Ocultas Na Escuridão.
18 A Fuga.
Notas iniciais
Olá! Não consegui postar ontem, mas como tá tudo prontinho, vim postar hoje. Radioactive - Imagine Dragons, vai ser boa para o capítulo todo. É neste capítulo que está a resolução do capítulo que coloquei o nome "doces ou travessuras?" e só uma pessoa chegou perto da resposta. Espero que curtam o desfecho que dei para uma personagem! Não me matem e até os coments!
Aphrodite
Puxei Nora com força depois do sinal de Patch e Cam ao mesmo tempo, instantaneamente lágrimas escorreram de meus olhos. Será que o restante do plano daria certo? Marcie corria atrás de nós, com uma velocidade também de nefilim. Corríamos dentre os galhos da mata densa. Corríamos pelas árvores em um ziguezague constante. Meu choro alto, junto à respiração descompassada, tornou-se um reflexo em Nora e o som se misturava ao silêncio da mata. Acelerei os passos e com isso Nora se soltou de minha mão. Tomamos mais velocidade. Minhas mãos iam junto com os meus braços para frente e para trás, mais de cinco vezes por segundo, tomando agilidade e avançando pela mata. Passos. Eles estão ressoando atrás de você, uma voz suave avisou, desvie! Desviei para a esquerda e ambas me acompanharam. Podia sentir a tensão e o medo delas, mas também senti – muito intensamente – a confiança de ambas em minhas atitudes. O dia estava amanhecendo, mas ainda estava escuro. O ar se tornou mais seco e crepitante, deixando minha pele ressecada. Meus cabelos indo e vindo contra o vento, passando diante de meus olhos. Meu ponto com Cam foi golpeado e eu me desequilibrei, mas Cameron me manteve firme. Continue correndo, me instruiu meus pensamentos, continue firme. Continuei firme, mantive as passadas compassadas e aqueles passos perseguidores se tornaram vagos à distância, estavam confusos. Talvez nossa carona ainda estivesse ao final da mata, era disso que tinha medo. Um raio cortou o céu acima de nós e paramos admirando a claridade que se formou ao seu redor, com seu poder evidente. — Damien... – Nora indagou para o céu. – Não! Não pode ser! Temos que voltar! Vamos! Segurei seu punho dentre os meus dedos. Tentando entender sua reação, era apenas um raio... e Damien era dono do ar. E se o ar estava, digamos, estressado, Damien não deveria estar diferente. — Ele ficará bem. – Tentei soar doce. – Temos de ir, agora. Não podemos ficar aqui, Nora. Você é o motivo da Batalha toda. Sua cabeça fez um não constante. — Vamos, Nora. Deixe de tentar ajudar os outros. Hoje é a vez deles. – Marcie foi mais ríspida. “Então, temos de correr ainda mais depressa.” Nora sussurrou em uma conversa junto com Marcie e eu. Mais depressa? Mas era tarde demais. Nora já rasgava dentre os caminhos com arbustos, deixando apenas seu rastro de ar para trás. Persegui seus passos, encontrando a paz de seus pontos dentre o turbilhão de emoções sobrepostas em sentimentos tranquilos. Tínhamos de ir. Corremos por muitos minutos em paz, e aquela mata não acabava e a guerra lá atrás também não. Meus passos se romperam em certo ponto do caminho. Nora e Marcie pararam para me olhar. Eu não consegui entender, eu queria ir, mas... meus pés não me obedeciam. — Que porra é essa? – Indaguei chacoalhando os braços. Dei três passos para trás, normalmente. Um passo adiante. Outro passo e mais um, mas quando tentei puxar a perna, para que meu pé seguisse adiante, fui arremessada contra o gramado. Minhas costas molhadas pela umidade da neblina. Nora foi a primeira a chegar ao meu lado e depois algo me atraiu para o caminho que já tínhamos percorrido, levando-nos de volta ao descampado. Eu senti uma necessidade absurda de voltar para lá. Uma aflição subindo pelos meus braços, acompanhado por um arrepio constante no centro da nuca, chamando-me. Me levantei, determinada. Venha para mim, uma voz distante pedia, clamando por minha presença. — Precisamos voltar. – Disse de repente, ainda com a vaga memória da voz em minha cabeça, mas resplandecendo alto em meus tímpanos. — Voltar? Você nos fez correr tudo isso e agora quer voltar? – Marcie bufava com os braços erguidos e as sobrancelhas estendidas, enrugando sua testa. — Precisamos. Voltar. – Repeti pausadamente. Nora limpou o suor na testa e depois as mãos na lycra de seu short, que, aliás, ficava péssimo em seu corpo. — Sim. Precisamos voltar. – Nora tremia ao falar, talvez temendo por nosso futuro. Cam e Patch me matariam, mas eu estava necessitada e não poderia seguir adiante com aquela barreira invisível, eu precisava voltar. Algo, lá atrás, no descampado, clamava por minha volta. Nora foi a primeira a retomar o caminho em um ritmo constante de passadas apressadas, persegui ao seu encontro com Marcie bufando atrás de mim. Algo em mim reacendeu uma chama de vingança, ardendo em desejo; desejo por algo que eu não abriria mão com facilidade. Eu teria de explicar aos garotos a tal necessidade que me fazia suar e clamar por paz interna; eu tinha de estar lá. Era como se a batalha também fizesse parte do meu destino, não apenas como protetora de Nora, levando-a para um local seguro, mas como alguém que poderia dar fim – ao menos por parte – a Batalha e eu estava crente quanto a isso. Corremos, e parecia que estávamos indo ainda mais depressa. Eu podia sentir a felicidade transbordando de seus corações, acompanhando a minha. Eu não estava feliz apenas por estar de volta aos braços de Cam, mas também, porque sentia que estava fazendo o que era certo. Talvez, toda aquela minha incerteza e tristeza em fugir com Nora, era apenas porque – desde o início – eu sabia que de algum – qualquer – modo era errado e não porque deixaria todos aqueles que amo para trás. Eu tinha de estar na Batalha, mas não para fugir e sim para lutar.
Podia ouvir o som de instrumentos mortíferos contra carnes ao longe. Já se sentia o cheiro de morte emanar por cada canto da mata. A morte estava palpável e choros podiam ser escutados. Meu coração se apertou, em uma ansiedade maior do que voltar, em uma busca incompreensível de tentar resolver o mistério dos mortos e dos choros. Eu precisava saber quem tinha morrido. Minha necessidade absurda de ver o outro exército derrubado crescia a cada passada rápida, chegando mais e mais perto do descampado, o destino final. As respirações ofegantes. Corações descompassados. Veias com sangue correndo a todo vapor. Mãos tremulas. Temor evidente em nossas faces e paramos, diante de uma Batalha com cheiro de desfecho triste. Qualificadores já transformados caídos aqui e ali, com ferimentos abertos em seus corações, um líquido azul escorrendo de todas as aberturas, mas mesmo assim, era evidente a paz em seus rostos, a Deusa viera, levando todos em divina calma. Um grito me espantou, retirando minha atenção daquele corpo de uma jovem em serenidade, mesmo com um líquido azul transcorrendo por sua pele e coração. Era Cam, espantado com meu retorno, enquanto eu estava feliz por ver seu torso nu brilhando em suor, enquanto lutava ardentemente com três nefilins ao mesmo tempo e, mesmo com nossa troca de olhar, ele continuava desviando dos ataques, persistindo em investidas de socos e chutes, derrubando-os de cinco em cinco segundos e tomando suas armas. Vee afogara alguns neflins, pois vários corpos cobriam a plenitude do lago a nossa direita. Mas eu não vim aqui para olhar, e sim para tomar uma atitude, a qual desconhecia totalmente. Feche os olhos, a mesma voz me pediu, ofegante como eu. Obedeci, como fizera antes. Sinta, apenas sinta. O que você escuta? Ela indagou. Eu escutava as batidas quase ritmadas de meu coração, mostrando a evidente pressa da minha corrente sanguínea. Exatamente, coração... — Meu coração está de volta! – Uma voz rouca gritou. Musgo percorrendo cada letra de sua pequena frase e um odor gosmento chegou as minhas narinas, enruguei as sobrancelhas quando vi Laurel diante de mim com a pele flácida, as laterais dos olhos caídas, levando o ar juvenil de seu rosto. Pele ressecada e unida em rugas em sua testa, mas mesmo assim era evidente a sua busca: um coração. Ela estava diante de mim e, quando seus dedos ossudos com unhas ressecadas tocaram meu pulso direito, ela fechou os olhos, buscando algo em meu corpo, senti meu coração parar de bater por instantes, em um medo constante do que poderia ocorrer, eu não sabia o que era, ou o que poderia fazer. Me deixei levar por aquele embalo em meu coração, levando-o, arrancando-o de mim aos poucos, quase imperceptivelmente... abri os olhos. — Não! – Gritei puxando meu pulso contra meu corpo e quando focalizei minha visão, Laurel estava quase restaurada, com a pele sedosa a vista e as rugas quase sumidas. Ela trincou os dentes e agarrou meus ombros. – Seu coração! Meu coração... a ficha caiu aos poucos, atingindo minha mente em uma batida constantemente dolorida, mostrando-me a realidade. Ela era uma bruxa negra e bruxas negras precisam dos corações de crianças, ou... — De bruxas brancas. – Ela respondeu aos meus devaneios com um sorriso macabro marcando cada linha de expressão. Cam foi mais rápido, empurrando Laurel para o mais longe possível de mim. Não, eu queria gritar, mas a voz não saia, um bolo de bile se formara lá no fundo, mostrando que tudo ao meu redor podia ser uma mentira. Eu olhei ao redor e a Batalha havia cessado momentaneamente. Procurei por qualquer um que lutasse, qualquer um... mas eu era a única com lágrimas no rosto e coração acelerado. Eles aguardavam a minha luta. Todos deram passos vacilantes para trás quando Cameron foi arremessado para longe com um simples movimento de mão de Laurel. Me desesperei, sabendo que seria impossível enfrenta-la...Nada é impossível, a voz sussurrou novamente, empurrando-me aos poucos para a verdade, mostrando-me o caminho da dádiva. Lute, ela falou em um tom firme, aos meus ouvidos, aquilo não soara como ordem e sim como dica do que viria a seguir. Laurel ergueu uma mão e meus pés descolaram-se do chão, levando-me as alturas no físico e mental. Subi, cada vez mais alto, enxergando todos, a cada centímetro elevado, menores. Meu ponto com Cam avisou-me que o mesmo se erguera, mas que uma barreira o mantinha no lugar, ele estava fulo, era evidente. O ar me faltou quando tive a mesma sensação que antes em meu coração e fechei os olhos com força, em busca de algo. Sentir, eu precisava sentir. Parei, estática. Relaxando os braços e buscando minha paz interior. Eu estava morrendo? Pelas pálpebras vermelhas, pude identificar uma luz tomar forma, de dentro para fora de mim mesma. Laurel me soltou em um instante e quando pensei que cairia em queda livre, permaneci onde estava e só quando abri os olhos e alonguei os braços ao lado do meu corpo, foi que fiz uma descida leve. Assim que meus pés tocaram o chão, cai de joelhos. Desenhos percorriam em silêncio sobre e sob minha pele, em busca do final. A fita em meu cabelo se abanava, soltando-se dos meus fios e caindo em uma leve descida até meu pescoço, apertando-o frouxamente em um colar só meu. Abri os olhos e fitei o colar vermelho entalhado com pedras ornamentais de ouro branco. Você tem um grande valor nisso tudo, sinta, a voz pediu novamente e foi então que notei a roupa na qual estava. Sentia meus cabelos em um coque no alto da cabeça, deixando com que um vento invadisse o centro de minhas costas que estavam nuas dos ombros ao topo do bumbum. Os braços cobertos por rendas feitas a mão, um pequeno decote mostrava o tronco dos meus seios e uma saia branca cintilando com luz própria rodeava meus quadris até os pés. — É você mesma. – Laurel sussurrou diante de mim, avaliando-me. Os desenhos que me percorreram os braços, costas, ombros, nuca e barriga eram como o colar, pude notar ao avistar a pele de meus dedos das mãos. Os mesmos formigaram e de longe empurrei Laurel para trás. — Longe. – Pedi apenas com uma palavra e os ares ao meu redor fizeram o resto, levando Laurel para o mais longe possível a cada passo dado. – O que quer de mim? — Seu coração, seu coração puro. – Ela respondeu em desespero, tentando – apenas tentando – chegar mais perto. Enruguei as sobrancelhas com sua resposta oculta. Pressionei as mãos em punhos cerrados e Laurel arqueou as costas, prensando os olhos, quando sentiu a força que até eu desconhecia. — Você nunca amou de verdade e eu quase perdi minha chance quando se envolveu com Cameron. Preciso de um coração puro para conseguir comandar a humanidade e trazer a antiguidade para cá. — E achou mesmo que conseguiria isto numa Batalha? – Indaguei. — Você nem conhecia sua essência. Não sabia o que era até hoje, até agora. Você é uma Trevas aos olhos de todos da Morada... Arremessei seu corpo o mais longe que pude. Mas Laurel foi mais rápida, parando sobre seus próprios pés e tomando velocidade em minha direção. Senti vários corpos tentando chegar perto, mas uma barreira os impedia. Corpo a corpo fomos lançadas ao chão, suas mãos percorrendo apressadas até minha garganta, pressionando-a bem no centro, deixando-me sem ar e desesperada. Lancei minhas mãos em seu rosto e passei as unhas por sua pele que estava ainda mais jovem. Ela precisava de mim para terminar seu encantamento em deixa-la jovem. Deixa-la com aparência de humana, para enganar outros, sendo que era uma bruxa negra. Senti minhas unhas se aprofundando na pele de seu rosto. Passando pelas pálpebras, abrindo e deixando com que filetes de sangue queimassem sua pele. Desci as mãos com mais determinação e afundei os polegares em seus olhos, só então ela se soltou e pousou as mãos sobre os mesmos. Um grasnado se aproximou e um corvo voava em minha direção, granando alto e nervoso, desesperado por ver sua dona ferida. Ergui um dedo e o corvo foi arremessado para longe, sua silhueta sumindo no céu. Mas aquilo fora tempo suficiente para Laurel contra-atacar. Surgindo com uma adaga polida e erguendo-a diante de meu seio esquerdo, pressionou a ponta contra o tecido, mas o próprio vestido continha algum tipo de encanto, evitando sua aproximação. Meu peito subia e descia com a respiração descompassada pelo desespero. Adrenalina percorria minhas veias. Como se uma pedra fosse despencar a qualquer instante em minha cabeça.
Arrisquei fechando minha mão em torno da adaga. A lâmina me cortou, entrando em minha carne com força, ardendo e jorrando sangue com ferocidade sobre o vestido branco e límpido. Os lábios de Laurel ficaram vermelhos. O local estava rijo pelo corte que se abrira em um filete escarlate. — É de você que preciso. Garota insolente, nunca notou? Seu tratamento distinto? Nunca? Sua mãe se manteve afastada por minha culpa. Eu a quis longe, mas Deusa te ajudou. Sempre ajudando! – Gritou Laurel enquanto movia a lâmina e rasgava a pele de minha mão. Estava suando frio com uma dor que minha pele nunca sofrera. Com a outra mão agarrei a haste da adaga, tirando-a de sua mão e colocando-a diante de sua garganta – Você não faria isso. – Laurel zombou com um sorriso tenebroso.Puxe de si, a voz pediu, isso não a matará. Ainda assim eu queria feri-la. Ver seu sangue jorrado naquele gramado desprovido de vida. Queria sentir o cheiro forte de seu sangue, era daquilo que necessitava. Com a adaga em mãos, pressionei a mesma contra o centro de sua garganta, mas com um movimento de dedo a adaga se moveu sem ser por meu comando. Ela estava obedecendo aos comandos de Laurel. A adaga subiu unida ao seu mando, subindo e apontando para o céu. Descendo em direção ao meu rosto e apontando para o centro de minha testa. Tentei mover as mãos. Meu corpo e mente em desespero. Porque eu não ouvi a voz? Porque eu apenas não obedeci? Fechei os olhos quando a adaga marcou uma linha fina em minha testa. E fiquei espantada com o berro que se seguiu. Era o meu grito. Minha garganta ardendo. Minha testa ficou rija como o tecido de pele da palma da mão, sentia o ar batendo no corte, levando mais ardência a todos os pontos. — Sua vaca amaldiçoada! – Cameron gritou de algum ponto, tentando a todo custo entrar no campo circundado por um encantamento de Laurel. As lágrimas se misturaram ao sangue que escorreu pelo ferimento no centro da testa. A brisa bateu mais forte naquele ponto, deixando tudo ainda mais insuportável, era como morder uma maçã com dente mole, não, era ainda mais doloroso. A dor não tinha explicação. Ver seu amado querendo lhe proteger e sentir o cheiro de seu próprio sangue misturando-se as suas lágrimas. Laurel prensou os olhos em direção a Cam e o mesmo foi lançado para trás. Onde estava Patch? Minha mente indagava. Percorri o círculo com os olhos e encontrei Nora caída nos próprios joelhos, chorando enquanto via a cena. Eu tinha de lutar do modo certo por eles. Minha barriga se acendeu em compreensão e pressionei as mãos nos pontos, o sangue de minha mão sujando o vestido branco e bem costurado. Algo empurrou minha mão e quando avistei. Trevas em carne ziguezagueavam meus braços, abraçando meus dedos e lambendo-me de modo prazeroso. Eu realmente era uma Trevas. A verdadeira, a voz me respondeu, você a única Trevas de todos os Qualificadores. Atire-as com um mandamento. Você as comanda. Ergui os olhos para Laurel que ainda maltratava Cameron.Segure seus movimentos. Segure seus pulsos e tornozelos para sua Comandante, ordenei de olhos fechados sentindo as línguas quentes das Trevas perfurarem minhas mãos em um lamurio de despedida. Abri os olhos e Laurel foi arremessada para trás. Parte das Trevas pressionaram a pele de seu pulso, jorrando seu sangue negro por todos os lados, inclusive em meu vestido, em um contraste que qualquer artista adoraria. Depois, a mesma caiu sobre as costas e as Trevas grossas amarraram seus tornozelos, aprofundando cada vez mais na pele quando a mesma se movimentava em vão. Ela estava vermelha se remexendo e gritando, olhando em meus olhos. — Não! Você não escapará! Seu coração é meu! — Nunca! – Gritei e meu vestido se abanou com meu desespero evidente. O pingente pontudo do meu colar se ergueu e se abanou com um vento próprio. A ponta do pingente pousou em minha testa, aliviando a dor ali, a dor do corte. Sua fita amenizava a ansiedade e deixei que apenas uma lágrima escorresse quando retirei o colar do pescoço, sentindo-me nua sem sua presença. Avistando a ponta do pingente, Laurel se assustou. Um “não” apavorado saia de sua boca a cada segundo. As Trevas se afundavam ainda mais em sua pele enquanto ela se rastejava no chão para longe de mim. Pulei em sua barriga mantendo-a, com os pés, firme no lugar. Me abaixei sobre seu abdômen. Pousei a ponta do pingente em um lado da garganta. Afundei a mesma na pele passando por carne e senti que estava fundo quandom o pingente se enterrou em seu pescoço e seu grito me deixou surda. Percorri o caminho de todo seu pescoço até o outro lado. Laurel se debateu em busca de ar, enquanto o sangue saltava do corte do pingente. Um cheiro de morte subiu, fora tão rápido. Seu rosto próximo ao meu e a verdadeira identidade de seu rosto tomando forma. Pele caída e deformada. Olhos tristes, guardando memórias que milhões de anos. Senti sua barriga dura sob meus pés e foi quando o vestido ficou vazio. Enquanto o corpo de Laurel virava pó, cinzas do passado. De um passado tenebroso e repleto de maldades. Eu salvei a humanidade. O colar voltou com força própria para meu pescoço, enlaçando-se e me embalando. As Trevas rodopiaram-se em torno de mim e entraram em todo meu corpo. Preenchendo-me aos poucos. Meus olhos escureceram-se nas bordas e me entreguei e uma voz distante gritando meu nome, mas um berro espantoso assustou-me inicialmente. Não entendi porque Nora gritou, mas quando quis voltar, era tarde demais. Algo já me buscara, o sangue jorrou depressa demais de meus ferimentos e foi quando soube que não sabia o que seria de mim depois daquilo. A escuridão em que me afoguei eram como o vestido de Laurel e as penas do corvo da mesma, era como a escuridão presente em mim o tempo todo. Me entreguei àquilo que era meu por direito.
Notas finais
E aí? O que vocês acharam? Curtiram a nova Afro? E o que será que houve com ela? O que acham que Cam fará? Até o próximo, pessoal! E coloquem seus trechos preferidos! Curtiram a música? Estou ficando com saudades já ]= Beijoquinhas s2
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