Olhos Em Chamas
1 FOGO
Notas iniciais
POV Jane
Estava em casa esperando Alec voltar da vila com algo para comermos, não tínhamos dinheiro, mas poderíamos conseguir algo com nossos poderes.
Sentada em frente à mesa, em nossa pequena cabana escondida em meio à floresta para nos protegermos. Ouvi um barulho vindo da floresta e sai para ver o que estava acontecendo e me deparei com Amy, uma menina que morava na vila, porem nunca havia me dirigido a palavra. De repente ela começou a falar:
– Você é a Jane não é? — duvido que ela não me conheça, todos em Volterra sabiam sobre os gêmeos bruxos.
– Sim, sou eu. O que faz aqui?
– Eu vim em nome de Alec, ele precisa da sua ajuda e me mandou chama-la. Venha comigo.
Achei estranho Alec mandar chamar-me, ele nunca fala com ninguém na vila, mas se tratando do meu irmão eu faço qualquer coisa.
Eu a segui pela floresta até a vila, de repente quando já estava bem próxima, ouvi um grito.
– JANNE CORRE!! — era a voz do meu irmão, assustada e desesperada.
Comecei a correr o mais rápido que pude, mas logo os braços de alguém me ergueram do chão.
Gritei alto, mas não o suficiente para que alguém da vila nos ajudasse, pois todos estavam lá nos observando.
Ele me arrastou até a vila onde eu pude ver Alec preso em uma espécie de tronco e havia muita lenha ao redor. Colocaram-me lá e quando estavam prestes a ascender a fogueira, quando três homens com olhos em chamas e cobertos por um capuz preto surgiram de lugar nenhum. Eles eram criaturas incomuns, pois trincaram seus afiados dentes em todas as pessoas prontas para presenciar a nossa morte. Fiquei assustada e pela expressão de Alec, ele com certeza também ficou.
Achei que por matarem todos a nossa volta deixando seus corpos sem alma e aparentemente sem sangue no chão, eles iriam nos ajudar. Enganei-me.
Eu fui mordida por um monstro de longos cabelos pretos.
Achei que iriamos morrer, eu sentia uma dor quase insuportável, uma queimação.
A dor durou uma longa eternidade, assim como nossos gritos sufocantes. Eu preferia que me queimassem naquela maldita fogueira a suportar essa dor. Era dilacerante.
Depois de muito tempo gritando e me debatendo, a queimação foi cedendo aos poucos, começando pelos membros inferiores, indo em direção ao coração.
Consegui me concentrar e abrir os olhos lentamente.
Eu percebi que a dor havia cessado totalmente, também percebi um pequeno defeito de pintura no alto do teto.
Estava preocupada com Alec. Ele havia sobrevivido? Onde ele estava? Estava bem assim como eu me sinto agora?
Fiquei com medo. De novo.
Essa onda de medos não acaba? - pensei um pouco alto de mais para que eu mesma ouvisse.
Levantei-me da cama e fui até um lugar cujo nome não sabia, onde continha um grande espelho, não tenho muita certeza, mas parecia que eu havia mudado bastante desde então.
Meus olhos estavam vermelhos como sangue, ou como se pedisse sangue.
Minha pele, branca, gélida e dura como pedra.
Minha audição me permitia ouvir pequenos cochichos fora do quarto.
Minha visão, periférica. Nada me escapava.
Coloquei delicadamente minha mão, agora fria, sobre o meu rosto, mas fui bruscamente interrompida por uma delicada batida na porta de madeira, como se a intenção não fosse atrapalhar. Abri a porta e me deparei com uma linda mulher de olhos tão vermelhos quanto os meus e um belo sorriso no rosto.
– Olá, minha querida. Não quis atrapalhar, Eu me chamo Heidi.
– Hã, oi.
– Vejo que a porta do seu banheiro esta aberta, já teve a oportunidade de admirar-se?
– Sim! Ha... Banheiro??
– Bom, claro que não é um banheiro de verdade, pois não há uma privada, mas, afinal, vampiros não tem necessidade disto.
– Ah, tudo bem. — eu disse como se entendesse algo que ela dissesse sobre os "banheiros".
– Você ficou ai dentro por três dias! O processo foi mais lento devido aos seus magníficos poderes.
– Estou bem. Cadê o meu irmão, Alec?
– O garoto de pele bronzeada? No quarto ao lado, vamos busca-lo?
– Onde vamos ?
– Aro quer vê-los.
– Quem é...?
– Sem pressa, pequena, vai conhecê-lo num estante. Ele está muito animado!
Saímos em direção ao quarto ao lado e Heidi bateu a porta dele.
Nossa, estava tão animada para ver como Alec havia ficado!
– Oi, Alec. É o seu nome não é? — disse a Heidi tentando me esconder.
– É sim, e você é.. ?
– Oh, perdoe-me por não me apresentar. Sou a Heidi.
– Alec!! — eu disse, não aguentando mais observar calada como o Alec estava impecável, assim como eu.
– Jane! Você esta bem? O que esta acontecendo? Onde nós estamos?
– Estou perfeitamente bem! Acho que ainda estamos em Volterra, no castelo dos Volturi.
– Venham comigo, crianças.
– Não sei por que, mas não confio muito nesta frase.. — disse Alec, fazendo piada sobre a nossa quase morte, enquanto Heidi andava em frente.
Ela nos levou até um enorme salão, onde havia três tronos, e um deles vazio, mas o dono dele parecia vir em nossa direção sorrindo e entrelaçando uma mão na outra.
Fale com o autor