Olhos de Gato, Amor de Vampiro
3 Planos
Notas iniciais
Capítulo 3: Planos
Troquei de roupa e fui andando até a cozinha. Quando ainda descia as escadas ouvi Sue reclamar de minha lentidão mais ignorei, não tinha pressa de chegar ao cômodo, principalmente por causa do cheiro que vinha de lá. Tenho que admitir que só não morri de fome até hoje por necessidade e praticidade, por que se dependesse das habilidades culinárias da minha família... Prefiro não comentar. Era por isso que eu adorava a escola. Pelo menos lá a comida do almoço era saborosa.
Entrei na cozinha tentando evitar o cheiro de queimado e me sentei na cadeira mais próxima enquanto Sammy colocava um prato de omelete de presunto na minha frente, fiz uma careta para o queimado e coloquei pão na torradeira. Claro que todas já esperavam por isso, significava que Sammy tinha deixado queimar de mais mas mesmo assim eu comia – pra não magoa-la – só que com torrada e requeijão para amenizar o gosto de queimado ao qual tenho total aversão.
Comi em silêncio enquanto ouvia Sue e Cindi falarem de roupas e Sammy, Cameron e Josi de carros. Depois de alguns minutos ouvi movimento na garagem e vozes se aproximando, os garotos tinham chegado.
Ouvi Lenny e Sam comentarem que a garagem era muito pequena – coisa que eu poderia concordar e ao mesmo tempo não, pois era pequena para a quantidade de veículos que tínhamos – família grande e que na sua maioria não gosta de dividir o carro ou a moto e que o carro não tem espaço pra tantas pessoas – um ônibus seria necessário pra isso – precisa de muitos meios de transporte. Principalmente porque a cidade mais próxima – que por sinal é minúscula – fica a 15 km. Não é uma distancia que se vá a pé numa estrada deserta, rodeada por uma floresta que tem vida selvagem.
Louis entrou primeiro na cozinha, seguido de Heitor e por Lenny e Sam que estavam brincando de se bater mais pararam quando me viram e se postaram automaticamente cada um de um lado meu, enquanto Heitor falava algo num tom muito baixo para eu escutar com Sammy e Louis foi pra frente da janela para observar a floresta de onde Elisa e Henry deviam voltar da caçada.
Eu estava com medo de levantar e ter de bancar a modelo. Preferia mil vezes ficar no meu quarto lendo um bom livro ou vendo um DVD que eu gosto ou talvez ir a Vancouver – é a cidade grande mais próxima – para ver uma estréia no cinema mas lês não vêem esse tipo de programa como adequado para o dia do aniversário de alguém.
-E aí? Quer o seu presente agora? É meu e de Lenny... – Sam falou de repente. Se os dois estavam me presenteando juntos era algo de perigoso. Da ultima vez me trouxeram um filhote de leão da montanha pra ser meu gato de estimação. Óbvio que todos os repreendera menos eu, pois tinha adorado. Antes de devolverem o felino para a floresta – espero que o tenham feito ao invés de fazer um lanche – eu quase chorei para tirar foto com o felino. Mais pelas caras ao meu redor não era alo vivo mais mesmo assim de alguma forma perigoso. Vibrei com a idéia e concordei com a cabeça.
Levantei-me e os segui enquanto Sue fazia cara de “eu cheguei primeiro” e para não magoa-la pergunte:
-Pelo menos está perto? Porque a Sue ta quase se mordendo de verdade por não ter me feito de Barbie modelo antes de vocês chegarem. Ela sempre quer ser a primeira a me presentear no meu aniversário, vocês já estão cansados de saber disso. – Sue fez cara de que a afirmação era verdadeira embora ela negasse em voz baixa e Sam e Lenny abriram ambos sorrisos de divertimento. Nós estávamos indo em direção a garagem.
-Não devíamos esperar por Elisa e Henry? Não quero lidar com um urso ou leão da montanha adulto, acabei de acordar e ainda estou meio sonolenta. – alertei ironicamente.
-Acredite, eu acho que é melhor que urso do mundo e com certeza será mais útil pra você do que uma urso seria. – Lenny me respondeu ouvindo a ironia no meu alerta. Ele disse melhor e útil? O que poderia ser melhor pra ele que eu carnívoro irritado? Além da família é claro. E útil. O que eles sabiam sobre utilidade? –Com sua licença tampinha. – ele disse ao tapar meus olhos com a mão. Desci as escadas pra garagem com Lenny me guiando enquanto não me deixava ver.
Não ouvi rosnados nem o bater de pesadas patas em jaulas ou no chão. Quando paramos Lenny me deixou ver, havia na minha frente o contorno de um carro mas como estava coberto com uma capa não dava pra saber qual era o modelo. Josi pegou a ponta da capa e nesse instante ouvi a porta da frente batendo, o que significava que nossos pais haviam chegado. Elisa e Henry entraram na garagem rapidamente e ficaram na minha frente me abraçando e desejando feliz aniversário.
-Lenny, Sam, não podiam ter esperado até mais tarde? Agora ela vai tentar saber qual é o modelo pelo resto da manhã. – Henry disse.
Então eu ia ganhar um carro? E nossos “pais” estavam de acordo? Parecia que eu só ia ganhar um carro aos 18 e mesmo assim na melhor das hipóteses. Isso era bom de mais para ser verdade com absoluta certeza.
-Não conseguimos nos conter. Josi teve uma visão para daqui a pouco e acho que April iria querer realizá-la dirigindo. – Fiquei surpresa com a declaração, o que Josi tinha visto? Aparentemente Henry e Elisa receberam a resposta que eu queria, pois em menos de 2 segundos vi compreensão nos olhos deles, Cindi contou a eles e não a mim.
-Só vai mostrar depois que ela experimentar as roupas novas. – Sue praticamente me pegou no colo e carregou-me até meu quarto, onde estavam as sacolas de roupas.
Fiquei pensando no meu carro durante mais ou menos 3 horas, tempo em que Sue me fez bancar a modelo, mas quando terminou senti um alívio tão grande, principalmente porque o ultimo vestido era o que Josi tinha dito. Era preto, tipo corpete, sem mangas nem alças, até um palmo acima dos joelhos com aberturas laterais – tipo orientais – apartir da metade das coxas, subia ao mínimo movimento. Muito sexy pro meu gosto e algo para se desconfiar.
Depois de Sue, Louis e Cameron me deram uma coleção completa de grandes clássicos das literaturas francesa e inglesa — quando humanos Cameron era inglesa e cresceu com os familiares lhe impondo patriotismo e Louis era francês, ou seja, já era patriota desde o ventre da mãe e até hoje eles discutem qual é a melhor Nação em tudo desde política, economia, batalhas militares, revoluções etc. Dá uma raiva. – Cindi me deu um computador – o que já não era sem tempo porque os da casa viviam ocupados – De Heitor ganhei uns cadernos de capas lindas e uma coleção de canetas de luxo pois escrevo muito, Josi me deu CDs e meus pais me deram algumas jóias – as vezes acho que eles pensam que estamos na Índia. – e então finalmente chegou a hora do meu carrinho. FINALMENTE!!!
Corri o mais rápido possível sem me transformar em direção a garagem. Para mim não me importava a marca ou o ano desde que andasse. Mentira! Tinha que chegar a no mínimo 90 km/h sem problemas. Eu sou apaixonada por velocidade como minha família mas ao contrário de meus parentes sou mais quebradiça e suscetível a acidentes embora que pelo fato da transformação as chances de risco diminuam drasticamente.
Cheguei à garagem com o coração quase saindo pela boca de expectativa. Ouvindo a velocidade das minhas batidas cardíacas alguns de meus irmãos riram e fizeram piada. Sam disse que parecia com o bater das asas de um beija flor e Lenny ria dizendo que “De gata virei passarinho”. Sinceramente se não fosse a razão para isso acontecer eu até ficaria irritada com a comparação mas hoje isso não tinha importância. Tudo que importava era que eu finalmente ia ver meu carro.
Parei em frente a ele, minha mão na capa. Retirando-a e revelando meu novo veículo pessoal. Uma Lamborguini ultimo modelo conversível, azul anil com vidros fume e 4x4 , incrivelmente lindo e brilhante. Se eu estivesse sozinha poderia estar babando mas como não estava – fato que agradeci parcialmente – controlei a muito custo minha expressão. Se o lado de fora me deixava assim acredito que quando entrasse poderia desmaiar de felicidade e incredulidade.
O interior era tão bom quanto exterior só que ao invés de azul anil era preto e o maquinário era completo. Não sei muito sobre carros — não sou fanática por eles – mas não tenho palavras para descrever o meu, ele é perfeito.
Entrei, fechei a porta fiquei pensando no banco do motorista aonde eu iria primeiro sem contar o tempo. Só saí de meus devaneios quando Josi entrou no banco do carona com o telefone da casa na mão.
-Jason e Victória vão te ligar daqui a alguns minutos para te chamar pra sair, acho melhor combinar os detalhes longe dos outros. É claro que estarei observando então não tentem nenhuma gracinha. – ela completou quando decidi perguntar se ia ter babás – Vou deixar algumas opções de roupas na sua cama, tentarei fazer isso sem falar todas as informações com Sue, afinal ainda não sei exatamente o que vocês fazer. – Ela pôs o telefone na minha mão e completou – Haverá outros humanos com vocês, humanos amigos de vocês, mais ainda assim tome cuidado, tentarei manter todos em casa para você se divertir. Juízo criança. – Ela saiu do carro me deixando atordoada, tudo tinha sido dito em menos de 1 minuto e levei mais um ou dois para assimilar tudo o que veio depois do “Não tente nenhuma gracinha.”. Duvidada muito que Elisa me deixasse sair hoje, principalmente com os Holl, porque ela e os outro cismava uma pouco com Jason.
O telefone em minha mão tocou e reconheci no identificador de chamados como sendo do celular de Victória e o atendi.
-Oi Vic, como você está?
-FELIZ ANIVERSÁRIO AMIGA!!! – tive que afastar o telefone pra não ficar surda, aposto que todos na casa dela escutaram essa exclamação por isso a minha também – Felicidades, tudo de bom pra você. E aí? Como ta sendo seu dia até agora?
-Reflexivo.
-Nem vou perguntar o porquê disso. O que você ganhou até agora?
-Livros, CDs, roupas, cadernos, canetas, bijous, um computador e um carro. Nada de mais, por quê?
-Nada de mais? – Ela perguntou surpresa – Como é o computador? Qual o modelo, cor e marca do carro? Que livros, CDs, cor de canetas e capas dos cadernos? Diz logo vai!
-Calma, calma. Antes de falar, você não me ligou pra me chamar pra sair?
-Eu juro que você é paranormal!Eu não tinha falado nada até agora sobre isso. Você sempre adivinha o porquê de eu ligar pra você. Me diz de uma vez miga, você é adivinha, vidente, prevê o futuro, ou qualquer coisa assim?
-Que nada, você que e mais previsível ao telefone do que ao vivo e a cores. E então, onde vamos?
-Eu e Jason estávamos pensando, você disse que sua família sempre faz alguma coisa só pra vocês a noite, não é? – Concordei com um “ahan” e ela continuou – Então o que você acha de irmos à Vancouver almoçar? Eu, você, Jason, Emma, Kyle, Melinda, Cris e Caleb. Podíamos ir ao Moon & Stars, graças a você seria quase metade do preço o que acha? – O Moon & Stars é um lugar que abre pra almoço mas só fica bom no Happy Hour embora a comida seja boa e aniversariantes não paguem no dia e se levar mais de cinco pessoas os convidados tem desconto. Tenho que admitir a idéia deles era muito boa.
-Você fala como se os outros já tivessem concordado. – Comentei
-Bem... Já falei com eles e eles adoraram a idéia, fala com seus pais e pergunta se você vai. E mesmo se não deixarem, vamos todos aí te pegar. – Fiz uma cara feia para o espelho retrovisor quando vi Louis escrever no quadro de avisos ao lado da porta que eu tinha permissão para ir. Tenho que admitir que fiquei um pouco aliviada quando ele escreveu que eu ia só. – E então? – Vic continuou.
-Agora são 10:30 então vou me arrumar e te encontro ai na sua casa em 40 minutos. – Pela comemoração, ela adorou a noticia. Victória ‘tava parecendo a Alice Cullen fazendo compras.
-Estamos te esperando. Até.
-Até. – Respondi meio sem emoção.
Saí do carro em direção à sala, colocando o telefone no gancho, subi a escada e encontrei Cindi na porta do meu quarto.
-O que foi? – Perguntei.
-Seu pensamento sobre a Alice foi interessante, já que você não sabe que os Cullens vão vir aqui mais tarde. – Congelei. Que ótimo... Não vejo os Cullens há nove anos, soube que agora tem mais uma vampira e uma meio-vampira na família que embora fosse mais nova que eu, parece ser mais velha. Cindi fingiu não ouvir meus pensamentos.
-Vou me arrumar pra almoçar com a galera humana. Depois nos falamos. – Entrei no quarto e vi a roupas que Josi deixou na cama. Tomei uma ducha e me vesti rápido. A tarde não ia ser nada se comparada com a superpopulação de vampiros da noite. Então teria de interpretar a garota humana normal durante a tarde.
Saí do quarto a caminho da garagem. Entrei no carro e dirigi em direção à casa dos Holl.
Fale com o autor