Olhos Do Mar
2 Faço uma viagem de ultima hora
No meu sonho eu estava na praia com o vento chicoteando meu cabelo, eu estava andando na areia calma e pacificamente, até que uma criatura metade bode metade menino veio correndo em minha direção, ele parecia bem cansado.
_Corra! –ele gritava quase sem voz.– Corra! Corra!
Quando ele se aproximou mais eu o reconheci era meu amigo Rafael eu lembrava de com as pernas bem peludas mas nem tanto. Quando ele chegou mais perto eu ia cumprimentá-lo mas ele apenas agarrou me braço e me puxou com ele, para corrermos.
_Do que estamos correndo afinal. –minhas palavras calaram fundo, pois olhei para trás e vi um humanóide gigante com escamas, meio difícil de descrever mas pode ter certeza, era muito feio e continuamos correndo até que na minha frente um garoto bonito, que usava um capuz preto com olhos ferozes me esfaqueou na barriga.
_Katherine, Katherine acorda agora,acorda –minha mãe desesperada enquanto o Rafael, o meu amigo do sonho, arrumava uma mala colocando minhas roupas.
_O que? Não quero acordar mãe.
_Não é escolha sua –disse ela parecendo severa, então resolvi obedecer.
Já tinha me trocado e escovado os dentes quando ela me mandou dar adeus ao meu pai e entrar no carro.
_O que, adeus? Não! Por quê? –minha mente estava a mil, eu estava muito confusa.
De repente veio a minha mente as palavras do estranho na praça, “ouça sua mãe... não importa o que ela diga, que loucura ela te mande fazer você apenas abaixe o rosto e obedeça, o.k.?”ele disse. Lembrei-me que eu havia prometido isso, não sei porque, mas aquela promessa me pareceu importante.
_Adeus! –disse enquanto dava um abraço no meu pai.
_Nunca tire esse bracelete! Fique em paz o.k.?
Com esse estranho comentário, fui para carro da minha mãe. Ela corria tanto com o carro que eu nem conseguia ver os outros objetos no caminho.
_Mãe –disse eu tentando me destrair– você não tem nada para me contar?
_Desde o começo? –disse ela olhando o meu amigo Rafael que eu nem sabia que ela o conhecia, ele apenas assentiu
_Vamos começar com isso –disse ele enquanto tirava as calça, não olhei e dei um grito para que ele parasse -relaxa, já pode olhar!
Quando eu o olhei estava igual no meu sonho: com perna e bundinha de bode.
_Esta precisando depilar –falei lembrando de uma ocorrência que uma vez o haviam raspado suas pernas enquanto ele dormia.
_Beeeeeeeee muito engraçado! –disse ele debochando. Dei de ombros e virei para minha mãe.
_Pode continuar...Pra que da cabra?-disse eu olhando para o menino sem calça
_Pra inicio de conversa, essa cabra –o Rafael olhou com ódio e fez um barulho parecendo pneu cantando no asfalto– desculpa, esse garoto meio bode é um sátiro de proteção, você lembra das historias da mitologia grega?
_Sim! –respondi mesmo achando muito estranho.
_É tudo real! Seu pai, que por um acaso, o biológico –isso me fez lembrar de que Rodrigo Fuentes meu “pai” de só de criação –é um Deus Grego.
_Então ele é bonito! -presumi
_Não, quer dizer, sim é bonito...mas é um deus grego de verdade.
_Espera não estou entendendo nada. Afinal quem era o homem que veio falar comigo ontem mandando eu te obedecer em questionar? Como ele sabia o que ia acontecer?
_Um homem? Como ele era?
_Hãm...alto, bronzeado, barba despenteada, cabelo castanho escuro, olhos verde-mar da cor dos meus, usava camiseta havaiana –disse o que consegui me lembrar,mas foi o suficiente para minha mãe engolir seco.
_Falamos nele depois. –disse ela parando o carro. Eu não tinha percebido mas já estávamos no aeroporto na metrópole vizinha- o Rafael vai te explicar tudo no avião!
_Avião? –falei incrédula –Pra onde eu vou?
_Long Island, Nova Yorque!
_O quê?
De repente me lembrei do que Alice falara sobre Long Island, o menino pelo qual eu tinha uma ‘quedinha’ havia ido para lá sem nenhuma explicação. –talvez a mãe dele fosse tão louca quanto a minha- Agora eu pensava o que iriam espalhar sobre mim, o que minhas amigas iriam pensar.
_Você nem deixou eu me despedir da minha amiga! -disse eu com a voz fraca
_Ela se foi primeiro sem e despedir! –a voz dela parecia mais fraca que a minha. Agora ela fazia o check-in e parecia ressentida — desculpa filha prometo que o Rafael te explicará tudo na viagem. Vamos correr, o seu vôo sai em uma hora.
_Meu vôo?! Você não vai?
_Não querida, para onde você esta indo eu não entro!
Me calei, quando cheguei ao portão de embarque ela me deu um abraço tão forte que parecia um adeus. Embarquei ainda sem falar nada, o Rafael sentou ao meu lado.
_Hora de algumas explicações não é? –disse ele em tom de conforto
_É, ta na hora? –disse eu de mau humor
_ Não fique brava, apesar de idéia de doido de te por em um avião, você vai entender que a única coisa que seu mãe quere te proteger!
_Disso eu já sei! Quero saber do que ela quer me proteger!
Ele suspirou e disse a ultima coisa que eu queria ouvir.
_Sua amiga Alice... –disse ele hesitando. – morreu.
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