Ocultas Na Escuridão.
1 Prólogo - Rubro.
Notas iniciais
Link, novamente: https://www.youtube.com/watch?v=zFROyp-_88c
O céu estava em um negro absoluto; escondido. Não era noite. Era dia e era por este motivo que Aphrodite, Stevie e eu estávamos perplexas.
Nuvens pesadas cobriam o azul natural que o céu deveria obter neste instante. Aquilo representava meus próprios sentimentos: Era como se o Céu estivesse sentindo dor; a dor da perca. Assim como eu. É claro que eu entendera os motivos de Patch. Talvez, poderíamos listar o porquê de eu entender. Por exemplo, por estar escondendo alguns milhares de coisas de mim, por ter optado por ficar distante de mim. Quando tentamos guardar um segredo de alguém e ficamos próximos desta pessoa, tudo se torna impossível. Quem sabe distante não ajude? É claro que quando sinto meu sétimo ponto morto; sinto-me mal, por pensar em tal possibilidade, mas posso sentir que ele sabe que estou bem e com isto, ele também ficará bem.
Confio em Patch. Mesmo com seus segredos tão bem guardados e com todo o mistério de seu passado, eu confio nele e sinto que ele também confia em mim. Não é por aí que um relacionamento começa? Com a confiança? Tínhamos o início, a base.
— Caraca! Está tudo muito preto. – Exclamou Stevie.
— Nossa, quanta novidade, caipira. – Resmungou Aphrodite.
Ambas sempre discutiam e Aphrodite não conseguia mais largar este apelido “carinhoso” – para ela – de Stevie.
— Posso dizer uma coisa? – Indagou Stevie. Nossos olhos ainda fitando o céu acima de nós. Estávamos na sacada do quarto de Aphrodite, o qual ainda continuava com aquele ar de “Milady”.
— Diga lá. – Murmurei sem quase mover os lábios.
— Lembra no círculo? – Acenamos em positivo já olhando para seus olhos azuis aflitos movendo-se de um lado para o outro. – Então... Estou sentindo algo...
— Tente prosseguir com seu pensamento. – Indicou Aphrodite quase doce.
— Acho que hoje é o primeiro dia. O dia da Queda. – A esta altura Stevie já estava sussurrando. Seu cenho enrugado e o olhar embaralhado em confusão com seus próprios sentimentos e questionamentos do que poderia ou não estar acontecendo.
— É. O Dono do Mundo disse mesmo que você sentiria. – Aphrodite disse retornando ao típico tom.
— E estou sentindo. – Murmurou Stevie.
— Só pode ser verdade então. Vieram encontrar o tal de Jev. – Disse voltando a fitar o céu. E lá em cima, a uma distância longa, podia-se ver alguns flashes de luzes que sumiam por trás das nuvens densas e reapareciam em contraste com o céu negro.
— Meteoros? – Gritou Aphrodite.
— São os Arcanjos. – Sussurrou Stevie. – Tenho certeza. Sinto a presença de mais de um aqui em baixo. Ao menos ainda no céu. A queda foi longa. – Murmurou as últimas palavras.
— Então está acontecendo. Irão encontrar Jev e um dos problemas estará resolvido? – Indagou Aphrodite.
— Acredito que com toda esta confusão, mais surgirá. – Terminou Stevie, falando em voz alta os meus pensamentos.
Nosso sexto sentido aumentava quando éramos Qualificadores e posso afirmar que agora ele indicava que mais problemas e dores surgiriam de todos os lados possíveis e impossíveis.
Patch
- Estão chegando. – Murmurou a voz grave conhecida ainda fitando o céu por uma das aberturas do teto.
Estar em baixo da terra com os Arcanjos por todos os lados é o melhor local para se estar. Não estava no Salão de Jogos Delphic, poderia afirmar que estava longe... muito longe.
— Consigo ouvir daqui. Desgrude-se desta abertura. – Ordenei.
Como sempre o rapaz não me obedeceu e ainda conseguia me perguntar, porque continuava a lhe dar ordens. Eu devia ter me acostumado, afinal, havia encontrado alguém que batia de frente comigo. O que sempre fora difícil de encontrar.
— Está segura. – Murmurou apenas, sabíamos de quem estava falando. Ele conhecia ela há mais que eu. Conhecia seu temperamento difícil e também sabia o que estava por vir.
— É por isso que ainda nos encontramos, para que você me mantenha informado sobre tudo a seu respeito. – Disse novamente sentindo a brisa passar pelas aberturas do teto e bater contra meu torso nu. Aquele local era quente e era – também – por este motivo que era tão insuportável para os Arcanjos.
— Sempre te manterei informado quanto a ela. Sempre a espreita, mas sempre informado. – Disse e pude notar sua voz mais próxima. Ele havia largado de olhar arduamente pela abertura do que era teto para mim e chão para os de cima.
— Estarei de volta o quanto antes. Minha aura afastará a de quem lhe procura. Por enquanto, fará isto por mim e também por ela. Mantendo-a salva.
— Tudo bem, que com aquele modo de ser, ela pode cuidar de si. Só não posso deixa-la sozinha. É como uma obrigação para mim. – Sua voz ficou melancólica ao falar dela. Ao falar de quem protegíamos juntos, ao falar daquela que sempre protegeríamos.
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