Ocultos

24 Palavras completas


A super lua não estava sendo muito ruim até o momento. Lip e Annie eram dois monstros incontroláveis mantendo o controle em uma batalha contra vinte Ômegas liderados por uma rancorosa Alaska. Não importava quantas costelas Calisto quebrasse, quantos tornozelos Peter abocanhasse, os Ômegas levantavam novamente para mais uma tentativa. A alcateia encostou as costas e foram cercados por todos os Ômegas presentes.

– Vocês dão conta por alguns minutos ? — Calisto encarava Alaska com raiva.

– Damos, mas vem rápido. — Peter pulou até dois ômegas e tocou-os longe. Encarou Calisto e gritou com o amigo. — VAI LOGO, DESGRAÇA.

– Se a gente morrer aqui eu te mato, Peter. — Annie avisou o amigo. Duas mãos vieram de direções diferentes. As garras miravam o pescoço da menina que rapidamente se desviou.

– Se só eu morrer a Sarah te mata. — Lip dizia enquanto chutava a face esquerda de um Ômega.

– Vocês não tão ajudando, porra. — Peter disse. Mas a pequena vantagem não durou tempo suficiente. Cinco ômegas pularam em cima do rapaz e o lançaram até Lip que caiu com a colisão. Annie se distraiu olhando para os dois e teve o mesmo destino. Alaska pulou à frente dos outros Ômegas e sorria para os três. Ela não teve tempo suficiente para cantar vitória. O inesperado aconteceu, o Ômega próximo à Peter teve sua cabeça decapitada por uma espada conhecida pela alcateia. Peter atirou o corpo para trás ao ver a espada e, postada ao seu lado, Lorenna, a amazona.

– É... ser normal é uma bosta. — Ela sorriu para a surpresa do trio. Os três levantaram-se rapidamente e a pequena batalha teria um recomeço com Lorenna ao lado deles agora. Ela era realmente incrível no campo e uma pilha de corpos paralisados estava aos pés de Alaska em minutos. O aço banhado em acônito era uma arma monstruosa e Alaska viu o perigo. A fuga da Ômega sanguinária fora rápida, mas ainda restavam alguns de seus "companheiros" no campo. Estes que foram dizimados tão rapidamente quanto o grande Lobo branco de olhos vermelhos que regressara com uma meio vampira em suas costas. Segundos se passaram e a pilha de corpos aumentara. Alguns continuavam paralisados, outros estavam mortos e alguns apenas inconscientes. A alcateia e Lorenna encaravam encantados a forma completa de Calisto. O lobo encarou seus betas e seu pelo começou a brilhar. Ele ficou sob as duas patas traseiras e, como um brisa leve que passava remexendo os cabelos de Peter, levou a luz e a forma completa de Calisto. Boquiabertos, eles encararam um alfa sorridente ao lado de Sabs.

– Passada a "apresentação" — Lorenna fez as aspas com as mãos. — Eu preciso conversar com vocês... com todos vocês. — Ela disse encarando Calisto.

– À vontade. — Calisto sorriu.

– Vamos para a "minha" casa — Lorenna sinalizou para que eles a seguissem.

– Cê gosta de aspas hein, amazona — Peter brincou com a moça. Ela parecia feliz ao sorrir para a brincadeira.

Minutos de caminhada se passaram até que chegaram à casa de Lorenna. Para o desespero da moça, a casa estava completamente revirada. Ao adentrarem a residência, encontraram um inconsciente e machucado Thalles, o rapaz que havia salvo Lorenna da alcateia semanas atrás. Em seu peito havia o mesmo cartão enviado para a alcateia no dia anterior.

– Ele não vai parar. Calisto, ele matou uma criança. Ele não tem limites. — Lorenna dizia desesperada.

– Peter. Ta na hora de fazer o que a gente planejou. — Calisto encarou seu braço direito.

– O bestiário ? — Questionou o beta, recebendo a resposta positiva por um aceno com a cabeça. -

– Annie, Lip. Preciso que fiquem aqui. Não podemos responder nada agora, só quero que esperem aqui e ajudem Lorenna. -

– Sabs vai conosco ? — Peter perguntou à Calisto que novamente assentiu positivamente. -

O Alfa, o Beta e a Vampira saíram da residência e foram em direção à floresta.

– Calisto, eu não quero nenhum tipo de briga com o Pam. Eu vou entrar, dar um beijo em minha irmã e pegar os bestiários. — Peter dizia ao lado de Calisto que ia no meio do trio.

– Seu irmão odeia à mim por uma escolha sua, Peter. Eu não me envolverei em nenhuma briga. — Respondeu ao Beta.

– Eu não prometo nada, Peter. — Sabs sorriu dando um soquinho no braço de Calisto.

Alguns minutos se passaram até que eles adentraram a floresta por completo. Peter lembrava de cada momento que vivera de sua infância naquele lugar. A primeira lua cheia... a primeira briga com Pam... a morte dos pais. Cada lembrança era um misto de sentimentos internos para o garoto. A situação mudou rapidamente. Um grande lobo dourado pulou à frente deles e rugiu para o trio. Sabs e Calisto deram um passo para trás, mas Peter continuou parado encarando a criatura. Ele mostrou seus olhos amarelos e foram correspondidos pela criatura.

– Jura, Frankie ? — Peter encarava não um lobo, e sim uma loba. Sua irmã. Assim como Calisto mais cedo, ela fica sob as patas traseiras. Os pelos dourados da loba brilharam como os raios solares do alvorecer.

Casa de Thalles e Lorenna

– Ele ta muito mal, Lorenna. Lucian não tem limites. — Phillip estava enfurecido. Era amigo de Thalles na escola. Ele pensa em Amanda, sua irmã mais nova, ela poderia estar em perigo também. Seus pais, todos ao seu redor. Até mesmo...

– Sarah. — Disse Lorenna para a surpresa de Lip. — Eu devia esperar Calisto e Peter, mas, você é o namorado dela. Sabe, eu posso ter mais de 2000 mil anos, mas, tenho minha irmã mais nova, ou tinha. Sarah sumiu 15 anos atrás. O susto foi grande demais, ela era uma recém-nascida e havia sumido do berço. Há pouco tempo descobrimos que Lucian e sua falecida esposa haviam roubado ela de nós.

– Por que ele fez isso ? — Annie encarava a amazona. Phillip ouvia atento a história e só pensava na namorada.

– Como ele disse, "é tudo uma questão de poder" — Lorenna ia explicar mais alguma coisa mas foi interrompida por Annie.

– Ta escorrendo sangue da boca dele. — A beta tirou do bolso de trás do short um celular e discou o número de Peter. — Chama eles, vamos atrás da Sarah. Quem puder salvar ele primeiro vale.

Floresta

Caminho para a casa de Thalles e Lorenna

O trio corria em disparada até a casa após o chamado da Amazona. Ignorando árvores, galhos e troncos eles corriam sem parar. Qualquer colisão seria prejudicial naquele momento.

Calisto, você tem que ir mais rápido! — Peter assentiu para o Alfa que fez o mesmo. Ele tomou um impulso e foi ao ar. O Beta pela primeira vez vira seu Alfa se tornar um lobo em pleno ar. Em uma velocidade absurda, o lobo branco deixa para trás, Peter, Sabs e um corrente de ar pelo impulso tomado.

Segundos se passaram para a chegada do Alfa à casa.

– Você tem que transformar ele, Calisto. — Lorenna implorava ao rapaz. — Por favor, não o deixe morrer. — O Alfa ficou com os olhos vermelhos encarando o inerte corpo de Thalles. Ele abaixou-se e bem ao fundo, sua audição permitiu que ele ouvisse o lento coração do rapaz. As presas surgiram na boca de Calisto e ele aproximou o pulso do garoto até sua boca.

– NÃO! — Sarah surgiu na porta e Calisto parou instantaneamente. Lorenna vendo a irmã regressando para a salvação do amigo fica feliz. — Ele perdeu muito sangue. — Disse ela sentando-se ao lado de Calisto. Sabs chegou ao local acompanhada de Peter e viu todo o pessoal reunido . — Eu precisava justamente de você, Sabs. Vem cá. -

– A mãe do Dave te ensinou isso ? — Sabs de alguma maneira tinha noção da magia que Sarah tentaria.

– Naaa... Talvez... — Sarah se levantou. — A gente tem que salvar ele, Sabs.

Sabs mostrou seus olhos agora em colorações diferentes. O olho esquerdo era roxo e o direito, da cor vinho. Seu olho esquerdo tornou-se Vinho também e ela abriu levemente as mãos. O sangue de Thalles que estava espalhado pela sala começara a ser atraído até as mãos de Sabs. Sarah impôs as mãos juntas à esfera de sangue.

– Segurem ele. — Sabs ordenou à Peter e Lip.

– Ele vai ter uma descarga de Adrenalina quando acabar. — Sarah avisou os amigos. Todo o sangue acumulado na esfera começou a ser dividido e ir até os machucados de Thalles. Suas veias saltaram, os lobos ouviram seu coração acelerar e ele abriu os olhos. Se Peter e Lip não estivessem o segurando ele teria pulado para o outro lado da sala. Ele soltou um grito de agonia que durou alguns segundos. Lorenna abaixou-se e o abraçou forte

Horas se passaram. Explicações foram dadas mas Sarah não soube sobre sua falsa paternidade. Peter mostrou aos amigos o que ele, Calisto e Sabs haviam ido atrás. Dois bestiários estavam em suas mãos. O primeiro deles continha três cabeças diferentes: Um lobo, Um cão e um Leão. O segundo continha um par de Asas e abaixo delas 9 caudas. Para cada uma das caudas havia um Kanji abaixo.

– Yan deve saber ler essas coisas. — Peter disse apontando para os kanjis.

– Quem é Yan ? — Sabs questionou o Beta.

– É o chinês da escola. O jogador novo do time. — Peter respondeu e voltou aos bestiários. O grupo se assusta com uma flecha que finca a parede, e, presa à ela, um bilhete. A imagem da cruz novamente é estampada nele, e os dizeres "Sacra terram". Calisto leu aquilo e estranhamente sorriu, para a surpresa dos amigos.

– Peter... vamos à igreja amanhã — Disse o Alfa sorrindo enquanto que ao lado de fora, o mesmo ser encapuzado que havia invadido a toca no dia interior, encarava-os sorrindo tortamente...