Ocultos

21 Moça de mãos mágicas, Homem de visão...


O episódio com Lorenna havia acabado e a cidade estava quase em paz. O coliseu sumira no dia seguinte à derrota da amazona. Na casa de Sarah, seu pai, para a cidade, o Padre. Um homem cético a Deus. Para a Alcateia, o caçador mais perigoso que já conheceram.

– Minha filha... eu estava querendo conhecer seus amigos. — Informou o pai para a surpresa de Sarah.

– Mas... de repente assim, pai ? — Perguntou a garota.

– Não. Eu nutro essa vontade há alguns meses. Sei que você tem um melhor amigo além de Catherine e quero conhecer ele e as pessoas ao seu redor no momento.

"mal sabe ele que na verdade é meu namorado" Ahn... ta. Chamo pra um jantar aqui em casa hoje ? — Questionou a menina enquanto tomava um café se preparando para ir à casa de Cathy.

– Pode ser, peço para a Marisa cozinhar algo mais requintado...

– Dispensa a Marisa hoje. Eu cozinho pra nós. Da um dinheiro pra eu ir no mercado que já venho com eles na volta.

– Ta ok, Filha. Toma aqui. — Ele disse entregando-a 50 dólares.

– Tô indo pra Cathy, Pai. Volto mais tarde. — A menina pegou uma mochila ao canto da porta da cozinha e foi indo à porta de entrada/saída da casa.

Minutos se passaram de caminhada e a menina se deparou na frente do casarão. No portão, Cathy se despedia de Xico dando-lhe um beijo duradouro. Sarah pigarreou e os dois finalizaram ali o que seria a despedida de um casal. A loira conta para a amiga que Xico havia pedido ela em namoro na frente de todos, inclusive de Peter que se encontrava junto à alcateia na sala de estar da família. Ao entrarem no casarão, Sarah vê seu namorado, Peter, Calisto, Annie e Alaska. Todos esperavam por ela para que o treinamento avançado de Dave e dela começasse.

– Dave! — Calisto chamou sua atenção. — O que você usou para afastar Lorenna de você foi perigosamente bom e vamos te ensinar a controlar para que não o faça novamente. — Disse ele abraçando Sabs pelo ombro. A menina sorriu e encarou Dave.

– Mas você disse que foi bom... — Tentou contestar mas foi interrompido por Annie.

– Perigosamente bom não é bom, Dave. Significa que você salvou sua vida mas colocou a de outros em risco. Ao meu ver... pelo... menos. — Ela foi diminuindo o tom de voz e ficando envergonhada.

– Correto, Annie. — Falou Cathy.

– Então, Dave. Eu, Alaska, Annie e Lip ficaremos responsáveis para que você não utilize magia negra novamente.

– Pera, Calisto, não era o combinado o seu cachorrinho treinar Sarah comigo. — A preocupação tomou conta de Cathy.

– Ah relaxa, loira. — Sorriu um sarcástico Beta. — Eu não mordo... ainda.

– Argh você é nojento. Ta, vamos logo. — Falou com desgosto.

– Vão para o campo de rugby da escola. Convenci o treinador a deixar livre pra hoje. — O alfa informou os amigos.

Os grupos se separaram. O trio, Cathy, Peter e Sarah foram a caminho da escola para que o treinamento de Sarah começasse enquanto o resto da alcateia se dirigia ao local em que Alaska havia lutado com Dave, acompanhando o rapaz.

Escola

Campo de Rugby

– Ah... esqueci de avisar o pessoal que meu pai convidou vocês pra jantar lá hoje. — Peter se assustou com a ideia mas manteve silêncio sobre. — Todos, isso inclui a alcateia. — A forma que a ideia havia surgido na cabeça de Peter começara a mudar. Se eles se recusassem, seria óbvio que eram licantropos.

– Ahn vou falar com Calisto depois mas não garanto nada, Sarah. — Disse o beta. — Sarah, sabe como funciona o rugby né ? -

– É o Lip me explicou um pouco como é. — Ela respondeu o amigo.

– Eu comecei a jogar rugby quando entrei pra escola e conheci o Calisto. Antes disso eu jogava futebol com meu irmão na floresta. — Ele foi até o lado da arquibancada e de lá tirou um grande saco azul. Dentro do saco havia uma quantidade inumerável de bolas de futebol. — Você só consegue curar quando impõe as mãos sobre uma ferida, não é ?

– Correto. — Ela respondeu novamente. Peter afastou as duas e mostrou a tabela de basquete que se encontrava no outro campo.

– Quero que você tente algo. Aqui ó. — Ele colocou a bola no chão e tomou uma distância. Deu uma pequena corrida até a bola e a chutou mirando o alvo mostrado. A bola passou longe e o rapaz encarou as duas. — To um pouco enferrujado. — Catherine sorriu sarcástica.

– Oh, dê o seu melhor, lobinho. — Provocou Catherine.

– Se você insiste. — Ele sorriu e tirou a camisa. O corpo do rapaz não era muito gordo nem muito magro. Um físico forte poderia ser descrito. Músculos a mostra nos bíceps e no peitoral, o rapaz prende o cabelo para trás e faz o mesmo movimento de minutos antes, se afasta da bola e mira o alvo. Seus olhos brilharam amarelos e ele chutou com destreza e força. Desta vez com uma força excessiva e visão apurada, o rapaz acertou a bola no meio do alvo, fazendo com que a tabela se tremesse toda. — Sua vez, Sarah. — Ele encarou uma menina boquiaberta e a loira revirando os olhos.

"Exibido" Lucky shot — Disse Cathy. Peter correu até a tabela e recolheu as bolas que havia chutado.

Sarah preparou uma bola e fez o mesmo que Peter, errando miseravelmente em todas suas tentativas. Uma, duas, três, em todos os chutes a moça acertava ou a arquibancada ou a mão de Peter. O beta correu na direção das duas antes que mais um chute se concretizasse.

– É... a gente já esperava isso. Você vai ajudar ou vai só ficar olhando ? — Questionou Peter para a loira.

– Vou ajudar quando você parar de ser cachorrinho do Calisto, ou seja, nunca. — Sorriu sarcasticamente.

– ... — Ele aproximou a boca da orelha da menina e falou baixinho. — Ou você ajuda a sua amiga e eu, ou eu decido abrir a boca para sua tia que sua boca não ficou só na boca do mauricinho naquele dia. — O pavor surge nos olhos de Cathy, que apavorada não consegue esboçar uma pequena palavra. — É... você é patética e ele não sabe ficar de bico calado.

Sem entender nada, Sarah chamou a atenção dos dois. Peter encarou-a e foi até a mochila dela. De dentro de um bolso menor ele retirou uma unha e mostrou a ela.

– Isso é uma unha do Calisto, Sarah. A única coisa que pode tornar minha regeneração em lenta e dolorosa. — Ele então crava a unha em sua barriga e desce até a base do umbigo. Cathy solta um pequeno grito de susto e Sah se prepara para impor as mãos e curar o amigo. — Não... é isso que quero te ensinar. É como um chute de tabela, mas você tem que me curar à distância. — Ele da uma grunhida e cospe sangue para o lado. — Eu não sei por que ainda aceito as furadas que o Calisto me põe. Se bem que eu devia ter cortado menos.

– Ta bom ta bom. Vai pra lá logo. — Disse ela preocupada. O corte expelia algumas gotas de sangue. Peter encarou a menina e assentiu positivamente. Catherina falava para a amiga que ela precisaria de uma concentração total para o que queria fazer e o que queria atingir. A menina encarou com firmeza a ferida. Impôs suas mãos para frente e uma pressão se formou à sua frente. Uma esfera transparente lançou Sarah para trás e foi na direção de Peter. Atingiu o peito do rapaz que deu de costas no ferro que segura a tabela de basquete. Ele se levanta devagar e Cathy ajuda Sarah a se levantar. O Beta sente uma dor insuportável na ferida, como se alguém colocasse as duas mãos por dentro e tentasse rasgar mais ainda sua barriga. Os olhos dele se tornaram amarelos como de costume e suas presas apareceram, fazendo com que ele rugisse para o alto.

– Vai ser um longo dia... — Ele disse respirando ofegante.

Floresta

Campo das Árvores

– Você lembra mais ou menos o que sentiu quando usou aquilo ? — Perguntou Calisto.

– Não muito. Raiva com certeza. — Respondeu Dave tentando se lembrar de algo a mais.

– Dave. Um dos sentidos que você precisa pra controlar isso você já domina, não é ? — O feiticeiro pensa e lembra do que ele estava falando. O treinamento do rapaz com as árvores já era um começo para isso. Isso poderia significar muitas coisas. Calisto poderia saber o que aconteceria desde o momento em que dissera que o treinaria.

– É... — O garoto disse enquanto os galhos de uma árvore atrás dele se estenderam e formaram uma mão que repetia seus movimentos. — Eu acho que domino.

– Ok então... — A alcateia inteira tiraram suas blusas. Alaska se utilizava de um top preto enquanto Annie ficara somente de sutiã. Calisto enrolou sua camisa e começou a explicar para Dave. — Um dos principais sentidos que nós, lobisomens usamos é a visão. Nos encare da mesma maneira que me encarou quando lutei com Lorenna pela primeira vez.

– Como sab... — Interrompido por Calisto que volta a explicar.

– Eu sei, Dave. Olhe daquela forma para nós. — Dave aceitou e Lip, Calisto, Annie e Alaska ficaram lado a lado. Dave concentrou-se e encarou a alcateia. Os olhos de todos presentes ali tornaram-se de sua forma sobrenatural. Dave com os olhos púrpura, Calisto vermelhos, Lip e Annie amarelos e Alaska azuis. De trás do quarteto, quatro grandes lobos surgiram. Um lobo branco tomou a frente dos outros, era Calisto, o Alfa. Ao seu lado esquerdo, uma loba de pelos cinzentos e olhos amarelos, seguido por um que era pouco maior que esta e a que estava ao seu lado. Seus olhos eram amarelos também e ele era acompanhado por uma loba de pelos pretos que brilhavam e olhos azuis. Todos eles brilhavam e Dave entendera que via seus outros lados.

– Isso é... fascinante. — Falou o surpreso feiticeiro.

– É... só precisamos que você faça isso sem enxergar nossas formas humanas agora. — Disse Lip. Alaska sorriu e Annie cruzou os braços entediada. Ao fundo eles ouvem o uivo de dor de Peter e se preparam para correr até o amigo, mas são impedidos por Calisto.

– Assim como nós, ele vai ter um longo dia... — O alfa encara Dave e novamente enrola sua camisa. Vai até o rapaz e o venda. — Ta bom Dave, agora é só lembrar como nos vê...