Oirem
2 Batalha da Maré - Parte 2
Notas iniciais
No mesmo período em que Eldrac se dirigia ao núcleo, Lothar corria pelas areias fofas do oeste da ilha usando as botas de ouros. As botas mágicas permitiam que quem as usasse se tornasse mais rápido que qualquer animal não mágico em toda Ashe. As ondas de areia formadas na praia levantavam uma imensa poeira por onde o assassino andava. Com essas botinas ele rapidamente avistou uma luz intensa vinda do farol que estava apenas a dez metros do mar, de porte médio cabia cerca de 30 a 50 homens, não mais que isso, sua entrada era fortificada por uma porta de aço guarda por um grupo de cinco soldados sentado em volta de uma fogueira armada ao lado direito da porta, enquanto que do lado esquerdo havia um pequeno amontoado de rochas, Lothar contornou o forte pela floresta longe da vista dos guardas e finalmente escalou nas pedras, se cobriu com a capa dos corvos, olhou para baixo com os olhos fechados, sacou o seu punhal e em alguns segundos, o corvo ficou invisível.
A Sombra real era uma das magias supremas dada aos corvos, que só eles tinham acesso, quem a usasse ficaria invisível aos olhos humanos. Essa entre outras magias fazia com que Nogours se aliasse aos corvos com Drako, Lothar e Od’eche ao seu lado. Contudo os misteriosos corvos tinham uma nobre missão a cumprir, dar continuidade ao ciclo para que uma nova família de Seres pudesse reinar como sempre ocorreu. Tal que isso incluiria matar ou sacrificar pessoas que nem sabia da organização, como os soldados dos faróis. Despreocupados e animados o quinteto compartilhava de bebida, todos felizes por não estarem no continente e sim de estarem perto do rei e longe dos horrores da guerra. Já dentro do farol os soldados em sua maioria jovens das pequenas vilas Edênicas “vítimas” do recrutamento obrigatório, alguns deles não sabiam manusear uma arma sequer, enquanto outros eram jovens espirituosos esperando apenas uma oportunidade para mostrar sua força. Se o corvo ia ou não encontrar essas pessoas ainda era um mistério, Lothar então desceu das pedras e ficou atrás do farol escondido, mostrando apenas a sua cabeça, com uma faca em sua mão direita e na sua mão esquerda levava um artefato. Esse artefato era originário de Streros e dado aos montes em navios como presentes por parar o ataque ao continente, esses que são parecidos como um cantil, contendo 950 ml de gasolina, na sua base tem um pouco de pólvora e quando a trava é solta e essa pólvora acende fazendo queimar uma pequena linha até chegar à gasolina que estoura no canil provocando uma bola de fogo que podia facilmente queimar um grupo de soldados, porem os gritos atrairiam atenção aos montes, ele então preferiu a deixa-la para ultimo caso a guardando e sorrateiramente foi descendo das pedras que rodeavam o farol se aproximando cada vez mais dos cinco, já com uma vista bem clara olhou o local em volta e descobriu um item muito importante as armas: eram dois mosquetes e três piques que se estavam encostados no lado esquerdo da porta um pouco longe da vistas dos soldados, porem eles saberiam se essas armas começarem a flutuar, além disso, aqueles armamentos não eram tão úteis afinal os recém-descobertos mosquetes podiam fazer o inimigos tremerem com seu barulho que se podia ouvir a meio quilometro, mas em alguns casos conseguia apenas causar danos leves na infantaria. Os ferreiros desprezavam a arma, pois só era efetiva em grandes grupos de soldados, ou em locais fechados e Lothar era filho de ferreiro.
O corvo correu até uma poça de urina próxima, pisando-a e correndo para trás de uma árvore, os soldados pararam a farra e olharam olhar as pequenas ondinhas se formando.
– Que diabos é isso? – Perguntou o mais bêbado deles, cambaleando para trás.
– Deve ser um coelho. – Falou um dos soldados sentado na fogueira.
– Nessa ilha não existe coelhos. – O bêbado pegou o mosquete verificando a munição dele e adicionando mais uma cápsula. – Fiquem ai. – Ele ergueu a mão esquerda, com a mão direita segurando o mosquete já com o dedo no gatilho. – Eu vou... Caçar esse animal. – Ele soluçou.
Ele que entrara para a floresta agora com um olhar mais atento e sagaz, Lothar o seguiu de uma distancia curta sempre se escondendo atrás de uma árvore ou de qualquer outra coisa que ele achasse aquela altura a embriagues do homem já tinha sido completamente desaparecido.
– Eu já te contei a história do Roman, o melhor bandido de Edenia? – Ele perguntou levantando a sobrancelhas, dando voltas tentando achar o homem, pelo menos era que seu instinto dizia. – Não? – Ele olhou para a árvore em que Lothar estava escondido. – Então eu irei lhe contar. – Ele encapsulou mais uma vez sua arma e travou no novamente e começou a história sempre atento aos barulhos. – Roman vivia na região sul de Nabarga, ele tinha um grupo de 50 bandidos. Eles faziam a farra, saqueavam a todos. Todos mesmos. Até soldados, só que um belo dia ele encontrou uma vadia chamada Inav. – Inav conhecidamente era uma dos corvos, ela andava junto a Od’eche, não se aproximando de Lothar ou Drako. – Essa vadia havia matado dez de seus homens com alguns truques mágicos. – Ele colocou mais uma cápsula dentro do mosquete, a essa altura ela já era capaz de perfurar a porta do farol ou quatro corpos humanos. – É claro como um bom amigo ele levou seus homens para enfrenta-la quando de repente, assim que ele cruzou as montanhas um exercito o esperava. Milhares de homens vestindo aço e ferro contra apenas 40 com cotas de malhas rasgadas. – Lothar pulou para de baixo de uma pedra, barulho da grama subindo fez quase o homem disparar fogo, porem com o dedo quase no gatilho ele desistiu, mas continuou mirando na árvore. – É claro que seus homens fugiram para floresta e o abandonaram. Sozinho e desolado. Ele teve a escolha a não ser parar aqui, era isso ou a morte. – Ele por um momento ficou com uma voz chateada, mas logo se recompôs. – Eu sei que essa ilha tem uma proteção mágica e sei que nenhum inimigo entra nela sem uma flecha na cabeça. Então você deve ser um amigo? Estou certo não é? É claro que eu estou. – Ele deu uma risada. – Agora vamos saia daí e vamos para fogueira tomar uma cerveja, como bons Edênicos.
Roman esperou alguns segundo olhando fixamente para a árvore, terminado esse tempo ele deu um leve resmungo, tudo bem, ele disse para si mesmo e quando foi mirar foi interrompido por uma voz vinda da direção do farol.
– Ei Roman. – Roman olhara para o lado e viu um dos soldados que um dos acompanhava no farol do lado de uma árvore. Nesse instante ele sentiu a parte de trás de seu corpo arder como enxofre, jogando a arma para o céu, Lothar saiu de seu esconderijo e a agarrou, o outro soldado tentou reagir pegando seu pique, mas foi dilacerado pelo mortífero mosquete e seu estrondoso barulho. O corvo vendo que isso alertou os soldados do farol pegou o pique do soldado caído e foi em direção a ele com suas botas.
A flamejante fogueira havia se apagado deixando o lugar a uma completa escuridão, com exceção de algumas tochas acessas pelos soldados recém-saídos do farol que também estava apagado, havia dezenas de soldados no local, alguns nem de armadura estavam. Lothar utilizou a sombra real e deu a volta pelas pedras matando com seu novo pique dois corredores Edênicos batendo com as suas cabeças com a extremidade do pique e depois o terminando o assassinato com uma faca e finalmente correu para o farol. Ao todo havia cerca de 40 homens armados com espadas, lanças e mosquetes que haviam se espalhado pela floresta, Lothar correu para a torre pegando uma espada bastarda no ultimo ele acendeu a Olívia e lançou a forte luz sobre seus inimigos que retornaram imediatamente para lá.
O confronto foi que se iniciou entre dois ocorreu de forma lamentável para os soldados, O corvo escondido aos passos das sombras matava os pequenos grupos de inimigos que viam apressado para a batalha, alguns sabendo nem de onde eles morreram isso foi acontecendo em um a um através do período em que o farol se mantinha acesso. E quando ele ofuscou um guerreiro alto vestindo uma armadura de aço e coberto por uma capa da cor do vinho com o símbolo da fênix bordado nela surgiu da floresta andando pelos copos caídos ao chão. Era Samuel Iref, a gárgula sangrenta do clã da fênix.
O clã Iref, também conhecido como partido do fogo domina as terras ao sul de Streros a serviço do rei. Ela é uma dos principais aliados de Edenia nas guerras ela lutou. Os Irefs tinham o poder das aves sagradas, frutos dos atrasos do ciclo passado essas aves lutaram a favor dos corvos e de Oirem derrotando Shida’h como presente elas ganharam a parte sul do continente central que logo seria tomado pelos homens e os aprisionariam em seus corpos tomando o se poder. Não se sabe ao certo que fundou o clã, alguns dizem que foram alguns mercenários ou por soldados de Streros, nunca se soube ao certo quem o fundou, de todo o modo a sua ascensão veio na terceira era, quando Luxan Iref se apropriou do maior Zet que o mundo conheceu a Fênix, que de sua imortalidade concedida e do poder do fogo lhe dava o total controle sobre as outras aves sagradas. Essas outras pertenciam a uma escala hierárquica, sendo que em primeiro permanecia a intocável Fênix e depois as Garudas, as Quimeras e as gárgulas sangrentas e as gárgulas furiosas. As Garudas que eram geradas aos nascimentos dos verdadeiros filhos da Fênix, elas tais como criaturas monstruosas avançavam na linha de frente em qualquer dos ataques, eram maquinas mortíferas de guerras e feitas para a destruição de tudo que se opõem a Fênix; Os guerreiros que tinham o espírito da Quimera em seus corpos eram fortes, altos e musculosos dignos da confiança e honra que qualquer homem, estes eram os únicos que podiam entrar e se guardar ao castelo dos Iref e só podiam proteger ao Luxan; E por ultimo estava às gárgulas, um grupo de soldados recrutados que não tinham o verdadeiro sangue das aves, porem ainda sim queriam entrar para guilda e se submetiam a um mortal treinamento para isso. As gárgulas eram dividas em dois grupos: as sangrentas, alimentadas da força física de quem a leva e as furiosas, se alimentando da magia.
Samuel era uma sangrenta e também líder daquele farol e era sua obrigação protegê-lo.
Aquele cenário era clássico das arenas, corpos espalhados pelo chão e dois guerreiros se observando antes de se chocarem mortalmente um contra o outro. O combate estava prestes a começar. A agressividade que Lothar finalmente sacou sua espaça de aço negro e dava batidas cada vez mais fortes e com um ritmo mais intenso.
– Você luta bem. – Disse Lothar ofegante, dando mais um fadigo golpe bloqueado pela reluzente espada da gárgula. – Mas talvez devesse virar mensageiro e largar as batalhas.
Samuel caiu em fúria e deu uma ofensiva a Lothar dando um minúsculo corte em seu braço esquerdo. O corvo exausto e acabado proclamou mais uma vez a sombra real e de novo ficou invisível aos olhos humanos.
Mas Samuel não era um humano, ele era uma gárgula.
Se guiando pelos olhos do fogo, sua espada foi envolvida pelo fogo sagrado. Era a espada flamejante. Samuel emitia poderosos golpes em Lothar, a situação da batalha havia se invertido. O corvo ciente fez um ultimo esforço para sobreviver à luta, pegou um mosquete carregado que pertencia a um dos soldados mortos e atirou contra Samuel, mas o tiro teve um efeito mínimo. A pele do rapaz estava se tornando semelhante a da gárgula, uma carapaça dura e quase impenetrável. Porem aquilo incrivelmente o deixara imóvel, Lothar se desfez de sua armação e correu para as pedras e começou uma breve perseguição. Aquelas rochas eram altas, difíceis subidas e escorregadias pelas chuvas recentes. Samuel em plena desvantagem pela sua armadura pesada, via sua ira diminuindo aos tombos e caídas das pedras, depois de um tempo não restou mais gárgula nenhuma, apenas um homem cansado e derrotado finalmente levou o golpe de misericórdia do corvo, com a sua espada de aço negro que ele guardou apenas para matar o ultimo homem do farol.
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