Ocultos

12 Mapa Astral


Na escola, John via a cena. Calisto transformando a mais nova aluna da escola. Annie, uma garota leucêmica, implorara para que o Alfa a tornasse uma igual.

– Por que você fez isso ? — Questionou John.

– Porque eu quis... Você vai interferir ? — Respondeu Calisto com os olhos vermelhos. Era como se seus olhos fossem um rio de sangue. O vermelho brilhava e o rapaz mostrou as garras.

– Estamos na escola, Calisto! — Afirmou John recuando. — Criou uma Beta dentro da escola, tire-a daqui pelo menos.

Calisto, pegou a garota no colo e foi em direção ao campo. Ao chegar lá, ele permanecia vazio. A menina gemia de dor e Calisto a olhou com certo carinho. O Alfa ajeitou a posição dela em seu colo e correu em direção ao bosque. Ao adentrar um pouco mais, entre as árvores, o alto rapaz colocava com cuidado Annie deitada em um amontoado de folhas secas. Um pequeno afago na bochecha da menina e o rapaz se levantou. O Alfa descamisado transforma-se parcialmente. Seus cabelos brancos crescem um pouco e seus olhos são tomados por um vermelho rubro novamente. Ele olha ao céu e os raios de sol atingiam seu rosto. Este olhou para cima e uivou em ordem. Na toca, um cigarro era apagado por Alaska, seus belos olhos licantropos brilharam e a menina correu. No vestiário, tirando seus uniformes de treinando, Peter e Phillip ouviram o uivo de seu alfa. Os dois pegaram suas mochilas e correram lado a lado até o dono do uivo. Ao se encontrarem, todos notam a presença da menina que se encontrava deitada ainda. Phillip e Peter a reconhecem mas Alaska não faz ideia da identidade da garota.

– Você transformou ela ? — Questionou Peter. O rapaz conseguia finalmente sentir o cheiro do sangue da garota.

– Ela me implorou. — Disse Calisto encarando o corpo da menina se curar. A cor de seus lábios, cinzas pela doença, agora tinha uma coloração viva. Seus cabelos cresciam, devagar, mas cresciam.

– Pera... eu achei que a mordida só curaria o câncer. Perder cabelo não é por causa da quimioterapia ? — Perguntou Phillip confuso. O corpo da garota se mostrava finalmente para alguém de sua idade. Sua pele estava mais viva, seu corpo parecia retornar ao peso que deveria. Seus olhos se abriram e sua cor era dourada naquele momento. Ela circundou sua nova alcateia com os olhos, olhou para o Alfa e assentiu positivamente.

– Obrigada... — Disse ela ainda um pouco confusa.

O caminho para o shopping deve ter sido o mais longo que eu já havia tomado desde que cheguei a cidade. Após o treino de Rugby da alcateia de Calisto, eu, Cathy e Sarah voltamos para casa e Sabs me esperava no quarto. Catherine ficou ensinando Sarah enquanto eu e Sabs íamos para o lugar mais refrescante da cidade que estava com seus 32º. Sabs ia me contando o que acontecera depois que eu e John havíamos saído do quarto e como os dois me levaram para casa. Depois de uma longa explicação da minha parte sobre o ocorrido no campo, ela sorriu um pouco sem graça e me avisou que chegaríamos em alguns minutos. Os tais minutos se passaram e chegamos ao grande shopping da cidade. Por ser um lugar bom para passei ainda mais em dias calorosos como esse, o local estava abarrotado de famílias, adolescentes e crianças. Caminhávamos devagar e com cuidado, mas mesmo assim esbarrávamos em alguém vez ou outra. Em algum momento, nos chocamos com uma menina que Sabs reconheceu. Cabelos castanhos escuros e olhos da mesma cor, Mary era uma bela moça. Cumprimentou à mim e Sabs com um beijo no rosto e começamos a conversar.

– Tudo bom com você, Mary ? — Perguntou Sabs.

– Quantas vezes eu disse pra você me chamar de Mapa ? — Disse a moça emburrada.

– Por que "Mapa" ? — Questionei-a.

– Ah é algo que eu me identifico. Você também é um feiticeiro. — Falou ela

– É... sou. Mas por que a pergunta ? -

– Não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Você é um feiticeiro! — Ela dizia me encarando.

– Você também é! — Afirmei observando sua aura. Ela me encarou novamente e olhou para Sabs que assentiu.

– Dave... como você olha para as pessoas ? — Ela me questionou. — Pode olhar para alguns aqui e me falar como os vê ? — A garota me pediu e eu o fiz.

– Ahn... — Suspirei e minha visão se alterou. — A maioria das pessoas tem as auras cinzas. Aquele cara tem verde. Ela tem rosa. Os atendentes são vermelhos. — Eu ia apontando para as pessoas.

– Ta, agora deixa eu te falar o que vejo. — E então ela começou a encarar as mesmas pessoas que eu citei. — Avareza... Luxúria... Raiva. Ela quer estudar moda... ele quer ser Rico... eles só querem sair daqui o mais rápido possível. — Ela sorria.

– Como você conseguiu ver isso ? — Questionei-a curioso.

– Quando você olha pras pessoa, Dave, você só vê as auras delas. Não vê o que elas sentem. Olhar para o rosto de alguém, é diferente de olhar para o coração. Quer ver, tenta. — Ele disse tirando os cabelos da frente dos seios fazendo eu ficar vermelho.

– Quer que eu olhe pro seus peitos ? — Perguntei aflito.

– É, cala boca e olha logo. — Sorriu. Eu olhei da maneira que ela me disse. Era como encarar sua alma. Minha visão sobre a grande Aura Roxa da garota mudou. Agora eu via uma mulher, se assemelhava um mínimo possível à Rainha Ophani, a Rainha das Fadas. A mulher lia um Mapa sorrindo. Ao olhar para o rosto da moça à minha frente, ela sorria de maneira doce.

– Vem com a gente, Mary ? — Chamou Sabs me puxando.

– Não, tenho que terminar de assistir TWD, mas eu ligo qualquer hora. — Ela me encarou e disse: quia adhuc committitur cura magus challenges ou "Cuidado, feiticeiro! Seus desafios ainda vão começar.

Ao caminharmos com cuidado novamente, pessoas se esbarravam em nós quase que a todo momento. Mapa tomara o caminho contrário a nós e sumira na multidão. Quase que instantaneamente alguém trombou comigo de frente e me encarou com olhar de raiva.

– Você não olha por onde anda não, seu moleque ? — Disse Martin enfurecido.

– Vocês tem a mesma idade, Martin. — Sabs me defendeu.

– Não chega perto de mim, garoto. — Martin falou bufando para mim. — Ou você vai se dar mal...

Horas se passaram. A noite caíra sobre a cidade. O céu estrelado fez com que eu me surpreendesse com a insônia. Eu simplesmente não conseguia pensar em nada, Sabs, Martin, Peter, nem mesmo John que dormia na cama ao lado passava à minha cabeça. Pensei em caminhar por alguns minutos, talvez o cansaço de uma caminhada me ajudaria a finalmente pegar no sono. Abri com cautela a janela e fui como estava: Calça de moletom preta, Camiseta de pijama e descalço. Caminhar realmente não havia sido uma ideia ruim. A sensação de liberdade era encorajadora. Diferente de 4 dias atrás em que naquela mesma floresta eu, Sabs e Ariel fomos atacados por Darkiss, o lugar parecia calmo. Eu caminhava devagar e vez ou outra eu tirava o cabelo do rosto. Ouvi alguns passos e procurei encontrar o dono destes. Após caminhar apressado, Martin surgiu à minha frente. O rapaz estava sem camisa, apenas com uma jeans. Me encarou enraivecido e soltou os dizeres:

– Eu disse para não chegar perto de mim. — Citou ele. Andando de costas em direção ao escuro, eu só via os olhos dele tornarem-se brancos. Um pequeno uivo e meus olhos voltaram ao roxo. Ao caminhar um pouco, uma forte aura branca surgiu e seu dono era Martin. Ele me encarava respirando com cuidado. Lembrei do que Mapa havia me dito mais cedo. "Olhar para o peito de alguém é melhor do que olhar para o rosto." Lembrar-me daquilo abriu espaço para que eu descobrisse rapidamente a identidade sobrenatural do garoto. Atrás dele, um grande lobo negro de olhos brancos surgiu e rosnou para mim. Assim como Calisto, Peter e Phillip, ele era um lobo, mas diferente dos três, ele era um Ômega. Um lobo solitário, sem alcateia. Ele rugiu para mim e correu para longe. Comecei a corre involuntariamente. Estar descalço foi uma boa vantagem mas ele era mais rápido. Paramos em frente a um grande galpão velho. Ele adentrou o local e eu novamente perdi sua visão. Eu me aproximava devagar da entrada, à poucos metros de entrar o local, um rosnado se originou e o Grande Lobo Negro se mostrara ser Martin. Parecia estar maior, mais feroz e mais rápido. Ao investir contra meu corpo, e não tinha o que fazer além de pular por cima dele, caí de joelhos por trás da fera mas algo tinha acontecido. Eu estava muito mais rápido e minhas mãos estava quentes com uma pequena luz azul em torno. Eu me sentia forte e antes que eu percebesse, fui lançado em direção à uma árvore que se destruiu com meu impacto. Me levantei encarando o lobo que rosnava e investia mais uma vez, nesta eu me desviara e direcionava um soco no maxilar da criatura. Nos encarávamos, Sabs estava em casa sem saber de nada, eu estava sozinho, só eu e o Grande Lobo lutando...