Oh, My Sweet Amazon...
5 Ressaca de Arromba... Rose POV
Notas iniciais
Mestre Camus, safado, estava ocupado demais se engalfinhando com uma quenga qualquer para me levar para casa. Por isso, acabou pedindo para Mu descer a escadaria comigo e, se não fosse muito abuso, me deixar dormir em Áries por hoje.
Ah, como eu fiquei brava com aquele pinguim sem vergonha! Como assim eu teria que passar a noite em Áries? E se Mu não aceitasse, o que seria de mim? Bom, certamente Shura não iria me negar abrigo se eu lhe abrisse as pernas... Mas eu não sou dessas!
Eu estava brava e me fazendo milhares de perguntas, enquanto Saori discursava para todos os convidados sobre uma nova descoberta. Sei que eu deveria prestar atenção nela, afinal, tratava-se de minha armadura. E se não fosse por isso, eu não precisaria estar parada feito um poste bem ao lado da Deusa, vendo minha irmã focada no discurso lenga-lenga. Mas, sei lá... Eu simplesmente não conseguia assimilar nada naquele momento.
Continuei naquela briga interna até ser cutucada pela Sheily. Ela parecia muito divertida com meu olhar perdido, então sussurrou:
“Está distraída?”
“Sim... Desculpe...”
“Por favor, tente não ficar tão avoada... Em breve Saori irá nos pedir para vestir nossas armaduras.” Sorriu toda fofa. Confesso que tive vontade de lhe apertar as bochechas, mas me aguentei.
“Obrigada, irmã.”
E depois de mais dez minutos de falatório, Athena finalmente apontou para nós, resumindo seu discurso em:
“Então agora, apresento à vocês as amazonas de ouro de Gêmeos e Aquário! Meninas, por favor, materializem suas armaduras o mais devagar possível.”
Assim como ela pediu, aumentamos nossos cosmos, materializando as armaduras. Diferente das outras vezes, um halo cósmico brilhante se estabeleceu abaixo de nossos pés, formando um círculo com os símbolos zodiacais desenhados. Em meu halo, o signo de Aquário ganhava destaque, enquanto que no de Sheily, aparecia claramente Gêmeos.
Ficamos tão maravilhadas quanto o público ali presente. Nossas armaduras foram moldando nossos corpos com elegância, e pude perceber novos traços dourados presentes. Sheily também reparou nisso, e alargou ainda mais o sorriso.
Como a Deusa Athena estava um pouco alterada, acabou encerrando as coisas ali mesmo. Pediu que desmaterializássemos as armaduras e voltássemos para a festa, avisando que mais tarde conversaríamos melhor sobre o assunto. No final das contas, o que entendi mesmo do blábláblá dela, ainda que implícito, foi: “tô bêbada e quero aproveitar a noite com o Seiya.”
Mal pisamos na pista e Shaka veio sequestrar minha irmã. Meu sorriso de satisfação deve ter ido de orelha a orelha. Aqueles dois estavam se dando muito bem... Suspirei. Eu, pelo contrário, estava numa baita saia justa...
Antes de ser convocada para subir no palco, ao lado de Saori, e fazer cara de paisagem pra plateia, eu estava dançando com Shura. Devo admitir, o espanhol tem uma pegada muito boa na dança, e deu vontade de continuar coladinha ao seu corpo. Só que, por outro lado, fiquei com uma sensação incômoda.
Não que a mão boba do espanhol estivesse me incomodando, eu não me importava em bater nela de vez em quando, mas eu me senti estranha. Para falar a verdade, uma parte de mim queria que fosse o Mu no lugar do capricorniano e esse conflito estava tirando o resto da minha sanidade.
“Você está pensativa demais. Aconteceu alguma coisa?” perguntou um preocupado ariano, tirando-me de meus devaneios.
“Nada, eu devo estar ficando tonta.” Disfarcei.
“Isso significa que deve parar por hoje...” advertiu-me, tomando o copo de minha mão.
“Concordo...”
“Está cansada? Se quiser ir embora agora eu não vou me importar.”
“Obrigada, mas não quero estragar sua diversão.” Desviei o olhar.
“Estou entediado. Shaka arrumou companhia e eu acabei sozinho...” Sorriu de canto.
“Com tantas moças bonitas nesse salão, não tem como você estar entediado.”
“É, mas hoje não estou interessado... As pessoas já estão meio alteradas e, com certeza, os pegadores do Santuário cuidarão dessas jovens.”
“Isso inclui meu mestre Camus, pelo visto.” Torci o nariz, arrancando risos do lemuriano.
“Deixe o Camus se divertir, Rose. Não é sempre que ele faz isso. Venha... Vamos para o templo de Áries. Você me parece cansada.”
Segui Mu até a saída da festa. Do lado de fora do salão, Sheily e Shaka estavam sentados nos degraus da escadaria, conversando. Entreolhamo-nos e, lendo meus pensamentos, Áries achou melhor nos teletransportar até a casa de Peixes.
Do décimo segundo templo, continuamos a longa caminhada. Ora em silêncio, ora conversando amenidades. O ariano percebeu que eu era um perigo andando nas escadas distraída, e assim, poderia inaugurar um novo meio de descer as escadas: rolando! Ele riu da minha situação, provavelmente achando se tratar do álcool, então tentou a todo momento me segurar pela cintura.
Dei graças à Zeus por não estar bêbada, porque nessas condições eu sou mais beijoqueira que Afrodite. Mas, diferente do peixinho, eu geralmente escolho apenas uma vítima. Olhei para o belo exemplar de homem ao meu lado e corei até a raíz dos cabelos.
“Rose, você está vermelha” comentou divertido.
“É impressão sua!” virei o rosto.
“Achei que nunca veria uma coisa dessas... No que está pensando?” ele estava ficando curioso.
“E não viu! Se eu não me lembro, não aconteceu!” disparei uma de minhas frases preferidas, vendo o ariano rir e se interessar mais ainda pelo assunto.
“Você tem cada resposta... Não me disse ainda no que estava pensando...” Segurou-me pela cintura ao perceber que eu me desequilibrava.
“Em nada...” murmurei emburrada.
Eu tentava evitar contato com ele, pois ainda estava chateada com o que aconteceu mais cedo na festa. Saber que homens falam de mulheres é uma coisa, ouvir a conversa no meio deles é outra. E foi o que aconteceu quando estávamos na mesa das apostas, os rapazes comentavam sobre mulheres e acabaram incluindo Mu na conversa. Daí, acabei descobrindo que não faço o tipo dele, afinal, eu sou baixinha...
Voltei a prestar atenção no caminho quando chegamos em Aquário. Paramos para pegar minhas coisas, gastando uns quinze minutos, e depois seguimos para as próximas casas. Mu insistira tanto que acabei deixando ele me segurar pela cintura.
E assim continuamos a descer pelas escadas. Ele envolvendo meu corpo num abraço meio de lado, eu tentando ignorar toda aquela proximidade. Para não ficar tão desajeitada assim, passei meu braço em volta dele, segurando em sua cintura. E assim ficamos, abraçados, descendo as escadas em silêncio.
“Você está tão quieta...“ Comentou pensativo.
“Estou pensando.”
“Posso saber em que?” encarou-me, curioso.
“Melhor não” disse, sentindo meu rosto queimar.
“Ficou vermelha outra vez... Está pensando em alguém?” deduziu.
“NÃO!” pulei, assustada.
Mu calmamente se aproximou de mim e me puxou para um abraço. Fiquei sem reação ao sentir suas mãos acariciando minhas costas. Ele apenas sorriu, encarando-me com um olhar indecifrável.
“Ah, pequena... Não há nada de errado nisso.”
“Talvez...” suspirei. Por que ele tinha que ser tão fofo? Por Zeus, como eu tive vontade de agarrá-lo! “Deixe isso pra lá, por favor.” Pedi com tristeza, saindo de seus braços.
Tive ímpeto de sair dali e descer correndo as escadas, mas antes de alcançar o templo de Sagitário, desmaiei.
Quando acordei, estava no templo de Áries, deitada na cama de Mu. Ele estava sentando ao meu lado, acariciando meus cabelos. Por Athena, como vou controlar minha vontade de beijá-lo se ele é sempre tão atencioso, calmo, lindo, escultural e... Melhor eu parar por aqui.
“Finalmente acordou, bela adormecida. Está se sentindo bem?”
“Acho que sim.” Respondi confusa, prestando atenção em seu quarto.
“Fico feliz que tenha acordado, assim me poupa o trabalho de trocar sua roupa...” comentou, envergonhado.
“Ariano safado!” resmunguei encabulada, correndo para o banheiro.
Quando voltei, estava com um baby doll verde claro simples. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo alto, deixando apenas a franja solta. Mu parecia desconcertado, e estava vermelho escarlate.
“O que foi?” perguntei, achando graça.
“Você me chamou de safado.” Respondeu fazendo bico.
“Desculpe, carneirinho... Foi no automático.” Segurei o riso. Ele estava incrivelmente fofo e apertável com aquele bico.
“Tudo bem... Rose, você pode dormir aqui, eu me ajeito no sofá. Vou ficar aqui até você dormir, só pra ter certeza de que não vai passar mal.” Decretou jogando as pernas pra cima da cama e apoiando o corpo na cabeceira.
“Carneirinho mandão... Se continuar assim, vou te prender num esquife de gelo.” Impliquei, deitando-me em seu colo.
“Ei! Tá achando que eu sou almofada, é?” sorriu.
“Fica quieto carneirinho, hoje eu vou lhe usar como travesseiro...” mostrei a língua e virei de costas pra ele, fechando os olhos com força.
“Espera só eu contar isso pro Camus, sua aquariana abusada” brincou, voltando a acariciar meus cabelos.
E foi assim que acabei pegando no sono, embalada pelo carinho daquele ariano lindo.
Para minha surpresa, acordei cedo. Preguiçosamente, fui mexendo meu corpo, revirando na cama para evitar a claridade, a qual adentrava o cômodo. No meio do processo, tomei um susto ao constatar que Mu estava ao meu lado e que dormimos abraçados.
Prendi a respiração. As feições serenas do ariano me impediram de gritar. Ele parecia estar num sonho bom, e vê-lo dormindo assim tão tranquilo me deu ímpeto de beijá-lo.
Antes que eu fizesse alguma merda, levantei da cama e procurei minhas coisas. Em silêncio, peguei meus pertences e fui atravessar os outros templos, de pijama mesmo. Quem se importa? Duvido ter alguém acordado às seis da manhã depois da bebedeira de ontem.
Subi até o templo de aquário, com medo até de respirar nos outros templos. Meu palpite quase foi certeiro, os cavaleiros estavam mesmo dormindo, com exceção de Shaka. O buda acordou uns minutos antes da minha chegada, e estava na cozinha preparando um chá.
Curiosamente, ele quis parar para conversar comigo. Perguntou sobre a noite de ontem, e sobre Mu. Achei estranho, mas respondi tranquilamente suas dúvidas, aproveitando para perguntar sobre sua noite também. O loiro corou intensamente, virando o rosto para disfarçar. Murmurou um “Foi boa” e não disse mais nada.
Chegando em Aquário, tranquei-me no quarto e me joguei na cama. Mestre Camus estava dormindo, e pelo cosmos, pude sentir que ele estava sozinho. Menos mal, pensei...
Passei o resto do dia trancada no quarto. Disse para meu mestre que estava com dor de cabeça e me esquivei de suas perguntas. Mas, Camus me conhecia bem, percebeu meu comportamento totalmente estranho e esquivo. Certamente, deixaria o interrogatório para outro momento.
Achei que passaria o dia todo com a cara enfiada no travesseiro, quando escuto uma confusão na sala do templo, seguido de uma geminiana impaciente derrubando minha porta.
“Mas o que é isso?” arregalei os olhos.
“Seu mestre não queria me deixar entrar.” Explicou calmamente.
“E por isso, resolveu arrebentar a porta com uma Explosão Galáctica?” questionei, incrédula.
“Isso mesmo!” saltitou de alegria. “Irmã, eu precisava falar com você! Questão de vida ou morte.”
“Meninas.” Chamou Camus, ao entrar no quarto. “Preciso ir até o templo de gêmeos, cobrar uma porta nova...” pigarreou, lançando um olhar congelante para Sheily. “Comportem-se.”
“Desculpe” murmurou, retraindo-se.
Assim que o cosmo do francês se afastou, caímos na gargalhada. Fui até a porta, reparar na bagunça.
“Mulé, você só pode estar desesperada pra falar comigo. Que estrago! Admiro não ter quebrado as paredes também!” rimos.
“Estava desesperada mesmo... Tenho novidades!” disse, toda empolgada.
Ficamos conversando sobre a festa, e minha irmã estava muito animada, contando o momento maravilhoso que passou ao lado de Shaka. O indiano tinha sido encantador, e conseguiu conquistá-la ainda mais. A energia alegre de Sheily me deixou animada, eu prestava atenção em cada palavra que ela dizia.
Um momento, ela percebeu estar falando demais e perguntou sobre a minha noite. Mordi o lábio, com cara de preocupada. Não queria estragar o clima tão cedo, mas sempre conto tudo para minha irmã. Então expliquei porque estava triste, também falando sobre a noite na casa de Áries e da situação que me ocorreu de manhã, ao acordar.
Para minha surpresa, a primeira coisa dita por Sheily foi:
“Mas você também, ein, Rose! Por que foi dançar daquele jeito justo com o Shura? Não sabe quantas safadezas ouvi Milo, Carlo e Aiolia comentarem sobre a coreografia! Aqueles cavaleiros são muito depravados!” bronqueou.
“Sinto muito irmã... Sei lá, eu também me senti confusa... Mas depois de ouvir a conversa dos rapazes, pensei...” suspirei.
“Pensou?”
“Que, talvez, não fosse má ideia aproveitar a festa com um cavaleiro que está interessado em mim.” Respondi, sem graça.
“Ele está interessado em te levar pra cama, amiga. Por favor, não diga besteiras.” Repreendeu-me.
“Desculpe...”
“Tudo bem Rose, acontece... Agora escute a sua querida irmã! Vá procurar o Mu e esclarecer as coisas com ele. Você fugiu do templo de Áries, imagina como ele deve estar se sentindo?!” disse, mais como uma afirmação.
“Tem razão Sheily. Ele deve ter ficado triste... Posso pedir um favor?”
“Claro. Se estiver ao meu alcance.” Sorriu.
“Posso conversar com o Mu amanhã? Ainda estou sóbria e não quero correr o risco de assediar aquele ariano gostoso.” Mordi o lábio, imaginando a cena.
“Rose!” Jogou o travesseiro em mim. “Sua assanhada!” rimos.
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