Notas iniciais
Hoje eu estou muito culta AND clássica. Então, quero que vocês leiam este capítulo BOMBÁSTICO (no meu ponto de vista) com uma música de 1992: Where is my mind? - Pixies. Até certos pontos da tradução fazem sentido. Espero que vocês curtam, estamos quase no fim ]= Obrigada Viih, pela recomendação linda demais! Seu gesto foi muito fofo ♥

Patch

Estava desorientado e, quando pensei que Scott havia me atingido fundo no peito, fui parar misteriosamente em um quadrado branco. Abrangendo a luz de todo o Mundo. Meus olhos doíam se olhasse para um ponto durante muito tempo.

Um homem loiro com olhos azuis caminhou em minha direção. Roupas brancas o cobriam dos pés a cabeça, era um Arcanjo. Disso tive certeza. Sua postura rígida, emitindo um poder que reconhecemos de longe. E mesmo sem estar lá, sua auréola emitia uma luz maior que a própria sala.

— Jev. – Chamou e olhei em sua direção. – Não, rapaz. Você não morreu. – Respondeu aos meus devaneios, as minhas perguntas internas que me desesperavam. – Mas viemos lhe dar uma chance. Volte para nós, para seu posto. Abrimos mão de seu passado e você será nosso Arcanjo da Verdade novamente. Volte, Jev.

Ponderei. Aquilo poderia ser bom para Nora. Trazê-la para a vida a força. Mas aquilo seria injusto comigo. Não podia e não queria abrir mão de minhas lutas. Olhei profundamente em seus olhos, em uma tentativa de que ele me entendesse, como os Arcanjos faziam. Uma conversa por olhar, que nos leva pelo caminho sinuoso da alma.

— Não vou ganhar nada com isso. – Rebati. – Não aceito. De novo.

— Pensamos que esta seria sua resposta e é por isso que há um destino para a escolha. Com um sim, você simplesmente volta para suas origens, com tudo embarcado em sua mente. Se você recusa, se esquecerá de sua verdadeira amada. A mente apagará esse breve sentimento. E, se ele realmente for verdadeiro, você simplesmente se lembrará de seus momentos juntos e de toda esta história. Você estará oculto na escuridão de sua mente em turbilhões.

— Nos reencontraremos...

Mas não terminei a frase. Cai, como se uma cratera houvesse se aberto sob meus pés. Uma escuridão conhecida me envolveu e comecei a ficar nu e ferido aos poucos. As roupas foram voando junto com o vento que bagunçava meus cabelos. Deixando-me em carne viva. Deixando minha pele a vista. Algo pinicou em minhas costas; como se eu estivesse caindo novamente. Eu nunca entenderia um Arcanjo e suas propostas. O vento arranhava meu rosto e ressecava a pele de minha mão.

A voz de Nora encheu meus ouvidos. Arrepiou minhas entranhas. Seu sorriso enorme se acendeu em uma imagem fugida e soube que aquilo era uma despedida em filme. Eu nunca havia sentido tanto desespero. Escolher e perder. A primeira vez que a vi. Quando a carreguei em meus braços. Nosso primeiro beijo nos subterrâneos. O tempo cuidou do resto e soube que provavelmente nunca nos encontraríamos. Provavelmente, nunca sentiria seus lábios finos pressionarem os meus com desejo. Ou nunca sentiria suas pernas em torno de mim, enquanto nos uniríamos em um.

Nunca mais escutaria sua risada dentre os murmúrios de estranhos. Nunca sentiria sua mão delicada em minha face ou passeando despreocupada em meus cabelos. Nunca tocaria seu rosto novamente. Ou talvez, meu coração nunca mais sentisse o que sentia por ela. Talvez eu não quisesse mais protege-la. Tive medo. Ela me fazia sentir medo do futuro e eu nunca fiquei tão espantado em toda minha vida. Com a breve e última visão das cicatrizes em seus braços que me salvaram.

Mas, a última imagem que me preencheu, foram seus olhos assustados. Com desespero por me deixar para trás e ter de correr com Aphrodite pela mata. Me agarrei àquele breve sentimento imposto por nossos corações a distância e um ponto se apagou do centro de minhas costas. Não estávamos mais unidos por ele. Mas pelo o que sentíamos um pelo outro. Eu sempre estaria com ela, não importa o que visse. Nos encontraríamos e eu me lembraria de tudo.

Me lembraria de tudo o que? Do que me lembraria... ?

Nora

Três semanas mais tarde...

A Morada não estava um caos como imaginei que estaria. Os dois primeiros dias foram mais difíceis.

Nem eu sabia meu posto naquele instante. Ter de tomar atitudes severas não combinava comigo.

Olhar para Aphrodite desacordada não era algo bom para se fazer, mas não encontrava um outro ponto de equilíbrio em nenhum outro local da Morada.

Qualificadores choravam desesperados pela perca, alguns até olhavam torto para mim, como se eu fosse a grande culpada. E o pior daquilo tudo, era que eu me sentia realmente desta forma.

Carregando a culpa de todos da Batalha. Carregando a culpa de Hank e até mesmo a de Laurel, que fora morta por aquele colar vermelho com um pingente de Aphrodite.

Transferi meus olhos para aquele que consistia em uma faixa e que se tornou seu instrumento mortal. Inicialmente senti náuseas por ver resquícios do sangue de Laurel, negro, pendendo na ponta. Me levantei da cadeira com o assento já quente, pelo tempo em que estava na mesma posição.

Passei minhas mãos quentes em contraste com a pele gélida de Aphrodite. Engoli um soluço, reprimindo, ou tentando, toda a dor por ela. Que arriscara tudo de importante por mim e por terceiros, e não apenas por si. Cameron estava abalado, então o pessoal e eu dissemos para que ele ficasse nos subterrâneos da Sala de Jogos Delphic. Ele estava lá, na companhia de Rixon e Shaunee.

Toquei a fita quente pendurada no pescoço de Aphrodite e um arrepio percorreu todo meu braço, chegando a todas minhas cicatrizes. Todas provocadas por Patch. Tanto as que lutei por ele, quanto as que o próprio causou em mim.

Estava indo por partes. Não querendo chegar ao momento em que descobriria o que realmente havia acontecido a Patch. Mas sabia, que quando desmaiara ainda no descampado, que havia perdido nosso compartilhamento de pontos.

Vee e Scott estavam fora desde o dia da Batalha. O mesmo preparava seu novo local de trabalho depois de transformado. Agora os neflins reverenciariam ao seu comando, pois, ninguém mais do que ele, é capaz de colocar ordem nessa raça. Proteger os humanos e os afastar dos Caídos. Eu havia optado por aquilo e ele aceitou com um sorriso no rosto, enquanto Vee agarrava seu braço com extremo orgulho. Ela era sua Companheira, é como os casais se chamam na Morada.

Daniel era Companheiro de Stevie e, depois de transformados, ambos tinham um quarto separado, por serem professores de uma nova matéria: angelical.

Sim, depois da Batalha, recebemos muitos novos Marcados. Confusos e perdidos. Os Qualificadores sobreviventes foram para locais diferentes, continuando a estudar suas espécies longínquas, pensando no que fazer daqui em diante. Muitos mantiveram-se aqui, sem querer largar suas raízes. Eu fui uma delas, que diferente de Shaunee, que vive com Rixon agora, fiquei aqui. E não só porque fui obrigada depois da morte de Laurel e assumir seu posto de Grande Sacerdotisa, mas porque meus elementos me sussurraram que aqui era o meu lugar. Cuidando dos meus pequenos novos Qualificadores.

Damien cuidou da aula que Laurel tomava conta, ensinando-lhes com vigor tudo o que havia aprendido e mais um pouco.

Depois da Batalha, trouxemos as crianças, não mais encantos, para cá. As mesmas adoraram os cavalos e receberam os pontos, permanecendo aqui, em uma nova ala para crianças e menores. Era um prazer tê-los correndo para cima e para baixo atrás de borboletas. Ou comendo no colo de algum Qualificador, aquelas espécies sim, nos traziam paz.

Retirei a mão do pingente prata de Aphrodite e um resquício de sangue seco se soltou da ponta. As pálpebras de Aphrodite se moveram, simples assim. Seu lábio inferior tremeu e senti que ela lutava para acordar. Para permanecer conosco.

Mas... como? Toquei no colar novamente. Nada. Impaciente, passei a unha pelo pingente, tirando mais sangue preto e seco de lá. O rosto de Aphrodite se enrugou, em uma dor inexplicável. Os arredores da ala de cuidados se acenderam com seu poder, tentando se libertar. Passei a unha novamente e dessa vez, Aphrodite abriu os olhos com impaciência. Ela tossiu e quando avistei seu pingente, o sangue seco estava todo em minha mão, se esfarelando contra o ar.

— Aphro...

— Minha nossa. – Ela exclamou sentando-se depressa. – Cameron está numa foça. Estou com vontade de chorar, por conta do compartilhamento! – Ela abanou as mãos em desespero, olhando tudo ao seu redor.

Olhei para seu rosto não mais sem vida. Ela estava desesperada, mas não por si e sim por Cameron que realmente estava numa foça. Molhei os lábios e um bolo se formou em minha garganta quando tentei indagar qualquer coisa. Pigarreei.

— Lembro de tudo, sua boba. De que corremos e eu voltei e matei a lambisgóia. Lembro-me de Marcie virando pó ao seu lado e do dia em que tiraram meu Trevas daqui. Porque fizeram isso?

— Minha nossa, você escutava tudo? – Perguntei abismada, enquanto por reflexo, Aphrodite tocava seu pingente.

— Está quente. – Murmurou. – O que você fez?

— Passei a unha e o sangue seco de Laurel se foi...

— O sangue dela era venenoso. Vocês salvaram minha vida quando me deram banho e retiraram a maior quantidade de sangue. E quando fecharam aquele corte imenso na minha testa. Vou ter de usar franjinha pelo resto da vida.

— Deixa de ser ridícula. Cameron precisa ver...

Mas os olhos dela já estavam flamejantes e inquietos para a porta.

— Desculpe, não conseguimos detê-lo. – Rixon desculpou-se sobre o ombro de Cameron.

Ele continuou imóvel. Olhando-a de olhos arregalados. Seu par de olhos esmeraldas estava camuflado pela dor transformada em alívio. Um sorriso sinuoso reverberava em seu rosto.

Então sai da sala, fechando a porta atrás de mim e deixando que ambos se reencontrassem a sós, pois era assim que queria com Patch.

Rixon ainda estava do lado de fora e me olhou com lamuria.

— Desculpe. Ainda não encontramos nada. Sabemos que houve uma proposta e que um Salão vago o aguarda, mas ele não chegou.

— Tudo bem. – Sussurrei para conter as lágrimas. Shaunee notou e me abraçou de forma protetora, suas tatuagens de fogo cercando meus ombros. Ela havia se transformado antes da Batalha, me contara um dia desses.

Ela me soltou e enxugou minhas lágrimas com os polegares, vi uma lágrima escorrer por sua face.

— Ele fez muito por você. Deve estar feliz à beça, por ver todo seu esforço para encontra-lo. Não desista dele. Nunca. – Sua voz estava embargada e não aguentei o peso de meus calcanhares e de toda nova responsabilidade.

Cai e agarrei meus joelhos chorando compulsivamente, minha cabeça doía com a força e Shaunee se ajoelhou diante de mim.

— Shhh. – Sussurrou em desespero passando a mão por meus cabelos. Rixon se afastara um pouco. – Ele está bem. – Ela pareceu notar pela posição dos meus ombros, caídos como grades enferrujadas. – Você sabe que não está tudo bem, não é?

Acenei positivamente. Sabia que nada estava bem. Se meu Patch fosse o mesmo de sempre, já teria me encontrado. Vindo até mim preocupado inteiramente comigo. Certificando-se de que não estava ferida e que tínhamos acabado com tudo, e também me daria uma bronca por ter voltado do meio do caminho.

Será que se tivéssemos seguido em diante ele ainda estaria comigo? Não gostava de pensar na possibilidade.

O choro me embalou mais forte e engasguei com o musgo correndo pela garganta. Tossi em busca de ar, mas minhas pálpebras oscilaram e mergulhei na profunda escuridão, que infelizmente, me lembrava dos olhos de Patch.

Antes de ficar totalmente consciente, notei que estava deitada em minha nova cama, pois estava sobre os mesmos lençóis grossos com os quais me acostumara. Abri os olhos e me adaptei a luz, olhando toda a decoração daquele enorme quarto, com três anexos, que se encontrava na ala dos Qualificadores Mestres da Morada. Notei Aphrodite empoleirada na beira do colchão, formando um peso e com a coluna ereta. Suas bochechas já pintadas de rosa e os cílios com algumas camadas de rímel, olhando-me impacientemente com seus olhos verdes resplandecendo por todo o canto.

— Você deveria estar com muito sono. – Ela disse. – Porque não acordava de jeito nenhum!

— Fale baixo, minha cabeça está doendo. – Disse pressionando os dedos na têmpora e pressionando os olhos de leve.

— Tudo bem. – Sussurrou com cuidado. – Odiei o papel que me deram. – Sussurrou com mais urgência, suspirando. Foi quando me sentei diante dela. Nossos joelhos se tocando em pernas de índio. – Patch voltou e já está se instalando no quarto. Está como antes, com as marcas e transformado, mas só tem um ponto lá, no centro das costas...

Seus olhos e iam e vinham por todos os lados, mas não me olhavam diretamente nos olhos. Notei que aquela posição realmente era complicada para ela, pois os ombros da mesma estavam despencados, em uma curvatura estranha.

— Eu sei, perdemos o nosso. Você estava desacordada, foi quando desmaiei.

— Eu vi você desmaiando. – Sorriu esnobe. – Me deixe terminar. Ele se lembra de tudo. Tudinho mesmo. – Ela acenou movendo seus cabelos louros, formando uma cortina dourada em volta de seu rosto, mas vi hesitação percorrendo todos os pontos de sua face, principalmente os olhos. Aphrodite sorriu de lado e pegou minha mão com a sua. Um calor se espalhou do toque. – Ele também se lembra de você. – Suspirei aliviada, com a adrenalina abandonando meu corpo aos poucos, com cuidado. – Só não se lembra de amar você.

Notas finais
Qualquer dúvida referente ao capítulo é só me perguntar, ok? Okay! Quero fazer um combinado com vocês. Como sabem, estou com duas novas estórias, mas para não posta-las ao mesmo tempo quero fazer assim: 1º vou postar a Somente meu (estou decidindo o nome ainda). A OIC (série ou trilogia) está em fase se de escrita, bem inicial e queria fazer assim. Ir liberando coisinhas aos poucos como trechos de conversas ou da histórias, ou quais personagens, capas, fotos que lembre algum momento, mas apenas da OIC até o dia de estréia, o que acham? Me mandem sugestões! Bjinhos s2