Oculta
10 Ponderar
— Mia, Mia, Mia, luz do meu dia, lua da minha noite, brilho do meu amanhecer!
— Não tenho dinheiro. — ressaltei e meneei a cabeça para Wallace, continuando a tentar ler um livro e almoçar ao mesmo tempo.
— Até parece que vim pedir dinheiro, né, amore. — debochou, depois sentou-se ao meu lado. — E sei que você tem dinheiro sim.
— Então veio pedir dinheiro mesmo. Qual é o vício da vez?
— Você anda muito engraçadinha, hein. — indagou Wallace rindo. — Então, topa ir em um encontro duplo comigo?
— Não. — respondi direta. Detestava encontros arranjados.
— Caramba! Você nem pensou! Vaaai, por favor. Juro que vai ser o único favor que te peço, sério. — implorou.
Wallace era uma ótima pessoa, admito. Mas quando queria ser persistente, conseguia ser pior que a-
Ah, não.
Depositei o garfo no prato. Perdi a fome só de lembrar.
— Não gosto deste tipo de coisa, Wall.
— Mas quem disse que é um encontro duplo comum? Vai ser eu, o boymagia que quero pegar, mas é muito tímido pra ir num encontro a sós comigo, e uma amiga nossa super gente boa.
— Então seria um encontro duplo homossexual?
— Bom... acho que sim! Mas você não vai pegar ela, Mia! — argumentou, gargalhando. — Quer dizer, só se não quiser.
— Está insinuando que se trata de uma garota fácil? Pois, acredite, se eu for, comentarei isso a ela.
— Quê!? Não, não, não. Nada disso... — murmurou, cínico. — Sério, você vai? Eu quero muito esse boy. Ele é tão fofinho, tão tímido. Quero embrulhá-lo e levar pra casa. — comentou, sonhando acordado. — Sabia que oitenta e cinco por cento das mulheres que beijam outras mulheres dizem que é muito melhor do que beijar homens? Discordo completamente, é claro, mas só comentando mesmo.
— É possível. — comentei, deixando o meu livro de lado. Wallace deu um pulo, enviando-me um olhar malicioso. — Ficarei confortável em conversar sobre o assunto se não fizer gracinhas.
— Eu? Fazer gracinha? Jamais! — defendeu-se, levantando as mãos para o alto. Eu revirei os olhos. — Vamos, pombinha. Noventa e cinco por cento das mulheres tem curiosidade em beijar outras mulheres.
— Antes, gostaria de saber suas fontes para tantas estatísticas, se não for incomodo. — indaguei e franzi o cenho. Ele gargalhou.
— Já se interessou por alguma garota? Alguma garota já deu em cima de você? Quer dizer, é claro que alguma garota já deu em cima de você. — afirmou, revirando os olhos.
— Apenas uma me paquerou uma vez. E acho que devo a ela um agradecimento. — comentei, relembrando da garota da loja. Se não tivesse me dado o cartão, com certeza eu não estaria aqui. — Mas nunca me interessei por nenhuma garota.
— Isso é curioso. — comentou, se endireitando na cadeira. — Várias garotas só vêm até mim quando realmente estão duvidando da sua preferência sexual ou estão interessadas em alguma garota. Você não sente nenhum dos dois?
— Creio que não. — respondi, pensativa. — Pessoas preocupadas com preferência sexual se importam com a opinião alheia. Tendo a não ligar muito para isso.
— Então, tá dizendo que se houver a possibilidade de se relacionar com alguma garota, faria sem problemas? — quis constatar Wallace.
— Depende da pessoa. Mas sim, não acho que haveria algum problema. — respondi sem pensar muito.
Se é que existiria essa possibilidade. As mulheres, principalmente de minha idade ou abaixo, costumam a me detestar.
— OK, Mia. A cada dia você ganha mais o meu respeito. — murmurou Wallace, comovido. Eu meneei a cabeça. Tinha que fazer alguma gracinha, senão, não era Wallace.
— Em que dia será este tal encontro duplo? — retomei o assunto anterior enquanto terminava a minha refeição.
— Então... É hoje à noite. — respondeu. Eu parei com o meu garfo no ar e o fitei de maneira fria. — Desculpa ser tão em cima da hora, é que ele disse que só vai estar livre hoje... Você tem algum compromisso?
— Não, mas detesto coisas em cima da hora.
— Você não gosta e detesta várias coisas, Mia. E é por isso que te adoro! — declarou, me abraçando e dando-me um beijo na têmpora. — Esteja pronta às oito e me passa seu endereço que te busco, OK? Aliás, sei que não mora pelas redondezas. É muito longe?
— Na verdade, me mudei recentemente. Meu apartamento não fica muito longe daqui.
— Nãaaooo! — Wallace estava incrédulo. — E você nem avisa, criatura!? Querida, tá aí mais um motivo pra sair! — quase berrou, animadíssimo. — Certo, certo! Eu sei que não tem celular, o que acho um desrespeito com a humanidade, mas tem algum meio pra nos comunicarmos, moça?
— Você realmente não se controla. — Bufei. Wallace ainda sorria como uma criança. Peguei minha bolsa e busquei algum papel. Encontrei a nota fiscal de um café expresso que comprei mais cedo e, junto de uma caneta, anotei o número fixo do meu apartamento e entreguei para ele.
— Ufa! Pensei que ia ter que fazer sinal de fumaça. — brincou, gargalhando alto. — Mas sério, Mia. Você precisa de um celular.
— Não gosto de celulares.
— Certo, o que você NÃO gosta, Mia? Se não comprar um, eu compro. E se recusar, quebro ele na sua fuça.
— Sua educação é cativante.
— Eu sei, muita gente diz o mesmo. — gabou-se, levantando de seu assento. — Quer dizer, quase o mesmo. Afinal, quem diz “cativante” hoje em dia?... — Wallace foi conversando consigo mesmo enquanto saia da varanda do refeitório.
Eu gostava de ficar ao ar livre para almoçar. Tinha uma vista maravilhosa: o jardim antes das extremidades da empresa. Rosas, tulipas, lírios, orquídeas, vários tipos de dálias, plumárias, calla lilies — minhas preferidas —, etc. Não aparentava, mas eu tinha grande apego por flores e um bom conhecimento sobre elas. Influência de minha mãe.
Ela tinha fascínio por flores. Nós brincávamos de ditar os significados uma para a outra. Achávamos mais interessantes que os de signos.
A calla lily, ou “copo-de-leite”, tinha um formato elegante. Era muito usada em festas, casamentos. Também tinha diversas cores. Mas sua melhor cor, para mim, era a branca.
Simbolizava felicidade, valorização espiritual, prosperidade, sucesso. Mas também poderia simbolizar apatia.
Eu era apática com muitas coisas em minha vida. Não negava e não tinha interesse em mudar isso. Sei que há coisas que devo dar atenção e há coisas que não devo. Simples assim.
Porém, não posso mentir para mim mesma. Eu estava com a atenção voltada a algo que não devia sim.
Às vezes, dava-me vontade de largar o que estava fazendo e encontrá-la, lhe dizer a verdade. Fazer com que enxergasse o que aquele garoto tapava de sua visão.
Entretanto, se a própria não visualizou até agora... Minha vontade se dispersa daí.
Aquilo se planta, aquilo se colhe. Mas o fruto pode vir podre.
XXX
— Seria interessante levar um bolo duplo. — comentei, enquanto esperávamos a amiga e o oxigênio de Wallace (também conhecido como o garoto que quer pegar).
— Misericórdia. Fecha essa boca aí. — retrucou Wallace, ansioso. — Se ele me der um bolo, vou daqui até a ponte e me jogo de uma vez.
— Vê-lo se jogar de uma ponte seria bem mais interessante. — murmurei enquanto bebericava meu copo com suco de maracujá. Wallace revirou os olhos.
— Cuidado pra não dormir tomando isso aí. — provocou tentando segurar a risada, sem me fitar. Depois, seus olhos arregalaram e levantou a mão, acenando para alguém.
Olhei na mesma direção que ele e pude constatar nossos companheiros de encontro se aproximando. O rapaz tinha pele clara, cabelos castanhos, rosto simpático e sorria ao chegar na mesa e cumprimentar Wallace. Em seu encalço vinha uma moça negra, a qual quase enfartei ao reconhecer.
Lúcia. A mulher da loja.
Ela me fitou surpresa e eu igualmente, mas depois sorriu de maneira descarada. Definitivamente não era o que eu esperava.
— Mia, esse é Alexandre. — apresentou Wallace. Alexandre não disse nada, mas sorriu e estendeu a mão. O cumprimentei igualmente de maneira educada. Ele se sentou em frente a Wallace. — E essa é Lúcia.
Pensei que mencionaria o fato de já nos conhecermos, porém, ela apenas estendeu a mão em cumprimento. Apertei, sentindo-me intrigada. Ela continuou sorrindo com certa malicia. Mas só eu parecia visualizar isso, aparentemente.
— Prazer, Mia.
— Igualmente. — respondi, estranhando a situação. Lúcia sentou-se em frente a mim, ainda me observando.
— E então, vocês vão querer o quê? — perguntou Wallace, animado.
— Batata frita! As daqui só não são melhores que a do Jona’s em Sheepshead. — comentou Lúcia, me olhando de soslaio agora.
— Quê? Discordo completamente. — retrucou Alexandre, dando risada. — A do Jona’s é cheia de óleo.
— Só se vive uma vez. O que há de mal em um pouco de óleo no organismo? — indagou ela rindo ligeiramente e, sim, prosseguindo com os olhos pousados em mim.
— Nunca fui ao Jona’s. Mas sempre dizem que suas batatas são ótimas. — comentei, tentando socializar.
— Então você conhece as redondezas de lá? — questionou Lúcia.
— Mia se mudou pra cá recentemente. — respondeu Wallace, ainda animado. — Ela trabalha na Cortês também, Lu. Entrou há pouco tempo.
— Ah, é? Me falaram de uma novata, mas não fiquei sabendo quem era. — comentou com inocência. Admito que aquilo estava sendo engraçado, de certa forma. — Parabéns!
— Obrigada. — agradeci com sinceridade. Ainda precisava agradecê-la pelo cartão, aliás.
— Vamos lá pedir, Xande? Esperem só um pouco, meninas. — informou Wallace, com um sorriso de três mil watts. Eu e Lúcia os observamos levantar e ir em direção ao balcão do bar.
— Sabe que se não estivéssemos aqui, eles já estariam se pegando, né? — comentou Lúcia.
— Eu não tenho culpa. Não o mandei me convidar. — respondi, dando de ombros.
— E pelo jeito você age assim mesmo.
— Alguma crítica sobre o meu jeito de agir? — indaguei e a fitei com mais atenção.
— Não, não é isso. O seu charme é impregnado nisso. — afirmou Lúcia. Após, fitou o meu copo de suco inacabado. — Suco? Não vai beber algo mais forte?
— Não gosto de beber coisas alcoólicas em público. — respondi sincera. Eu não era louca para tanto.
— Se altera demais quando bebe? É por isso? — questionou, curiosa.
— Não diria isso. Diria que não sei bem quando devo parar de beber. — murmurei.
— Sabe, Mia, está fazendo com que eu fique obcecada por ti aos poucos. — admitiu. Eu não sabia como Lúcia conseguia flertar tão diretamente.
— Você só me viu uma vez. Como pode ficar obcecada em tão pouco tempo?
— Eu tenho um bom radar pra coisas interessantes. — respondeu, dando uma piscadela. E, pelos céus, Alexandre e Wallace finalmente voltaram.
Depositaram na mesa uma bandeja cheia de batata frita e outra com carne picada, ambas cobertas com cheddar, além de duas garrafas de cerveja e um copo imenso de milk-shake, o qual Wallace empurrou em minha direção.
— Se não vai beber, então beba isso que é mil vezes melhor que suco de maracujá.
— Com prazer. — respondi, já sugando o líquido da taça pelo canudo. E, realmente, era uma delícia.
Estava sendo um bom encontro. Descobri que Lúcia não é atendente daquela loja, e sim gerente. Mas ainda não mencionamos nada sobre já nos conhecermos aos rapazes.
Porém, isso se tornou completamente desnecessário depois que engatamos em diversos temas de conversa. Alexandre poderia ser tímido no início, mas era muito engraçado e entusiasmado. Fiquei feliz por Wallace. Ambos até que combinavam.
— Mas, espera, você tem quantos anos? Vinte três? Vinte e cinco? — chutou Alexandre.
— Tenho dezoito. — respondi um pouco sem jeito.
— Uau! Sério? Tão novinha assim? — Lúcia e Wallace questionaram ao mesmo tempo. Esqueci que até Wallace não sabia disso.
— É. As pessoas normalmente me acham mais velha do que aparento.
— É que, tipo, você é toda séria, inteligente, etc, ainda mais com essa aparência... Nunca te imaginaria com menos de vinte, amor. — comentou Lúcia já um pouco boba por conta da bebida.
— Que intimidade é essa, querida? Só eu posso chamar a Mia de amor. — indignou-se Wallace, cruzando os braços.
— É assim agora? Eu a conheci primeiro. Tenho meus direitos! — soltou Lúcia.
— Espera. Conheceu primeiro? Como assim? — indagou Wallace, revezando o olhar de mim para Lúcia. Eu dei de ombros e Lúcia riu como uma criança.
— Ué, e por que não disseram nada? — questionou Alexandre, franzindo o cenho.
— Ah, sei lá. Pensei que seria legal não dizer. E foi. — respondeu Lúcia, sorrindo para mim.
Admito — novamente — que Lúcia é muito linda. Era cinco ou seis anos mais velha que eu, mas tinha uma harmonia jovem. Isso faz qualquer um achá-la atraente em muitos aspectos.
— Onde? — quis saber Wallace, parecendo indignado.
— Na loja onde trabalha. Inclusive... obrigada por me dar o cartão. E desculpe por ter sido ignorante contigo. — pedi muito sem jeito. Parte de minha vida se tornou mais fácil porque Lúcia viu algo em mim que ninguém mais viu.
— Acredite, você não foi ignorante. Crítica, mas não ignorante. — comentou ela, rindo. Eu apenas assenti meio incomodada. Isso pareceu abrir mais ainda o sorriso de Lúcia.
— Então é por sua causa que Mia foi parar na agência e eu pude conhecê-la? Peça o que quiser, é por minha conta! — exclamou Wallace, absorto. Lúcia e Alexandre riram e brindaram juntos.
Sem dúvidas, valeu a pena ter aceito o pedido de Wallace.
XXX
O carro de Bryan era uma picape bem jeitosa. Quando dizem que carro de homem é como um filho para eles, não brincavam mesmo.
Eu gostava de passear nela com Bryan. A visão ao lado de fora fazia-me sentir mais alta. Não era como estar realmente dentro de um carro. Isso era muito legal.
Diferente de seu comportamento estranho de manhã, agora estava tranquilo, sendo ele mesmo. Era mais espontâneo quando estávamos a sós. Compartilhava suas ideias malucas e me cativava com seu sorriso bobo e sonhos impossíveis.
Mas não me deixa menos preocupada. Ainda foi estranho, e eu pensava em uma maneira para abordar o assunto sem ser uma namorada chata ou deixá-lo desconfortável. Porém, como sempre, não pensei em nada.
— Bry, você anda meio distraído ultimamente. Tá tudo bem? — tornei a perguntar enquanto ele parava o automóvel antes do semáforo.
— Oi? Ah, tô sim, flor. É que essa coisa da Mia me deixou um pouco... Sei lá. — murmurou, dando de ombros. — Vocês eram bem próximas.
— É verdade. — murmurei, desviando o olhar. — Mas Bry, e aí? Ainda tá muito vago. Não consigo acreditar que ela... — tentei terminar a frase, mas não consegui.
Quando o farol ficou verde, Bryan foi em frente e não me respondeu. No momento seguinte, estacionou a picape em um lugar aleatório da rua. Depois tirou as mãos do volante um pouco relutante e me fitou com cautela.
— É claro que estar lá, do nada, não a deixou feliz. Ela ficou muito irritada e discutimos por alguns minutos. — contou, alisando o cabelo para trás meio nervoso. Eu desviei o olhar. — E então... me beijou. Acho que foi algo que não conseguiu reprimir. Depois me empurrou e mandou ir embora. E eu assim fiz.
Eu prossegui intrigada. Será que é por isso que nunca se sentiu confortável quando eu falava sobre Bryan?
— Você por acaso... retribuiu?
— Quê? Não. Ela praticamente só encostou a boca na minha e depois me empurrou. E não retribuiria nem se pudesse. Que pergunta, Beth... — respondeu perplexo. Eu sei que foi uma pergunta tosca.
Continuei sem fitá-lo. Como também não falei mais nada, Bryan deu partida na picape e prosseguiu o caminho.
Era para eu estar querendo que Mia fosse ao inferno. Convenhamos, amiga fura olho é a pior. Infelizmente, não é a primeira vez que isso acontece comigo. Mas é fato que essa moeda tem dois lados. Estou claramente desconfiada.
Se você é compromissado(a), um simples pensar em ficar com outra pessoa não é legal. Ficar com alguém “sem querer” também não é desculpa. Isso é história para boi dormir.
Por se tratar de Bryan, não acredito em nenhuma dessas opções, por mais que frequentes. Todavia, o que me preocupa é se o beijo entre eles reacendeu o que ele sentia antes. E agora sabendo que ela nutre algo por ele...
Bom, eu estava ficando paranoica. O que mais me irrita é o lance de sentir muitas saudades de Mia.
Nesses dias que não a vi mais, me peguei relembrando o cheiro de café que fazia — que, admito, era muito bom, por mais que eu não tomasse muito. O leve ruído de lápis passeando por papel que se espalhava quando desenhava e ficava totalmente submersa nisso. Da sensação das patinhas de Kiara subindo em mim para pedir carinho.
Sentia uma vontade absurda de chorar.
Eu gostava tanto de tudo isso. Adorava ter alguém como ela ao meu lado. Alguém que pudesse realmente confiar.
Acho que nunca mais vou pensar assim outra vez.
Bryan me deixou em frente ao apartamento de seu irmão e perguntou se eu queria que ficasse. Respondi que sim, não suportava não ter uma companhia. Antes, tinha Kiara quando Mia estava fora. Agora só tenho o meu celular.
Ele assentiu e desligou a picape, saindo em seguida. Demos as mãos e passamos pela portaria do prédio, indo até o elevador. Subimos em silêncio.
— Você tá com fome? Quer que eu peça uma pizza? — perguntou quando já dentro do apartamento. Sem responder, o beijei.
Foi preciso e demorado, sem movimentar os lábios. Depois que me afastei, fitei seus olhos demoradamente.
Bryan era alto. Era difícil achar um garoto da minha idade que fosse mais alto que eu. Quer dizer, um garoto interessante e bonito que fosse mais alto que eu.
Eu precisava espantar as coisas que estavam rondando a minha mente. A ideia de perdê-lo me enlouquecia.
Com urgência, Bryan me beijou de volta. Retribui na mesma intensidade, enquanto ele fincava suas mãos em meu cabelo e os bagunçava. Depois, agarrou a minha cintura e colou nossos corpos.
Foi a hora das minhas mãos explorarem. Zanzei com elas por seus bíceps enormes, pela cintura, subi até as costas, parei nos ombros e os pressionei com força. Em seguida, subi as palmas até seu rosto e para cabeça, desfrutando de suas madeixas loiras, macias como bordo.
Tão rapidamente quanto começamos a nos beijar, já estávamos no sofá. Bryan por cima e eu por baixo. Ele separou os lábios dos meus e começou a beijar o meu pescoço, logo o sugando com força, após subindo com a boca grudada em minha pele até o lóbulo de minha orelha para depois voltar ao meu pescoço.
Eu não era virgem e Bryan com certeza não aparentava ser. Fizemos um acordo no início do relacionamento para que não fossemos apressados quanto a isso. Porém, três meses... Eu não aguentava mais. O seu corpo era maravilhoso. Tantos músculos. Só de tocar me deixava excitada.
Passei as mãos por baixo de sua camisa e fiz menção para tirá-la. Bryan fez isso por mim, tão ágil que me surpreendeu, voltando a sugar o meu pescoço de imediato. Minha respiração já estava pesada.
Ele puxou minha camisa para cima e o ajudei a tirar. Depois abri o meu sutiã e meus seios não lá muito grandes ficaram à mostra. Sem perder tempo, Bryan começou a sugá-los, lambendo também, depois voltando a sugar. Se soubesse que ele era tão bom, não tinha esperado tanto. Meu Deus.
Em determinado momento, enfiou uma das mãos por dentro da minha calcinha e começou a me masturbar. Eu gemia com vontade, não tinha como conter. Mexi o corpo um pouco para descer mais o zíper da calça, dando mais acessibilidade para ele. Eu já via estrelas.
Sem pensar duas vezes, puxei sua calça caqui para baixo e comecei a alisar seu pênis — de tamanho bem favorável, aliás. Sua respiração também começou a ficar pesada.
Segundos depois, tirou a minha calça e peça intima com um pouco de brutalidade, evidenciando sua impaciência. Logo começou a retirar as suas também, adiantando o processo. Eu não aguentaria enrolar mais também.
Enquanto isso eu, que de boba só a cara mesmo, busquei por minha bolsa jogada próxima ao sofá. Fucei rapidamente em seu interior e peguei um preservativo, entregando para ele de prontidão. Bryan deu uma risada baixa ao constatar o que era e eu não pude deixar de sorrir. Espero que não pense coisas pejorativas por carregar isso comigo. Eu namoro, cara. Sou prevenida.
Ele se sentou e eu permaneci deitada olhando para o teto, aguardando e ouvindo o barulho de plástico sendo cortado. Alguns instantes depois, me puxou para seu colo e me beijou demoradamente, ao passo que se ajeitava para iniciar a penetração.
Gemi alto no começo, me acostumando com o vai e vem, lento, mas muito bem feito. Abracei Bryan e finquei as unhas em suas costas, subindo e descendo eu mesma com urgência. Era bom demais.
Tentava não gemer muito alto, mas era impossível. Senti-me perdida quando acelerou as estocadas. Ouvia o barulho de nossas peles se chocando, deixando-me muito mais excitada. Joguei a cabeça para trás e fechei os olhos, aproveitando aquela sensação incrível.
Quando comecei a sentir o tremor do ápice chegando, o fiz deitar no sofá, ainda sentada por cima. Cavalguei nele ansiando apenas o meu próprio prazer, não nego.
Bryan pressionava suas mãos em meu traseiro, ansiando o mesmo. Minha respiração foi ficando entrecortada. Joguei minha cabeça para trás mais uma vez e, céus, gozei. Quase desmaiei em cima dele. Minhas pernas estavam bambas.
Olhei para Bryan. Estava com uma feição tão sexy, totalmente extasiada. Mas eu sabia que ele ainda não tinha gozado. Então, juntei todas as forças do meu ser para o que faria a seguir.
Levantei um pouco, sentando sobre suas coxas. O fitei por um momento, tentando mostrar com os olhos o que iria fazer. Vi um meio sorriso em seu rosto com isso. Ademais, tapou os olhos com uma das mãos. Não sei se era por vergonha ou se não queria que eu continuasse. A questão é que eu não estava pedindo permissão.
Tirei o preservativo de seu pênis num movimento ligeiro e joguei no chão, sem rodeios. Comecei a alisá-lo devagar, logo aumentando a velocidade, mas por pouco tempo. Ouvi a respiração alta Bryan.
Abocanhei com vontade, chupando de maneira vagarosa. Senti suas mãos pousando na minha cabeça e me empurrando contra seu membro, mas mal tive tempo para degustar. Ele levantou a minha cabeça com violência e vi o líquido branco viscoso sair de si. Respirei pesadamente, orgulhosa pelo meu serviço bem-feito.
Bryan me puxou para si e beijou-me sem pressa. Em seguida, me fez deitar no sofá e pousou-se por cima, depositando sua cabeça em meu pescoço e ali ficou.
Comecei a sentir meus olhos pesados. Poucos instantes antes de fechá-los, analisei as costas de Bryan. Mas, por um momento, não pareciam realmente suas costas.
Pareciam menores. Mais delicadas. Mais...
Femininas.
Alisei o seu cabelo. Agora, os sentia mais compridos. Menos claros.
Não entendendo bulhufas, pisquei com força e tudo pareceu normal outra vez. As costas largas. Os cabelos loiros.
Eu dormi, me sentindo intrigada e...
Não totalmente satisfeita, de alguma forma.
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