Odiado Diário.
8 Fugir?
Notas iniciais
Pov. Bella.
Me remexi no chão duro. Minha cabeça latejou ainda mais. Me sentei, olhando pra bancada na minha frente. Suspirei, eu me lembrava exatamente do que aconteceu.
Eu fugi.
Eu não conseguia contar a ninguém sobre meus sentimentos. Me arrependi de ter ido ver Carlisle ontem a noite. E depois que eu fugi do escritório dele, achei esse lugar, essa boate. Não me importava qual era, só precisava beber. Gastei todo meu dinheiro enchendo a cara, e me lembro bem de dançar em cima desse balcão e depois cair aqui e dormir. Ao meu lado estava a vadia da Katherine. Ela tinha se divertido comigo. Ela era uma vadia, mas era legal. Pelo menos, estava tão mal quanto eu pra encher a cara.
Me sentei, e coloquei a camiseta que estava no chão. Acordei Katherine, que estava sem camiseta também.
–-ai minha cabeça.—reclamou enquanto vestia a camiseta.
–-somos duas.—falei ficando de pé.
–-hum... por que você veio ontem?
–-motivos pessoais. E você?
–-também.—falou. –eu.. Meu carro esta ai, quer carona pra casa?
–-não quero ir pra casa.—murmurei, saindo da boate.
–-nem eu. Mas vou passar pra pegar umas coisas.—
–-onde você vai?
–-em cada bar desse estado.— Sorriu animada e piscou para mim. Eu sorri.
– Aceita uma companhia?
– Hum... acho que será uma dupla interessante.
– Então aceito a carona até em casa, preciso ir pegar umas coisas.
Ela dirigiu até minha casa, peguei uma mala e com ajuda dela coloquei algumas roupas. Depois peguei dinheiro, consegui 700 dólares em dinheiro, e o que me restou foi o cartão. Não peguei mais nada. Fui pro carro com Katherine e ela dirigiu pra sua casa. A ajudei a pegar as coisas e depois saímos correndo.
Era errado o que eu fazia? Fugir? Eu não acho que seja. Eu só precisava... Ir embora um pouco. Eu não queria pensar em nada, estava deixando tudo pra trás. Menos o meu diário. Ele iria comigo.
–-pra qual lugar?—perguntei.
–não sei, um hotel? Fora da cidade?
– Obrigada por me deixar acompanhá-la.
– Qual é, sozinha não tem graça. – Piscou para mim.
Katherine era a vadia da escola, não gostava tanto dela, mas também não tinha nada contra. Ela, por dentro, era uma pessoa legal. E eu precisava fugir, não importa com quem, só precisava ir.
(...)
Eu ri enquanto rolava na cama. Katherine odiava perder. Mas fazer o que se no jogo “uno” eu sou melhor?
– Mas que droga de jogo idiota! – resmungou. Eu soltei uma risada alta.
– Ok, irritadinha. Perdedora. – Ela atacou o travesseiro em mim. – Vamos sair?
–-beber as... 18:30?— Perguntou enquanto olhava para o relógio. Recolhi o jogo.
– Vamos só sair, sem beber. – dei de ombros.
– É uma boa ideia. – sorriu para mim e me ajudou a ajeitar a cama.
Nos arrumamos e saímos do hotel barato, fomos pra seu lindo carro e ela dirigiu até um restaurante o bom aqui de perto.
Fazia quatro dias que eu estava com Katherine. E ignorava as ligações no meu celular. O deixei desligado. Eu e Katherine não estávamos muito longe de Mystic Falls, não sabia quanto tempo ficaríamos fora.
Minha amizade com Katherine tinha aumentado. Tínhamos contado sobre nossas vidas, mas não falamos nada sobre o que nos fez fugir de casa. Mas nem queria saber, fugimos pra esquecer nossos problemas.
(...)
Odiado diário.
Eu fugi de casa, não escrevi antes por quê... Porque eu estava ocupada demais. Fugi de casa com Katherine. Da pra acreditar que meu pai esta namorando a mulher que minha mãe odiava? A culpada pela separação deles? Eu não aguentei, eu fui me abrir pra Carlisle mas era um erro. Então fugi, e hoje estou nesse lugar com Katherine. Iremos pra outra cidade amanhã cedo, então vou dormir.
Ah, uma coisa que nunca vou esquecer. Posso estar mais longe possível. Mas...
Eu ainda odeio o Damon.
Fechei o diário guardando na bolsa. Katherine entrou no meu quarto e se deitou do meu lado na cama.
–-boa noite.
–-boa noite Katherine.—falei. Mas não dormimos.—Kath?
–-sim.
–-você acha que estão atrás de mim?
–-eu acho que sim. Você quer voltar?
–-não.—falei.—e você?
–não sei.—ela disse.—vamos curtir mais um pouco, assustá-los mais.
–-porque fugiu? – Minha curiosidade venceu o bom senso.
– Meu coração foi partido em milhões de pedaços e pisoteados. O causador disso foi embora e então... voltou. Foi isso.
– Quem fez isso?
– Jacob. – O nome saiu contra-gosto, mas ela falou mesmo assim. Eu suspirei e segurei sua mão.
–-Hum.. tenta ser forte. Tem uma pessoa na escola que eu sei que gosta de você.—falei, dando um sorriso.
– Edward, filho do diretor. Ele é legal, mas tímido.
– Ele gosta mesmo de você.
– Sou problemática com homens.
–-o único problema que eu tenho é o insuportável do Damon. Deus, como eu o odeio!—falei colocando a mão no rosto.—graças a Deus estou longe dele.
–-sabe, eu acho que você esta apaixonada.
– Não tem uma bela história nisso, Katherine. Eu o odeio, e é ora sempre.
–Bella, você não para de dizer que o odeia, se você realmente não gostasse dele, não falava dele tanto assim. Você faz de tudo pra ele prestar atenção em você e te odiar. Tudo que vocês tem não é ódio, é amor. Só que vocês dois são orgulhosos.
–-você esta ficando louca.—falei, depois ri de novo.—eu o odeio.
–-- Não vou insistir no assunto...
–-ele deve estar comemorando que estou longe, por causa do carro. Ou lamentando porque não paguei.—
–-vocês se amam...—cantarolou. Coloquei o travesseiro na cara dela. Depois ela ficou seria, tirando o travesseiro do rosto.—por que fugiu?
–-meu pai.— Soltei com um suspiro, me sentia aliviada por falar isso.
–-o que tem ele?—perguntei. Eu me apoiei no cotovelo pra poder vê-la melhor.
–-promete não contar a ninguém, Katherine? Eu não queria falar mas... Você contou, é justo.
–-não conto, se você não contar que eu fui fraca. Que fugi por causa de Jacob.
– não conto. – Prometi. Depois suspirei.—minha mãe morreu, você sabe. E ela tinha se separado do meu pai porque ele só pensava em trabalho, e ele falava demais com Vanessa, uma outra colega de trabalho. A briga era diária, e Vanessa era a culpada na maioria das vezes. Eles se separaram, e minha mãe morreu um ano depois. Então, meu pai parou de me dar atenção, eu fazia de tudo pra... poder chamar a atenção dele, tudo. Exatamente tudo. Mas ele só arrumava psicólogos. E agora ele está namorando a vadia, e nem sequer se importa. Emmett tem Rose. Por isso acho que não tem ninguém vindo atrás de mim.
–-sempre terá, Bells.
–-- O destino abriu exceção para mim. – me joguei na cama, ela riu.
– Boa noite, Bells. – eu sorri e fechei os olhos.
Rapidamente adormeci.
Pov. Carlisle.
Suspirei escondendo o rosto nas mãos. Isabella ainda não tinha aparecido, isso me deixava um pouco preocupado, pois aquele dia ela saiu correndo. Bateram na porta da minha sala.
–-Senhor Cullen?—ouvi a voz da secretaria.
–-sim?
–-Charlie Swan quer falar com o senhor.—ela disse.
–-mande-o entrar.—A porta se abriu e Charlie entrou. Fiquei de pé.—olá Charlie.
– Carlisle... – me cumprimentou com um suspiro.
– Encontrou Isabella? — Perguntei voltando a me sentar, ele me imitou.
–ainda não.—falou.—eu me sinto culpado.
–-o que aconteceu?
–-eu... Estou namorando, estava na verdade. Uma pessoa que Bella odeia.—contou.—era a mulher que Renne odiava também. E... e eu não dou atenção pra ela e...
–-Charlie... por que a trata diferente?—perguntei. Ele olhou pra mim.
–-ela... É igual a Renne. E eu ainda amo Renne. A cada dia que passa, Bella fica mais parecia, consegue ser mais linda, mas se parece muito com a mãe e... eu não consigo olhar pra ela e não me lembrar da minha ex-esposa na qual eu ainda amo.— Eu suspirei.—mas tem algo também.
–-o que Charlie?—perguntei.
–-Bella... Renne me traiu, uma vez.—falou.---é claro que a perdoei, masela me traiu e... Bella não é minha filha.
– Ela não sabe? – Soltei a respiração que mal percebi ter segurado.
– Eu... não sei como contar.
–-mas você tem que contar.
–-como? E ela fugiu! Como eu posso contar se ela pode fugir de novo? – perguntou desesperado.
–-ela vai voltar, e quando voltar, você tem que conversar com ela. De um tempo, ela vai voltar pra casa.
–-e como sabe?
–-sempre voltam. Ela vai voltar.—falei.—só de um tempo a ela. Ela esta com raiva. E quando ela descobrir sobre ser adotada por você, ela vai ficar ainda mais confusa. Mas não vai fugir.
–-eu.. vou pra casa, não devia ter vindo te incomodar.
–-não incomoda Charlie. Só se acalma, ela volta.—Ele assentiu e saiu. Eu suspirei.
Isabella era mesmo uma garota muito complicada. Mas dava pra entender o porque ela ser assim, diferente.
Ela era apenas uma menina que foi obrigada a crescer sem a mãe, sem uma figura materna. Com seus medos... Só espero estar certo quando eu disse que ela voltar.
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