Oh, My Sweet Amazon...
2 Um certo Ariano... Rose POV
Notas iniciais
Antes mesmo do sol dar o ar de sua graça, meu adorável mestre Camus veio me arrancar da cama. E a situação que se sucedeu, pra variar, não foi nada amigável. Mas, dessa vez quem se surpreendeu foi o Pinguim...
“PÓ DE DIAMANTE!” gritei pulando da cama e congelando a fuça do francês.
“ROSE, O QUE SIGNIFICA ISSO?! PERDEU A NOÇÃO É?!” bradou, correndo atrás de mim, congelando as paredes, enquanto eu congelava o chão.
“ISSO É PRA VOCÊ APRENDER QUE EU NÃO SOU TUAS NEGAS, PINGUIM ABUSADO!” subi em uma das colunas do templo, evitando ser pega.
“OLHA COMO VOCÊ FALA COMIGO, SE NÃO CONGELO TUA LÍNGUA!” esmurrou a coluna, depois de tentar me puxar pelo pé.
“CONGELA PRA VOCÊ VER SÓ! VOU CONGELAR ALGO QUE VOCÊ USA MAIS QUE TUA LÍNGUA!” ri descaradamente da vermelhidão em seu rosto.
Mas antes que ele me matasse, o cavaleiro de Câncer chegou no templo, rindo maleficamente e jogando lenha na fogueira.
“Ora essa, Camus... Levando um fora da tua pupila? Se continuar assim, em breve ela vai tá dando na tua cara” atiçou.
Se ele continuar me acordando assim, dou mesmo! pensei, rindo comigo.
“Fica na sua Carlo... Até porque hoje ela é responsabilidade sua, quero ver você aturar.” Saiu para a cozinha, deixando aquele maluco me encarar daquele jeito psicótico dele.
“Já vou avisando, ragazza, se levantar a voz comigo, te mando passear no Sekishiki” riu debochado.
“E eu já vou avisando que não sou tuas quengas, carcamano!” imitei o jeito do Shura de irritá-lo, mostrando-lhe a língua (se eu fosse como o capricorniano, levantaria o dedo do meio também...).
Máscara da Morte desatou uma risada maléfica, que estrondou por todo o templo e fez Camus voltar correndo, imaginando o pior.
“Tá aprendendo bons modos com os cavaleiros errados, mas devo admitir, você é bem abusada... Veremos como ficará depois do treino.” Virou-se para Camus. “Vou devolver tua jaguatirica do Alasca mais mansa que um filhote de gato.” Prometeu.
Alguns minutos depois, apenas o tempo de eu trocar de roupa e pegar uma maçã para comer no caminho, segui com o canceriano perturbado até a arena. No meio do caminho, tive que aturá-lo cheio de gracinhas pro meu lado, mas fiquei quieta... Não pretendia parar no Sekishiki antes de chegar no local de treino.
Quando estávamos próximos, pude ver alguns cavaleiros, amazonas e aprendizes treinando. Reconheci Mu e Kiki, treinando no meio da arena. Ao lado deles, Shina e Marin treinavam quatro amazonas que eu não conhecia. Aiolia e Aiolos treinavam juntos, um pouco mais afastados. Milo e Shura conversavam com Saga na arquibancada, Sheily estava ao lado deles e acenou para mim. Sorri em resposta.
Máscara da Morte entrou no lugar gargalhando alto, chamando a atenção de todos, que olharam do cavaleiro para mim e arregalaram os olhos, já me desejando os pêsames.
“Pode começar dando quinze voltas na arena, principessa!”
“Sério isso?” fitei-o, incrédula.
“Já que pergunta, vou te dar um incentivo...” debochou antes de me atacar.
E lá fui eu, começar a correr desesperada, com aquele caranguejo problemático no meu encalço. Apesar do susto inicial, já no final da primeira volta comecei a xingá-lo, não muito alto... Infelizmente, o cara era cavaleiro de ouro, então possuía uma ótima audição...
“Não estou te entendendo... Quer correr mais rápido, ragazza?” esbravejou, acelerando pra cima de mim.
“AGORA AZEDOU O CU DO FRANGO!!” deixei escapar meu pensamento quando senti o golpe do canceriano pegar de raspão nas minhas costas. Por sorte, eu falei em português e apenas Aldebaran me entenderia...
Mas, como alegria de pobre dura pouco, ele estava chegando na arquibancada quando xinguei aos quatro ventos. Olhei para o Touro, visivelmente pasmo, e imaginei quantos ouvidos seriam estuprados se eu tivesse falado em grego...
“Eu não falo português!! Traduza” disse entre suas risadas maléficas.
“Não sou obrigada!” reclamei, me arrependendo logo em seguida.
“É isso mesmo que eu ouvi, ragazza abusata?” bradou um canceriano MUITO irritado. “Vou te mandar pro Sekishiki!”
Por Zeus, como eu corri! Naquela altura do campeonato, boa parte da arena estava entretida assistindo nossa discussão. Pude reparar que Milo, Shura, Aiolia e Aiolos já tinham se juntado para fazer um bolão de apostas e, para minha felicidade, pelo menos o Milo apostava que eu sairia viva.
Perdi o foco por alguns segundo, enquanto procurava pela Sheily, e isso foi suficiente para o canceriano me acertar. Voei longe, sentindo uma dor horrível, minha visão escurecendo. Em poucos segundos estaria no Sekishiki, pensei.
No entanto, para minha surpresa, depois de piscar algumas vezes, eu ainda enxergava a arena. Meu corpo doía muito, como se tivesse sido esmagado por rinocerontes. Pude ouvir desde pessoas preocupadas, até o resmungo de indignação do Milo, antes de tentar me levantar, ainda muito confusa.
Comecei a me mexer, para o espanto de todos. Nesse momento, percebi o que me salvara: o corpo de minha armadura. Pode senti-lo incompletamente materializado ao redor do meu abdômen, encoberto pela minha blusa. Tratei de desmaterializá-la, antes que alguém percebesse.
Quando terminei de me levantar, Máscara da Morte me olhou atônito, enquanto o Escorpião nem tentou disfarçar sua alegria. Sinceramente, eu não sabia se chorava pela dor, se ria pela dancinha tosca do Milo ou se voltava a correr.
“Não é possível... Alguém deve ter ajudado você” Máscara pensou alto, olhando os dourados ao redor, que logo trataram de levantar as mãos, se inocentando do caso.
Ainda desconfiado, o canceriano mandou eu voltar ao treino, sendo este agora de combate. Treinamos socos, chutes e principalmente defesa, visto que o Caranguejo não aliviou nem um pouco pro meu lado. Ele estava bem contrariado porque seu golpe não teve efeito em mim e eu, que não sou boba, tratei de ficar quieta e obedecer. Já estava moída demais para debater com ele.
Com o passar do tempo, comecei a sentir fome. Meu estômago me denunciou, fazendo o cavaleiro de Câncer dar um sorriso macabro.
“Você só vai almoçar depois de me acertar um golpe!” intimou, debochado. “Será o castigo pela sua ousadia!”
Continuei quieta como estava, concentrada no treino. Com o canto dos olhos, percebi um dourado, cujo cosmo era sereno e caloroso, se aproximando. O paciente cavaleiro de Áries chegou perto de onde estávamos, esperando uma deixa para interromper a luta. Não pude evitar de sorrir com sua presença.
“Quer alguma coisa, Mu?” disse Máscara da Morte, impaciente.
“Carlo, não acha que está exagerando? Rose já foi punida pela dor do seu golpe... Deixe a moça ir almoçar.” Interveio a meu favor.
“Mu, obrigada por se preocupar.” Sorri-lhe. “Mas eu estou bem, quero continuar até conseguir! Nem que para isso fique o dia inteiro sem comer.”
O ariano ficou uns minutos analisando meu estado, antes de se retirar, ainda preocupado comigo. Achei fofo da parte dele e, por dentro, fiquei muito feliz. Câncer, no entanto, ficou surpreso com minha resposta e deu um discreto sorriso.
Voltamos a treinar e dessa vez, eu fiquei mais animada, devido ao gesto do cavaleiro de Áries. Carlo percebeu desde o início que eu possuía reflexos rápidos, acima dos cavaleiro de prata, mas sempre um pentelhésimo mais lento que ele. E isso era o suficiente para desviar de mim sem muitas dificuldades. Porém, depois da interferência de Mu, minha empolgação se converteu em velocidade, o que surpreendeu o canceriano, agora desviando com menos facilidade.
Foram dez longos minutos até eu conseguir encostar nele. Meus golpes, os quais estavam pegando apenas de raspão, começaram a impressionar o cavaleiro, que num breve momento de distração, recebeu um soco no estômago.
Carlo podia ser chato, irritante, psicopata e vários outros adjetivos macabros e depreciativos, mas ele era homem de palavra. Não ficou chateado pelo soco, pelo contrário, riu, pôs o braço em volta dos meus ombros e saiu caminhando em direção às doze casas, comentando:
“Você bate como uma garotinha, mas deu pro gasto!” alfinetou, satisfeito. “Agora podemos almoçar...”
“Graças à Zeus!” bufei, arrancando-lhe risadas. Desta vez, diferentes. Nada macabro ou assustador, apenas uma risada gostosa de quem está se divertindo.
“Acho que botei você no cabresto, não foi, ragazza abusatia?”
“Quando é que você vai me chamar pelo nome, ein?” comentei. “Ah, mas quer saber... Você pode ser maluco, mas até que o treino foi bom.”
“Come è?” espantou-se.
“Você não faz cerimônia, muito menos fica de frescuras... Se tiver que pegar pesado ou me matar, não pensa duas vezes. Camus pode até engrossar comigo, mas ele nunca teria a intenção de me matar, como você tentou hoje cedo...” expliquei.
“Tá maluca? Acha bom que eu tente te matar?” seu tom de voz misturava incredulidade com divertimento.
“Claro! Tô treinando para lutar por Athena, e não para brincar de MMA!”
Cinco segundos de silêncio se passaram e eu já pensava que ele me mandaria pro Sekishiki, quando:
“Sabe, acho que simpatizei com você.” Gargalhou altíssimo, apertando o braço ao redor dos meus ombros.
“Epa, sai pra lá... Já disse que não sou tuas negas!”
Foi nesse clima estranho de alegria e risos que entramos na casa de Áries, encontrando um preocupado Mu. Aquela cena fofa ainda não me saiu da cabeça, o que me deixou muito sem graça perto do lemuriano.
“Você está viva! Que alívio!” disse, chegando mais perto para verificar os estragos.
“Essa daqui não morre tão cedo... Vaso ruim não quebra, né, Rose?” brincou Carlo, para o espanto do outro cavaleiro.
“Idiota” resmunguei, tentando não rir e falhando miseravelmente.
“Mu, podemos passar pela sua Casa?” pediu Carlo.
“Bom... Pelo estado dela, seria tortura fazê-la subir toda essa escadaria. Vocês não preferem almoçar aqui?” ofereceu com gentileza.
“Hoje não posso aceitar, o Pinguim me chamou para comer bobó de camarão. Mas, valeu pelo convite.”
“E você, Rose?” olhou para mim, com aquele jeitinho todo calmo dele.
“Eu gostaria... Será que Camus ficará bravo?” perguntei para Carlo, que soltou uma gargalhada.
“A pergunta é: será que ele ainda está bravo? Eu acho que não, e se você não for, melhor! Sobra mais pra mim!” implicou.
“Eu posso avisá-lo pelo cosmo.” Propôs Mu.
“Então tudo bem.” Sorri.
“Se tá decidido, então vou nessa carneirinho... Melhoras aí, ragazza, bom almoço pra vocês...”
Carlo saiu voado. Ele deveria curtir bobó de camarão... O que soa bem irônico... Mas parando para pensar, no caso dele, praticar canibalismo não é tão irônico assim ...
O almoço na casa de Áries foi bem tranquilo, falamos sobre o treino de Kiki, sobre meu treino com o canceriano, entre outras coisas. O rapazinho era um amor, igual a seu mestre, só que ligado no 220v. Mu garanti-me que essa fofura de Kiki era só aparência, pois o moleque era bem espevitado.
Depois da refeição, a qual estava muito gostosa por sinal, insisti para lavar a louça, pedido esse que foi imediatamente negado. Mu pediu para seu discípulo cuidar disso porque ele queria me ajudar a fazer os curativos.
Não posso negar, eu fiquei sem jeito. Vinte anos na cara, e mesmo assim fiquei desconcertada, como uma garotinha de quize. Não recusei o pedido, deixei o ariano cuidar de mim, aproveitando para reparar melhor em suas marquinhas na testa.
Primeiro, Mu pediu que eu fosse tomar banho, e me deu uma toalha, enquanto ele ia buscar minhas roupas na casa de Aquário. Depois, ele fez os curativos com muita paciência, evitando apenas os machucados mais próximos aos seios, bumbum e baixo ventre. Estes, eu fiquei encarregada de cuidar mais tarde, no décimo primeiro templo. Logo depois...
“Está pronto, Rose.” Sorriu, carinhoso.
“Obrigada, Mu.” Devolvi-lhe o sorriso.
“Venha, vou te acompanhar até o templo de Aquário...” disse me estendendo a mão para que me levantasse da cadeira.
“Não é necessário, sunbae, não quero lhe incomodar...” corei.
“Não está me incomodando... Só quero garantir que chegue viva e inteira.” Riu do próprio comentário.
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