Oh, My Sweet Amazon...
6 Touro e Peixes comandam a treta... Rose POV
Notas iniciais
No dia seguinte, eu acordei bem disposta. Fiz o café para meu querido pinguim, arrumei a mesa e fui acordá-lo. Entrei no quarto na ponta dos pés, fazendo o mínimo de barulho possível e nem me incomodei em fechar a porta.
Ao me aproximar da cama, constatei que mestre Camus estava dormindo como um anjinho e, realmente, a cena era adorável. De súbito, tive uma ideia, e um sorriso maléfico tomou conta do meu rosto. Tomei fôlego para o próximo ato.
“LET IT GO! LET IT GOOOO! CAN’T HOLD BACK ANYMOOOORE” cantarolei alto, congelando o quarto como no filme Frozen.
Mestre Camus pulou da cama e eu comecei a rir. Passou dois minutos e nada da criatura cair de volta na cama, então olhei para cima, constatando que eu havia congelado meu mestre no teto, e o aquariano agora servia de lustre.
“Me lasquei!” disse, correndo dali.
“ROOOOOSEEEEE!” o grito se fez ouvir, acredito eu, até a casa de Libra.
Então... No dia do treinamento com o Carlo, eu disse que meu mestre jamais tentaria me matar, certo? Pois é, eu estava redondamente enganada! E por isso, tive que fugir de um possesso aquariano, que congelou até os passarinhos namoricando na janela, tentando me acertar.
Para apaziguar os ânimos, Afrodite desceu até Aquário, e tentou separar aquelas duas criaturas que se embolavam no meio da sala. Uma delas, infelizmente, era eu... E estava tomando uma baita chave de braços, por sinal.
“Vocês dois não tem vergonha na cara? Se matando assim logo cedo? Podem parar com esse barraco antes que eu jogue os dois no meu jardim de rosas piranhas!” reclamou o peixinho, segurando pelas orelhas um malcriado em cada mão.
“Ai, Dite, tá machucando!” reclamei.
“É pra doer mesmo! E o meu sono de beleza, aonde fica? Não dá pra manter a pele jovem com vocês dois tocando o rebu às sete da manhã!” disse, nos soltando.
“Peço desculpas, Afrodite. Eu perdi a paciência porque este projeto de coisa ruim me congelou no teto.” Explicou-se Camus.
“Ora, mas se foi por isso, você deveria é ter orgulho da sua pupila! Se ela botou você pra enfeitar o teto é sinal de que tem bom gosto.” Deu uma piscadinha para mim.
“Athena me dê paciência com esses dois...” resmungou, indo para a cozinha.
“Dite, posso tomar café com você? Acho que depois dessa situação toda é melhor eu deixar mestre Camus ter uns minutos de sossego.” Pedi, com cara de cachorro que caiu da mudança.
“Tudo bem, minha flor. Vai lá avisar seu mestre, eu te espero na porta.” Disse, já se retirando.
“Ok!” corri até a cozinha.
Parei na porta, observando o francês servir-se de café e um croissant com geleia. Pigarreie.
“O que foi, filhote de Hades?” fuzilou-me com os olhos.
“Bom dia, mestre Camus. Eu sinto muito por hoje cedo... Pedi para o Dite deixar eu tomar café com ele, posso ir?”
“Pode.” Suavizou o olhar. “Seu treino começa às oito horas, não se atrase.”
“Sim, mestre.” Fiz uma respeitosa reverência e saí.
Encontrei com Afrodite na porta e caminhamos até Peixes. Durante o percurso, o peixinho me deu a bronca mais charmosa que eu já recebi. Bem a cara dele! Isso me rendeu boas risadas, afinal, ele estava super certo!
Quando chegamos no décimo segundo templo, tinha um dourado nos esperando. Abri um largo sorriso ao ver quem era.
“Deba!” corri para abraçá-lo.
“Rose! Achei que a essa altura você estaria enfeitando a sala do Camus.” Rimos.
“Nada disso, meu caro Touro. Euzinho aqui tive que descer pra separar esses dois barraqueiros. E ainda salvei o pescoço dessa sem noção aí.” Apontou para mim.
“Já te agradeci por isso, Dite!” resmunguei.
Afrodite, Aldebaran e eu entramos para tomar café. Eu adorava a companhia de meu conterrâneo, então nós três conversamos à beça, ora em grego, ora em português, ora em sueco... No final das contas, misturando tudo e virando um samba! Simples assim.
Quinze para as oito saímos da casa de Peixes. Eu porque tinha treino, Afrodite porque queria ver Camus arrancar meu couro, e Aldebaran porque gostaria de treinar também.
Chegando na arena, meu amado pinguim conversava com Shaka na arquibancada. Outros cavaleiros também estavam ali, alguns já treinando, outros se aquecendo. Sheily e os gêmeos lutavam perto de Shion, que estava com Kiki. Procurei pelo ariano e o encontrei do outro lado, conversando com uma certa amazona... Meu sangue ferveu.
Antes de Milo e Aiolia zoarem meu mestre pelo ocorrido hoje de manhã, fui arrastada para o treino. Pelo visto, Camus não estava para brincadeiras hoje e, se eu desse bobeira, ele arrancaria meu couro.
Passei o resto da manhã sob árduo treinamento, tendo que aturar também Afrodite como plateia. O peixinho ficava só na torcida, ansiando em ver Camus arrancar-me os dentes. Ai minha nossa senhora da bicicletinha, por que raios eu fui dar a Elza* hoje cedo?
Para minha alegria, o gélido francês me liberou para o almoço. Aldebaran e Afrodite nos acompanharam pela escadaria, mas eu e o peixinho ficamos em Touro e meu zangado aquariano subiu sozinho até seu templo.
Foi Camus sair para Afrodite começar...
“Como vão seus dentes, Rose?” alfinetou, provocando risadas no taurino.
“Bem, obrigada. Aprendi a ter amor por eles hoje...”
“Ah, que bom... Espero não ver vocês dois se matando outra vez.”
“Relaxa, Dite... Esses dois brigam, mas se amam.” Comentou Deba.
“Falando em gente que se ama... E a sua irmã ein? Já se oficializou com o Buda?” perguntou animado.
“Afrodite, deixe de ser xereta.”
“Que isso, Deba... Não vê que na lerdeza que são aqueles dois, o jeito é dar um empurrãozinho?” fez uma cara de quem quer aprontar.
“Empurrãozinho? Tá mais pra empurrãozão mesmo. A Sheily é tímida e o Buda é lerdo.” Comentei, arrancando uma gargalhada gutural do brasileiro.
“Vocês dois quando se juntam, não prestam!”
Trocamos um olhar, como que concordando com a afirmação, e depois caímos na gargalhada.
E o almoço só deu esse assunto! Eu e Dite bolando um plano mais pirado que o outro para “empurrar” os pombinhos. Deba nos olhava, assustado, como se estivesse almoçando com dois psicopatas.
“CHEEEGA!” bradou, nos assustando.
“Mas Deba...” retrucou o peixinho.
“Nada disso, Afrodite! Vocês querem juntar os dois? Então vai ser do meu jeito. Vou precisar da ajuda de vocês, mas não inventem, pelo amor dos Deuses!”
“Tá bom.” Concordamos juntos.
Aldebaran apressou-se em nos contar seu plano, nos mínimos detalhes. Explicou-nos qual seria a participação de cada um, e de pronto concordamos. No fim das contas, tanto Afrodite quanto eu, estávamos boquiabertos com a genialidade taurina!
[Narrador POV]
Depois do almoço, os três jovens se separaram para cumprir com suas tarefas. O dia seguinte seria muito especial, tanto para o grupo, quanto para o futuro casal envolvido na trama.
Ao entardecer, Shaka foi tomar seu banho, como de costume. Encontrou um pequeno cartão, aonde estava escrito: “Encontre-me nas pedras da cachoeira, perto do rio das Amazonas amanhã, às 14h. Ass: Cupido.”
Estranhou aquela situação, e tornou a olhar o bilhete, reparando em seus detalhes. Tinha sido feito em um papel texturizado, de cor azul, com o símbolo de virgem impresso no canto direito, em dourado. As formosas letras, também em dourado, apresentavam a caligrafia impecável.
Estava curioso, era verdade, mas resolveu voltar a sua rotina. Deixaria para pensar nisso amanhã...
A mesma situação estranha ocorria na casa de gêmeos, onde Sheily encontrou um bilhete parecido, de cor rosa e com o símbolo de gêmeos, aonde estava escrito: “Encontre-me na curva do rio das Amazonas amanhã, às 14h. Ass: Cupido.”
Enquanto isso, na casa de Aquário, Aldebaran pedia a Camus para liberar sua pupila do treino matinal no dia seguinte. Explicou-lhe o plano, pedindo discrição ao francês, e este, concordou com o esquema. Afinal, Touro era gente boa e tinha a simpatia do aquariano.
Rose abraçou seu pinguim favorito e agradeceu-lhe, prometendo estar na arena às 16h em ponto, disposta a dar o melhor de si. Camus retribuiu o abraço, depositando um beijo no topo da cabeça da menor. Eles se gostavam apesar de tudo.
No dia seguinte, a aquariana quis se redimir com seu mestre. Ela acordara mais cedo porque estava ansiosa em começar a trabalhar no plano de Aldebaran, então aproveitou para surpreender Camus de forma positiva.
Preparou um café da manhã impecável, com tudo que o francês gostava, e organizou numa bandeja. Foi até o quarto dele, sem fazer barulho e colocou seu presente na mesinha de cabeceira, com um bilhetinho fofo.
Sentindo-se orgulhosa de seu feito, tratou de se arrumar para encontrar com Afrodite, rumo ao rio das Amazonas. Aldebaran apareceria um pouco mais tarde, pois estava providenciando outros preparativos.
Encontrou-se com o peixinho na porta do templo de Aquário, e saíram saltitantes até o local combinado. Ambos eufóricos de alegria, controlando suas vontades de distribuir flocos de neve e pétalas de rosas pelo caminho.
Shaka estava acordado quando a dupla purpurina passou pelo seu templo, com muita energia e amor para dar. O virginiano encontrava-se um pouco mais desconfiado do que o habitual, procurando possíveis pistas para o mistério do bilhete. Mas, a dupla “para nossa alegria” passou a perna no loiro, alegando estarem felizes porque iriam ao shopping. Sob essas circunstâncias, Shaka apenas deu de ombros e os deixou passar.
“Malucos...” retrucou o loiro, quando os dois saíram alegres e saltitantes de seu imaculado templo.
Sheily já estava acordada, mas não viu aqueles dois passarem por Gêmeos, possuídos pelo ritmo ragatanga (Sim, eles estavam cantando...). Ela foi treinar mais cedo naquele dia, porque os irmãos atentados quiseram assim. A jovem geminiana até retrucou um pouco, mas acabou por obedecê-los, preferiu não arriscar ver a bunda de Kanon outra vez.
Na cozinha de Touro, Aldebaran estava muito atarefado. O cheiro delicioso daqueles maravilhosos quitutes logo chamaram a atenção de seu vizinho ariano. Mu subiu correndo ao templo de Touro, interessado no que seu amigo estava aprontando.
Aldebaran, sempre muito simpático, teve que arrumar uma desculpa qualquer para explicar aquilo ao seu melhor amigo. Mesmo assim, não recusou a ajuda do lemuriano. Apreciava a companhia de Mu, então aproveitou para jogar conversa fora com o amigo.
O tempo foi passando no Santuário, aumentando a ansiedade de alguns guerreiros. Afrodite teve uma boa ideia para incrementar o plano de Aldebaran, e correu contra o relógio para conseguir o que queria. Rose ajudou o taurino na arrumação final.
O defensor da segunda casa teve ímpeto de conversar com a aquariana, especificamente sobre seu amigo Mu. Porém, acabou se contendo. Daria um empurrãozinho neles mais tarde... Decidido, apenas começou a falar sobre todos os seus amigos dourados, analisando o terreno para futuras intervenções.
Quando Afrodite retornou, Rose precisou se esforçar para ajudar na ideia dele. Afinal, seu elemento regente é o ar, e ela conseguia ter um pouco de controle sobre ele.
Com tudo pronto, os três cupidos posicionaram-se em seus respectivos lugares. Todos extremamente ansiosos, com muito orgulho do resultado. Tudo ficou pronto direitinho como haviam planejado.
Não muito longe dali, Sheily e Shaka aprontavam-se para sair. Ambos, morrendo de curiosidade, almoçaram pouca coisa e às pressas. O virginiano tentou recobrar sua calma no meio do caminho, saindo-se melhor do que a geminiana. Esta, sentia seu coração disparado, parecendo querer fugir do peito.
Quando o loiro chegou no local combinado, encontrou uma elaborada estátua de gelo com o formato de duas sereias. Pareciam ser gêmeas e, uma delas, segurava outro bilhete em mãos. Buda apressou-se em pegar aquele papel.
Sheily também não demorou a chegar no lugar marcado. Estranhou o fato de não encontrar ninguém e já ia sair, desanimada, quando seus olhos pararam no belíssimo buquê de rosas brancas, que enfeitavam um jarro feito de gelo.
Aproximou-se, admirada com tamanha beleza. Nem reparou que a origem do vaso já incriminava um dos participantes daquela treta, pois o bilhete cor de rosa no meio das flores logo chamou sua atenção. Estava escrito: “Estou te esperando na clareira. Por favor, siga a rosa vermelha. Ass: Cupido.”
Levantou-se, espantada e olhou ao redor. Afinal, não tinha nenhuma rosa vermelha. De súbito, sentiu uma brisa tocar-lhe as costas, e um balãozinho vermelho em forma de coração passou ao seu lado, carregando a tal rosa.
Sheily ficou ainda mais curiosa. Seguiu a pista, mergulhada em pensamentos. Em poucos minutos, ela estava diante da clareira, aonde viu Shaka aparecer do outro lado, também seguindo um balãozinho igual ao dela. Eles se encararam, confusos e encabulados.
Ao quebrarem o contato visual, imediatamente procuraram pelos balões, os quais estavam juntos, parados acima de uma toalha de piquenique bem arrumada e cheia de quitutes.
Quando os dois se aproximaram daquele banquete romântico, ainda sem saberem o que falar, os balões estouraram, espalhando pétalas de rosas no ar. No mesmo instante, uma suave brisa ajudou a dispersar as flores, deixando os dois pombinhos imersos num mar de pétalas de rosas.
Sheily ficou deslumbrada com aquilo tudo. Era perfeito! Ela procurou palavras para agradecer, mas antes de poder dizê-las, Shaka abaixou-se para pegar dois pequenos cartões no chão.
O loiro percebera os bilhetes caindo dos balões junto com as pétalas, mas só agora conseguiu reagir, visto que, ficara inebriado com aquela cena digna de filme. Por isso, demorou até voltar sua atenção aqueles pedacinhos de papel.
Entregou o bilhete rosa para a loira, e ficou com o azul, aonde estava escrito: “Aproveite o piquenique... E a companhia. Ass: Cupido.” Riu ao constatar os símbolos de Peixes e Touro impressos no cartão. Estrangularia os dois mais tarde.
Voltou seu olhar pra a geminiana, que estava mais vermelha do que as pétalas das rosas. Ela bradou, em português, depois de ler o bilhete:
“Vou matar essa abusada!”
No seu papelzinho, estava escrito: “Agora pode beijar o Loiro!” E no lugar da assinatura, estava o símbolo de Aquário.
“O que está escrito?” perguntou um intrigado virginiano, divertido com toda aquela situação.
“Nada demais... Só acabei de descobrir a autora disso tudo.” Sorriu.
“Autora? Engraçado... Posso jurar que tem dedo do Afrodite e do Aldebaran nessa história.”
“Do Aldebaran?” assustou-se.
“Inacreditável, não?” rimos.
Ao longe, num lugar seguro, os três autores daquela façanha se cumprimentavam, orgulhosos. Mas, um deles, um certo peixinho, insistiu para os companheiros esperarem mais um pouco antes de irem embora.
Os dois acabaram ficando, e não se arrependeram, pois viram o resultado do plano sair melhor do que o esperado. Sentados na toalha de piquenique cuidadosamente arrumada, os amantes agora se beijavam, apaixonados.
Rose e Aldebaran tiveram que arrancar Afrodite dali, antes que o peixinho brotasse no meio do piquenique para aplaudir a cena e jogar flores no casal.
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