Old Man

3 Old Man 3


Notas iniciais
A parte inocente da vida de um assassino, talvez onde tudo começou a dar errado.

Old Man #3

Já não fazia muito tempo desde que escurecera. Era uma noite estrelada e fazia um pouco de frio, nada de mais, apenas a brisa fresca e o sereno. A casa na fazenda, lugar de paz, lugar de tortas de maças e música num banjo. A varanda era iluminada apenas por um lampião a óleo, e nela estava um homem, sentado em sua cadeira de balanço. Ele observava as estrelas, a lua e os insetos que zuniam perto do lampião. Sua espingarda estava apoiada perto da porta, seu revolver em sua cintura e seu violão nas mãos, tocando uma melodia suave, uma música antiga porem muito conhecida, era certamente uma escadaria para o paraíso.

Ao terminar a canção, o ranger da porta fina de madeira e tela contra mosquitos, atraiu a atenção do velho homem. Era um menino de cabelos castanhos e sardas, devia ter cerca de 6 anos.

— Papai. –Exclamou ele. – Mamãe disse que o jantar está pronto.

O homem olhou para o filho com um olhar sério. Mas em seguida abriu um sorriso compadecido. Fez um sinal com a cabeça e disse:

— Venha... sente aqui com seu velho pai. –Ele carregou o pequeno menino e o sentou em seu colo. –Veja só garoto...quantas estrelas. Quantos planetas. Quantas aventuras que estão nos aguardando.

— Você acha que um dia a gente ainda vai conseguir chegar lá?

— Sem dúvidas. – Disse o homem, enquanto olhava para o céu estrelado, passando a mão no cabelo do menino. –Ei... tenho um presente para você.

— Serio?! O que?! – Os olhos pequenos do garoto brilhavam.

O pai levou sua mão para a cintura, dela ele sacou seu revolver. Entregou a arma ao filho, fazendo com seus olhos brilhassem ainda mais.

— Para mim?

— Sim meu filho... Era do meu pai, que passou para mim, e agora passo a você. – Disse o homem. É uma arma muito poderosa e complexa. Você vai entender quando precisar usa-la. Mas quero que me prometa uma coisa, meu pequeno.

— O que?

— Você promete para mim que você vai sempre proteger sua mãe e seu irmão? E que os vai usar essa arma para o bem, nunca para o mau?

O menino olhou para o pai, que sorria e olhava profundamente nos olhos do filho. A inspiração e serenidade invadiram o peito do garoto. Uma gama de energia e felicidade encheram sua mente e o brilho das estrelas surgiu em seus olhos. Ele encheu o peito e, com toda confiança que tinha ele afirmou com a cabeça.

— Prometo.

*~*

A cena se dissipou em meio a um pensamento tremulo. Um flash de luz branca trouxe de vota a realidade. A respiração pesada, a barba branca, as roupas de cowboy e a bandana vermelha trouxeram o Velho de volta para a situação. O flashback o fez repensar o que estava fazendo. O velho apontava seu revolver para um homem, que clamava por misericórdia entre lagrimas, suor e sangue, que escorria de seus ferimentos. O velho deu uma última olhada para seu alvo. Olhou ao seu redor e viu o que estava acontecendo. O ambiente era sanguinolento e podre. As luzes neon do saguão do hotel eram azuis, porem agora estavam avermelhadas e, algumas, quebradas. Havia uma música ambiente, clássica.

As carcaças espalhadas pelo chão denunciavam o ocorrido. Um grupo de mais ou menos vinte homens de terno estavam mortos, alguns com buracos que atravessavam seus corpos, outros com o pescoço virado para traz. Copos quebrados, bancos e mesas destruídos. Apenas um deles estava vivo, porém com uma arma apontada para sua testa.

O velho virou-se para o homem ainda vivo. O sangue se misturou com catarro, que escorria de seu nariz. O suor se misturou com as lagrimas.

— Sabe. – Disse o Velho. – Nem sempre eu precisei matar por dinheiro. Antes eu matava pela minha vida. A guerra nunca muda não é mesmo? Não é agradável, não é legal fazer isso, mas me dá dinheiro, e eu tenho família para sustentar. Garanto que você sabe do que estou falando. Sabe o que estava no contrato holográfico que me mandaram para te caçar? Exatamente. “Estuprador”. Você sabe o quanto isso me irrita, seu arrombado? Sabe?!

Os gemidos de dor e as palavras de clemencia do alvo incomodavam o cowboy.

— Bom... –Continuou o Velho. – Chega de papo. Às vezes eu me empolgo Tony.

O Velho sacou seu revolver, engatilhou.

Vermelho.

Notas finais
Só vai ficar mais longo e pior.