Olhos Do Mar

1 Recebo a visita de um estranho


_ Filha, esta tudo bem? –disse meu pai ao me ver sentada na cadeira do computador olhando o desktop.

_Sim, acabei de terminar meu livro. Estou um pouco entediada — respondi sem desviar o olhar.

Não sei bem o que acontecia com ele, ultimamente anda perguntando se estou bem, aonde eu consigo meus machucados, se há algo estranho me perseguindo, eu finjo que não acho isso estranho.

_Não me referia a isso. Deixa pra lá... –disse ele parecendo preocupado

Olhei ele sair da sala, quando lembrei que tinha combinado com minha amiga Alice de sair e tomar sorvete. Sai correndo esbarrando em tudo, e a cada coisa que eu derrubava meu cachorro Bucke latia. Tentei sair viva de casa e lembrei que não tinha avisado meu pai.

_Pai! -gritei alto o suficiente para ele ouvir –to saindo com a Alice para cidade!

_Leva seu bracelete! – Foi a coisa mais estranha que ele me falou desde a ultima ma semana, quando ele perguntou se a minha professora de historia tinha cheiro de monstro –bom ela tinha cheiro de múmia é claro tinha uns 80 anos e não tomava banho pra dar aula.

_ Ta bom –respondi relutante, corri para a casa da minha amiga a algumas quadras dali.

Quando cheguei Alice me olhou com reprovação, como minhas professoras faziam quando eu não respondia suas perguntas. Ela era loira e baixinha,estava sempre bem arrumada e maquiada o que me fazia sentir mal ao andar do lado dela eu não me arrumava muito.

_Você esta atrasada! -disse ela me olhando com raiva.

_Desculpa, eu estava encarando meu desktop. –eu sabia que se falasse algo sem sentido ela não iria perguntar mais nada, essa era a parte que eu mais gostava nela.

_Ta, chega Kat, temos que ir – meu nome era Katharine mais ela dizia que era grande e desnecessário.

Caminhamos uns 10 minutos até chegarmos a sorveteria mais próxima, mas nós não gostávamos muito de lá então andamos mais um pouco. Quando finalmente chegamos na sorveteria que gostavamos ela disse que pediria um Milk-Shake pra nós.

_Você quer do que? –ela perguntou

_Frutas Vermelhas –eu disse sem pensar muito.

_Isso é um sabor?

_Não, é um estado de espírito.

_Não precisa ser grossa, O.k.?

Nós nos dávamos bem porque nós duas éramos...como posso explicar... lentinhas, ou era o que as pessoas falavam, mas no meu caso eu tinha Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH),mas ela era simplesmente burrinha. Ela foi pedir o Milk-shake enquanto eu observava a rua, passou uma outra amiga minha Jennifer, ela antigamente tinha os cabelos castanho enrolados, agora tinha alisado e pintado de loiro o que me deixou pasma.

Ela passou e deu um simples “oi” alto e fez com a boca, sem som, algumas palavras que não decifrei ela estava ao lado de um garoto bastante bonito, loiro, alto e de olho azul ela foi embora rapidamente, segundos depois Alice trouxe o Milk-shake.

_Aquela era Jennifer? –assenti devagar enquanto olhava meu Milk-shake

_Do que foi que você pediu pra mim ? –perguntei ainda analisando o liquido amarelo.

_Ah! Não tinha de frutas vermelhas, então pedi de chocolate branco. –tinha que admitir que ela conhecia meu gosto. – ela se deu bem? – perguntou animada

_Quem?

_A Jennifer neh? Aonde você ta com a cabeça?

_Ah Desculpa, ela?! Não sei, ela só disse “oi”.

_Tudo bem! Vamos andando, quero ver se encontro alguém.

Eu sabia de quem ela estava falando o namorado dela tinha chegado de uma viagem a alguns dias, só que ela não teve a chance de vê-lo. Íamos caminhando e observando a cidade –pelo menos eu, ela estava encarando pessoa por pessoa –quando ela virou-se para mim.

_E ai? –perguntou e depois disse algo que me surpreendeu –lembra daquele garoto que você gostava?

Engasguei imediatamente, e tossia feito louca, que tipo de pergunta era aquela? Além de eu não gostar mas dele, ele havia sumido da face da terra. Quando me recuperei perguntei com tom de quem não estava nem ai.

_O que tem ele?

_Você se lembra que ele sumiu neh?!Falei com um amigo dele e descobri aonde ele está!

_Onde? –perguntei de má vontade por educação.

_Nos Estados Unidos acredita? Numa ilha de Nova Yorque... –ela estava pensando no nome da ilha ate que me veio na cabeça.

_Long Island?

_É isso mesmo! –de repente ela viu o namorado e o chamou pelo nome o qual eu nunca entendera qual é, Jake? Fane?...talvez seja Berezildo.

_Pode ir lá. Eu vou voltar pra casa.

_Jura? Ai você é a melhor amiga do mundo.

_Eu sei! Juízo menina!

_Pode deixar –disse ela se afastando

Eu não sabia bem aonde iria naquele momento, meu pai iria sair com a namorada e eu nem sabia se minha mãe estava na casa dela, então fui em direção da casa do meu pai e parei em uma praça perto da ponte que unia meu bairro e o centro da cidade –a única que ainda não tinha sido reformada na época que eu nomeara de “reforma maciça da cidade” não era um nome criativo, mas tudo bem –sentei no banco mais próximo saboreando meu Milk-shake.

_Oi! –disse um estranho que me deu um susto

O observei, ele tinha cabelo escuro e barba despenteada a pele era bronzeada e usava uma camiseta havaiana. Parecia simpático e alegre.

_Oi! –respondi tentando ser educada.

_Está tudo bem? –perguntou parecendo preocupado, ele me lembrava um pouco o meu pai com cara preocupada.

_Sim...afinal quem é você?

_Isso realmente importa agora?

_Sim, pois eu não falo com estranhos!

_Eu realmente pareço estranho para você?! –de principio achei que ele realmente era louco, mas depois percebi que ele parecia ter razão, eu tinha certeza que nunca o vira antes mas eu o conhecia, isso não fazia o menor sentido, mas eu sentia que confiava nele.

_O que você quer hein?

_Você parece preocupada! Tem algo te incomodando?

_Coisas normais, de sempre!

_”Coisas normais” –ele me imitou– estranho ouvir você falar assim,quer dizer “normal”.

_O que?! A esquece vou para casa.

_Sou um homem muito ocupado, e tirei um tempo para vir falar com você, pode me ouvir alguns instantes? –disse ele chamando minha atenção.

_Então, fala logo que você quer –disse tentando não tirar o respeito no tom de voz.

_ Bom só uma coisa, ouça sua mãe... Não importa o que ela diga, que loucura ela te mande fazer você apenas abaixe o rosto e obedeça, o.k.? –disse ele como se esperasse um “sim senhor” como resposta.

_Ta bom! Mas não entendo porque... –me interrompi ele havia sumido.Olhei em volta procurando-o e nada. As coisas estavam estranhas, era melhor voltar pra casa.

Meu pai estava no telefone, parecia muito abalado.

_Mas já? –ele perguntava enquanto eu atravessava a sala. –Não esse cara é louco...tenho que desligar tchau. –disse ele com urgência ao me ver.

_Quem era no telefone? –disse eu abrindo um sorriso

_Sua mãe! –com essas duas palavras percebi que algo sério estava acontecendo, meu pais eram separados, nunca, NUNCA se falavam a menos que algo realmente sério estivesse acontecendo.

_O que houve? –perguntei relutante com medo da resposta.

_Nada, você não ia sair? –perguntou tentando mudar de assunto

_Já voltei! Vou dormir –eu não havia notado mas estava morrendo de sono

Cheguei na minha cama e deitei, tentei esquecer todos os fatos que aconteceram de estranho comigo,desde o cara na praça falando da minha mãe até a velha me observando na banca –eu não comentara aqui, mas de manhã uma velha perto da banca de jornal me observava pra todo lado eu não achei que precisasse comentar...até agora. Lembrei do convite que a Alice tinha feito para nós irmos à praia então gritei:

_Pai!

_Que foi? O que aconteceu? –disse ele num sobressalto, parecendo preocupado.

_A Alice me convidou pra ir a praia, posso? –disse eu fazendo carinha de pidona.

_Não –disse ele sem se explicar, eu sabia da resposta já antes de perguntar pois desde que ele e minha mãe se separaram ele me tirou da aula de equitação e natação e nunca mais me deixara ir no mar, as vezes sem a permissão dele minha mãe secretamente me levava a praia, mas era sempre ‘nosso segredinho ok?’. Não me importava, mas fiz uma birrinha e bati a porta do meu quarto com força e me concentrei para dormir.