Ocultos
30 Lobos
– Jura, Calisto ? — Indagou Pam. — Três meses fora, ó grande protetor da cidade.
– Cala boca, Pam. Ia realmente surrar até a morte um Beta seu ? -
– Ele falhou comigo. -
– Entendo Peter agora... esse é um dos motivos dele seguir à mim, e não você! -
– Peter não passa de um cãozinho, como a garota lá dizia para ele sempre.
– Ele é muito mais que um cãozinho, Pam. Ele é seu irmão mais novo, mas quem ele têm como irmão mais velho, sou eu...
– Eu devia matar vocês dois agora mesmo! — Pam disse com os olhos vermelhos.
– Não consegue. — Calisto olhou para Vince e observou as feridas do rapaz se fecharem. — E não pode.
– Por que não ? — Questionou ironicamente.
– Por que não tem quem te ajude a fazer isso. — Disse Bea, surgindo do breu da floresta. Arrastando pelo pé esquerdo, Vicky, inerte...
– Sete anos sem te ver e ainda tem a mesma ferocidade do seu pai. — Calisto notava os diversos cortes nas coxas e braços de Vicky.
– Sabe quem era meu pai, Calisto, e não era Gerard. — Bea encarou o Alfa.
– Ta pensando que é quem, Beatrix ? — Pam rugiu.
– Tô achando que você não passa de um Alfa metido. Aliás, você nunca foi meu Alfa. Nem meu, nem do Vince. — Disse ela indo na direção do rapaz que se curava aos poucos, deixando no chão, o corpo de Vicky. — Sua irmã vai precisar de alguns cuidados a mais depois da ideia idiota dela de me atacar pelas costas.
As feições de Pam pareciam mais monstruosas desta vez, como se a raiva e a frustração o deixassem mais descontrolado. O Rapaz sente, ao longe, o cheiro de sangue, o cheiro de sangue do seu sangue, e corre, em busca do corpo caído da irmã. Os olhos dourados de Bea e Vince brilham como cintilantes pepitas de ouro e um banho de sangue preenche o castanho dos olhos de Calisto. Ele tinha agora sua irmã e um possível amigo ao lado.
Fantom Hills
Centro
Era como mil sóis explodindo em seu estômago. A dor era insuportável e Peter sentia a morte perto de si. Ao passar por um beco escuro, o brilho laranja de um par de olhos chamou sua atenção. O lobo, curioso por sua vez, caminhou, lentamente em direção aos olhos, como uma criança acompanha um vaga-lume.
– Ah, Peter... -
– Nos conhecemos ? — Peter piscou uma série de vezes tentando identificar, mas na escuridão era impossível.
– Talvez... só o tempo vai dizer. -
– Então, se me dá licença, eu preciso ver alguém. — A dor era constante mas suportável.
– Boa sorte, Rapaz! — Peter sentiu algo tocar seu abdômen e fazer um pequeno corte. O par de olhos embaçou perante a visão de Peter. O lobo sentiu o mundo girar e seu corpo travar. Ele foi ao chão, tendo a visão de um ser saindo da escuridão e em seguida, do beco. O pensamento de Peter foi ao lugar onde ele mais gostava de estar desde que Calisto sumira, e então, fechou os olhos...
Casarão
Cathy sentiu algo pesado cair sobre ela. A moça solta um leve gemido de dor e então abre os olhos e vê sobre si, um desacordado Peter. O rapaz fedia a enxofre e Catherine ficou sem reação. Apenas o empurrou para fora da cama, fazendo um som estrondoso que ecoou pelo casarão. Ele acordou e olhou para os lados tentando se orientar.
– Tá maluco ? Minha tia te mata se ti ver aqui. — Disse Cathy.
– Como eu vim parar aqui ? — A cabeça do rapaz continuava a rodar.
– Você simplesmente caiu em cima de mim. — A moça sussurrou ao ouvir passos do lado de fora do quarto.
– Cathy, ta tudo bem aí dentro ? — Disse Annie, a Mãe de Dave...
– Tá sim, Tia! — Cathy sinalizou para que Peter fizesse silêncio. — Eu caí da cama só.
– Tem certeza ? Eu tô sentindo um cheiro ruim vindo daí de dentro -
– É só uma sacola de lixo, Tia. Quando amanhecer eu desço ela para a cozinha. — Peter se mantinha quieto e instável.
– Tudo bem, Catherine. Boa noite!
– Pra senhora também... — Eles ouviram os passos se afastando lentamente, o som de uma porta abrindo e selando-se segundos depois.
– O que aconteceu com você ? — Cathy disse colocando a mão no nariz. — Você ta fedendo, Peter.
– Não é minha culpa. — Peter disse. Tirou o casaco e a camisa. Em seu umbigo, um corte profundo.
– Quem fez isso em você ? — Perguntou a moça, colocando ele sentado em sua cama.
– Também não sei. Tava escuro demais pra enxergar algo.
– Peter... o que ta acontecendo com você ? -
– Referente à que, Cathy ? -
– Desde que enfrentou o primo da Sabs. Sei lá, você perde o controle sobre a transformação, sente dores constantes... ta mais dócil comigo.
– Continua me vendo como um cãozinho do Calisto, não é ? — O rapaz olhou no fundo dos olhos da moça. Os dourados olhos dele encontrou a íris púrpura dos olhos dela. Ele tendo a mesma visão de sempre, a menina aparentemente indefesa por fora, mas por dentro, uma mulher, forte e determinada. E dos meigos olhos dela, a visão de um grande lobo circundando o rapaz, mas o que chamou realmente sua atenção, foi uma pequena sombra que procurava por alguma coisa entre os espaços dos dedos de Peter, mas logo se dispersou. — Eu te amo... — Disse o Lobo, para a surpresa da moça. A aura verde de Peter procurou um pouco de carinho entre as pernas de Catherine. A garota sabia o que significava aquilo, mas sem reação, apenas o beijou. Beijou, como quem beija o Lobo, e não, o cão...
Fale com o autor