Oh, vã cobiça!
15 Capítulo 15

Zelena abre a porta da cela e sorri ao encher seus olhos com a figura do homem sentado num dos cantos do cômodo. Mesmo sujo, faminto e mal cuidado, continuava lindo. Nem mesmo a fome e a sede tinham força para atingir aquela beleza.
– Penso que é momento de parar com esse comportamento infantil, Vasco. Vou permitir que se alimente e que se hidrate. – ela percebe os olhos atentos dele, na direção da comida. – Depois, quero que se banhe e vista roupas adequadas a um rei.
Ele sorri irônico. Descabelado e com a barba bem maior, vestia apenas uma camisa longa que escondia até metade das coxas fortes, a sua nudez. Havia sido desprovido de parte de suas roupas, para dificultar uma nova fuga.
– Seja inteligente, Vasco. Não perca seu tempo com essa resistência e ceda ao que lhe pedi. – ela coloca a bandeja no chão e afasta-se. Sorri ao ver o homem arrastar-se até a comida e começar sua alimentação. As correntes atrapalham seus movimentos. – Quero você ainda mais belo e forte, para demonstrar a Regina, que está sendo bem cuidado em seu novo lar. Quando minha irmã vier, você mesmo mostrará a ela que este é o seu lugar.
Vasco não se importa com o que está ouvindo. Apenas quer comer e usa as mãos para apanhar a comida. Era a coisa mais gostosa que ele havia comido, desde que se dera conta que existia.
– Ficaremos bem em nosso castelo. Você, meu filho Galeano e eu. Seremos a família que eu sempre quis ter.
Levantando apenas os olhos, Vasco encara a mulher. Linda e peçonhenta, como toda e qualquer serpente.
– Regina não virá atrás de mim. Portanto, está perdendo o seu tempo comigo.
– Virá sim, porque minha irmã não tolera derrotas. Ela sempre quer ser vitoriosa e poderosa, por isso, virá atrás de você. Mas ela não sairá vitoriosa, porque você não a quer mais.
– O fato de eu não querer mais o casamento, não significa que quero ser seu consorte, seu escravo sexual ou seu trunfo para divertir-se com Regina. Ela não virá! – ele bebe o que estava na caneca e depois se senta junto à parede. – Não pense que me privando de roupa ou de calçados, fará com que eu seja mais cooperativo. Já fugi três vezes e poderei fugir a quarta, a quinta, a milésima vez...
Zelena se senta num canto oposto do homem. Olha-o sem pudores e percebe que ele começa a incomodar-se com a observação.
– Regina virá para este reino. Por que eu sei? Porque Yasemine não está com ela em Storybrooke.
– O que está falando? – ele grita e tenta avançar, mas as correntes o impedem.
– Sua princesinha feroz veio atrás de você pelo poço. Está na floresta em algum ponto e talvez deva ter se tornado comida para algum lobo. Regina virá resgatar a filha e será nesse momento, que irei divertir-me, meu belo Vasco.
O ódio que surge nos olhos de Vasco, faz com que o azul límpido torne-se escuro. Era o olhar de um animal acuado, que vai aos poucos se serenizando, para o espanto de Zelena. Ele sorri.
– Está mentindo.
– Yasemine pulou atrás de você no poço. Caiu na floresta e mesmo sendo limitada em seus poderes, ousou invadir o meu território atrás de você. – a ruiva sorri. – Eu sempre admirei aquela menina, mas agora lamento ter perdido uma adversária à minha altura.
– Mentira! – Vasco rosna e avança novamente. – Mentira! Yasemine está com a mãe!
Zelena levanta as sobrancelhas e espreme os lábios. Fica em pé e caminha para fora da cela.
– Diga que é mentira! Minha filha não pode estar sozinha na floresta! Zelena, volte! – Vasco grita ainda mais, porém não atrai a atenção da mulher. Vê a porta ser fechada. – Faço o que quiser, mas me diga a verdade! Eu lhe dou minha palavra de honra!
Por um longo período, a voz de Vasco ecoa pelos corredores escuros, até que tudo se torna silencioso. Do lado de fora da cela, Zelena saboreia aquele som como se fosse alimento para sua alma.
Retorna para o interior da cela e encontra Vasco em pé, apoiando as costas na parede fria. Que visão linda! Ele estava quase se entregando.
– Você viu Regina em sua cama com o amor da vida dela. Sua filha Yasemine viu a mãe nos braços de Robin. Pensa mesmo que Regina está preocupada com o sumiço de vocês dois? – ela se aproxima e segura o queixo barbado dele. – Estamos falando de uma mulher que usou o coração do próprio pai, como ingrediente para uma maldição que manteria o poder em suas mãos! Pensa mesmo que ela se importa com você ou com o seu cãozinho de guarda?
– Onde está Yasemine?
– Não sei. – Zelena se afasta dele. – Ela estava na Floresta Encantada, mas veio para cá. Depois a perdi de vista.
A ruiva massageia o braço protegido pela manga longa do vestido e mantém os olhos fixos num ponto qualquer, como se estivesse evocando alguma memória. E pela expressão era algo dolorido.
– Encontre minha filha, eu lhe peço! Ou me deixe ir procurá-la! Aceitarei as suas condições, sejam elas quais forem!
– Aceitando ou não as minhas condições, você ficará em meu reino, Vasco. Eu decretei que quero você e não há negociações. Nenhum corpo humano tolera muito tempo de sofrimento. Em breve, você quebrará! Eu lhe prometo!
O rosto dele sofre uma mutação e aquela expressão de desdém que havia presenciado no rosto belíssimo da Yasemine adulta, instala-se ali.
– Você pode tentar o que quiser, Zelena. Mas não irá conseguir seu objetivo. Sua fala não é vitoriosa e então eu deduzo que Yasemine deixou a marca dela em você, quando pelejaram. Ela não está morta e tampouco fragilizada sozinha na floresta. Yasemine marcou você quando veio em minha defesa. Ela mordeu você?
– Yasemine é uma menina frágil diante de mim, belo rei.
– Será mesmo? Regina e você aprenderam a lidar com as habilidades quando eram adultas. Minha filha nasceu com elas e tem sido desenvolvida por uma mestra. Não vejo tranquilidade em você, quando tenta mostrar-se superior a ela.
– Fiquei fragilizada depois do meu parto difícil, entretanto, vou recuperar-me e estarei pronta para quem vier ao meu reino. – ela se volta para a porta. – Sua ração será retirada novamente. Vamos ver quantos dias o seu orgulho irá manter seu corpo firme.
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