Oirem

3 Batalha da Maré - Parte 3


Notas iniciais
Haike vê um Trituru pela primeira vez em sua vida, Eldrac conhece Davio, um dos lideres Campistas e Adal e Od'eche preparam seu ataque.

Haike do outro lado os matou de forma diferente. Pela sua fama e de sua família, os soldados o deixou entrar livremente no farol norte e depositando um veneno mortífero no vinho que ele mesmo deu como um singelo presente. Conseguiu assassinar os 25 soldados no farol.

A verdade sobre o Orl’fazie e por ele ser tão amado pelo pai, permitindo cobrir os custos da guerra, se dava por Haike não ser um guerreiro comum. Ele era mago treinado por Lothar, um bardo de nascença que tocava nas festas reais e narrava com clareza às guerras e campanhas heroicas dos antigos reis, um excelente médico e além de tudo um incrível arqueiro treinado pelos Ventos gelados de Ivy. O jovem também tinha inúmeros mercenários ao seu comando em Nabarga. Era o orgulho da família, ao contrario de Vilian. Vilian era um ano mais velho que Haike, ele era tão maléfico como o próprio Nogours, durante sua infância no castelo dos Orl’fazies, gastava tudo que seu pai tinha conseguido com o seu esforço e quando perdeu o seu ouro, o filho quase o matou. Além disso, Vilian participava das arenas de lutas. Que eram mortais e não promoviam nada a não ser ouro que os participantes gastavam com as prostitutas a serviço do próprio líder da arena. É claro. Tudo isso obrigou o pai a manda-lo para a prisão dos Meivors e o deixar lá, até a sua morte.

Haike desde então passou a procurar e o mesmo achasse que se andasse com os corvos e com o Edenia conseguiria homens para tirar seu irmão dos Meivors, que era o maior clã de toda Ashe. O jovem loiro agora permanecia na guerra e não tinha tempo para seu irmão, ate que ela acabasse.

Haike demorou em média uma hora para atravessar a ilha usando suas botas revestidas de bronze, o lugar era pequeno e tinha estradas interligando todos os pontos e eram bem preservadas e bem feitas, até mais que as do reino, é claro por algumas exceções. Todas elas já estavam ali antes que o rei pusesse seus pés na vila e a transformasse em um grande forte. O vilarejo também tinha uma relação diplomática forte com reino, eles elegiam por votos moradores locais para fazerem pedidos e negociações, tudo aquilo contribuiu para uma independência maior sobre as outras vilas.

Tudo isso foi o possível a família Orl’Fazie que a protegia, lhe dando a autonomia necessária. Haike conhecia todos os moradores da diplomacia. O Senhor Jousen, era um velho padeiro e mandava na região, perto do farol do norte. O jovem havia passado pela casa.

Estava vazia.

Ela era de aparência modesta, na sua entrada havia um pequeno e belo jardim, que os soldados ocupantes faziam questão de mantê-lo majestoso, as paredes eram feitas de madeira negra lustrada a verniz. Haike passou pela entrada, passando a mão entre as divisórias empoeiradas do jardim. A porta de vidro lustrado tinha um pequeno vão que dava para o salão, ela emitia uma luz fraca. O jovem curioso lentamente entrou na casa. A tocha acessa vinha da cozinha, podia-se se ver a sombra de um Trituru. Ele tinha o mesmo tamanho de um humano, porem se podiam notar alguns de seus ossos fora de seu corpo, se formando uma lança que ia à parte do braço voltada para a mão e essas duas garras do braço direito e esquerdo quando já crescida se conectavam entre si, através de uma cera e formavam a sua lança de batalha. O Trituru também tinha uma calda que se ligava a costela a uma fina e frágil camada de pele amarelada, que deixavam seus órgãos a amostra. Suas mãos eram compostas por quatro dedos com unhas grosas e afiadas, no entanto eram coberta por uma longa camada de pano que se transformavam em verdadeiras luvas capazes de rachar crânios humanos. Haike sabia de tudo aquilo, afinal ele havia tempo para ler esses livros épicos que você só encontrava nas bibliotecas a beira da ruína, porem um selvagem como aquele ele nunca se quer olhou na vida. O jovem levemente se abaixou tirando lentamente sua espada da bainha com sua mão direita, ele estava suando frio apenas observando os movimentos do Trituru, que se esquentava em uma tocha fixava no centro da mesa, na sua mão esquerda ele levava uma lança e na direita apenas as suas perigosas mãos. Haike olhou para os lados procurando algo poderá ter acontecido, mas a casa estava escura de mais, só se via apenas uma pequena estante com algumas garrafas de vinhos tinto, vinhos bastante caros. Ele pegou o Doce pomar, o mais barato da coleção e o segurou pela parte fina e depois sua mão escorregou até o gargalo e a lançou na penumbra dos móveis, o barulho repentino fez o Trituru proferir um gemido assustador e correr ferozmente ao salão. A besta tomada por um ódio crescente se contorcia de forma horrenda se virando de um lado para o outro procurando a causa do barulho. Haike assustado se esgueirou para trás da estante, fechou os seus olhos e abriu sua mão esquerda, dando um pequeno murmúrio, de modo que uma mágica chama ardente se envolveu em sua mão até cobri-la por inteiro. O rapaz veloz abriu seus olhos, segurou firme sua espada e correu em direção ao Trituru erguendo sua mão esquerda lançando chamas ardentes. A besta um grito de dor acertando em cheio o peitoral de Haike com a sua pesada mão e em seguida recuou se retorcendo com as duas mãos nos rostos ainda tentando dar um fim na dor. Seus gemidos aumentaram a frequência, Haike sentiu seu coração tremer e uma súbita coragem entrou em eu seu corpo que o fez levantar e cravar sua espada no fino estômago do Trituru que cuspiu um líquido semelhante a sangue no casaco de pele negra recém roubado do farol. O monstro tentava inutilmente se livrar da lamina enquanto Haike pegava a sua lança a batia em sua cabeça como se fosse um porrete até a esmaga-la por completo deformando o seu crânio. Do lado de fora da casa se escutavam algumas conversas de uma língua estranha. O rapaz olhou a janela através de um lençol, viu mais três Triturus se aproximando pareciam calmos e serenos, ao contrario do que Haike atacou há pouco. O jovem assustado se agachou pegou, lança de ossos e tirou o casaco e correu para os fundos da casa saindo aos tropeços de lá ele correu com suas botas de ouro o mais longe possível. Ele sabia o que aquilo representava.

A volta dos Triturus na terra.

Os Triturus eram uma raça que compartilhavam o mundo de Ashe com os humanos, Bâganhas e os Zetes. Essas criaturas foram banidas de pisar chão humano. O único lugar onde eles foram poupados foi às terras virgens, o coração dessa raça. Essas estranhas criaturas ainda que sejam descritas como selvagens e bárbaras, conseguiram montar sua própria civilização e revolucionar o mundo de como Ashe se vê hoje. Uma de suas maravilhosas são os magníficos navios de pedra, que serviram como super maquinas de guerra, os Triturus também levaram a magia ao mundo em formas de uma língua ancestral de outros ciclos, antes disso a magia era exclusiva de Oirem e seus filhos, também foram eles os responsáveis pelo calendário de Shida’h e o entendimento dos elementos mágicos, juntando todos esses grandes feitos e um exército de cinco milhões de soldados, eles quase dominaram o mundo.

O que impediu de feito não foi os bravos reinos e seus cavaleiros ou os seus inimigos de alma, os astutos bâganhas. Mas sim algo muito maior.

Os Seres.

Os filhos de Oirem, mesmos fracos e desunidos, ainda sofriam constantemente pelas suas terras, Trita, o rei imortal dos Triturus declarou guerra aos Seres imediatamente, afinal um Imperador, só era imperador se tudo ao seu redor pertencesse a ele. As violências dessas poderosas batalhas mataram milhões e acabaram por aos poucos expulsar dos aqueles monstros asquerosos do mundo e os manda-lo para debaixo dos mares. O único lugar que resistiu foi às terras virgens.

Essa era a história das espertas e estranhas criaturas que já viveram por esse mundo e o dominaram. Criaturas que podiam se adaptar a tudo, evoluir e regredir em um curso temporal assustador. Elas viviam em lugares muito frios, muitos quentes, muitos altos e muitos baixos. De baixo da água junto com as baleias e os peixes ou na terra com os humanos e os Zetes. Para muitos os Triturus foram uma das raças mais pomposas que já habitaram esse mundo e também uma das mais fortes de todas, mas vitimas de outras espécies inferiores e de sua agressividade descontroladas foram fadadas ao isolamento.

Ao passo que Haike se sentia inseguro e temeroso com a vinda desses estranhos seres, Eldrac vigia firmemente o afastado e pequeno acampamento onde guardavam o núcleo esférico que protegia a ilha. O pequeno arraial era composto por poucas barracas que guardavam os oitenta soldados. Desprovido de qualquer muralha ou portão o local recebia visitas diretas de trabalhadores, prostitutas e outros soldados do forte real e de outras bases. O garoto viu que não havia perigo nenhum resolveu entrar normalmente no acampamento. Logo notou que a tal esfera mágica ficava exatamente no centro das barracas, cercadas por pequenos grupos de fogueiras pequenas a maioria acompanhado de bardos e das mulheres dos oficiais que comiam a carne de porco, esses fogaréus compostas por 5 ou 4 soldados que compartilhavam histórias entre si e os convidados. Eldrac se aproximou de um deles mostrando uma insígnia de aço banhado a ouro, um dos cavaleiros a pegou olhando cautela, observando o rubi que brilhava no centro do adorno. Logo depois devolveu o para jovem e abrindo espaço para ele sentar em um tronco caído de árvore.

– Eu sou o líder das forças campistas de Edenia da vila de Santa Monica, sinta-se a vontade aqui na nossa base. – Disse o homem com a mão direta no peito.

– Ele é só um garoto. – Disse a mulher ao seu lado. – Não precisa usar esses gracejos com o pobre rapaz.

– Ele é um serviçal real. Deve-se respeito. – Ele se virou para o menino, que estava bebendo um copo de água dada por um dos homens ao seu lado. – Meu nome é Davio Seton e o seu nome rapaz?

– Eldrac, sou mensageiro. — A sorte nos favorece. – Gritou o líder levantando o seu copo, sua mulher bateu palmas animadas enquanto os outros soldados começaram a vasculhar as suas sacolas. – Nós procuramos um carteiro para enviar nossos pedidos ao rei, mas eu não posso sair daqui. Nenhum de nós pode. – Ele entregou uma pequena carta nas mãos de Eldrac, o papel tinha uma aparência velha e com algumas partes rasgadas. O garoto aceitou a colocando em sua bolsa.

Ao passar dos minutos no acampamento, Eldrac sairá do acampamento carregado de cartas e logo tratou de procurar Drako.

Aquele núcleo apesar de velho e já ultrapassado afasta qualquer convidado indesejado que tentasse se aproximar da ilha. Era uma magia muito antiga, formada pela esfera central na ilha lançava a energia para os quatro barcos fantasmas que protegiam a ilha, ficava um ao norte, um ao sul, um leste e um ao oeste. Esses pequenos barcos pesqueiros estavam presos em uma ancora, e se qualquer coisa além dele aparecia sua perfeita figura ao núcleo. Para os campistas aquilo era loucura, mas para os magos era simplesmente magia. Esses tais barcos ficavam a 1 km de distancia das praias. Nem muito perto, nem muito longe. Uma distância perfeita para se preparem para um ataque furtivo.

Od’eche um dos corvos seguia com os seus seguidores espreitando a parte norte da ilha a cem metros do barco fantasma afastava a todos que a tentavam entrar lá pela península. Eram no total: quatro Galeões que contavam 700 homens bem armados e alimentados, com canhões carregados e conservados. A ponte de comando era o único lugar agradável no navio principal, longe dos soldados e das conversas que aconteciam no convés. Na pequena sala o corvo estava sentado em sua cadeira lendo um livro do seu lado sua esposa Inav, na ponte estava também Adalgott Sanio, seu fiel escudeiro sentado ao lado da porta lendo algumas cartas.

– Esses bastardos. – Praguejou ele lendo a carta.

– O que diz ai? – Od’eche interrompeu sua leitura e começou a prestar a atenção nas palavras de Adal.

– Hoje de manhã eu estava levantando as redes quando vi um pombo se aproximando no rasante, eu consegui pegar ele com a minha flecha. – Ele soltou uma risada e logo continuou. – E adivinha? Ele estava levando esta carta. – Adal se levantou e a deu para Inav que deu para Od’eche. O papel dela era amarelado, só Edenia fazia papéis assim. – Nela diz sobre o que Drako. Ou nós. Alguém do conselho sabe de nossos planos.

– Essa carta tem assinatura. – O corvo se recusou a ler e a entregou ao Adal que estava parado em frente a sua mesa.

– Não senhor.

– Ótimo. — Od’eche fez um sinal positivo e se acomodou em sua cadeira. – Então mandem os marinheiros apagarem as tochas e levantarem as ancoras dos navios e quando o navio fantasma parar de emitir brilho zarpe a toda velocidade.

– Sim senhor capitão. – Adal ironizou e saiu da sala com passos acelerados.

Inav tinha apenas dezesseis anos e estava sentada a uma pequena poltrona ao lado de seu marido em meio a uma guerra. Ambos foram forjados a se casarem, por ordem de Nogours IV. Ao contrario das outras mulheres, a garota era sujeitada a participar das guerras com seu marido, que não eram raras. Inav tinha pequenos cachos vermelhos e era conhecida por usar magia venenosa, algo incomum nos dias de hoje. Lothar a descrevia como um pequeno escorpião levava cura ao invés da doença.

– Senhor. – Disse ela com uma voz tímida. – Quando iremos voltar para Torko? — Logo mais minha querida. – Ele se curvou dando um leve beijo em sua testa.

– Logo mais. – Od’eche repetiu e se levantou e foi em direção à porta, antes de sair ele olhou para trás, Inav estava com a cabeça baixa choramingando. O corvo deu um suspiro e por fim foi ao encontro de Adal. Os soldados tão apressados nem sequer tiveram tempo de cumprimentar seu senhor e chefe, afinal todos estavam ali guerreando e sustentando mulher e filhos graças a eles, todos eles moravam em Rothilia, uma cidade governada pelo corvo ela ficava ao sudoeste de Wyslie, rodeado pelos fortes mares do continente central. Era urbe modesta e militar abrigava mercenários vindos de todos os cantos do mundo para trabalhar para o Od’eche a maioria deles servindo como arqueiros, besteiros e guerreiros. Dentre eles estava o Adal, seu melhor amigo.

Era muito difícil falar sobre uma pessoa como Adalgott, alguns preverem não citar o nome dele. Não que ele seja um homem maligno, mas o seu passado lhe condena. Nascendo em um das cidades de Ashalia ele foi criado pela desgraça de um líder cruel e tirano que abominava pessoas como Adal. Pessoas que eram Kumas. Os Kumas descendentes dos homens que vieram do antigo ciclo eram mais fortes e mais inteligentes que um homem comum, com o tempo e a força da genética e da magia esse filhos apareceram misteriosamente entre outros bebes, essa tida como uma bênção entre os aristocratas e uma doença aos pobres. Adal era um deles e foi castigado por isso. Teve sua família morta e sua casa queimada, até que encontrou Od’eche que acolheu em seu castelo e percebeu seu grande potencial, lhe dando uma chance e lhe tornando um nobre guerreiro.

Adal como os outros Kumas, era forte e com a magia em seu sangue ajudava os marinheiros a carregar coisas pesadas. Ele estava na proa do navio dando as ordens aos soldados. Ele era forte e belo como um verdadeiro capitão, trajado como um general com uma armadura de aço verde escura feita por ferreiros mágicos que viviam na floresta.

– A luz ainda continua forte e clara senhor! – Disse ele ao ver Od’eche se aproximando. – Tem certeza que Lorde Lothar disse a verdade?

– E por que ele mentiria? – O corvo olhou para o barco a cem metros de distancia do galeão onde estava. – Conheço Lothar há muito tempo, ele não costuma trair seus amigos sem motivos. Minutos de arrumação e barulho deram lugar a uma repentina quietude, canhões carregados, homens trajados com suas típicas armaduras e ancora foi levantada.

– E agora? – Falou um dos soldados para Od’eche empunhando seu escudo.

– Nós esperamos.

Notas finais
Bem pessoal obrigado por acompanharem a história, prometo sempre atualiza-la.Qualquer dica, critica, erro de português, duvida, não deixem de postar nos comentários.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.