Ocultos
31 Retorno
Floresta
A Toca
— Da pra explicar ? Ou tá difícil ? — Questionou Sabs. Calisto havia retornado à cidade.
— Não entendo porque Peter não chegou ainda. Faz quase 15 minutos que eu Uivei e nada! — Calisto estava frustrado -
Você pode contar pra ele outra hora, primeiro explica pra nós, homem! — Annie falou abraçando o Alfa por trás.
— Sentem-se... lá vem história. — Annie, Lip e Sabs sentaram-se em um sofá de três lugares. Bea e Vince sentaram em duas poltronas afastadas do trio. — Bom... depois de algumas mordidas, Martin acertou meu pescoço... o suficiente pra fazer algo que nem a lua cheia faz comigo... me tirar do sério. O corte foi bem fundo, levou algumas horas pra cicatrizar depois que eu sumi. Acertei a nuca dele com um chute, um pouco antes de desmaiar. Acordei em um lugar fechado, parecia um quarto de cárcere privado. Fui recepcionado por uma alcateia um tanto quanto diferente... Uma alcateia de Alfas. Deucalion, o líder deles é um homem de visão, com o perdão do trocadilho, é um lobisomem cego. Entre tantos títulos, ele me mostrou o porque do principal ser "O Lobo Demônio". Ele disse que eu tinha um potencial enorme para ser de sua alcateia e que me ensinaria habilidades que nem mesmo o Rei Lycaon saberia. Bom, eu recusei e acabei por perder um dedo — Mostrou seu dedo médio aos amigos. No lugar de carne, havia um dedo de Prata que estranhamente não machucava o Lobo. — Mas, ele me ensinou algumas coisas. Dentre elas, que eu não deveria deixá-los. São minha alcateia, minha família.
— É bom ouvir isso! — Peter surgiu na janela, pelado. Coberto apenas por um lençol rosa.
— Andou malhando ? — Brincou o Alfa, tirando um pequeno sorriso do rosto do amigo. — Por que não põe uma roupa ?
— É uma boa ideia. — Peter andou até o quarto, minutos depois, volta e senta-se no chão, entre Bea e Annie.
— Agora começa a parte ruim da história... — Sentou-se. — Passado um mês desde minha separação da alcateia de Deucalion, tive um encontro estranho com uma criatura. Um cão negro, diferente de tudo que eu já tinha visto. Ele sumiu da mesma maneira que surgiu, de repente. E assim se repetiu algumas vezes, até algo que eu diria bom aconteceu e ele nunca mais apareceu. Encontrei seu pai e suas irmãs, Sabs. — Disse ele para o surpresa da amiga. — Eles saíram da cidade depois daquela noite na montanha, mas não por muito tempo.
— Como têm certeza disso ? — Perguntou Annie.
— Por que os encontrei hoje de manhã, à dois quilômetros daqui. -
— Me diz que eles estão sozinhos, por favor. — Sabs implorou ao amigo.
— Não, Sabs. Sua irmã, Mary, ta fazendo a melhor utilização das habilidades dela. Eu vi um mínimo de 50 vampiros mas, eles são bombas, entre aspas. Lembra quando fomos até aquela cidade vizinha e encontramos um corpo que tentou nos atacar no mortuário ? — Ela acenou positivamente. — Exatamente daquele jeito.
— Isso não é bem estranho ? — Peter falou. — Sei lá, o cara tem mais de 150 anos e de repente quer voltar pra cidade natal e tomar ela a força.
— A cidade nunca foi dele, a cidade nunca foi de Pam... a cidade não é minha... mas se é nosso dever protegê-la e isso nos torna donos... então continuaremos regendo ela à nossa maneira. -
— Esse seu instinto protetor ainda vai te matar, Calisto. — Bea disse encarando o irmão mais novo.
— Substituta da Alaska ? — Perguntou Lip. A moça então mostrou seus olhos e eles brilhavam como ouro. — Saquei...
— E o garoto ? — Peter falou sobre Vince.
— Pam não sabe muito bem como cuidar de uma alcateia. Salvei ele do Pam e bom... Bea se salvou sozinha. — Disse Calisto, lembrando da irmã segurando Frankie e Vicky.
— Então... vai rolar uma apresentação formal ? — Annie questionou os amigos.
— Não precisamos disso... — Peter disse se levantando. Cumprimentou os dois novos Betas e foi em direção ao quarto. Foi quando um som estrondoso assustou a todos na sala. Calisto olhou para trás e não encontrou seu amigo, muito menos a porta do quarto...
Floresta
Vicky andava enraivecida pela floresta. Na mesma noite nocauteada por uma suposta amiga e por alguém sem um propósito aparente para ela. Foi quando uma porta de madeira lhe atingiu a cabeça e ela caiu, surpreendida. Ao virar-se, viu Peter cambaleando pela escura floresta e a simples raiva, agora tinha um motivo.
— Cansei das pessoas me acertarem... eu sugiro que corra! — Ela rosnou para Peter, que desnorteado só falou:
— Que ? — E recebeu a investida furiosa da Beta. Ela rasgava sua camisa, cortando sua barriga com a mão esquerda e com a direita segurava ele pelo pescoço.
A Moça era lenta mas fatal, causou alguns cortes bem profundos no abdômen do garoto que não entendia nada. Os olhos dourados dela não enxergavam nada nos verdes e comuns olhos dele.
— LUTE! — Ela rugiu na cara de Peter que se encolheu. Então os olhos do rapaz se tornaram dourados e sua face se remodelou. Um som estridente ecoou no ouvido de Vicky e ela se deparou com um local diferente da floresta, um lugar escuro, um céu cinzento, nuvens negras por ali e ela continuava agarrada à Peter. O rapaz fica inconsciente e os dois entram em uma queda livre que durou segundos, mas para Vicky, pareceram horas. O som novamente ecoa nos ouvidos da garota e eles estão de volta à floresta. Ela sente um enjoo e quase que instantaneamente é segurada por Calisto. Lip tenta segurar Peter mas falha miseravelmente e os dois se chocam contra uma árvore.
— PETER! — Calisto ruge pelo amigo. Dos escombros da árvore, surgem revigorados, Peter e Phillip.
— Eu preciso de ajuda, Calisto... Eu preciso agora! — O cansaço era iminente e, mesmo estando com o corpo revigorado, sua mente estava cansada.
— Vou te levar à uma amiga, Peter... Por que eu tô começando a ficar preocupado com você. -
— Não é com ele que você deve se preocupar, Calisto — Uma voz surgiu ao fundo, chamando atenção do Alfa. — Algo grande está vindo... e eu não estou falando somente dos vampiros...
— Quem é você ? — O Alfa perguntou se virando para ele.
— Ele se chama Cain... — Lip se pronunciou ficando ao lado de Calisto.
— Eu não sou inimigo de vocês... mas não sou amigo também... sugiro que fujam... ou se aprimorem... e isso significa expansão. Até mais ver... garotos — Cain disse dando alguns passos para trás. Seus olhos se alaranjaram e seu corpo foi tomado por sombras. O trio assistiu o rapaz ganhar caninos enormes e sair correndo, tomando uma forma negra e assustadora...
Centro da Cidade
Xico andava sozinho pela cidade. Não era tão tarde da noite mas, mesmo assim, as ruas se encontravam vazias. Os postes de luz iluminavam seu trajeto até sua casa. Seus passos são lentos, sem pressa, mas isso mudou quando ele, do canto de seu olhou, viu um vulto passar. Passo acelerado, o rapaz começa a olhar em sua volta, procurando qualquer que fosse o ser responsável por aquele vulto. Minutos passados e ele enfim estava na esquina de sua casa, mais aliviado e relaxado. Mas agora não viu um vulto, ele ouviu passos atrás de si e virou. A dona dos passos era uma loira de belos olhos azuis. Um batom vermelho bordava seus lábios, quase que chamando Xico para ela. O hipnotizado rapaz balbucia algumas palavras até que, sua voz, de repente volta.
— Você precisa de algo ? — Perguntou dando alguns passos na direção dela.
— Preciso sim... — Ela disse caminhando até ele. — Preciso que não seja uma marica que tem nojo de sangue! — Seus dentes se tornaram presas e ela mordeu o pescoço dele. Os olhos apavorados de Xico se arregalam encarando a lua, enquanto seu corpo sentia o sangue borbulhar com o veneno que invadia seu coração. A vampira solta ele e Xico cai desacordado. A boca ensanguentada dela é limpa por um pequeno lenço tirado do bolso da jaqueta de couro. No pescoço do pobre garoto se encontram dois furos e deles escorrem algumas gotas de sangue.
— 1 já foi... faltam 3 — Caminhou sorridente, enquanto jazia inconsciente na calçada, Xico.
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