Ocultos
8 Cigarros e Lágrimas
Parecia uma passeio no parque para Calisto. Ele assitia seus dois primeiros Betas serem surrado por sua mais nova Beta. Vez ou outra a dupla acertava uma sequência de socos combinados na menina que caía ao chão. Não levava muito tempo para que a menina virasse os dois com socos e chutes novamente. Desviando dos pedaços de madeira que voavam, Sarah, Miro, Cathy, Dave e Sabs observavam atentos. Sarah suspirava ao ver Lip se machucar e as vezes tampava o rosto com as mãos ou pousava-a sobre o ombro de Cathy. Essa que ria à cada soco que Peter levava. Dave se assustava com a calma da menina e de Calisto.
– CALISTO — Gritou Phillip. — CATHERINE VAI TREINÁ-LA, NÃO TEM O POR QUE ISSO. -
– Ah treinar pra que ? É só morder. — Disse Calisto batendo os dentes. Phillip se enfureceu com a expressão do Alfa.
Agressivamente Phillip socou o rosto da menina, fazendo Calisto mudar sua expressão e soltar um pequeno "ai". A garota levantou-se, mostrando um maxilar deslocado. Ela mesma o pôs no lugar e encarou Phillip.
– Miau, gatinho. — Disse ela partindo para cima dele. Cravou suas 10 garras no peito e na barriga do rapaz e lançou-o para fora da arquibancada. Peter assistiu o amigo voar por cima dele. Ao voltar seu olhar para a garota, esta acendia um cigarro. — Você é o próximo, garoto ? — Debochou ela.
– O que você acha ? — Ele rosnou e correu para cima da garota. Faltando alguns metros para o choque, ele pulou com as garras na direção do ombro da menina. Esta que o segurou no ar e bateu com o rapaz no chão.
– Eu acho que era você. — Ele disse se acocando e encarando o cigarro. — Mas pensa... podia ser pior. — Ela disse e enfiou a brasa do cigarro na bochecha do garoto. — Eu poderia ter cortado a sua garganta. — Ela disse enquanto o rapaz gemia de dor. Nos primeiro degraus da arquibancada, o grupo estava assustado com a brutalidade da menina. Esta que pulou na direção de Lip, fazendo Sarah dar um berro.
– Já chega, Alaska. — Calisto segurou o pulso da garota que estava prestes à causar um grande corte no peito do rapaz. Maior do que já se encontrava na base do abdômen dele.
– Desnecessário. — Surgiu Peter com a bochecha cicatrizando. Sarah correu na direção de Lip chorando. — Foi extremamente desnecessário aquela queimadura.
– Por que você fez isso ? — Disse Sarah chorando. As lágrimas escorriam por seu rosto. As lágrimas caiam na ferida do rapaz que parecia melhorar. Cathy olhava atentamente para a ferida que parecia queimar. A ferida que se tornaria uma cicatriz, se fechou por completo e a barriga do rapaz ficou sem cicatriz alguma.
– Sarah... olha. — Disse Cathy com os olhos roxos.
– Foi o fator de cura, Catherine. — Balbuciou o rapaz de longos cabelos.
– Não, Peter. Foi a lágrima. — Disse Calisto acocando-se ao lado de Phillip. — Ela tem magia no corpo e nem sabia. — Ele assentiu sorrindo para ela.
– Eu tenho ? — Questionou Sarah limpando as lágrimas enquanto Lip se sentava ao seu lado.
– É... agora que você demonstrou eu consigo ver sua aura. — Afirmou uma Catherine confusa.
– Peter, Phillip. Venham. Precisamos conversar! — Ordenou Calisto.
– Consegue caminhar. — Perguntou Peter à Phillip. A resposta foi um aceno positivo com a cabeça.
– Te esperamos na toca! — Calisto brandiu para o Beta que se levantava aos poucos. Ao terminar, o trio, Alaska, Calisto e Peter saíram em disparada.
– Dave, Sabs, Catherine... venham aqui. — Chamou Miro.
– Não me chama de Catherine, Miro. — Disse Cathy brava seguindo Miro. Dave e Sabs foram logo atrás conversando.
– Sah. — Lip chamou carinhosamente Sarah. — Eu queria te pedir desculpa. — Disse o garoto procurando por sua camisa.
– Não precisa — Ela falou baixinho. — Eu só quero que você me explique.
– Eu não posso agora... — Ele respondeu virando-se para ela. A menina, encantada pelo rapaz que tinha o sol refletido em seus cabelos castanhos. Os olhos dele brilhavam ao tocar os dela. — Mas eu prometo que vou te contar... alguma hora.
– Você pode levar o tempo que quiser, Phillip. — Ela se aproximou dele. — Essas situações assustadoras só me provaram o que eu duvidava. Eu gosto tanto de você, tenho medo de te perder. — Ele abraçou-a com carinho. Não foi um abraço curto, tampouco um abraço longo. Foi um abraço que teve o tempo que mereceu.
– Eu gosto muito de você, pequena. Eu não queria fazer isso no estado que estou... mas eu realmente gosto de você... Você aceitar ser minha namorada ? — O rapaz a encarou sorrindo. Sua resposta foi mais algumas lágrimas e um aceno positivo, seguido de um beijo do novo casal.
Embaixo de uma arquibancada afastada, Martin era só sorriso. Ouvia atentamente as palavras do casal apaixonado. Ao piscar algumas vezes e ouvir um "Tenho que ir, preciso falar com Calisto" Vindo de Phillip, os olhos do rapaz se tornaram brancos como marfim.
Na toca, Calisto esperava atento ao regresso de Phillip. Alaska, fumava mais um cigarro enquanto mantinha suas pernas em cima de uma mesa de centro. Peter, olhava pela janela o amigo correndo. Ao ver Phillip entrar no prédio, Peter pensou ter visto pelo canto do olho um vulto. Imaginando que a culpa seria de seu fator de cura tentando cicatrizar a queimadura na bochecha do rapaz, ele nem deu bola e se virou para a porta quando Phillip adentrou o cômodo. Os quatro foram para o centro da sala e o "debate" começara.
– O que foi, Alfa ? — Peter começou o questionamento. — Por que não contou que tinha uma irmã ?
– Por que eu não tenho, Peter. Alaska e eu temos nada mais do que um pacto. E ela tem uma informação útil para os dois.
– Obrigado, Calisto. — Disse ela sorrindo para o rapaz. — A lua cheia não mostrou apenas que Phillip aprendeu a se controlar, rapazes. — Ela falava tranquilamente. — Temos um lobo solitário na cidade... Um lobo descuidado, por sinal.
– Como você sabe ? — Lip a questionou.
– Eu estava aqui ontem a noite. Eu vi tudo o que aconteceu. TUDO. — Ela enfatizou sorrindo. — E não é um lobo qualquer não... ele já atingiu sua forma Ômega!
Do lado de fora da toca, alguém escutava tudo atento. Os olhos brancos de Martin pareciam brilhar a cada "insulto" recebido pela nova lobisomem da cidade. O rapaz sorriu e pulou do 3º andar da torre que Calisto usava como toca. Ao cair no chão, o rapaz pousou as mãos ao chão, ficando na famosa posição "de quatro". Seus dedos se contorciam e suas presas cresciam. As costeletas do rapaz logo não eram os únicos pelos que haviam crescido em seu rosto. Ele ficava cada vez maior e suas roupas se rasgavam. Ao final do processo, um grande Lobo Negro de olhos brancos se postava ao lado de fora da torre. Ele olhou para cima e ouviu nitidamente. "Ele não é importante... fuja" Disse Calisto ao observar o Grandioso Lobo ao lado de fora de sua torre.
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