Oh, My Sweet Amazon...
1 Sono, pra que te quero... Rose POV
Notas iniciais
Mal cheguei no Santuário, acompanhada de minha irmã, e já descobri que meu novo mestre tinha um jeito bem peculiar de acordar sua recém-adquirida discípula. Afinal, pra quê se dar ao luxo de chamar sua pupila, ou, quem sabe, sacudi-la delicadamente pelo ombro? Que nada! Congelar o travesseiro, a cama, o quarto... EU! Enfim, tacar gelo em tudo era o jeito ‘carinhoso’ do meu mestre de me acordar.
“Ah, pinguim filho daquelas!!” Descia as escadarias resmungando, rumo ao templo de Gêmeos.
Tive sorte do mestre Camus ser chamado por Athena aquela manhã, se não fosse por isso, eu teria tentado congelar a fuça daquele francês. E por isso eu estava descendo as escadarias, a procura de Sheily, minha irmã e discípula de Saga.
Passei pelas casas pedindo permissão, de bom humor e sendo educada, mesmo depois da situação que me acontecera mais cedo. Apesar dessa habitual briga todas as manhãs, eu até que me entendia bem com meu mestre, ele era gente boa... Quando não estava tentando me fazer de picolé.
“Bom dia Shura” cumprimentei ao chegar na 10° casa.
“Hola, mi hermosa! Cómo estás?” disse em seu idioma natal, sabendo que eu podia entendê-lo.
O cavaleiro logo pegou minha mão e depositou um beijo, sendo bem charmoso.
“Bien, gracias!” sorri. “Posso passar pela casa de Capricórnio?”
Segui caminho depois de ouvir e me desvencilhar de alguns gracejos de Shura e continuei para a casa de Sagitário, onde encontrei um Aiolos faminto fazendo seu desjejum.
“Rose, Bom dia!” cumprimentou-me animado. “Chegou em boa hora, quer tomar café? O pão está quentinho.”
“Bom dia Aiolos!” sorri amigável. “Obrigada, mas eu já tomei café em Aquário.”
“O que o Camus aprontou dessa vez?” riu, bebericando seu café.
“Ué, está tão na cara assim?” fingi-me de espantada.
“Aham, e também deu pra ouvir uns berros daqui” gargalhou contaminando o ambiente.
Fiquei uns minutos conversando com o simpático sagitariano antes de seguir para a casa de Escorpião. Lá, fui recebida por um Milo bem tagarela e galanteador, o que me rendeu certo trabalho e muito jogo de cintura para escapar dele.
“Rose, já te mostrei meu casal de escorpiões de estimação?” o grego tentava me empurrar até seus aposentos.
“Ainda não, mas agora não dá, estou meio atrasada...” tentei desconversar.
“Não tenha medo, eles são mansinhos...” insistiu.
“Obrigada, mas agora não posso... De verdade, Milo...” segurei seus braços, tentando pará-lo.
A casa de Libra estava vazia, Dohko certamente já tinha descido para a arena, supervisionar e ajudar nos treinamentos dos demais pupilos do Santuário. Corri até a casa de Virgem, já sentindo o cosmo poderoso e calmo de Shaka antes mesmo de pisar em seu templo.
“Sunbae? ...” Chamei-o, usando o termo formal da nova linguagem que eu estava tentando aprender: coreano.
“Você pode passar Rose, discípula de Camus... Desde que não grite ou congele nada em meu templo...” disse indiferente.
“Não o farei, Shaka sunbae... Estou procurando por paz.” Sorri.
“Sendo assim, pode ficar um pouco aqui e meditar, mas nada de barulho!” proferiu autoritário.
“Meditar seria bom, mas não quero lhe incomodar... Estava indo conversar com Sheily”
“Ora, sente-se aí, vamos... Você não costuma atrapalhar.” Apontou para um local perto de si, onde ele mantinha sua postura de lótus. “E meditar um pouco certamente lhe fará bem depois do que senti na casa de Aquário.” ele se referia aos dois cosmos hostis que se estranharam mais cedo.
“Tem razão, sunbae...” fui até onde ele apontou e me sentei tentando imitar sua postura perfeita.
“Desde quando te dei permissão para apelidos?” repreendeu-me.
Evitei rir de seu comentário. Shaka certamente havia se esquecido, mas eu já tinha perguntado se poderia chamá-lo assim antes...
“Não é apelido, senhor Shaka... Não se lembra? Sunbae é um termo em coreano para demonstrar respeito com seus superiores.”
O loiro manteve-se pensativo. Por fim, aceitou que eu o tratasse dessa forma, gostava de demonstrações de respeito e hierarquia, coisas características no vocabulário coreano, o qual eu estava aprendendo por pura diversão.
Fiquei uns quinze minutos meditando ao lado do cavaleiro de Virgem, tentando acalmar meu cosmo e apagar a briga fútil que ocorrera essa manhã. Estava relaxada, controlando minha respiração com tranquilidade e sentindo meus batimentos cardíacos suavizarem.
Devo admitir que parte da briga talvez tenha sido por estupidez minha, afinal, acordei bem abalado com o sonho que estava tendo. Detestava guardar segredos e não queria ter que esconder algo tão legal de meu mestre... Mas eu precisava atender às vontades de Athena, se por hora era assim que ela queria, assim seria feito...
Eu precisava mesmo conversar com Sheily a respeito disso, queria saber como ela estava lidando com essa situação. Uma parte de mim queria convencê-la a irmos falar com Athena, pedindo por outras alternativas.
Levantei-me devagar, não queria que a inquietação voltasse. Logo depois, despedi-me de Shaka e passei pela casa de Virgem, seguindo meu rumo até a terceira casa. Dessa vez eu passei mais rápido pelos templos, sem dar muita margem para conversas. O assunto que tinha para tratar com minha irmã estava mesmo me incomodando, visto que eu resisti até mesmo ao beicinho fofo de Aiolia, o qual ele faz quando quer atenção.
Quando cheguei no templo de Gêmeos, Saga não estava presente. Sheily me convidou para entrar e me explicou que seu mestre tinha uns assuntos burocráticos para resolver no 13° templo, referente à nossa festa de boas-vindas.
“Então, Rose... O que te traz aqui?” perguntou divertida.
“Imagino que você já saiba, né?” encaramo-nos alguns segundos e depois desatamos a rir.
“Por Zeus, você não tem medo de acabar fazendo parte da decoração da casa dentro de um esquife de gelo?” brincou.
Rimos mais ainda do comentário, a ponto de mudarmos de cor. Minha barriga começou a doer, quando disse:
“Para de graça Sheily! Eu não tenho medo do Sr. Cubo de Gelo, ele é gente boa quando quer... O problema é que estou agoniada com nossa situação...” disse séria.
“Eu sei... Também estou...” suspirou.
“Poxa, Sheily... Nossas armaduras são tão incríveis, não consigo deixar de imaginar a reação de nossos mestres quando souberem.”
“Não fique assim, irmã... Achas que eu também não quero mostrar ao Saga minha armadura? Sei muito bem como se sente.”
“Acho que devíamos tentar conversar com Athena, eu não estou mais conseguindo segurar. Hoje de manhã, enquanto discutia com Camus sensei eu ficava pensando ‘ah, se eu pudesse chamar minha armadura...’ e ficava mais brava por isso.” Abaixei o rosto, olhando o chão. “Sinto falta de usá-la.” Admiti.
Sheily estava sentada ao meu lado. Passou o braço esquerdo por mim, me abraçando.
“Eu não sei o que fazer irmã... Seria falta de educação questionar Athena?”
“Não vejo dessa forma... Tudo bem que ela não quer contar ao santuário inteiro sobre essas novas armaduras que possuímos, mas eu não acho justo nossos mestres ficarem avulsos da situação.”
“Então quer tentar falar com a Deusa?”
“Quero que nós duas falemos” encarei Sheily, meu olhar claramente lhe desafiando.
“Bom, eu ainda acho que seria falta de educação, mas não vejo mal algum em tentarmos.” Rendeu-se. “Espere eu me arrumar, serei rápida!”
Pouco menos de uma hora depois, nós duas estávamos em frente ao décimo terceiro templo, um pouco receosas. Respirei fundo e segurei a mão de minha irmã, adentrando o local. ‘Eu sempre fui a mais abusada né?’ Pensei comigo mesma, rindo mentalmente. Pude imaginar que ela revirou os olhos, pensando o mesmo que eu.
Ao chegarmos lá dentro, logo percebemos que seria difícil conseguir ficar à sós com a Deusa. Meu mestre estava saindo e insistiu em nos acompanhar, enquanto Saga, que também se encontrava presente, logo se aproximou, questionando o que estávamos fazendo ali.
“Meninas, o que estão fazendo por aqui?” Saori perguntou amigável.
“Nós queríamos conversar com a Senhora sobre uma coisa.” Adiantei-me. Pelo jeito que Sheily tremia ao meu lado ela não conseguiria dizer um ai. A presença de Saga a intimidava claramente.
“Por favor, senhora está no céu!” sorriu a Deusa. “Já lhes disse para me chamar de Saori. Não precisam ficar intimidadas pela presença de meus cavaleiros, afinal, somos amigas também, não é?”
Era bem verdade que tínhamos laços de amizade, mas eu não me sentia confortável falando normalmente com Athena na frente de Camus. Não sou tão cara de pau assim, sem falar que ele certamente me repreenderia.
“É sim, Saori” sorri meio sem jeito. Meu mestre prestava atenção na conversa, provavelmente me analisando.
“Então... O que vocês tem de importante para me falar?” sorriu amigável.
“Bom... Se não se importa, nós gostaríamos de conversar em particular.” Ousei olhar para Camus, dando um sorriso abusado.
“Rá... Essas duas na certa vão reclamar de nós para a Deusa. Estou certo, Camus?” Saga se intrometeu divertido.
“Não é isso...” Sheily tentou consertar, mas acabou vermelha como farol de trânsito ao encarar Saga.
“Saori, o assunto é privado. É sobre... ah... você sabe...” tentei ajudar.
“Não estou entendendo” a Deusa se mostrou confusa.
Tanto eu quanto Sheily ficamos sem ação e envergonhadas. Como faríamos para tirar nossos mestres teimosos e desconfiados dali?
“Seja lá qual for o assunto, creio que nossa presença não será problema, meninas. Afinal, somos seus mestres.” Finalizou Camus. Saori e Saga apenas acenaram, concordando.
Minha irmã e eu nos entreolhamos, derrotadas. De súbito, tive uma ideia.
“Tudo bem então Saori...” sorri de canto, já imaginando o tumulto que iria causar com minha próxima ação.
Elevei meu cosmo, sentindo o mesmo se materializar em volta de meu corpo, formando uma bela armadura de cristal, bem detalhada, com poucos traços em ouro. Ela acompanhava bem a silhueta de meu corpo e, apesar de parecer frágil, era resistente como diamante.
Saga e Camus, que tinham adotado posição de defesa ao redor de Saori, estavam boquiabertos. Cutuquei Sheily e ela fez o mesmo, exibindo sua gloriosa armadura de titânio, tão bem trabalhada quanto a minha. Ambas as armaduras apresentavam traços em ouro, e emanavam um brilho colossal.
“Era isso...” falamos em uníssono, nos ajoelhando perante a Deusa antes que nossos mestres nos esganassem.
“Mas o que isso significa?” Saga se manifestou primeiro, recebendo uma risada calorosa da Deusa como resposta.
“Imaginei que estava sendo difícil para vocês guardar este segredo de seus mestres... Ia mesmo pedir que o revelasse, mas já que o fizeram...” Saori se virou para os dois cavaleiros pasmos ao seu redor. “Eu estava pensando na melhor forma de contar sobre a habilidade extraordinária dessas duas jovens, mas agora que viram, gostaria de explicar-lhes o que está acontecendo... Rose e Sheily são duas amazonas com a capacidade única de materializar seus cosmos na forma de uma armadura. Nós pedimos para elas manterem segredo, pois queríamos pesquisar mais a respeito e fazer alguns testes... Estávamos procurando pela constelação protetora das meninas, afinal, cada armadura, independente da origem, é relacionada a uma constelação.”
“E a que conclusão chegaram até agora, senhorita?” disse Saga, curioso.
“Nenhuma. Trabalhamos com poucas hipóteses.”
“Quais?” pressionou Camus.
“Não posso afirmar que é pouco provável a hipótese de novas constelações, mas eu sinto uma certa conexão com a armadura de Aquário” intrometi-me.
“Da mesma forma me sinto quando estou perto da armadura do mestre Saga.” Sheily se manifestou.
“De fato, essa é uma das possibilidades que não posso descartar.” Saori se adiantou. “Rose e Sheily podem estar sob proteção das constelações do zodíaco... Em outras palavras, suas armaduras podem ser a versão feminina das armaduras de ouro.”
“O que?! Isso é um absurdo!” esbravejou Saga. “As armaduras delas podem ser inacreditáveis, mas visivelmente não são de ouro! Possuem um ou outro detalhe, nada mais! “
“Acalme-se Saga, ainda não temos certeza de nada. Mas não se engane! As armaduras podem parecer frágeis, no entanto, a de Sheily é inabalável como titânio e a de Rose, resistente como diamante. E isso está, sem dúvida, acima da capacidade normal de uma armadura de bronze ou de prata.”
O silêncio reinou por quase dois minutos. Todos os rostos ali, pensativos. Eu e Sheily continuávamos ajoelhadas, com inúmeras questões em mente. Saori, então, resolveu botar um ponto final no assunto:
“Acho que podemos dar o assunto como encerrado. Continuarei pesquisando a respeito e, a partir de agora, creio que vocês aprofundarão o treino delas. Se descobrirem mais alguma coisa, por favor, me comuniquem.”
E assim encerrou a conversa. Saori se retirou, deixando seus dois cavaleiros pensativos encarando suas respectivas discípulas, já sem armaduras. Saímos do décimo terceiro tempo, eu ao lado de Camus, Sheily mais à frente com Saga. Era quase horário de almoço e nós duas iríamos treinar durante a tarde.
A dupla passou pelo templo de Aquário e se despediu. Camus ainda estava quieto, então eu apenas andava atrás dele, sem saber o que dizer ou se deveria tocar no assunto.
“Por essa eu não esperava” riu mestre Camus ao chegar na cozinha.
“Oi?” arregalei os olhos, estranhando sua atitude.
“Ora, ora pequena... Isso explica seus reflexos mais aguçados.”
“Então concorda com a alternativa da Saori?”
“Ainda é cedo para dizer, mas intrigante do mesmo jeito. Os detalhes em dourado...” refletiu.
“Não são originais.” Comecei a explicar, vendo suas feições mudarem, desentendido. “Quando minha armadura se materializou pela primeira vez, ela era toda em cristal. A princípio, fiquei espantada, mas a adrenalina falou mais alto. Eu estava sendo atacada por uma Hidra, então era uma questão de sobrevivência sabe? Os detalhes dourados apareceram no decorrer da batalha, conforme elevei meu cosmo.”
Mestre Camus ouviu atentamente, enquanto terminava de preparar o almoço. Ficou quieto, refletindo sobre o que havia sido dito.
O resto da tarde passou tranquilamente. Almoçamos bem, conversando sobre coisas banais e até chegamos a rir com algumas piadas. Durante o treinamento, a coisa mudou um pouco. Fomos para uma área mais reservada do Santuário, onde eu pudesse treinar de armadura. Essa foi minha oportunidade de ouro para apresentar ao mestre meu golpe secreto: Neverland, uma outra dimensão, onde o frio absoluto e eterno impera.
Meu mestre, assim como eu, resistia muito bem ao frio. Por isso, acabamos num ‘passeio’ à Neverland, onde mestre Camus parecia bem admirado. O lugar não era só vazio, como indicava seu nome, existia uma parte reservada. Levei o cavaleiro de Aquário até lá, no interior daquela pequena floresta, onde ficamos cercado por pinheiros altos, todos tomados por uma camada grossa de neve. Ao centro existia um enorme lago contendo uma finíssima camada de gelo por cima. Era aqui aonde eu vinha para elevar meu cosmo.
Mestre Camus apreciou o local, aproveitando também para treinar comigo. E assim ficamos por umas cinco horas, quando nossos estômagos roncaram alto. Voltamos ao santuário a fim de tirar a barriga da miséria.
“Hoje o dia foi bem produtivo.” Comentou meu querido pinguim, mordendo seu croissant com geleia.
“Verdade, gostei muito do treino de hoje.” Respondi enquanto mexia meu suco.
“É, mas não vá se acostumar viu?” rimos. “Amanhã é o meu dia de ajuda a Deusa Athena com a arrumação do décimo terceiro templo para a festa de boas-vindas em homenagem à vocês.”
“Então amanhã estou dispensada do treino?” meus olhos brilharam de euforia.
“Errado. Isso quer dizer que amanhã você irá treinar com outro cavaleiro de ouro.” Disse sorrindo de canto.
“Eba! Mu sunbae irá me treinar?
“Negativo. Você irá treinar com o único que encontrei disponível...”
“Quem?” senti um frio na espinha ao imaginar a resposta.
“Máscara da Morte.” Virou o rosto, rindo discretamente da minha cara.
E o resto da conversa foi apenas o desabafar de alguns palavrões meus, seguidos por risadas contidas do francês.
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