Ocultos

33 Cada Escolha, Uma Perda!


Fantom Hills

Mansão de Sarah

Era outra madrugada que Lip se levantava sem motivo aparente. Sarah permanecia inerte na cama e o rapaz a fez um cafune lento porém curto. Ele saiu do quarto, desceu as escadas, e sentou-se no sofá. E, pensando nos últimos acontecimentos, ele decide ir até a toca ao amanhecer. Dormir não seria fácil, ultimamente o sono demorava à atingir ele e na maioria das vezes ele acordava uma ou duas horas depois de fechar os olhos. Lip passa a encarar a sala. Era ali onde o falecido Padre ficava a maior parte do tempo, segundo Sarah. Quadros e esculturas que a filha adotiva do tal preferiu manter ali para lembrar da parte boa de Lucian. Os quadros mostravam caçadores prestigiados de todas as épocas, esculturas do dorso de alguns lobisomens, a mão de um vampiro era facilmente reconhecida por Lip após meses de convivência com Sabs que o levava a procura de Calisto, era comum enfrentar algumas criaturas um pouco mais fortes. Eram nesses momentos que Sabs mostrava toda a magnitude de um ser híbrido. Lip sente um cheiro diferente no ar e seus olhos mudam automaticamente. Ele corre o olhar por todo o recinto, procurando o dono do cheiro, encontrando Amanda descendo as escadas.

— Oi, Mano. — Disse ao perceber que Lip à havia visto.

— Sem sono ? — A resposta foi um aceno positivo com a cabeça. Amanda andou até a geladeira na cozinha e catou duas garrafas d'água e voltou até a sala, sentando-se ao lado do irmão.

— Sabe que o perigo ta aumentando, né ? — Entregou uma garrafa para Lip e prosseguiu. — Quando me salvou da explosão... por que não salvou eles também ?

— Eu tentei — O rapaz levantou e subiu a blusa, mostrando as costas para Amanda. Uma cicatriz de queimadura marcava suas costas, da base a pouco abaixo dos ombros. — Isso aconteceu quando eu tava entrando de novo em casa.

— Não pediu pra Sarah curar ? -

— Ela não conseguiu... Calisto me explicou que uma ferida se torna marca a partir do momento que sua vida é marcada por uma tragédia... a minha foi mais do que psicológica.

— Foi física! — Disse o Alfa surgindo na Sala. — Desculpa atrapalhar a papo dos irmãos mas preciso de você, Lip. Temos que conversar. — O Beta assentiu e seguiu o Alfa. Amanda voltou ao seu quarto enquanto a dupla conversava.
...

— Eu meio que senti que queria falar comigo — Calisto disse acendendo um cigarro.

— Que foi ? Decidiu ser substituto da Alaska ? — Lip perguntou ao amigo.

— Ela também sentia quando você precisava de um amigo ? -

— Ela fumava que nem uma condenada. -

— Ah... sobre isso. Por algum motivo que eu desconheço ela colocou isso no meio do nosso pacto. -

— Ela era maluca, cê não devia nem perder seu tempo se questionando o porquê disso. Mas enfim... sobre o que quer falar ? -

— É sobre o Peter... tô com medo do que o Gerard pode fazer em relação a ele. -

— Não viu o que ele fez na toca ? Reduziu Gerard e a loirinha a nada... foi bem impressionante até. -

— É exatamente isso que me da medo. A ligação entre nós é mais forte do que qualquer outra que eu tenha e nem mesmo uivando eu consegui tirar ele daquele transe. Se Gerard conseguir controlar ele naquele estado...

— Vai ser pior do que os próprios caçadores... — Lip completou.

— Precisamos dar um jeito nisso... -

— Sobre isso... -

— Sei que quer proteger sua irmã, Lip. E sei que é capaz de se tornar um Ômega somente para a proteção dela e isso é uma atitude de grande responsabilidade e coragem. Quer ir ? Vá... eu explico à todos o por que da sua decisão. Mas saiba... as portas da Toca sempre estarão abertas. -

— Obrigado, Calisto. Você é um ótimo amigo. — Elogiou dando a mão para que o Alfa o cumprimentasse.

— É... to começando a achar que não sou só o Alfa — Ele disse dando um tampa na mão do amigo e o abraçando, um abraço rápido mas que seria motivo de lembrança entre os amigos. Lip se virou e foi em direção à mansão para preparar uma mochila. — O carro dos seus pais tá no meu depósito... chame Amanda enquanto eu busco para vocês...

Alguma mansão nos arredores da cidade...

Você tem uma resistência ao fogo que é invejável, Peter. Infelizmente seu irmão nunca me permitiu examiná-lo para entender o porque de ele ter essa mesma resistência.

— É genético! Fran me explicou isso uma vez e disse que algum dia eu teria isso. Nada demais está acontecendo comigo além de meu corpo se adaptar a esse novo "dom".

— É mais do que lógico que não é genético, Peter. Filhos de feiticeiros recebem os dons de seus pais ao atingirem 12 anos de idade, sua magia tem um limite quebrado e eles começam um treinamento pesadíssimo para que aguentem a próxima "evolução" por assim dizer. Já nós, criaturas sobrenaturais, somos agraciados com todo nosso poder ao nascer e nada irá se alterar em nosso poder durante o resto da vida. A não ser vocês com essa anarquia ridícula de Alfa, Beta e Ômega. Sendo assim, garoto, Pam e Frankie foram encantados por sua mãe ao nascer. Pam recebeu uma pele e pelos resistentes ao fogo, enquanto Frankie tem o brilho do sol na palma da mão e prefere lutar como um cachorrinho...

— Sabe que se me machucar eu me solto daqui e arranco sua cabeça né ? — Peter disse o encarando enquanto ouvia atento.

— Eu não vou te machucar... só te ameaçar, para ter certeza da minha teoria. — Gerard puxa um maçarico e o acende. — Relaxe, eu não vou te machucar. — E lentamente ele aproximou o maçarico do olho de Peter que começara a ofegar.

— Não... não, Gerard! — O vampiro não lhe deu ouvidos e continuou. Quando Peter sentiu o calor perto de seus olhos, uma força se apossou de seu corpo. Seus dentes se tornaram presas, mas diferentes de quando ele se transforma, e seus olhos não eram os dourados, novamente eram os laranjas, similares ao fogo. Seus braços forçaram um pouco e as correntes se estilhaçaram ao chão. Dois dos três vampiros recém criados de Gerard voaram no rapaz o empurrando contra a parede para que não avançasse no líder. Peter recobrou a consciência e olhou no espelho ao seu lado, vendo sua forma totalmente alterada de tudo que via antes. — Já me acalmei, porra. Me solta! — Os vampiros o soltaram e ele sentiu seu celular vibrar no bolso. Cathy o ligava...

— *Oi, Cathy... Onde cê ta ?... Calma, ta chorando porque ?...* — Peter esmagou o celular no meio da chamada. — Descumpriu nosso acordo! — Peter vestiu a camisa e estava quase saindo quando um dos vampiros o segurou pelo ombro.

— Você não vai a lugar algum, Peter! -

— E qual de vocês vai me impedir ? O sem braço ou o sem perna ? — O outro correu e segurou o lobo no outro ombro.

— Você é maluco! — Disse o que acabara de segurá-lo. Ele deu uma risadinha e respondeu.

— Não. — Peter chuta a barriga deste, fazendo o vampiro voar e bater com as costas na parede. O lobo segura o pulso do que segurava ele há mais tempo e chuta suas pernas, derrubando-o no chão. Ele então gira o braço, quebrando-o em várias partes. Em seguida ele faz força para cima, puxando o braço e arrancando, fazendo jorrar sangue na parede. Solta o braço por cima de seu dono e corre até o outro vampiro que se levantava, e agora mais agressivo, ele pisa com toda sua força na base da coxa, separando perna de cintura.

— Você é um monstro, garoto... gosto disso — Gerard disse sorrindo para ele.

— Calisto te disse isso três meses atrás na montanha. Não devia ter duvidado. Se Xico fizer algo com a Cathy, primeiro eu mato ele, depois eu arranco a cabeça da sua querida loirinha e como na sua frente. — Os olhos dele brilhavam dourados. Ele então parte em disparada, buscando o cheiro de Cathy.

Ele sentia como se fossem poucos minutos correndo, mas já haviam se passado vinte até o momento em que ele sentiu o cheiro de lírio vindo do perfume dela e continua sua busca. Mais alguns minutos e ele se encontra no telhado de um mercado e ele reza para que sua visão o esteja pregando uma peça. Ele vê Xico ajoelhado abraçando o corpo sem vida de Cathy. Peter sente o cheiro provindo do sangue da menina todo percorrendo o corpo do vampiro e seus olhos se enfurecem. O vampiro solta o corpo da menina que cai inerte com os olhos abertos. Como nas primeira noites de lua cheia do rapaz, o controle foge dele e não é mais Peter quem comando aquele corpo, e sim, o Lobo. O corpo do rapaz se deforma aos poucos, os ossos e músculos vão se remodelando. Ele cai ao chão e seus braços e pernas se tornam patas cinzentas, sua roupa se rasga, apresentando um corpo de um lobo. Pelos totalmente cinzas e os olhos dourados. O lobo balança a cabeça algumas vezes, quase como cacoetes e ele então uiva aos céus, à lua... Um confronto sanguinário teve início. As garras de Peter perfuravam a carne fria do vampiro, causando cortes profundos que expeliam um sangue negro do corpo de Xico. O vampiro segura o grande lobo e o lança contra as bordas do telhado, fazendo ele bater de lado e soltar um pequeno chiado de dor. Ele levanta-se e uma encarada rápida ocorre, até que um corre contra o outro. Peter rugia alto, o que confundia um pouco os sentidos de Xico. O vampiro vê o mundo girar à sua frente e o lobo correr enfurecido até ele e pular. A visão do vampiro volta somente para ver a magnitude do gigantesco lobo cubrir sua cabeça com a boca e dar uma dentada só, decapitando ferozmente o vampiro. Respirando ofegante, o lobo lentamente vai diminuindo e voltando a ser Peter. O rapaz se senta ao lado do corpo sem vida da moça. Ele segura o corpo gelado e pálido da menina e o põe contra o seu, deixando algumas lágrimas caírem por seu rosto. Ele uiva o mais alto que pode, sem sentir a presença de seu Alfa que observava a cena. Ele via a aura de Cathy se esvair e ao olhar para Peter, viu o lobo chorar deitado. À sombra do lobo havia uma criatura que Calisto não sabia descrever, mas ele sabia que se alimentava da dor de Peter, por que crescia conforme o lobo diminuia. Uma pequena labareda saiu pelas narinas da criatura. O Alfa caminhou até o amigo e pousou sua mão sob o ombro de Peter e os dois uivaram em unissono, sinalizando a perda de um amigo...

Fantom Hills

Entrada/Saída da Cidade

Lip dirigia o carro com sua irmã no banco do carona os dois conversam sobre para onde irão até que ouvem os uivos de tristeza. Amanda, por não entender, comenta com Lip:

— Ainda bem que saímos agora! — Ela diz encarando o irmão.

— É... — Ele disse. Ele pisca e encara a irmã. — Ainda bem. — Seus olhos não eram mais dourados, cheios de vida... eram brancos, vazios e brilhantes, como a lua...

Telhado do mercadinho

— Peter... — Calisto ouvia o soluçar do rapaz que ali permanecia, segurando em seus braços o corpo de sua amada. O silêncio toma conta do Alfa, que sente cada sentimento vivido por Peter nesse momento. — Se cuida, amigo...

O abraço sem retribuição era triste de presenciar. As mãos de Peter acariciavam uma última vez os cabelos da garota enquanto seu olfato apurado fazia ele sentir o belo perfume se misturar com o cheiro forte de sangue provindo do corpo descabeçado de Xico.

— Não teve um momento sequer em que eu te odiei. Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece, e, apesar de você não ter sido ele, você sempre será o que eu mais amei... — O lobo deixa escorrer uma última lágrima que evapora ao tocar o chão.

— Belas palavras, Peter. — O rapaz se levanta abruptamente ao ouvir a conhecida voz de Cain. — Você não acha muito estranho essas mudanças repentinas ? Vejamos : Você é mais rápido que um Ômega, mais forte que um Alfa e essa resistência ao fogo. — O lobo se mantinha em silêncio. — Sabe porque nunca descobriu o que estava acontecendo com você nos bestiários ? É porquê sua mãe foi a primeira feiticeira poderosa e corajosa o suficiente para fazer tal maldição. Sua mãe era uma mulher extraordinária e, quando descobriu estar grávida de você, descobriu uma maneira de não ter apenas um filho homem abençoado, mas sim os dois. A quantidade de coisas que ela precisou para esse feitiço custou a proteção da primeira casa de vocês.

— Como sabe tanto sobre mim ? -

— Por que foi eu quem ensinou ela a fazer esse feitiço, fui eu a única entidade que ela pensou para ajudá-la nessa situação. O preço que eu pedi a ela foi o seu corpo. A partir do momento que seu corpo fosse forte o suficiente para aguentar tamanho poder, você seria casca para os poderes do segundo guardião.

— Guardião ? -

— Somos os guardiões da morte, Peter. Os anjos que buscam as almas e corpos dos condenados. Somos Cães Infernais, Peter. — As palavras confundem a cabeça do pobre jovem. — Não entendeu ? Seu corpo está finalmente pronto para receber tal poder por completo. E aqui está o seu primeiro serviço... — Ele diz se referindo a Cathy. — O destino quis assim...

— Não... não posso fazer isso! — Peter apertou mais o corpo da menina em seu abraço.

— Não é uma escolha sua! — Cain voou nele e o pôs de frente para si. Os olhos laranjas de Cain foram fundo na alma de Peter. Peter via dentro de si a imagem de um cachorro negro e gigante, deixando fumaça e cinzas para trás a cada passo que dava em sua corrida. O Cão procurava o Lobo dentro de Peter e, assim que o encontrou, destruiu o Lobo. O grito de Peter ecoou novamente por toda a cidade. Seus olhos verdes se tornaram os dourados de um Lobo Beta e em seguida foram totalmente invadidos por veias negras que os tornaram laranjas, como o fogo vindo diretamente do inferno, mas desta vez, seria para sempre. Ele se levanta, como se nada tivesse acontecido. Seus olhos estão vidrados no corpo de Cathy e vai até ela. Ele a envolve em um abraço novamente, mas seus olhos estão vidrados, sem mais concentração no corpo dela, mas sim em seu objetivo. Seu corpo se incendeia, queimando suas roupas e partes das que Cathy usava. Ele encara Cain, que com seriedade em seu rosto, acena positivamente com a cabeça para ele. A combustão se completa, levando com ela o corpo sem vida de Cathy e os dois revelados Cães Infernais...