Oh, vã cobiça!
10 Capítulo 10

Quando Vasco abre os olhos, percebe que está deitado sobre uma cama macia e ampla. Durante alguns segundos, ele luta contra sua amnésia. Sente dores por todo o corpo e o ar entrava e saía com dificuldade de seus pulmões.
Ao lado da cama, uma mulher ruiva estava atenta na leitura de um velho livro. Ela levanta os olhos e sorri ao ver aqueles lindos olhos azuis focados em sua direção.
– Você dormiu durante muitos dias, Vasco. Eu sabia que você estava vivo, quando via sua respiração.
– Zelena... – ele olha para os lados em busca de algo. – Onde estão minhas filhas?
– Elas ficaram com a professora Smila e foram devolvidas para Regina.
– Estamos no navio...do Capitão...Jones?
Zelena vai sentar-se no colchão e acaricia os cabelos do homem. Ele fecha os olhos.
– Preciso falar...com Regina...poderia pedir que viesse aqui? Onde estamos?
A ruiva inclina-se e atrevidamente beija-lhe os lábios. Ele geme e vira o rosto para o lado, fugindo do aprofundamento do beijo.
– Não faça...isso...
– Não se esforce, meu príncipe. Quero que descanse um pouco mais e depois conversaremos sobre Regina.
Vasco começa a agitar-se, tentando levantar-se da cama.
– Quero ver minhas filhas...por favor...
Num gesto impaciente, Zelena produz uma onda de controle sobre os músculos e a consciência de Vasco. Ele se desliga do mundo e adormece novamente. O homem precisaria estar forte para enfrentar a nova realidade.
Noutro lugar, noutra realidade longe dali, Regina observava Henry dormindo na mesma cama que Alda. Os dois eram lindos! Mas a beleza estava incompleta, porque sua impetuosa Yasemine estava perdida lá fora. As lágrimas de desespero inundam seu rosto e a mesma horrível sensação do momento em que os Meninos Perdidos raptaram Henry, invade sua alma. Sua pequena Yasemine, frágil e indefesa, perdida no meio do nada. Estaria viva?
Mary entra no quarto e entrega uma caneca com chá calmante para a madrasta.
– Recebi um telefonema de Killian e ele me disse que um velho conhecido do fundo do mar, conseguiu dois feijões para abrirmos um portal de entrada para o reino de Oz.
Regina enxuga o rosto e tenta sorrir.
– Já pensei em vários encantamentos, mas todos precisam de uma chave para a abertura de um portal. Fico feliz que Killian tenha conseguido.
Mary aproxima-se da outra mulher.
– Estamos todos aflitos, mas não poderemos ficar irracionais. Você ainda é poderosa e pode evocar imagens de Yasemine e Vasco. Lembra-se de que você ensinou isso para Emma? – a professora aponta para um espelho.
Como se fosse uma menina eufórica, Regina corre para o espelho e profere as ladainhas corretas para evocar as imagens de Vasco e Yasemine, no local onde estavam. Mary e ela esperam por segundos, até que a imagem do belo homem adormecido sobre uma cama surge no espelho como se fosse um filme. Ao lado da cama, Zelena se ocupava em molhar um pano numa vasilha de porcelana para tentar conter a febre dele.
– Por que ela não usa as habilidades para baixar a febre? – Regina se desespera.
– Smila nos disse que Zelena afirmou estar fraca.
Regina gesticula elegantemente e fala algumas palavras para conseguir ver sua menina. Nenhuma imagem da criança surge. Apenas a imagem de um macaco entrando numa caverna.
– Minha filha virou um macaco?
Desta vez é Mary quem permite que as lágrimas subam aos seus olhinhos puxados. Ela cobre a boca com a mão. Regina não se controla e chora ruidosamente, despertando Henry. O rapaz levanta-se da cama num salto e vai abraçar sua mãe e sua avó.
Momentos mais tarde, naquela mesma noite, Killian chega à casa de Regina trazendo novidades para o grupo.
– Eu recebi a resposta do meu velho conhecido do mar. Ele conseguiu um dos feijões para a abertura de um portal...mas...
– Mas? – Regina aproxima-se do pirata e estende a mão, ansiosa. – O que ele quer como pagamento?
– Ele me fez prometer que você daria a mão de uma de suas filhas em casamento a um dos filhos dele. – Killian espera uma reação violenta que não surge da rainha.
– Eu pensei que esse seu amigo do mar, somente tivesse filhas.
– Não, Majestade! E os tritões?
– Você prometeu que uma de minhas filhas seria esposa de um tritão?
O pirata arqueia uma das sobrancelhas, espreme os lábios e confirma.
– Prometi que Yasemine seria a noiva escolhida.
– Coitado do tritão! – Henry fala sem pensar e recebe todos os olhares sobre si.
Por segundos, a tensão do momento é dissipada e todos imaginam a mesma situação. Um vestígio de sorriso surge nos lábios de Regina.
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