me dando o relatório completo antes de ser interrompida por Cindi.
-Não estou entrando na sua cabeça! Não quero ver o quanto Jason Holl é lindo e o sorriso dele te deixa confusa April. – Empalideci imediatamente quando ela falou o nome dele. Jason era o garoto não-vampiro mais lindo e perfeito que eu já havia visto. Ele, os pais e a irmã gêmea dele, Victória, haviam se mudado para cá no meio do último ano letivo e Victória já era a minha melhor amiga não-vampira e Jason meu primeiro namorado e mesmo com o tempo não conseguia raciocinar direito perto dele. Sorte que ela não disse que ele já era meu namorado senão eu estaria mais lascada que tora de madeira em serralheria. – Que foi? – Ela perguntou e finalmente Cindi se deu conta do erro que cometeu.
“Você prometeu não falar nada a ninguém de nenhuma forma possível. Traira, X-9, traidora. Você não me escapa dessa.” – Pensei o mais alto possível e ela se encolheu significando que ela estava arrependida. E ainda por cima eu nem estava pensando nele antes dela falar.
-Jason Holl é? Como não fui informada dessa sua quedinha pelo garoto Holl? — Sue perguntou fazendo cara de indignada enquanto Josi fazia uma cara de quem já sabia que isso ia acontecer. Claro, era bem provável que ela já tivesse “visto” essa cena. Cameron e Samantha faziam uma cara de quem bebeu pimenta muito ardida misturada com suco de limão muito azedo e não tivesse um copo d’água para amenizar a situação.
-Cadê os garotos? – Perguntei notando a falta de comentários à revelação de como me sentia perto de Jason, e que também era estranho todos eles não estarem em casa.
“Não se preocupe. Eles não ouviram nada do que eu disse.” – Ouvi a voz mental de Cindi ainda muito arrependida. – “Mas não sei se Jason vai ficar bem se Cameron o Sammy o virem.”
-Não vai escapar tão fácil assim mocinha. Desembucha logo, desde quando? – Sue quando queria saber de algo era impossível. Ela simplesmente não pára de pressionar para que a informassem.
-Sue, cadê aquele vestido preto e decotado de costas trançadas? – Josi perguntou.
-No embrulho roxo. Por que? – respondeu automaticamente olhando fixamente para mim.
-Porquê pelo que eu vi para hoje, ele vai ser a escolha perfeita par a April vestir. – Josi respondeu com cara de quem não ia dizer mais nada e aposto que ela praticamente implorou para Cindi seguir o exemplo dela.
Aproveitando a deixa de Josi pedi: — Sue me mostra esse vestido que a josi falou e todo o resto, vai. – Sempre se pode contar com a equação de minha tortura: Sue + roupas novas para mim = (para minha tristeza) desfile de moda para mostrar para as garotas como fico vestida com as novidades dos estilistas para esse ano. A única coisa boa é que era a melhor maneira de mudar de assunto quando a conversa caminhava para algo embaraçoso para mim. E mais, sempre funcionava como mágica. Novamente, após anos a tática ainda funcionava. O rosto de Sue ganhou um grande sorriso como enfeite.
-Que ótimo!!! – Disse Sue animada. – Vamos começar com as roupas do dia-a-dia e depôs para as de sair... – Nessa hora meu estômago automaticamente roncou, para minha felicidade. Todos eram proibidos de me fazer ou me mandar fazer qualquer coisa se meu corpo de alguma forma protestasse, ou seja, quando eu estivesse com fome, sede, cansada entre outros.
-Cozinha, agora! – Samantha quase gritou para todas nós. Como eu disse, A senhorita “Babá Perfeita”.
-Se vocês não se importam vou trocar de roupa. Não quero sujar meu pijama. – Disse sarcasticamente para Cindi que certamente tinha ouvido meu pensamento sobre Sammy ser uma boa babá pois soltou uma pequeno riso para mim enquanto as outras saiam do quarto. Sue, é claro, a contra gosto.
Hoje ia ser um dia daqueles...
Notas finais
BJS.
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