Ocultos

23 """"Padre""""


A tensão era clara à mesa de Lucian, que sorria como se nada tivesse acontecido. Calisto comia quieto e pensativo enquanto Sarah e Cathy conversavam com o Padre. Após o jantar, todos se preparavam para ir embora. O tardar era claro e haviam poucas nuvens no céu. A porta foi aberta por Sarah que se despedia dos amigos um por um. Ao sair da casa, Calisto virou-se para Lucian e perguntou.

– Senhor Padre! — Chamou o Alfa.

– Diga, Calisto. — Ele caminhou até a saída para ter uma visão melhor do garoto de cabelos brancos.

– Pode me explicar como conseguiu ter uma filha sendo Padre ? — O padre riu sarcasticamente e encarou o rapaz.

– Digamos que eu apenas... burlei algumas regras para poder criar minha... filha. — Calisto notara um pequeno receio na voz de Lucian. Pequeno, mas notara e seu coração permanecia calmo. Os dois se encararam por alguns segundos incessantes, até que Peter pousou a mão sob o ombro do Alfa e levou sua outra mão à direção do Padre. A mão estendida para que um cumprimento se concretizasse e o clima tenso formado se dissipasse não foi correspondida por Lucian. Este virou-se para Sarah e falou que estava tarde e era hora de entrarem. Se despediram do grupo e a porta da casa se fechou.

– Que noite, viu. — Disse Cathy. Ela preparava-se para chamar a atenção de Calisto quando o avistou ao longe, sendo seguido por seus Betas. Peter olhou para trás e sorriu para ela, acenando. Ela em um impulso, acenou sorrindo para o garoto que sumiu na escuridão da floresta.

Caminho para a Toca.

Floresta.

– Ele sabe! — Calisto falou parando o grupo.

– Ele viu sua mão cicatrizando ? — Perguntou Lip. Os olhos de todos ali presentes brilharam ao ouvirem uma voz familiar aos jogadores da escola.

– Sim, ele viu a mão do Calisto e ele não vai deixar barato. — Disse Yan surgindo da mata. O dragão olhou os companheiros de equipe um por um e cumprimentou-os. -

– Como soube, Yan ? — Calisto chamou ele pelo sobrenome. -

– Os "subordinados" dele são descuidados. Tive um pequeno encontro com três e eles atiraram contra mim. — Ele disse abrindo uma camiseta de botões e mostrando duas marcas. Assemelhavam-se muito à um alvo, um círculo com um ponto no centro. As duas marcas se interligavam por um fio e brilhavam em um branco celeste.

– Tatuagens ? — Perguntou Annie analisando as marcas.

– Cicatrizes! — Corrigiu Calisto.

– Eles são bem descuidados, mas ele não erra. E são bem treinados, me deram um certo trabalho. — O dragão dizia sério. — Deixei um deles escapar e... recebi isso aqui alguns dias atrás. — Yan tirou um papel do bolso. Gravado nele, a imagem de uma cruz e os dizeres "Saia da cidade"...

– Vai fazer isso quando ? — Calisto o encarou.

– Tenho poder mais que suficiente pra aguentar a pressão de um padrezinho de merda. Mas... não esperem muito de mim em uma guerra. Nós não somos muito de nos misturar...

– Nós ? — Perguntou Alaska. Yan sorriu e das laterais de seu rosto, 4 pares de chifres cresceram, seus olhos se tornaram um branco draconiano. Das suas costas, um grande par de asas se abriu, fazendo o vento remexer os cabelos de Annie que estava próxima à ele. Em sua testa surgira um símbolo igual as feridas de sua barriga. Era possível ver símbolos como este em suas asas também. Ele piscou para os presentes e correu na direção contrária, levantando voo.

– Isso foi bem impressionante levando em conta que ele está em sua forma parcial. — Peter falou sorrindo.

– Como sabe que é a forma parcial dele ? — Lip e Calisto falaram ao mesmo tempo.

– Nos registros da minha família. Tem uns 3 bestiários diferentes eu acho e em um deles tem registros de dragões e kitsunes. — Um barulho de vidro sendo quebrado chamou a atenção da alcateia. O som vinha de sua toca e a corrida até o local se iniciou. Calisto e Peter corriam muito mais que os amigos que estavam emparelhados. Os dois chegaram primeiro até a toca e correram escadas acima para o segundo andar. Sentiram um forte cheiro de acônito e avistaram uma espécie de granada de fumaça que liberava o odor. Alaska chegou correndo atrás dos dois e chutou a granada janela à fora. Ouviram o barulho de vidro quebrando e o som de um disparo. Peter havia sido baleado na coxa esquerda e caiu. Em frente a única janela ainda salva, um ser completamente vestido de preto encara a alcateia. Ele põe um arco que segurava em mãos nas costas e pula pela janela novamente.

– Eu vou ver o terceiro andar. — Lip correu escadas acima. Segundos passaram enquanto Annie retirava a bala banhada em acônito da coxa de Peter. — CALISTO! — Lip gritou e o Alfa e Alaska subiram as escadas rápido. Annie levantou Peter e o apoiou em seu ombro. Ao chegarem no terceiro andar, o chão era coberto por folhas e gravadas nelas, os dizeres: Saia da Cidade. E abaixo uma cruz.

Calisto – Alaska chamou a atenção do Alfa. Ele encarou-a e seu rosto de lobo sanguinário se mostravam. — Se você não der um jeito nisso, eu mesma dou. – Intimava o Alfa.

– Então vá, Alaska. Vá e faça a primeira besteira que viera a cabeça. Mas a escolha é sua. Quer continuar a ter alguém em quem confiar ou voltar a ser uma fera solitária ? — Calisto a encarava enquanto o rubro de seus olhos se tornavam mais brilhantes.

Eu...– Ela pensa por alguns segundos. Encara Peter regenerando a coxa baleada, Lip a olhando apreensivo e Annie observando a discussão. — Eu nunca tive o por que confiar em nenhum de vocês — Ela disse enfurecida.

– Então você vai ter um motivo para não confiar — Gritou Annie transformada também. A beta mais nova correu em direção à loba fumante e a chutou no peito, fazendo Alaska bater com as costas na parede. Esta jogou a bituca do cigarro pela janela quebrada e investiu contra Annie. Arranhou o rosto e a barriga da menina, rasgando parte de sua blusa. A loba sanguinária rugiu e passou uma rasteira na inexperiente Beta, que caiu ao chão completamente vulnerável. Esperando pelo pior, a menina voltou a ser uma humana enquanto Alaska preparava o golpe de misericórdia. Suas garras miravam o pescoço de Annie e, quando sua mão desceu para o corte, foi segurada por Calisto.

Você não vai machucar nenhum dos meus Betas — Calisto dizia transformado. O pavor tomou conta de Alaska enquanto ela via a fúria de Calisto. Ele rugiu e ela não se encolheu, pelo contrário, ela não precisava mais se encolher perante seu ex-Alfa. Alaska agora era um Ômega. Não importava, o esforço para soltar-se das mãos de Calisto eram ridiculamente cansativos para ela. — A escolha foi sua, bastardinha. Era por isso que Gerard queria matar você e EU quem o impediu e é assim que me retribui ? — O alfa soltou uma das mãos da moça e segurou-a pelo pescoço. As garras dela arranhavam inutilmente a mão de Calisto. As garras do Alfa no entanto, envolviam o pescoço dela e arrepiavam até o mais curto dos pelos de sua nuca. Calisto lançou-a pela janela quebrada. A queda do terceiro andar da toca machucaria bastante Alaska. A falta de oxigênio impedira ela de cair a posto de um possível ataque de Calisto. Suas costas chocaram-se contra o chão e ela soltou o mais profundo suspiro de sua vida. Encarando um Calisto enraivecido na janela, as feições da loba voltaram a ser humanas. Ela se levantou cambaleando e correu floresta adentro, tropeçando em cada raiz de árvore que havia em seu caminho.

Horas de corrida se passaram e o folego de Alaska voltou por completo. Ela parou em uma bifurcação à alguns quilômetros de distância da entrada da cidade. Sentindo um cheiro familiar, a nova Ômega começa a sorrir debochadamente. Metros à sua frente, uma mulher alta vinha caminhando. Pele morena, olhos castanhos e cabelos negros. Sua expressão era calma enquanto caminhava na direção de Alaska.

– Descobriu o irmão babaca ? — Alaska questionou-a.

– Vim atrás de um Alfa, não do meu irmãozinho. — Respondeu a garota.

– Ha. Você não perde por esperar, afinal, o ceifeiro de seu pai está livre pela cidade. — As duas acenaram positivamente em sinal de cumprimento e seguiram caminhos diferentes: Alaska saía a procura de amigos e a Garota procurava um inimigo.