Ocultos
16 Entre o Punho e o Carvalho
Enquanto eu e Sabs caminhávamos de volta para minha casa Calisto carregava Peter que ainda estava debilitado pelo corte feito com a espada fundia com acônito.
– Por que, Calisto? – Peter perguntava ao amigo. – Por que você desistiu? Se você tivesse aparecido antes ou esperado um pouco, nós todos poderíamos ter vencido-a.
– Havia muito mais em jogo do que só ganhar ou perder, um de nós poderia ter morrido. – Calisto encarava Sabs com seus olhos vermelhos e ela não percebia que estava sendo vigiada ou simplesmente ignorava.
– Se você tivesse me dado mais alguns minutos, eu estaria assim, em pé e lutando. – Peter queria insistir no assunto, ele não entendia a decisão de Calisto, o alfa sempre fora seu exemplo, o modelo a ser seguido e agora ele havia se sujeitado a se ajoelhar perante o primeiro vestígio de derrota. – Você se ajoelhou, Calisto, você desistiu.
– Não, Peter, eu não desisti. Meu pai sempre me dizia que as vezes é melhor se abaixar por vontade própria perante um inimigo poderoso do que ser colocado a força contra o chão. – O alfa olhava em volta preocupado, como se algum outro perigo fosse aparecer. – Todo mundo cai um dia, mas os fortes sabem se levantar, e eu lhe prometo, meu caro, nós vamos.
De repente de trás de uma árvore um homem saltou apontando um revólver em direção aos garotos.
– Rápido! Passem o dinheiro e ninguém se machuca. – Ele usava uma máscara para tapar seu rosto enquanto gritava.
– Deixa comigo, alfa. – Phillip estava prestes a dar um passo à frente, mas Calisto o puxou pelo braço e fez um gesto negativo, olhou para o céu e era possível se ver uma figura com um brilho dourado envolto ao seu corpo pousava rapidamente no lugar.
– Não, Phillip, deixa com ela. – Calisto respondeu em meio a um tom de desgosto.
– Homem idiota, as amazonas não aceitam a ideia de furto, se renda agora e eu não irei lhe machucar. – O assaltante mesmo tendo acabado de ver uma garota descer os céus riu e disparou a arma que nada fez com Lorenna. – É, vai ter que ser do jeito que eu gosto. — A amazona disparou em direção ao ladrão, agarrou-o pela perna e com um simples movimento fez o joelho do homem se partir causando uma fratura exposta. Sabs soltou um grito abafado por suas mãos e olhou para mim assustada, e depois desviou o olhar para Calisto que fazia uma cara de “Eu sabia que ela não prestava”. – Esta é a lei das amazonas, siga-as por bem ou por mal. – Então Lorenna disparou aos céus em direção ao seu coliseu.
– O que nós vamos fazer? – Perguntei a todos.
Calisto deu um passo à frente, procurou algo no bolso do assaltante, encontrou um celular e discou para a emergência passando o celular para na mão do homem com a perna quebrada.
– Não vamos ficar aqui porque se ficarmos eu vou ter que ser justo e lhe entregar para a polícia, então boa sorte. – O alfa pegou a arma do chão. – E eu me livro disso pra você. – Ele arremessou a arma em direção a floresta.
Ϯ
Quando finalmente chegamos em casa minha mãe estava sentada em uma cadeira lendo um livro e nos cumprimentou, quando ela percebeu que Peter estava machucado ela gritou chamando Sarah que logo apareceu e estendeu a mão sobre o corte de acônito, fazendo com que ele fechasse em poucos segundos.
– O que aconteceu com o seu fiel cachorrinho, Calisto? – Cathy apareceu junto a Sarah.
– Nada demais, mas e com o seu? Eu consigo sentir o cheiro de suor masculino na sua roupa daqui e também tem esse cheiro lá no seu quarto, acho que sua tia não iria gostar de saber disso.
Minha mãe olhou para Calisto que mostrou seus olhos vermelhos para confirmar que ele realmente sentia o cheiro do garoto no quarto de Cathy.
– Esperem aqui. – Cathy tentou parar minha mãe, mas ela passou pela garota mandando que ela esperasse e Calisto pediu que Phillip subisse junto a ela para encontrar o garoto. Quando voltaram ela trazia Xico pelos cabelos enquanto ele gritava e tentava colocar sua camisa. – O que ele estava fazendo no seu quarto? E AINDA POR CIMA SEM CAMISA! – Ela soltou o garoto o empurrando contra o gramado. – Se eu te encontrar aqui em casa mais uma vez eu te parto em dois! Ouviu bem?
Cathy tentava explicar enquanto todos riam, Peter olhou sorrindo para o alfa que assentiu com a cabeça.
– Calisto, nós precisamos conversar. – A garota de uma expressão sorridente passou rapidamente para uma expressão séria. – A sós.
Eu não fazia ideia do que eles precisavam concordar, mas ninguém ousou perguntar, então os dois foram para um canto mais longe de onde estávamos.
Quando os dois voltaram Calisto suspirou fundo e me olhou nos olhos.
– Dave, eu vou te ensinar a lutar. – Eu não sabia se tinha ouvido direito, então fiz questão de perguntar de novo e ele me deu a mesma resposta. – Amanhã não tem aula, então eu vou passar aqui as 7:00 e você vai estar pronto, caso não esteja eu vou te dar só 5 minutos para se arrumar, entendeu?
Assenti com a cabeça e então toda a alcateia foi embora.
– Como assim o Calisto vai me treinar? – Perguntei a Sabs.
– Bem, Dave, ninguém aqui é tão bom em luta corpo a corpo quanto ele e a alcateia, agora com aquela amazona louca por aí você precisa aprender a se defender, sem contar que se você controlar o corpo fica mais fácil para controlar a mente e assim usar a magia. Agora vai dormir que amanhã o dia é cheio ele vai cumprir com o que disse, então é melhor você não se atrasar.
Ϯ
Acordei cedo no outro dia, estava animado e esperei Calisto na porta que chegou as 6:59.
– Você está adiantado. – Sorri para ele enquanto me levantava.
– Um mago nunca se atrasa, Dave, e nem se adianta. Ele chega exatamente na hora que quer. – Eu ri com a referência e então nós começamos a andar pela floresta. Depois de alguns minutos chegamos a uma enorme clareira.
– É nessa hora que eu me despeço, tenho negócios a resolver, mas Alaska vai “cuidar” bem de você. – Ele fez um sinal de aspas com as mãos e então foi embora.
Alaska surgiu de trás de uma árvore e estralou os dedos e o pescoço.
– Primeira pergunta, você está prestes a lutar com um licantropo furioso que não dá uma surra em alguém há muito tempo, ele dispara em sua direção, você bate de perto ou de longe? E por que? – Ela perguntou mostrando suas garras e seus olhos amarelados.
– De perto, porque o feitiço vai sair mais poderoso e eu poderia acertar um soco também? – Ela fez um gesto negativo com a cabeça e me acertou um soco no estômago.
– Resposta errada. De longe um licantropo é inútil, mas as suas magias são de longo alcance, mas a ideia do soco foi inteligente se você tivesse um braço bem maior e mais forte. – Ela sorriu e se abaixou. – E se você estiver caído sem defesas? O que você faz?
Agarrei um galho de madeira grosso e acertei um golpe no rosto de Alaska.
– Eu arrumo uma defesa. – Me levantei e ela passou a mão por seu nariz que sangrava. Ela fez uma cara de aprovação para mim e correu em minha direção novamente.
Eu pensei em como unir a ideia do soco com magia, e então de repente uma árvore esticou um de seus galhos e meu braço se movimentou junto
acertando Alaska, quando olhei para trás a mesma árvore que havia acertado Alaska tinha dois galhos grossos estendidos como se fossem dois braços imitando os movimentos dos meus.
A garota se levantou e correu em minha direção, estiquei meu braço fazendo o mesmo movimento que antes, mas desta vez ela agarrou o galho e o arrancou da árvore, porém logo atrás dele veio outro o substituir e repetindo o movimento, porém desta vez a acertando em cheio nas pernas.
– Desgraçado... – Ela se levantou e então me empolguei com o treino, porém eu não esperava que ela desviasse de todos os meus socos e ao invés de me acertar, ela passou direto por mim ela foi em direção à árvore e a arrancou do chão. – Magia idiota, e agora Dave? Não tem mais sua árvore, o que vai fazer? Vamos, pense.
Olhei em volta e sorri.
– Isso! – Respondi a ela enquanto todas as árvores que podiam chegar perto dela esticaram seus galhos e penduraram no ar.
– Muito bom, me sinto mal por ter perdido, mas muito bom. – Ela sorria enquanto eu a soltava. — Não poderia ter sido melhor.
Passamos o resto da tarde treinando socos e chutes, Alaska não era tão rude quanto parecia, ela podia ser legal quando queria, quando Calisto chegou ela se despediu de mim e o alfa me levou de volta para minha casa.
– Alaska me disse que você se saiu bem, está machucado? – Fiz um gesto negativo respondendo a pergunta. – Ótimo! Amanhã é a vez de treinar comigo, espero que saiba que eu não vou pegar tão leve.
Nós nos despedimos e olhei para o céu. A lua brilhava já e resolvi subir para meu quarto para dormir.
Quando cheguei ao quarto olhei pela janela antes de me deitar e reparei que havia um livro de magia jogado ao chão, então me abaixei para pegá-lo, e quando fiz algo quebrou a janela fazendo com que todos na casa acordassem.
Quando chegaram ao meu quarto encontraram o que havia feito aquilo, uma pequena munição de besta estava presa a parede de meu quarto.
– Venator.
Fale com o autor