Ocultas Na Escuridão.
8 Verdade silenciosa.
Notas iniciais
Hoje - acho - que não tenho muita coisa para falar. Mas, bem típico quero pedir desculpar por ter demorado mais que o necessário para postar, mas agora outra estória entrou na jogada, tirando praticamente minha atenção sobre "Sombras Divinas", sinto que este projeto será mais importante e vou querer todo mundo juntinho comigo! Vocês topam embarcar na minha nova estória logo depois do fim definitivo de Ocultas na Escuridão?
Sem músicas para o capítulo abaixo!
Nora
– Mas, olha só o que vocês me conseguiram? – Reverberou a voz de Hank por todos os quatro cantos daquele enorme galpão. Depois de alguns minutos em uma viagem tensa de carro, chegamos a um dos galpões “abandonados” de Mão Negra.
Estávamos no primeiro andar, uma parte do local bem larga, com os vidros quebrados, goteiras formando poças no chão. Escada que com o peso de muitos rapazes enormes que desciam rangia. Uma mesa velha e algumas cadeiras em torno da mesma e lá estava Hank, com uma beleza estonteante para sua idade. Seus olhos azuis causavam carícias terroristas por nosso corpo, a intensidade de seu olhar era tão grande, que eu não conseguia fixar meus olhos nos seus por muito tempo.
Os dois rapazes que supostamente nos trouxeram até aqui estufaram o peito e deram passos decididos em direção à mesa de Hank. Eles pararam e esperaram, Hank apenas olhou de um para o outro e depois fixou seus olhos em Patch.
– Vão para os dormitórios. Está chegando. – Hank ordenou. Ambos os rapazes levantaram os rostos encarando-o de um modo incrédulo, uma expressão refletindo-se na outra. – Nem abram a boca, ele é um Caído, ou melhor, O Caído, é complicado de admitir, mas vocês não trouxeram ninguém, ele trouxe a si e a nefilim-puro-sangue, vocês só serviram de motorista.
Uma risada reverberou pelo recinto, sem medo ou hesitação. E eu sempre reconheceria aquele timbre rouco. Patch estava rindo do comentário de Hank, e só parou quando a vontade de rir do momento se afastou dele. Hank não reclamou, o que me deixou perplexa. A mão de Patch alcançou a minha que estava fria devido ao medo.
Os dois rapazes afastaram-se e saíram pela mesma porta em que entramos. Os olhos de Hank pararam sobre mim e depois se voltaram para Patch.
– Você acha mesmo... – Ele indagou virando seus olhos azuis queimantes para mim. – Que vou desistir de trazer minha filha para cá? Você entregou-se de bom grado, e ganhei dois ouros perdidos em uma tacada só, mas isso não diminui a necessidade que tenho de trazer minha filha até aqui. Você está entendendo? – Ele indagou, dando fim a sua ameaça.
Quando fui movimentar a cabeça em sinal positivo, a voz de Patch parou meus movimentos, saiu decidida e sem falhas: — Ela entendeu sim. Agora, eu e você, Hank, precisamos conversar a respeito disso.
– Ora, ora. Era exatamente nisto que eu estava pensando. – Ele declarou. – Odeio conversas e tratos, mas sei que com você não pode ser diferente. E o que me dá vontade de te escutar, é que você a trouxe até aqui, sem hesitação alguma.
– Tenho uma proposta. Eu trago sua filha biológica, vocês fazem negócio e você solta... a solta. – Patch se corrigiu ao final de frase, olhou para mim de relance e voltou seus olhos para Hank.
– Estou de acordo. Mas, estou nesta cidade desde o início, com uma guerra armada contras os Caídos e não vou desistir, desta vez eu vou fazer vocês jurarem piedade sobre nossos corpos. Nada de juramento de corpos, ou você aceita isto por todos, ou haverá guerra e meu exército não é pequeno. A outra parte do meu exército quer algo muito maior e nos unimos para satisfazer nossas necessidades. Estou com ela e ela está comigo. – Ele terminou.
Patch disse algo que estava exposto desde o início. – Não posso falar por todos os Caídos e você sabe que propondo isso, está se colocando mais em risco do que nos colocando em risco.
– Acredite meu caro, a outra parte do exército é ainda mais poderosa do que imagina. Há coisa lá, que você nem sonha que exista. Há coisas e pessoas comigo que você irá duvidar quando enxergar.
– Vamos lutar. Mas, não somente Caídos, sabe que temos outros aliados.
– Mas, é claro, conheço este fato, também tenho outros tipos de aliados e não sou injusto. Traga o exército que preferir, mas a garota continua comigo, e a Batalha será decretada quando minha filha vir até mim.
– Fechado. – Patch selou.
– Não entendi nada. – Murmurei e arregalei os olhos em arrependimento.
– Explique seu ponto de vista. – Hank disse a apoiou os cotovelos sobre a mesa, segurando seu rosto com os punhos cerrados.
Mesmo achando impossível olhei no fundo de seus olhos.
— Essa Batalha toda é sem sentido, o que ganhará com isso?
– Quer que eu liste?
– Por favor. – Respondi arqueando uma sobrancelha.
– Meu próprio corpo e de meus aliados. A felicidade de minha aliada por conseguir completar seu plano de anos. Minha filha biológica governando esta parte da cidade para que eu possa tomar conta da próxima. E ganharei você, é claro.
– O que? Como? – Minha voz reverberou alta pelos cantos. Os músculos de Patch próximos aos meus retesaram-se. Ele sabia de tudo aquilo, sabia de tudo o que estava por vir, ah droga! Hank era um imortal! Ele não morre, pode se machucar e passar dias em um estado tenebroso, mas não morre! Como ele poderia nos colocar em risco de tal forma?
– Se eu ganhar prenderei a nefilim mais poderosa que eu, é claro. Você está atrapalhando tudo o que me envolve. – Ele terminou abruptamente.
– Estamos lutando por uma liberdade eterna, Anjo. – Patch murmurou puxando meu braço até que meus olhos encontrassem a perdição de suas órbitas negras, ali eu me perdia e para mim só havia eu, ele e seu par de olhos negros. – Essa Batalha será por nossa liberdade. Lembra que treina na Arena? É quase a mesma coisa, mas aqui é vida contra vida. Carne contra carne, poderosos contra poderosos, até que no fim... O comandante que cair de um lado, se rende ao outro. Conseguiremos. – Ele decretou e seus lábios mornos e úmidos tocaram minha testa quase imperceptivelmente.
Eu estava cansada demais. Com informações demais. Coloquei-me em risco; reencontrei Patch; com certeza terei de lutar por minha liberdade e teria de ficar trancafiada em um destes galpões. Passando fome, com dois sangues diferentes transcorrendo em minhas veias.
Aphrodite viria e aquilo acabaria comigo. Eu me pus em risco para salvar ela, que me tiraria daqui, mas agora, eu a estava arrastando para cá. Para a foça. Para o fim.
Minhas pernas fraquejaram e meus olhos pesaram. Dois Patch’s surgiram diante de meus olhos e eu me entreguei à escuridão que parecia morfina para o sofrimento. Mergulhei de cabeça naquela calmante, como um suco de maracujá perambulando pelo seu corpo e deixando-te trôpega.
Patch
Deixar Nora para trás não era algo simples e assim que entrei no dormitório feminino em busca de todos os amigos de Nora, foi como encontrar a luz no final do túnel, pois lá estavam todos eles. Aglomerados em um único sofá e o único corpo em pé, andando de um lado para o outro e chegando a suar frio, era Cameron. Aphrodite já deve ter contado que Nora foi levada, e como ele era resignado em protegê-la, estava completamente preocupado com toda a situação estendida.
Seus olhos verdes chamuscaram em minha direção e pude notar uma expressão de alívio, como se ele soubesse que tudo estava bem.
Quando nossas expressões refletiram-se uma na outra, pude ouvir sua voz em lembranças de um momento distante, quando eu ainda estava em baixo da Terra, no primeiro dia da queda: Sempre te manterei informado quanto a ela. Sempre a espreita, mas sempre informado. Aquela era sua promessa e ele a cumpriu até o fim dos dias da Queda, amanhã seria o último e enfim eu estava livre de uma prisão a qual eu nunca quis estar, mas soube da necessidade.
Depois, outra de suas falas me veio à mente. Naquela vez eu estava enclausurado em uma Jaula e Cameron chegou sorrateiramente na escuridão do recinto, sem que eu pudesse vê-lo e apenas reconhecesse sua voz. Sempre nos odiamos, mas naquela ocasião nossa parceria, para acabar com qualquer coisa que ameaçasse, tornou-se mais intensa e ainda maior, formando um elo invisível entre nós.
Você sairá daí. Todos nós tiraremos você daí, seu segredo estará a salvo novamente. Ou melhor, um de seus segredos. Ele foi irônico, mas soube que foi verdadeiro. Ele sabia que eu perto tornava as coisas ainda mais fáceis de seguir em frente.
Todos os rostos viraram abruptamente em minha direção e só então deixei de ver minha reação refletida na de Cam.
– Patch? – Aphrodite berrou.
– Ou prefere Jev? – Concluiu Vee, expondo um de meus segredos, ao qual descobriram sozinhas.
Não deixaria que ninguém discutisse tal assunto comigo, não fosse Nora, que fez tudo diferente do que pensei que faria. Acreditei que não se renderia ao meu toque e que puxaria uma discussão um tanto desnecessária, mas não foi assim, ela me tratou de forma reconfortante com seu toque morno e receptivo e me chamou por meu nome verdadeiro e não meu apelido como Caído, para me afastar do passado ao qual eu sempre fugia.
– Parem de encher o garoto. – Shaunee interviu.
– Obrigada Shaunee. – Eu disse olhando diretamente para ela.
– Disponha. – Respondeu.
– Cameron conte você. – Aphrodite pediu com a voz trêmula.
– Ele já sabe. – Cameron respondeu. – É ele que tem algo para contar.
– Ah, com certeza. – Eu respondi. – E para pedir também. Stevie? – Chamei.
– Sim? – Ela indagou levantando-se rapidamente e encarando-me diretamente.
– Você comandará um círculo em pedido a morte de Mão Negra e explique os motivos. Diga que ele capturou Nora, para sua própria proteção e dos seus. Diga também que ele pretende mantê-la em cativeiro, provocando a morte da mesma, para que ele continue com suas tramoias e diga que ele está com Aphrodite. – Terminei olhando em seus olhos enquanto a mesma balançava a cabeça para frente e para trás.
– Vou buscar Gabbe, mas porque tudo isso? – Indagou interrompendo seus passos.
– Estou aqui. Não estou com Mão... Ah droga! Eu não posso ir! – Aphrodite respondeu notando o que supus com as ordens.
– Quer Nora de volta, Afro? – Cam indagou aproximando-se da mesma. Ela acenou em positivo estendo os braços e tocando suas mãos nos ombros do mesmo. – Então terá de colocar-se em risco, como ela fez com você.
– Haverá Batalha Stevie. E se você não pedir a autorização ao menos para a morte de Hank, não conseguiremos vencer a mesma. — Encerrei
– Tudo bem. – Ela acenou com a cabeça e deixou o cômodo de uma forma decidida.
Quando voltei meus olhos para o casal da vez – o que era tangível na atmosfera do local -, Cam já havia acalmado Aphrodite, mas a mesma ainda estava com o rosto inchado, a mesma me olhou nos olhos e sem uma palavra sequer pude entender o que se passava ali. Seus olhos estavam emotivos e carregados de comoção e compreensão. Ela havia aceitado e mesmo sendo difícil para si, ela se entregaria.
Stevie
Gabbe estava ao meu lado no muro com ponto de poder da Morada. Estávamos virados para a direção certa e os elementos já foram solicitados. Eu podia sentir a terra ao meu redor, preenchendo-me e eu apoiei-me nela, enquanto eu e Gabbe esperávamos impacientemente.
– Vocês sabem que isso exige muita força e coragem. – Uma voz feminina carregada de afeto tomou forma.
Abri os olhos e encontrei uma loira estonteante diante de meus olhos. Seus cabelos caíam em cachos ao redor de seu rosto bronzeado. Um tom verde se alastrava por seus olhos, tomando conta de toda a beleza ao redor. Um queixo bem desenhado pontilhava a parte inferior de seu rosto, com as bochechas altas e avermelhadas naturalmente. Lábios grossos e marcados profundamente no rosto. Cada detalhe parecia ter sido desenhado.
– Sim, sabemos, mas também sabemos da necessidade. – Gabbe respondeu por mim.
– Entendo, Gabbe. Mas preciso que você, Stevie, faça o pedido. – Ela disse e me fitou com paciência. Eu lhe devolvi o olhar e libertando-me de meu torpor inicial, por conta de sua beleza estonteante que acabava com tudo ao redor em torno de nós, eu umedeci os lábios.
– Sim, farei a solicitação da morte de um nefilim. – Eu decretei, mas sabia que não seria tão fácil.
– É só dizer os motivos. Veremos os seus conceitos unidos aos nossos. – O tom de sua voz não saía do cético e era como se ela não piscasse.
– Não sou somente eu que preciso disso. Os caídos, nefilins, humanos e qualificadores necessitam de sua morte. Ele capturou uma Qualificadora com o ponto das Trevas de nefilim-puro-sangue e está mantendo-a em cativeiro, apenas por ela ser mais poderosa que ele e ameaçar sua própria integridade e continuação de sua Irmandade. Ele também está prestes a pegar sua filha biológica para deixar que ela comande a sua Irmandade daqui, mesmo ela não aceitando. Ele está usando forças que nós não podemos atingir e quer Batalha, junto com alguém que desconhecemos, para atender as suas necessidades e as desse aliado...
– É informação suficiente. — Ela disse, interrompendo-me abruptamente.
A última coisa que vi com clareza foi seu sorriso, pois depois de suas palavras colocando um fim nas minhas, meus pés não me obedeceram e oscilaram sob minhas pernas e eu caí, sem mais nem menos e sem tempo de tentar reverter a situação. Meus joelhos atingiram o gramado e senti toda a força e poder se esvair de meu ser.
Meu peito deu um solavanco e por fim meu torso atingiu o chão, a grama gélida tocava meu rosto em uma carícia silenciosa e eu ouvia ao longe: “Stevie, pelo amor de Nossa Deusa.” Era a voz de Gabbe, identifiquei, mas não sabia o que estava acontecendo. Meus olhos ficaram semicerrados absorvendo parte da imagem da Deusa diante de meus olhos. Ah, como eu queria aproveitar aquele momento, suas feições sorrindo docemente para mim, não só os lábios como todo o rosto.
Ela estendeu uma mão na minha direção, fazendo com que uma luz resplandecente nos envolvesse e durante todo este trajeto eu não senti medo, eu não senti dor... Meu corpo foi preenchido por uma felicidade inexplicável.
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