Ocultas Na Escuridão.
4 Surpresas.
Notas iniciais
A história não é bem escrita, alguns vão discordar comigo, mas ela não é bem escrita. Acho que alguns escritores aqui de fictions poderiam fazer uma bela revisão e a história ficaria muito mais rica em detalhes e tudo o mais. Mas, o desfecho e a trama são ótimos! Nós nos vemos fissurados por Steele e por Grey. Ele é um tudo com ela. Tem medos escondidos que bem no final revela para ela, o que parte de confiança apenas com ELA. É inexplicável esta incrível história romântica. Amei e recomendo bastante! Agora, vamos tentar manter aqui hein?!?!?!
Cameron
— Pode fazer uma coisa por mim e por Nora? – Perguntei a Aphrodite que estava estirada sobre o sofá da sala do dormitório feminino. Seus olhos se levantaram em minha direção.
— O que te leva a pensar que vou fazer algo por você?
— Enfim, continuando, poderia ocupar a mente dela com outras coisas. – Opinei erguendo uma de minhas sobrancelhas. Ela se sentou ereta no sofá, sem desgrudar seus olhos dos meus e enfim deu de ombros.
— Qualquer coisa para tirá-la daquela foça. Não aguento mais vê-la afogada em pensamentos. É entediante. – Ela disse e novamente deu de ombros para a situação.
— Converse com ela sobre a amiga dela daqueles túneis.
— Sobre Ariane? Mas, o que eu diria sobre ela? – Indagou movimentando um ombro.
— Ué. Vocês querem tirá-la de lá. É um assunto que vai empolgar Nora.
— Porque você não faz isso? – Perguntou ríspida e jogou seus cabelos dourados grossos para trás de seus ombros.
— Se estou pedindo para você é porque não vou fazer. – Respondi no nível de sua repulsa.
Ela fingiu prestar atenção em algo na sua unha. Deu de ombros. – Por mim tanto faz. Só acho que fica todo estranho quando o assunto é Ariane.
Só então seus olhos se levantaram e fitaram os meus profundamente. Algo se impulsionou em mim e ignorei a sensação.
— Não precisa se preocupar comigo. Só com Nora.
— Não estou preocupada com você. – Ela disse e franziu os lábios.
Disse o que disse por saber como seria sua reação e veja bem, realmente deu certo, desviamos o assunto.
— Peça por favor também. – Ela brincou. Eu ergui uma sobrancelha e ela riu mostrando-me seus dentes alinhados. O timbre gostoso de seu riso me fez rir também e naquele instante soube que aquele mesmo momento poderia acontecer por muitos e muitos anos.
Nora
Os dias se arrastavam juntamente com as horas. Fazia oito dias que Patch havia ido e seis dias de queda. Desde então, não recebi notícias de nenhum dos lados.
Quanto a Patch, nunca mais senti sua presença oculta junto a mim. Quanto à queda nunca mais senti tremor algum, ou senti a presença de algum e era por este motivo que eu ficava trancada em meu quarto e imersa em pensamentos.
Sei que era errado comigo e com quem me rodeava, mas... Eu não conseguia reverter a situação e simplesmente deixava acontecer. Eu não tinha mais tanto animo para com as coisas. Elas pareciam não ter mais cor como antes. Eu sei que ele retornaria, sinto isso... Mas, só não consigo ficar tanto tempo longe daquele com quem tenho tanta ligação.
Então, estar perdida em meus pensamentos era melhor do que...
— Vamos sair desta foça! – Disse a voz de Aphrodite cantarolando enquanto fazia um furacão em sua entrada no quarto. Sim, estar perdida em meus pensamentos era melhor do que aquele alvoroço. – Vamos, vamos! – Continuou chamando.
— Aonde Aphrodite? – Minha voz soou rouca e com um pouco de esforço soltei um sorriso amarelo.
— Eca. – Murmurou com o rosto enrugado. – Você está rouca! Eca de novo! Está com olheiras. – Ela continuou com seu cenho franzido.
— Eca. Você continua sendo uma maldita dos infernos. – Imitei seu tom. Aphrodite riu. Riu de verdade e eu me impressionei com suas bochechas ruborizadas.
— Temos um lugar para ir! – Ela disse animada novamente me puxando pelo pulso.
Ah, eu não iria. Não iria sair hoje, não sem Patch.
Mas, algo dentro de mim se dissolveu e meu ponto ardeu depois de muito tempo. “Pela primeira vez desde que a conheci, ela está fazendo uma proposta adorável.” A voz rouca de Patch sussurrou dentre os meus devaneios. De início ela veio sorrateiramente, mas ao fim da frase era possível vislumbrar seu torso apenas de boxer enquanto sussurrava as mesmas palavras ao pé do meu ouvido. Sorri sozinha.
— Eca. Tá ficando louca agora, sorrindo sozinha. – Continuou indignada.
— Continue com sua ideia. – Propus enquanto me ajeitava em minhas cobertas e afundava em meu colchão quente.
— Vamos ver sua amiguinha vermelha. – Disse apenas enquanto sem a menor autorização abria meu closet e sumia, depois retornava com algumas peças de roupa. – Tire este trapo e ao menos tente melhorar. – Ela terminou e jogou a muda de roupa sobre meu rosto.
— Ótima pontaria. Mas, o que vamos fazer lá? Cam tem de ir lá primeiro. – Disse dando de ombros, e com um pequeno lampejo de felicidade por saber que reveria uma de minhas amigas comecei a me despir.
— Foi ele quem deu a ideia. – Disse apenas e deu de ombros, enquanto seus olhos focavam no nada atrás de mim, relembrando alguma coisa.
Após vestir o jeans com uma camisa vermelha solta, foquei meu olhar no seu ainda submerso em lembranças.
Estalei meus dedos em frente aos seus olhos. – Estou pronta.
— É, até que melhorou. – Deu de ombros levantando-se e saindo do quarto.
Não que a vontade de sair tivesse surgido repentinamente, eu estava saindo por uma causa justa e por uma promessa que havia feito a mim e a minha amiga Ariane. Eu iria lá para começar com o processo de retirar a mesma daqueles túneis péssimos.
Os arredores da cidade por qual passamos estavam escuros e sombrios. Estávamos finalmente em uma parte de mata densa do local. Aphrodite abriu o zíper de sua gigantesca bolsa rosa e retirou dois sobretudos de ceda negro.
— Vista isso, como quando eu fazia com você. – Ordenou.
Eu obedeci por uma boa causa e depois de vestidas seguimos com passos firmes e cobertas com o capuz até a entrada da caverna. Aphrodite parou por alguns instantes e olhou para cima fazendo um simples sinal com a cabeça, acompanhei seu olhar e avistei uma figura negra sobre o “teto”. Seguimos em frente pelos corredores até que Aphrodite parou abruptamente novamente.
Aquilo já estava em um nível baixo de irritação. Acompanhe meu raciocínio, você está andando com alguém a sua frente e ela simplesmente para sem aviso algum em menos de cinco passos. Era melhor ter ficado lá fora, até poder seguir em frente sem interrupções.
— Sim, senhora? – Uma voz grossa surgiu. Torci o pescoço e olhei por cima do ombro de Aphrodite, lá estava um dos seguranças da minha “jaula”, da qual não sentia a mínima falta.
— Já disse para não me chamar de Senhora e sim de Senhorita. – Exigiu Aphrodite. – Retire Ariane Alter de onde está e leve-a para aquela sala que sabemos qual é. – Continuou com instruções.
O rapaz grandalhão nada disse e seguiu com passos firmes até sumir em uma abertura a nossa frente. Aphrodite seguiu ainda mais adiante e depois de alguns poucos minutos andando praticamente em círculo entramos em uma porta negra e improvisada e permanecemos por lá aguardando.
Um clarão entrou no cômodo quando a porta foi aberta pelo grandalhão e Ariane surgiu diante de meus olhos. De início ela pareceu assustada e confusa. Quando olhou para Aphrodite demonstrou repulsa e susto, mas quando seus olhos se repousaram em mim demonstraram susto e logo depois reconhecimento.
Seu típico sorriso se abriu.
— E não é que deu mesmo certo? – Ela disse de início e sem mais delongas seus braços rápidos enlaçaram minha cintura em um abraço repleto de afeto ao qual eu correspondi abertamente, podendo sentir seu cheiro de guardado. – Veio me buscar? – Perguntou-me diretamente, sem devaneios, eu acenei em positivo com um sorriso no rosto.
Aphrodite pigarreou nos tirando de nosso reencontro. Ambas viramos o rosto em sua direção.
— Fala sério! Essa é a novata? – Ariane perguntou olhando Aphrodite dos pés a cabeça. – Se bem que você gosta de desafiar, isso é sua cara.
— Tenho de te explicar algumas coisas. – Aphrodite disse enquanto ignorava todos os comentários de Ariane. – É melhor sentar, vai demorar um pouquinho até você entender.
— Eu entendo as coisas rapidamente. – Ariane devolveu.
Ambas sentaram-se de frente, como eu e Aphrodite fizemos durante alguns dias. Eu me sentei em um canto no chão e deixei que Aphrodite explicasse tudo que houvesse necessidade de ser explicado.
Após alguns instantes Aphrodite parou com a explicação e suspirou.
— Então Nora vai me tirar quando? – Depois de toda a explicação foi a única coisa que Ariane conseguiu perguntar.
Aphrodite engoliu em seco e umedeceu os lábios. – Não vai ser Nora quem vai te tirar daqui, será Cameron.
Os olhos de Ariane se esbugalharam e ela olhava de Aphrodite para mim, por diversas vezes.
— Como? – Ela perguntou olhando em meus olhos.
— Eu não posso. Tenho sangue de nefilim, isso poderia matar você. – Expliquei.
— E só sobra... ele? – Sua última palavra saiu com nojo.
— Sim, só sobra ele. Porque você só teve contato com ele antes de morrer.
— Mentira! – Tentou se defender. – Eu tinha outros amigos.
— Quero dizer quando caiu e não dias antes de morrer. Sua ligação é mais forte com ele e é mais certeza que dará certo com ele, entende? – Aphrodite indagou e sua sobrancelha loura se ergueu.
— Não o quero. – Ariane disse apenas em um suspiro.
— Ou ele, ou continuará aqui aos mandados de Laurel. – Aphrodite disse e cruzou os braços.
— Não... Isso...
— Vamos te dar um tempo. – Eu interrompi e quando as duas me olharam com sobrancelhas erguidas dei de ombros. – Vamos dar algum tempo até você se acostumar com a ideia. Depois segue todas as ordens de Aphrodite e só precisa passar um pouco tempo com Cameron.
— Por mim tudo bem. – Aphrodite se rendeu.
Ariane hesitou e fitou o chão, depois o teto. Mordeu a lateral de seu lábio e me olhou nos olhos. – Então tá, né. Tenho de sair daqui. – Ela soou decidida.
Então um dos planos para tirar um dos vermelhos das mãos de Laurel estava feito. Retiraríamos Ariane o mais rápido possível dali para lidarmos todos com os problemas que ameaçavam invadir.
O caminho de volta estava sendo longo. Nada dizíamos enquanto sentíamos o carro de Aphrodite balançar sobre a estrada. Talvez nossos pensamentos estivessem focados no mesmo assunto, mas duvido muito que seja realmente verdade.
Pessoas diferentes, sonhos distintos, assim como pensamentos.
Uma música suave tocava baixa no som de Aphrodite. Seus dedos batiam no volante na batida constante da música. Repentinamente a mesma me olhava com as sobrancelhas erguidas e os lábios franzidos, e também repentinamente sinto meus sete pontos serem puxados e devolvidos ao local... Estávamos sendo observadas. Quase no mesmo instante viramos para ver se havia algum carro nos perseguindo, mas só havia a pista que havíamos deixado para trás, não havia veículos.
Olhei pela janela do meu lado do veículo e Aphrodite pelo seu. Quando voltei minha atenção para frente uma forma de um homem se materializou devido as luzes do carro de Aphrodite, a mesma o freou, talvez pelo medo de atropelar alguém, mas era tarde demais, pois o capô do carro conseguiu tocar nas pernas do homem que caiu para trás, fraco.
Saímos em disparada do carro para ver se o provável mortal precisava de ajuda, mas assim que nos aproximamos ele estava se levantando e limpando a terra em seu terno todo branco. Calças, sapatos, camisa e blazer.
O reconhecemos pelos olhos violetas. Era Daniel Grigori. Meus olhos se esbugalharam ao reconhecimento.
— Tem de prestar atenção enquanto dirige. – Ele disse fitando Aphrodite com o maxilar trincado.
— Tem de tentar voar mais alto. – Aphrodite rebateu.
— Caí, não tenho asas. – Explicou.
— Caiu? Você só desceu para procurar o tal de Jev. – Eu disse olhando de Aphrodite para o anjo.
— É por isso que estou aqui.
— Ahn? – Murmurou Aphrodite.
— Sinto a presença dele em você. – Ele disse se aproximando sorrateiramente. Ficou ainda mais perto e tive de torcer o pescoço para cima para poder fitar seus olhos. – Sinto o cheiro dele sob o seu. Você o esconde. – Seu tom estava ameaçador e podia sentir sua respiração densa batendo contra meu rosto.
— Até parece um cachorro para estar farejando o cheiro de tal forma. – Disse Aphrodite fitando a cena de longe.
Talvez sua intenção tenha sido aquela realmente, mas eu não esperava que Daniel desgrudasse seu olhar do meu e pegasse Aphrodite pelos ombros jogando-a contra o capô do carro. Até então eu estava completamente com a raiva controlada, mas então eu não pude resistir, pois agarrei Daniel pelo pulso e o arremessei para o mais longe possível de Aphrodite.
Daniel se levantou e com passos firmes chegou rapidamente diante de meus olhos. Ele ainda fitava Aphrodite que estava atrás de mim com as mãos em meus ombros.
— Eu tenho apenas quatro dias para encontra-lo...
— Daqui há algumas horinhas será três pelas as minhas contas. – Interrompeu Aphrodite.
— Eu só volto para lá. – Ele disse e elevou o rosto em direção ao céu. – Quando eu estiver com Jev em minhas mãos.
— Está perdendo tempo conosco então. – Eu disse com os lábios prensados.
— Não estou. Já disse que sinto Jev em você. – Novamente aquele assunto. Como ele poderia sentir a presença de um anjo que caiu há milhares de anos em mim? Se ainda fosse Patch, Ariane, Cameron, Dabria ou até mesmo Rixon, tudo bem... Agora este Jev? Impossível!
— Nossa! Isso já tá ficando irritante. – Interveio Aphrodite. – Quer achar Jev? Vá até Jev e não onde pensa que ele está. – Ela falou rispidamente, mas com as palavras corretas. Ela estava certa e pelos olhos de Daniel notei que ele também percebeu aquilo. Ele engoliu em seco sem tirar os olhos de Aphrodite. Depois de alguns instantes deu alguns passos hesitantes para trás.
— Mas, saiba. – Ele começou ainda dando passos para trás sem tirar seus olhos de nós. – Que se eu não o encontrar. Volto para buscar ele por meio de você. – Ele completou apontando seu dedo longo em minha direção e virou as costas andando ainda mais rápido que o possível.
— Eu hein! Esse cara é louco. Talvez a Queda tenha feito mal a ele. – Aphrodite disse.
Mas, enquanto andávamos até o carro para poder entrar e finalmente ir embora, senti meu sétimo ponto repuxar diversas vezes, ele estava tenso. Patch estava tenso, talvez... ele conhecesse Jev e estivesse com medo que Daniel o encontrasse. Esta foi a desculpa que dei para mim e para Patch, mas lá no fundo, eu sabia que a verdade arrebataria tudo novamente. Como sempre fizera.
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