Ocultos

11 "Incurável"


Calisto contava aos Betas algo que nem mesmo seu mais fiel amigo sabia. A lembrança de encontrar os corpos de seus pais. Mortos pelo Alfa, o homem que o treinou, havia deixado ser controlado pelo monstro que o transformou.

"Você não merece o fim que meus pais tiveram. Eles deitaram e se descansaram deste mundo onde nomes definem pode, somos todos um só, não existe um sem o outro. Pode ficar com o seu poder medíocre de Alfa. Eu antes de ser um Ômega, um Beta ou um Alfa, sou um Lobo, um Lobisomem, você é apenas a besta, apenas o lobo vive em você e eu tenho pena dessa sua vida medíocre. Agora vá, rasteje e se reerga e volte atrás de mim, eu vou sempre te derrubar, de novo e de novo."

— Naquela noite me tornei Alfa. Eu não matei Gerard, ele não me entregou o seu dom, eu recebi por ser merecedor. — Não se notava amargura ou gabamento na voz do Alfa.

Em seu quarto, Dave acorda apenas de cueca. John não encontrava-se mais no quarto. Ele veste uma roupa e desce as escadas e encontra apenas a empregada. Na televisão, uma notícia.

"A noite passada foi de protestos que não foram nem um pouco pacíficos. Três garotos foram encontrados muito machucados com ferimentos animalescos. Dois deles não resistiram aos ferimentos e um está em estado grave no hospital."

— Olha, você deve ser o famoso Dave. — Disse a empregada estendendo a mão para mim. — O senhor quer alguma coisa ?

— Quero... como eu vim pra casa ontem ? — Questionei-a. — Eu não lembro de muita coisa.

— O senhor John e a moçoila ruiva trouxeram você ontem de noite. Quer algo para ressaca ou tirar sono ? Café ajuda muito. — Ela me informava rapidamente.

— Eu adoraria, dona ? — Perguntei-a seu nome e ela sorriu.

— Elise, eu vou pegar seu café, senhor... — Eu a interrompi.

— Só Dave ta de bom tamanho, Elise. — Sorri para ela. Ouvimos a porta bater e vimos Cathy e Sarah entrarem.

— Se você já tomou café eu vou bater em você, Dave. — Disse Cathy. Sarah riu e eu a respondi.

— Ainda não. — Gargalhei. — Acabei de acordar, Prima. Viu John ? — Questionei-a e ela riu maliciosamente para mim. -

— Ele foi resolver umas coisas na escola. — Respondeu ela.

— Tem aula hoje ? — Perguntei confuso.

— Pra quem quiser revisar algo que perdeu ou ver o treino de Rugby tem. — Disse Sarah me encarando. — Eu vou ir ver o treino do Lip depois, se você quiser ir comigo. A Cathy vai também ver o Peter. — Ela gargalhou da amiga que ficara emburrada.

— Não vou pra ver aquele babaca cabeludo. Vou por você — Ela disse fazendo cara de nojo.

— Eu vi você olhando pra ele ontem. — Eu afirmei piscando com um só olho pra Sarah. -

— Todo mundo olhou. — Balbuciou ela envergonhada. — E você se arruma logo pro café antes que eu mude de ideia e vá dormir. -

— Ta bom, ta bom. To indo. — Falei sorrindo.

Minutos depois desci com tênis no pé e uma camisa nova. As meninas comiam sanduíches preparados por Elise e um me esperava em um pequeno prato. Comi em alguns minutos até que as meninas começaram a me apressar. Escovei os dentes rápido e fui para a sala. Saímos e fomos em direção à escola.

Lá, na Sala 187, a sala de Phillip, Peter e Calisto, o professor apresentava uma nova aluna.

— Queridos alunos, esta é Annie. Moça de poucas palavras, beleza invejável e de uma inteligência grande. Espero do fundo do meu coração que vocês respeitem ela ou eu vou meter a porrada em todos vocês. — Dizia ele deixando a menina vermelha. Em sua cabeça havia um pano florido.

— Calisto... sente o cheiro do sangue dela. — Disse Peter confuso. Calisto o fez e se espantou.

— Não tem cheiro! — Afirmou Phillip baixinho para os amigos. Calisto assentiu para ele.

— Ahn... Calisto, Phillip e Peter. O treino de vocês começa em 10 minutos, querem ir se arrumar no banheiro, moças ? — Zoou o professor. O trio levantou-se pegando as mochilas. Peter foi tirando a camisa e levou um tapa na nuca do Professor. — Exibido! — Afirmou ele fazendo a turma inteira rir do rapaz.

Minutos depois, os rapazes saíram com os uniformes do time e foram até o campo. Lá, o treinador os esperava para dar uma notícia.

— Bom queridas, hoje nós recebemos um novo atleta. Apresento-lhes Yan, ele é japonês e era o melhor jogador da região dele.

— E de que parte ele é ? — Perguntou Peter ao rapaz.

— Pequim! — Ele sorriu.

— Mas se ele é de Pequim não seria Chinês ? — Perguntou Miro.

— É que seja — Disse o Treinador.

— Qual parte de Pequim ? — Dessa vez Calisto o questionou.

— A China inteira. — Ele disse espantando à todos.

Dave, Sarah e Cathy chegam ao campo e veem a rodinha formada pelos jogadores. Lipe percebe que a namorada veio o assistir e corre até ela, acompanhado por Peter. Peter cumprimenta a melhor amiga com um beijo no rosto e olha sério para Catherine. Dave o salda com um aperto de mão e os dois voltam ao campo.

— Treinador, proponho separar dois times, pra vermos o talento dele. — Disse Calisto.

— É uma ótima ideia, Caliel. — Errou o professor.

— Calisto! — Corrigiu o Alfa.

— Claro, o que você quiser, capitão. — Disse sorrindo.

— Yan! Você e Calisto são os capitães. Calisto escolhe seus jogadores e os outros irão para Yan. — Yan concordou sorrindo.

— Quero Freddie, Math, Miro, Negretti, Ferrari, Phillip e Peter. — Chamou o rapaz. Outros sete se moveram para o lado de Yan. Minutos depois, preparávamos para o jogo se iniciar. A bola começaria com eles.

— Calisto, fico na defesa ? — Perguntou Peter.

— Sim, vamos ver como ele se sai com você, revezamos. — Ele disse com os olhos brilhando em vermelho. Da arquibancada, eu, Sarah e Cathy observávamos atentos os jogadores se formando. Um apito e o jogo se iniciou.

Yan era veloz, corria com facilidade pelo gramado se desviando dos jogadores. Phillip correu para tirar-lhe a bola, mas este girou o corpo para o lado e desviou-se da investida do lobo. Peter contornou Calisto que correu logo atrás dele. Ao investir contra o rapaz, este girou o corpo para o lado e deu de cara com Calisto que roubou a bola dele. Ponto para o time de Calisto, a bola começaria com eles agora. Freddie correria com a bola e Math faria sua defesa. Recomeço do jogo e a correria também. O loiro dos belos olhos azuis corria a frente de Freddie. Yan era mais rápido que o bruto linha de frente e desviou-se dele. Girando seu corpo, ele facilmente tirou a bola das mãos de Freddie e o jogo novamente foi interrompido. Ponto para o time de Yan. Os jogadores espantavam-se com a velocidade do rapaz que recomeçaria com a bola o jogo. Mais uma vez o jogo se iniciara e agora Phillip seria a linha de trás do time de Calisto. Peter e o Alfa tentaram a mesma jogada defensiva pela segunda vez ao ver que Yan se desviava de todos. Ao girar e desviar-se de Peter, o rapaz tocou a bola por trás de si para enganar Calisto que ficou observando o veloz asiático catar a bola no ar e seguir sua corrida. Phillip investiu novamente contra Yan e o rapaz ao invés de desviar desta vez, investiu contra ele, derrubando arduamente Phillip no gramado. Sarah ao ver a cena fechou os olhos. Peter correu para ajudar o amigo enquanto Calisto observava atento o chinês rir com desprezo.

— Chega, ta bom por hoje. — Disse o treinador. — Pro chuveiro moças! — No campo havia sobrado só nós, Peter, Calisto, Yan e Phillip. Descemos correndo a arquibancada e chegamos até eles. Peter e Phillip logo mostraram as garras e encararam o rapaz.

— O que é você ? — Perguntou Peter.

— Ei... acalmem-se... não sou inimigo de vocês. — Ele disse sorrindo para os dois lobos.

— Ele não questionou isso. — Falou Catherine. Foi estranho ver ela concordando com o Beta.

— Já que a bela moça pergunta. Na minha terra, sou conhecido por Hiragana ou Tianlòng. — Contou-nos os kanjis.

— Dragão do Paraíso. — Eu disse automaticamente.

— Quase, Jiten. — "Feiticeiro" ouvi em minha cabeça.- Dragão Celestial seria a forma correta de falar aqui. Como eu dizia... não sou inimigo de vocês. Diferente de outros. — Balbuciou ele. Ao longe, sem eu e o resto do pessoal notar, Martin sorria ao ouvir a conversa.

— Achei que dragões fossem apenas contos... — Disse Calisto sorrindo. — Gostei de saber que não são. — Ele estendeu a mão ao rapaz que retribuiu.

Calisto e Yan foram cada um para um lado. Yan, Peter e Phillip foram para o vestiário. Eu e as meninas voltamos para casa e Calisto voltou para dentro da escola. Indo em direção ao bebedouro, o rapaz foi parado por uma voz.

— Ei... Lupus. — Chamou a atenção a pequena menina.

— Me chamou do que ? — Questionou Calisto.

— Lupus... Lobo. Te chamo do que você quiser, desde que você me transforme nisso que você é! — Ao virar-se, Calisto vê Annie, sua nova colega.

— E o que exatamente eu seria ? -

— Um Lobisomem Alfa. — Afirmou ela. A expressão de Calisto permaneceu atenta, porém seu pensamento imaginava como de alguma forma, aquela menina havia o descoberto.

— Como tem tanta certeza ? — Questionou-a.

— Por que vi o que você e seus amigos se tornaram no campo. — Ela afirmou para a surpresa de Calisto.

— E o que você quer ? Por que está enchendo tanto meu saco. — Disse Calisto estressado.

— Tenho Leucemia... infelizmente uma doença sem cura. Sem curas humanas...

— Tenho a opção de te matar também, não sabia ? — Disse o rapaz que mostrava as garras.

— Já estou morta, Lobo! Me matar só vai acelerar o processo da doença. Me transformar lhe tornará mais forte.

Calisto observou a menina. Tão jovem e tão corajosa, porém, tão doente e tão idiota. — Me parece justo... — Ele disse e rosnou. Segurou a menina pelo pescoço e mordeu seu ombro. Um misto de dor e prazer surgiu nos olhos da menina. O vermelho rubro dos olhos de Calisto brilharam e ele se sentiu revigorado.

— Sobreviva e tenha o dom — Ele cuspiu no chão o sangue da menina sem gosto devido à doença — ou morra e conviva com a maldição...