Oh, vã cobiça!
11 Capítulo 11

Smila abre a porta de sua casa e Regina entra sem ser convidada.
– Pode entrar, Majestade.
– Sim, eu posso! Sobretudo, depois de meu marido ser raptado por uma bruxa que não consegue conter uma febre e depois de minha filha ser transformada em um macaco! Tudo por sua causa e sua cobiça!
O rosto de Smila assume uma expressão de horror.
– Zelena provocou um caos. – Regina aponta o dedo para a professora. – E eu decidi que você irá comigo atrás dela!
– Não sou uma guerreira, Regina!
– Mas é a desgraçada que cobiçou meu marido e provocou o sumiço dele, além de arrancar minha Yasemine de meus braços! Como irá fazer para acompanhar-me? Não sei!
Smila engole sua raiva e decepção. Sente-se ainda mais furiosa por ter de dar razão à sua rival pela atenção de Vasco. Mas algo a consolava: ele não estava com nenhuma das duas.
– Fiz um acordo com minha família de que Robin, Killian e eu iríamos para a Floresta Encantada e de lá, para o Reino de Oz. Minha enteada já levou Alda para a casa dela, com Henry. Saí de casa sem ser percebida e não estarei no local e hora combinado para abrirmos o portal.
– Quero que me dê alguns minutos. Vou vestir algo mais apropriado e pegar alguns pertences. – Smila sai da sala e Regina vasculha o local com os olhos. Queria descobrir algo que a aproximasse daquela mulher apaixonada pelo seu marido.
Os minutos vão passando e Regina caminha pela sala, observando a organização do ambiente. A mulher não se preocupava com detalhes em arrumação geral, embora a casa estivesse limpa. Numa mesa numa canto, o material para preparação das aulas, adormecia ao lado de um computador portátil. A curiosidade vence e Regina começa a vasculhar os papéis e encontra uma pequena agenda com capa aveludada.
Folheia e lê alguns trechos de anotações. Em um deles, encontra a citação do nome de Vasco.
“Hoje Vasco trouxe as filhas tão protegidas contra o frio, que as meninas sequer conseguiam dobrar seus bracinhos e andavam como dois robozinhos rechonchudos e barulhentos. Ele estava lindo como sempre, protegido por um casaco escuro e com capuz, deixando-o mais jovial. Ele sorriu para mim e meu dia ficou iluminado. Como ele consegue ser tão doce e seguro ao mesmo tempo? Entregou-me uma caixa com bombons finos, alegando que era um pequeno agradecimento por eu ter cuidado da febre de Yasemine, no dia anterior.
Sei que cometo o pecado de cobiçar um homem proibido e vou lutar para que esse sentimento seja arrancado de meu coração. Mas já me flagrei tendo pensamentos ronhosos em relação a esse homem. Porém, qual mulher desta cidade já não criou uma fantasia com ele como protagonista?”
A mulher era apaixonada por Vasco, sem dúvida alguma e havia apostado alto para conseguí-lo. Regina tenta lembrar-se qual havia sido sua maior façanha para manter aquele homem dentro de sua vida. Não consegue se lembrar de nada significativo. Ela estava tão confiante que Vasco jamais sairia de sua vida e que perdoaria qualquer erro, que nunca tinha se preocupado em conquistá-lo uma vez por dia, tampouco valorizar os pequenos gestos que representavam o amor que ele sentia.
– Estou pronta. – Smila fala mansamente e recebe o olhar de Regina. – Pode ficar com a agenda e ler o que está escrito. Posso adiantar que apenas elogio seu marido Vasco. Não ofendo a senhora.
Regina observa o arco e flecha que a mulher carregava e as duas adagas colocadas na lateral de um cinto grosso.
– Acha que ficará confortável com essas roupas?
– Queria que eu me vestisse como a guerreira Mulan? – Smila mostra toda sua falta de vontade.
– Soube que você explorava a floresta.
– Meus irmãos e eu praticávamos pequenos furtos contra os mais abastados. Muitos roubos atribuídos à Branca de Neve foram feitos pela minha gangue.
Um sorriso involuntário escapa dos lábios de Regina.
– Pelo pouco que li nesta agenda, tenho a absoluta certeza de que você é a pessoa certa para ajudar-me no resgate de Vasco e Yasemine. Você ama Vasco e sabe o quanto a filha é importante para ele. Seremos uma ótima dupla, porque amamos as mesmas pessoas.
– Eu não amo sua filha Yasemine, porque ela é sua cópia fiel. Amá-la, significa amar você. Apenas espero que ela não se transforme numa bruxa má, também. Espero que seja bondosa como o pai, o que me parece jamais acontecer.
Inspirando profundamente, Regina segura a mão da mulher.
– O portal será aberto quando eu jogar o feijão contra o soalho. Quando você sentir a força de atração do portal, pense na Floresta Encantada. Iremos para lá. Caso você pense noutro lugar, seremos separadas.
– Pode confiar. Uma coisa eu já lhe provei: sou verdadeira e honesta.
– E que sejamos agraciadas com a sorte. Você usará suas armas e eu usarei as minhas. Teremos de deixar nossas diferenças de lado e pensar apenas no resgate de Yasemine e Vasco. – Regina abre um pequeno embrulho e entrega um bracelete para a mulher. – Use isso e estará blindada contra qualquer tipo de magia, que altere seu organismo.
Smila obedece a Regina. Diz:
– Guardaremos a retaguarda uma da outra, mas se lembre de que não somos amigas. E afirmo que não vou desistir tão fácil de Vasco.
Com o ímpeto de transformar aquela criatura em uma lesma gigante, Regina apenas estreita os olhos, num falso sorriso.
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