Fantom Hills

Cemitério

O cortejo de Catherine era feito com pesar. A mãe de Dave ia a frente, sozinha. Mais atrás, Sarah, Ariel, Yaya e Sabs caminhavam cabisbaixas. Todas as famílias de feiticeiros da cidade estavam presentes no enterro da menina. Calisto, Vince e Annie iam mais atrás ainda, quietos. Vince não tivera a chance de conhecer a menina, mas estava acompanhando a Alcateia. Os minutos se tornavam horas e a cada um passado, Sarah sentia uma parte de si se esvair mais. Lip era a única pessoa que poderia ajudá-la, e nem ele estava mais lá. Ao final do funeral, todos iam saindo juntos pela saída única do cemitério. Os lobos que ali estavam presentes reconhecem Peter chegando ao local. Ele para na entrada e observa o portão, enrolado em tramazeira. A alcateia lá dentro tinha recebido a permissão de entrar, mas Peter não era mais da alcateia. Ele encara os amigos eles parecem não o reconhecer mais. Seus cabelos estão curtos e ele tem enormes olheiras presentes no rosto. Seus olhos se iluminam como fogo e ele da passos lentos até o portão. Para a surpresa de todos, a tramazeira queima, abrindo caminho para o rapaz passar por todos, quieto. Annie ia tocar o amigo, mas foi parada por Calisto, que com os olhos vermelhos sinalizou para que olhassem atentamente o rapaz. Não era mais Peter... pelo menos, não o que eles conheciam. Seus passos são calmos, sua respiração é tranquila e sua aura é um imenso cão negro que exala ódio pelas narinas. Nas mão dele, uma flor de lírio, a favorita de Catherine, e ele, com pesar, carrega-a até a lápide da menina.

— Você ta bem ? — Sarah quebra a concentração dele ao tocar seu ombro. Ele retira a mão dela com pressa e ela se assusta. — Não vai me machucar, Peter, calma. — Ela mostra usa mão, um pouco vermelha pelo intenso calor que exala do corpo dele.

— Eu... vou ficar. — Ele larga a flor ao pé da lápide, levanta-se e sai andando.

— Não é o suficiente pra mim. — Ela olha para trás e vê que estão a sós, todos já haviam ido embora, alguns ainda olhavam para trás, mas eles tinham privacidade. — Eu sei que você e a Cathy tavam de rolinho, e sei que você foi o último a ver ela. Me conta o que aconteceu! — Ele desvia o o rosto mas ela segura com as duas mãos e faz ele olhar em seus olhos — Agora!

— Eu tava lá onde os sanguessugas se escondem quando ela me ligou. Xico não tava lá na hora e Stephen fez eu sair da alcateia como parte do trato. Corri pra fora do lugar e segui o cheiro do perfume dela até um mercadinho mas já era tarde. Ele sugou todo o sangue dela. Eu não sou mais um lobo, Sarah. É por isso que não encontraram nem o corpo dela nem o de Xico, pegamos fogo e depois explodimos. Tinha alguém lá comigo.

— E quem era ? — Ela perguntou.

— Eu! — Cain surge de trás de uma lápide e parou ao lado de Peter. Seu cabelo estava diferente, mais curto e ele pintara de vermelho, porém sua franja estava como sempre.

— Como é lindo ver confraternização! Dois pulguentos infernais e uma bruxinha. Peter, estou tão decepcionado com sua traição, quase chorei com a morte de Xico na noite passada. Pobre rapaz, só 15 anos, já decapitado. — Sarah se assusta com a informação passada por Gerard.

— Cain, quanto tempo exatamente eu levo pra me transformar num cachorro flamejante e matar esse porra ? — Peter diz estralando os dedos.

— 10 segundos! — O rapaz disse sorrindo e se sentou em uma lápide para assistir.

— Tem esse tempo pra fugir ou falar suas últimas palavras, morceguinho. — Ele disse e então começou a relaxar o pescoço, tirando o paletó e logo seu rosto era quase como o lobo, menos monstruoso, mais feroz. Seus caninos eram maiores, ele vira na direção de Cain e pergunta. — Quanto tempo sobrou ?

— 4 segundos... ele ta fugindo. — Peter se vira novamente e vê o borrão do vampiro correndo. Ele ruge e corre o mais rápido que pode atrás de Stephen. — Então, quer ficar aqui sozinha ou ir ajudar o Peter ?

— Ele vai precisar de ajuda ? Viu como ele tá forte ? — A moça disse confiante no amigo.

— Vi, ele ta realmente muito forte. Mas isso é como ser um lobisomem, só que se não sabe controlar, é como se todos os dias fossem luas cheias. Ele vai perder o controle e acabar matando alguém que não merece morrer. -

— Você ta sendo bondoso ? -

— Não, estou sendo benevolente. O chefe disse que alguns vampiros devem morrer, só isso. — Cain disse.

— Espera, chefe ? E alguns vampiros ? Vão sortear alguns e matar ? -

— O que ? Achou que eramos independentes ? Até as fadas tem uma líder, não é por sermos mais desleixados que elas que não temos quem dite as nossas regras. — Ele pisca e seus olhos se incandescem. — Outra hora a gente termina de te explicar. — Ele abraça a moça e se atira junto a ela em uma sombra, mas o limite não era o chão e eles o atravessam como um portal. O corpo dos dois passa pelo outro lado do portal e eles estão na floresta, à sombra de uma árvore.

— Isso foi estranho demais! — Sarah sente uma tontura repentina e senta-se no chão.

— Calma, na primeira vez é assim mesmo. Daqui uns minutos você fica bem já. Agora é só esperar.

— Esperar o que ? -

— Aquilo ali — Cain sinaliza para os dois borrões que corriam incansavelmente. Peter ia deixando um rastro de fogo e grama chamuscada para trás. Stephen para e Peter para à alguns metros dele. Os dois se encaram por alguns segundos até que o cinismo de Stephen volta a tona.

— Não é hoje que vai realizar o desejo de me matar, Peter. Sabe, as vezes eu pareço burro, mas acha que eu seria o suficiente para vir até aqui sozinho ? — Quando o vampiro termina de falar, sua filha mais nova, Mary surge de trás de uma árvore.

— É só isso ? Esse é todo seu reforço ? — Peter zomba da dupla.

— Não seja tão convencido, catioro! Aquele dia na toca dos seus lobinhos fazia uns dias que eu não me alimentava e, bom... — Ela faz uma pausa e limpa o canto da boca sujo de sangue. Peter sente um cheiro de sangue conhecido e olha atrás da árvore em que a vampira saíra, os corpos sem vida e uma gota de sangue de Max e Sabrine, betas de Pam.

— Cuide dele, minha filha, não quero esse pé no saco vivo! — Stephen diz e some da floresta.

— Trouxe convidados, garotinho! Gostei, quer que vejam a surra que vai tomar. — Peter ruge para ela. Cain encara o rapaz e se surpreende ao ver seus olhos voltarem ao normal e suas presas voltarem a ser caninos humanos.
— Primeiro, eu não convidei ninguém, que porra vocês tão fazendo aqui ? — Sarah da de ombros e Cain continua quieto. — Segundo, porra, catioro e garotinho ? Arruma uns xingamentos melhores, na boa.

— Você ta realmente me dando lição de moral pelo apelido que eu dei pra você ? Você ta fudido! — As veias dos olhos da moça ficam negras assim como seus olhos e ela parte para cima de Peter. Correndo para cima dele, ela o atinge como um jogador de futebol americano, o lançando ao chão e socando diversas vezes seu rosto. Ela tira ele do chão e toca ele longe e o coro do rapaz se choca com uma árvore. Ele se levanta estralando os ossos do pescoço, seu rosto já é novamente o do cão infernal e ele fala...

— Isso não vai prestar. — Ele ruge para ela e a batalha feroz recomeça com um chute que mirava o peito da vampira, lançando-a para trás. Ela crava seus dedos no chão para desacelerar o choque. Sarah e Cain ficam atentos às criaturas da florestas que por ali poderiam passar, montando uma espécie de guarda, Peter impedira os dois de se intrometer na luta, mesmo apanhando muito da garota. Sequencias de chutes e socos eram recebidos como impactos de balas por ele.

— Quem sabe você para de lutar como um lobo e luta como um demônio ? Vai ajudar se fizer isso. — Cain gritou.

— E como faz isso ? — Peter questiona.

— Nada de garras! — As palavras confundem Peter, permitindo o rapaz tomar um soco forte no rosto que o faz cuspir sangue. Ele vira seu rosto lentamente até ela e suas garras se retraem. Ele fecha o punho e pisca pra ela.

— Segundo round ? — Ela fecha as mãos e os dois vão lentamente um até o outro. Os socos e chutes recomeçam em uma velocidade muito alta, cortando o ar. Peter segura a mão dela e a lança novamente contra uma árvore.

— Agora eu te mato! — Ela encara os corpos mortos de Max e Sabrine. Movimenta suas mãos na direção dos cadáveres e uma pequena magia vai até eles e adentra o corpo dos dois. Os dois se levantam mas completamente diferentes. Seus corpos são brancos e veias negras são espalhadas pelos corpos dos dois. Seus olhos estão sem vida e eles rugem para Peter. — Matem-no! — Os zumbis partem para cima de Peter. O rapaz parte para cima dos dois e pula, chutando a cabeça de Max, sentindo os ossos da mandíbula se dilacerarem. Sabrine segura o outro pé de Peter e o lança ao chão de costas, antes que pudesse o acertar no chão, ele da uma rasteira nela e a derruba e se levanta em uma acrobacia rápida.

— É tudo o que tem ? — Peter sorri para Mary. A raiva estampada em sua face era mais do que suficiente para que o rapaz notasse a frustração da vampira. Ela novamente faz um movimento com as mãos e os corpos ao chão se tornam pura energia negra e ela as absorve. Peter, Sarah e Cain observam o ato curioso por parte dela. Seus olhos mudam uma segunda vez e agora são vermelhos como vinho, seu corpo é coberto de uma aura escura e é possível ver seu corpo mudando aos poucos. Quando a escuridão se dissipa, a nova forma de Mary surge. Negras asas de morcegos às suas costas, ela está um pouco mais alta e sua expressão é doentia.

— Isso é provavelmente uma das coisas mais poderosas que já aprendi a fazer. Vampiros não são só sugadores de sangue, alguns de nós tem o dom de sugar as almas também. Eu não sou a única da família que tem esse dom, mas sou a única corajosa o suficiente para fazer. E ainda assim, não é meu máximo, é só pra mostrar pra você que os lobisomens não são os únicos a evoluir! — Ela sorri sarcasticamente.

— Mas... quem te disse que eu evolui ? — Seus olhos brilham muito mais do que antes. Pelos começam a nascer de seus cotovelos até as mãos. Pelos negros e lisos e de repente o fogo nasce até a marca em seus braços. A camisa social se queima quase que por completo e Peter a arranca, lançando-a para o lado como uma bola de fogo. Ele rosna para ela e novamente ambos correm um na direção do outro. Ao se aproximar, Mary se torna uma nuvem de morcegos e vai para trás de Peter, chutando suas costas. Ele cambaleia para frente mas rapidamente gira, socando a barriga da moça. O fogo queima a blusa da campira, deixando a mostra parte de sua barriga.

— Era minha blusa favorita! — Ela diz irritada. Suas asas batem e ela levanta voo. No ar, ela gira com suas asas a envolvendo, quando termina o movimento, ela abre as asas e dezenas de facas negras voam na direção de Peter que se defende com os braços. Ao atingirem o braço dele, o fogo amolece o metal enegrecido magicamente e todas as facas caem ao chão, semi-derretidas. Mas seus braços não foram as únicas coisas atingidas. Sarah olha melhor o corpo do amigo e o vê todo perfurado. Ela grita seu nome e corre até ele, mas é parada por Cain que vê o perigo que aquilo acarretaria. As facas somem e, das cicatrizes deixadas por elas, pequenas brasas começam a sair. Peter cai sobre seus joelhos e seus olhos estão vidrados em Mary que sorri no momento. As pequenas brasas começam a crescer e se tornar erupções em pontos do corpo do rapaz. Bolas de fogo saem a cada erupção e a grama começa a pegar fogo ao redor dele.

— Ta, isso realmente não deu certo! — Cain diz observando Peter sem controle. O fogo aumenta cada vez mais e Mary da um último sorriso para o trio e então some dali. Sarah tenta chegar perto do amigo mas o calor já está muito intenso. A pele de Peter parece um vulcão, está cinza e com rachaduras em vermelhas como fogo, o calor exalando de seu corpo é intenso demais e as folhas das árvores começam a ficar secas.

— A gente precisa fazer alguma coisa, Cain! — Sarah disse preocupada.

— Não tem o que fazer, só esperar. — Cain fala mas então é cortado.

— Sinto o calor dele à 5 quilômetros daqui. Se ele esquentar por mais cinco minutos, queima a floresta inteira e o recanto das fadas! — Uma voz misteriosa disse surgindo por de trás dos dois.

— E quem é você exatamente ? — Ele perguntou.

— Alguém feliz! — Ela disse tirando uma jaqueta de couro preta. Estava com uma blusa branca com o número 01 atrás e escrito "Queen". Ela retira a camiseta também e fica somente com um top preto. O que mais intrigou Cain e Sarah foi o imenso par de asas laranjas que surgiram de suas costas. Elas levantou voo e foi lentamente até Peter, o calor pareceu não a incomodar nem um pouco. Ela esticou o braço com a palma da mão para cima e então todo o fogo no lugar foi parar em sua mão, criando uma imensa bola de fogo. Ela diminui a bola até ela ficar do tamanho de uma bala e se aproxima dele, apertando suas bochechas para que sua boca fique aberta e então, põe em sua boca. Os olhos do rapaz voltam ao normal e ele sente cicatrizes se fechando por todo seu corpo. Ele recobra a consciência e olha à sua volta. — Devia fazer algum mantra pra se acalmar, ajuda a não queimar a floresta inteira.

— Porra, Robin, o cara acabou de passar mal, deixa ele respirar um pouco. — Uma segunda voz aparece, dessa vez masculina e conhecida de Sarah e Peter e chocante ao mesmo tempo.

— Você não morreu 3 meses atrás não ? — Sarah pergunta para o rapaz. Math havia sido encontrado morto na escola após a explosão que também matou Dave, John e Miro.

— É uma longa história... espero que vocês tenham tempo! — Ele disse e seus olhos também ficaram laranjas como os de Cain e Peter.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.