Oculta

32 Inesperado


Notas iniciais
Antes de desejar uma boa leitura, gostaria de agradecer IMENSAMENTE a adorável SARAH MILLER que efetuou a OITAVÍSSIMA RECOMENDAÇÃO DE OCULTA! ❤ Mulher, amei cada palavra sua, de verdade. Muito obrigada mesmo, viu? Lembro que havia dito essas mesmas coisas daquela vez (e também agradeço pelas sugestões de melhoria), mas ainda fico besta em lembrar que acha tudo isso de minha humilde história, sinceramente. MUITO, MUITO, MUITO OBRIGADAAA! UM BEIJO NO TEU CORE.❤ E, agora sim, boa leitura. :3

Aí, caralho. O que eu faço? Ela está soluçando! Puta merda, cara!

Tudo bem, já consolei pessoas antes. Mas por que era tão estranho fazer o mesmo em Mia?

Sem contar que me sinto muito culpada. E, aliás, estou chorando também — é claro que estou chorando.

Mia tapava o rosto com ambas as mãos. Seu corpo tremia. De repente, me fitou, mostrando os olhos inchados e vermelhos.

Eu me senti um lixo.

— Não chore, Beth... — murmurou, com a voz embargada. Não dá, eu não controlo isso. Estou me sentindo muito mal. Eu não queria chegar a este ponto. — Você não tem culpa, ouviu? Não tem.

— Me desculpe por ser assim. Eu te amo, Mia. Eu quero você e quero feliz, quero que me conte as coisas. — falei, soluçando. Céus, como eu odiava chorar. — Quero que conte comigo.

Quase não via mais o rosto de Mia de tantas lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Comecei até a sentir frio. O choro parecia me congelar.

Até que percebi: chovia lá fora. Alguns respingos caiam sobre mim pela janela do veículo. Então ouvi um tranco e esfreguei os olhos, vendo os vidros subirem. Olhei de volta para Mia.

Ela estava com a cabeça pousada no volante. Não aparentava chorar mais. Parecia nem estar ali de tão quieta, sinceramente.

A chuva começou a ficar mais forte. Eu via o lado de fora em borrões de gotas. A janela estava úmida por dentro. Havia um estrondo da água batendo no teto do carro.

— Eu sou completamente apaixonada por você. — sussurrei, ainda a fitando.

— Desculpe. — pediu Mia, levantando a cabeça para me fitar outra vez. Seu rosto estava muito inchado e úmido. Mas o interior de seus olhos estava reluzente. Incrivelmente lindos. — Mas não posso dizer o mesmo.

Senti como se uma lança tivesse atravessado o meu peito.

Não pode ser.

Ela não teria dito aquelas coisas para dizer isso agora. Se sim, como pôde? Como teve coragem?

Como pôde brincar com o meu coração?

Eu não quero amar mais ninguém. Isso doí. Doí muito.

Meu cérebro nem raciocinava mais. Ouvi murmurar algo, mas não entendi. E não queria ouvir. Eu não preciso ouvir mais nada.

— ...ase comigo.

— O quê? — pronunciei, espantada com o que pareci ter ouvido.

— Precisa contar à sua mãe, primeiro. Depois pode me responder... — murmurou. Eu tentava entender ainda. — Sei que é cedo e respeitarei o que desejar, desde que continue comigo. Mas respeitarei se não quiser também. Porém, se quiser, tem de contar à sua mãe.

Eu só conseguia fitá-la perplexa. E para me deixar mais confusa ainda, ela começa a rir. Aquela risada gostosa que raramente consigo escutar.

— Por favor, diga alguma coisa. — pediu, sorrindo como uma criança. — Já é difícil dizer isso, imagine esperar uma resposta.

— Mia... — murmurei, engolindo em seco. Meus olhos estavam ardendo. — Eu não entendi. Você diz que não me ama, e depois vem com essa-

— Onde disse que não te amo? — cortou com a voz grave. Seu semblante estava meio enraizado. — Bethany, você me ouviu? Eu disse que não sou apenas apaixonada por você como também não vivo sem você. E quero que case comigo.

— Ah. — murmurei, engolindo em seco outra vez. Então foi isso que disse e eu não ouvi. Maravilha. — Eu... Caramba, eu... não sei o que dizer. Concordo com a parte sobre contar pra minha mãe, mas... me sinto tão nova pra pensar em casar, Mia.

— Vai continuar comigo? — perguntou de novo, pegando minha mão. Eu a fitei, muito indecisa.

— Vou, mas-

— Então está ótimo. — cortou, virando-se para o volante outra vez. Ela levou uma mão até ele e ia movimentando a outra para dar partida. Mas, com certa repulsa, abaixou os dois braços rapidamente, dando um suspiro longo logo após. Eu levantei uma sobrancelha, estranhando o seu comportamento. — Posso sugerir algo?

— O quê? — murmurei, franzindo o cenho.

— Eu gostaria muito de transar com você no banco de trás deste carro.

Aí, meu Jesus. Eu já conseguia sentir o espaço pequeno entre minhas pernas esquentar.

— Não pressione tanto essas coxas. — murmurou, me secando com o olhar. Aquele olhar baixo, cheio de malicia e desejo.

Estou morta.

— Não seria desconfortável fazer isso no carro? — murmurei, sem conseguir fitá-la, mas obviamente me deliciando com a ideia.

— Será desconfortável se não fizermos. — Ela se aproximou, desprendendo-me do cinto. — Para trás, Cortês.

— Mia, não... — sussurrei, sentindo uma ansiedade estranha. Mia me fitou de maneira brusca, piscando os olhos.

— Sério? — questionou, se afastando e relaxando a face novamente. — É, não é o melhor momento. Desculpe. Não medi as palavras.

— Não, Mia. Não é isso. — ressaltei, dando risada. Ela estava sendo muito fofa. — Quem tá lá fora pode ver a gente, querida.

— Está chovendo. — ponderou, apontando para as janelas. Neste instante, houve uma trovejada forte. Sua feição estava bem mais tranquila que o normal. Inocente, até. Por mais que estivesse querendo fazer algo muito indecente no momento. — Bethany, se não quiser fazer, diga. Respeitarei sua vontade, não se preocupe.

Eu demorei o olhar nela. Com o que estou preocupada? Eu realmente ligo para isso? Desde quando virei tão puritana? E principalmente...

Desde quando rejeito Mia?

Quieta como uma onça, me desloquei até o banco detrás do carro. Sentei-me no assento do meio e cruzei as pernas, fitando Mia pelo retrovisor interno, que me observava de canto de olho. Ela, como eu, após retirar o cinto de segurança, moveu-se para o interior do veículo, sentando-se então em meu colo, quieta e serenamente.

Ressalvo que era um pouco desconfortável mesmo, faltava espaço. Tive a sensação de que as pernas de Mia estavam meio torcidas e isso me incomodou, pois poderia dar alguma tensão mais tarde e doer. Levando isso em conta, virei e a deitei no banco. Ela não moveu um músculo durante este processo.

Sentei em sua pélvis e aproveitei para admirá-la um pouco. Como é possível olhar para alguém e sentir tanta necessidade de tê-la por perto, de tocá-la, senti-la? É uma vontade tão grande, que quando posso desfrutar, é isso que acontece: fico boba, apenas contemplando. Mia é muito linda. A melhor coisa que aconteceu na minha vida. Porém...

Apreciar jamais será o suficiente.

Ela estava de olhos fechados. Pousei ambas as mãos nas laterais de seu rosto, o puxando para cima e aproximando do meu. Pude sentir seus lábios bem úmidos e salgados, e isso causou um efeito enorme sobre mim. De súbito, minha respiração já ficou mais audível.

Desci as mãos por seu pescoço, sentindo a pele mansa. Depois, rapidamente finquei minhas unhas sob o tecido leve do vestido que cobria a sua cintura — sem machucar — e pressionei com força. Mas, com o barulho que soou ao fazer isso, pensei até ter rasgado. Estou excitada. Muito. Eu a quero. Eu a quero demais.

Senti suas mãos subirem por minhas costas e pressionarem minha coluna. Só este simples ato me deixou muito mais excitada. Flexionei-me para baixo, a possibilitando ter mais contato com o meu corpo, enquanto explorava seus lábios com intensidade.

— Tira o vestido. — pediu baixinho entre beijos.

— Não... — respondi, sugando seu lábio inferior. Senti uma pequena ardência nas costas, pois me arranhou com força neste instante. — Vou tirar o seu primeiro...

Desvencilhei-me dela, sentando outra vez sobre seu quadril e a observando enquanto eu levantava a barra do vestido, um pouco já para cima, revelando sua calcinha branca contrastando com a cor mestiça. Uma beleza de analisar, inclusive. Mas admito estar bem mais interessada no que estava embaixo desta peça.

Ao puxar o vestido para cima, Mia levantou os braços, facilitando para tirá-lo de vez. Joguei a vestimenta no painel de trás e a admirei novamente, mas não por muito tempo.

A visão de seus seios torneados deixava-me tonta — mesmo ainda cobertos pelo sutiã. E eu queria sugá-los, com certeza.

Felizmente o encaixe da peça era frontal, o que propiciou para que eu abrisse mais rápido. Não que eu fosse leiga para abrir sutiãs. Convivo há muito tempo com esta prática.

Desci as alças por seus ombros com calma, e logo Mia se revelou seminua para mim. Analisei bem seus peitos. Havia marcas vermelhas nas proximidades das axilas — o sutiã devia ter a apertado um pouco, o que é um incomodo desprezível, sei bem.

Então, massageei ternamente as mãos por ali, relaxando-a do desconforto anterior. Olhei para seu rosto. Mia pousou suas mãos por cima das minhas e as moveu por todo o seu tórax. Com isso, não me segurei por muito tempo.

Sem aviso, abocanhei um dos seios, circulando com a ponta da língua e sugando. Era tão bom. Era ainda melhor perceber que era bom para ela, pois suas mãos pressionavam minha cabeça com força e embaraçava meu cabelo de maneira deliciosa.

Escutei sua respiração ficar mais evidente, mais alta. Então, comecei a intermediar entre um seio e outro. Enquanto sugava e lambia um, alisava o outro livre com a mão. Não aproveitava só eles, como toda a pele disponível ao redor — muito bem disponíveis. Novamente, minha audição captou Mia soltando leves suspiros. E meu Jesus, minhas partes baixas ferviam.

Subi com a boca deferindo beijos por sua clavícula. Pousei uma mão na lateral de seu rosto e o puxei um pouco para o lado, encaixando meus lábios na curvatura de seu pescoço. Iniciei uma sessão saborosa ali. Beijei, lambi, chupei, mordi, não me importando nem um pouco em deixar marcas, ao passo que Mia apertava meu corpo com força contra o seu.

A sua respiração estava ficando meio estrangulada. Eu estou excitada, e essa vontade aumenta cada vez mais, entretanto, não estou com pressa. Quero desfrutar de cada parte daquele maravilhoso corpo que é o de Mia.

Deixei seu pescoço em paz e colei nossos lábios novamente. Ela me agarrava com muita força, fixando minha pélvis na sua, deslizando as mãos por toda a extensão das minhas costas e chegando até a minha bunda. A partir daí, fez algo que sempre me deixa sedenta: a pressionou contra si, contra o seu sexo, contra tudo o que desejo no momento. Ah, era muita apelação. Mia não sabia o quanto me deixava doida ao fazer isso.

Agora, sem dúvidas, eu estava com pressa. Suguei seus lábios, explorei minha língua na sua com avidez, e também a suguei. Preguei uma mão em seu ombro e desci até a lateral do seu quadril, apertando devagar e, lentamente, subi de volta ao ombro.

Estava ficando quase sem fôlego de tanta vontade.

— Eu te amo. — sussurrou Mia, me virando com tudo e ficando por cima em seguida.

— Eu também te amo. — sussurrei de volta, sentindo um conforto absurdo se apoderar de mim, e muito mais sede em tê-la. Meu sangue parecia cozinhar. Estava muito abafado. Eu senti uma gota de suor descer pela testa. — Tira meu vestido, Delilah.

— Sim... — murmurou, me dando um beijo rápido e já puxando a seda que me rondava para fora. Tinha uma facilidade imensa para tirar a minha roupa, tanta que me deixava abismada. Avancei para cima dela assim que deixou a peça de lado.

— Espera.

Paralisei.

Os olhos de Mia estavam cerrados. Analisava o meu corpo de cima a baixo. Aquele olhar me deixava mais quente ainda.

Quando fitou meus olhos novamente, pude certificar também que estavam meio desfocados. Posteriormente, me fez deitar de novo no banco e se debruçou sobre mim. Deixou o rosto próximo, encostando a testa na minha.

Com isso, pude observar melhor ainda aquela maravilha que eram seus olhos. Refletiam os meus, esverdeados e nublados. Sempre fui elogiada por causa deles, desde pequena. Diziam que olhos claros eram definitivamente os mais bonitos.

Mas Mia é a prova de que esta concepção é extremamente falha.

Ela passou os braços ao meu redor, me abraçando e ficando assim, quieta. Embora eu sentisse seu coração martelar sobre o meu, que também parecia querer sair para dar um oi.

— Obrigada por ser minha, Beth. — sussurrou. Não pude deixar de sorrir e a abraçar mais forte ao ouvir isso.

Descansei a cabeça sobre seu ombro, sentindo seu cheiro mais intenso. Passava uma sensação de embriaguez.

— Eu posso agradecer também, Delilah? — murmurei, alisando suas costas de leve com os dedos.

— Só se quiser. — respondeu, beijando meu pescoço.

Puxei seu cabelo para o lado, deixando o pescoço visível. Comecei a beijar ali de novo. Ela apertou os braços ao meu redor com mais força.

Rolei com ela no banco, voltando a ficar por cima outra vez. Desci de seu pescoço até a barriga com beijos. Chegando ali, mordi as laterais de sua cintura — era irresistível não fazer isso com aquela pele gostosa. Sua respiração voltou a ficar audível, mas isso não estava me satisfazendo. Eu queria algo mais vindo daquela boca.

Aproximei-me de sua virilha, puxando um lado de calcinha para baixo. Beijei e chupei esta área livre um pouco, puxando o outro lado da peça em seguida e a descendo por inteiro para baixo.

Olhei para cima. Mia estava com os cotovelos apoiados no assento, me observando. Parecia morder o lábio inferior, pois estava meio comprimido para dentro — Ela não tem o lábio tão fino assim.

— Quer me torturar? — murmurou. Eu apenas sorri e continuei, descendo a calcinha por suas pernas, a arremessando para trás. Nem me dei o trabalho de olhar para onde. Não conseguia tirar os olhos dela.

Vi soltar um suspiro agonizado, o peito inflando com isso. Se for realmente uma tortura, admito estar adorando executá-la.

Passei a língua pelo clitóris, de um lado para o outro, arrancando mais suspiros de Mia. Só de estar querendo já me fazia embaraçar por dentro. Então não aguentei torturar mais. Eu queria satisfazê-la.

Finquei minhas unhas em suas nádegas e puxei sua intimidade à minha boca. Na hora, Mia gemeu bem alto, empurrando seu sexo contra o meu rosto para mais contato com a língua. Meu Deus, tinha um gosto bom. Eu podia fazer isso para sempre.

Eu estava com os olhos fechados, mas sabia que se contorcia. Eram múrmuros e gemidos sem pausa. Aquilo estava acabando comigo. Não estava dando para suportar.

Acabei tirando uma mão de seu traseiro e deslizei para dentro da minha calcinha, começando a me masturbar, mas sem parar de chupá-la. Eu estava dormente de desejo.

— Pa... Para. Tira... essa mão daí... — falava Mia, afobada. Eu não entendi, parando para fitá-la.

Ela se levantou rapidamente e me puxou, me beijando com força, puxando meu corpo para si e querendo arrancar minhas roupas intimas.

Ouvi algo rasgando, mas foi abafado bem na hora por uma trovoada. Levei um susto daqueles, sério. A chuva estava ficando cada vez mais forte.

Mia tinha arrancado minha calcinha. Olhei para seus olhos outra vez e... Santo pai eterno. Essa mulher é uma víbora. Eu quero ser devorada.

Focou o meu sutiã. Rapidamente o tirou, mas meus seios latejaram com a força que usou para isso — até grunhi, sem querer.

— Desculpe. — sussurrou, me deitando no banco enquanto massageava meu busto. Aqueles olhos... É como se um animal tivesse se apoderado dela. Isso é excitante pra caralho. — Está melhor assim?

Eu assenti rapidamente e a puxei para beijá-la, colando nossos corpos mais uma vez. Porém, sempre quis fazer uma coisa em Mia. E acho que está na hora de apimentar um pouco as coisas.

— Amor, vira de costas. — pedi, começando a virá-la sem mesmo concordar. Vi seu cenho franzido, mas virou mesmo assim, ficando de costas e sentada em cima do meu quadril. Eu prosseguia deitada no banco.

Não pensei duas vezes. Levantei seu corpo para cima pela área lombar e a fiz sentar em cima do meu rosto. Encaixei seu clitóris na minha boca e chupei com vontade, ouvindo Mia gemer vagarosamente.

Iniciei um vai e vem lento, com as mãos prensadas na sua cintura, estimulando seu sexo contra o meu rosto. Deslizava com facilidade, Mia estava muito molhada. E este fato só satisfazia o meu interior.

Seus gemidos ainda eram coisa de outro mundo para mim. Acostumei com sua voz rouca, aveludada, tranquila e calculada. Agora ouvia aqueles gemidos afinados, altos, descontrolados. Muito intensos. Muito espontâneos. E, por fim, lembrar que quem a faz se libertar a este ponto sou eu, comprova que, sem sombra de dúvida, sou uma puta sortuda do cacete.

Em dado momento, senti algo se apoderar de meu íntimo. Mia, aparentemente, começou a me masturbar com as mãos. Eu parei o que fazia imediatamente, pois não conseguia suprimir os gemidos. Puta que pariu, juro que vou morrer aqui. Queria que me chupasse ao mesmo tempo que eu a chupava, mas o espaço desse carro não ajudava em porra nenhuma. Estou me irritando à toa, eu sei, mas é que estou muito excitada.

— Beeth, Beth... — chamava Mia, ou melhor, clamava, de um jeito que senti o ápice querendo vir. Eu só conseguia gemer. E, para piorar — melhorar, na verdade —, ela começou a me penetrar com os dedos. Ah, meu Deus. Eu vou gozar.

De repente suas mãos pararam, mas algo melhor veio em seguida. Mia se levantou, voltando a ficar de frente para mim. Deu-me um beijo rápido e desceu, me proporcionando visualizar o seu rosto encostando nos meus lábios debaixo.

Revirei de prazer com a sua língua. Não dava, eu não conseguia controlar mais nada. Sua boca era mágica, sugando todo o meu interior. Eu queria mais, e mais, e mais, mais, mais, porém... Comecei a me contorcer. Minhas mãos foram parar em seus cabelos e a fiz circular a boca no meu íntimo enquanto chegava ao auge. Rendi minha cabeça ao banco do carro, arfando e arqueando o corpo, libertando toda a voz que existia dentro de mim, sem me importar com mais nada.

E, da mesma forma que veio, se foi. Fui relaxando aos poucos e tentando recuperar o fôlego — mesmo aparentando ser impossível ao momento.

Acho que foi a melhor transa da minha vida.

Senti Mia subir, beijando o meu corpo até chegar ao meu rosto. Estava toda descabelada e linda, é claro. Pousou sua cabeça ao lado da minha e ficou me observando. E eu o mesmo. Ela era tão linda... Tão incrível. Tão maravilhosa. Tão ela.

Em seguida, gesticulou uma mão, apontando com o indicador para os lábios, depois os lambendo. Que insinuação!

— É doce? — perguntei, sorrindo descaradamente.

— Não sei. — Ela me beijou e manteve o rosto colado ao meu. — Terei que degustar mais vezes para constatar.

— Só mais algumas? — murmurei, fingindo um semblante triste. Ela deu um meio sorriso. E que sorriso, nossa senhora.

— Algumas milhares de vezes. — Beijou-me novamente. — Não faça mais aquilo, está bem?

— Aquilo o quê, Delilah?

— Isso — Ela pegou a minha mão e colocou por cima da minha virilha. Eu franzi o cenho. — em si mesma. Não precisa. Posso dar o prazer que deseja. Quando quiser, onde quiser. É só pedir, Callie.

— Você nunca mais me chamou assim. — sussurrei, apreciando o seu rosto, sem sequer dar o esforço de responder o que colocou em pauta.

— Vou chamar mais vezes, amor. Vou chamar sempre por você.

XXX

— Deveríamos fazer isso com mais frequência no seu carro...

— Não, Bethany. Foi uma péssima ideia. — falei enquanto adentrávamos o apartamento. Minha frase soou tão ridícula que me segurei para não rir.

— Nossa, grossa! O que fiz de errado? — questionou, fazendo uma cara emburrada. Infelizmente não consegui segurar mais a risada. Bethany começou a rir também. — Teu sorriso é lindo demais. — murmurou, sem tirar os olhos dos meus.

— Eu conheço um muito mais lindo. — murmurei, me aproximando dela. Ela continuava com um sorriso encantador no rosto. — Adivinhe de quem.

— Ah, eu consigo ter uma boa ideia. — pronunciou. Mas não foi Bethany que disse isso.

Eu paralisei. Bethany me fitava com um terror no olhar que nunca pensei em me deparar na vida.

Olhei através dela e constatei uma silhueta sentada no sofá da sala de estar. As luzes estavam apagadas, mas não eram necessárias para saber quem era. A voz já bastava, sem dúvidas.

Admito que não houve muitas vezes em minha vida em que não tivesse noção do que fazer. Sempre fui muito prudente. Mas este com certeza não é um desses momentos.

— O que foi? A Kiara comeu a língua de vocês? Ou o Harris? — debochou Denise. — O que está fazendo aqui, Bethany Cortês?

— Denise, ela veio porque pedi. — declarei, me preparando para defender Bethany do impossível.

— Eu não deixei explicitamente claro pra não vir? — pronunciou Denise, me ignorando. — Retire-se, Mia. Quero conversar com a minha filha a sós.

— Desta vez não, Denise. — retruquei, indo até o interruptor e acendendo as luzes. Mas gostaria de não ter feito isso, sinceramente.

O rosto de Denise estava vermelho como pimenta. Os olhos inchados e fundos. Seu cabelo e roupa estavam impecáveis, no entanto.

— Wallace me contou tudo. Inclusive, entrei em contato com meus agentes pra retirar os trinta por cento das ações direcionadas ao Ricchard. — contou ela. Eu arregalei os olhos.

— Mãe... — começou Bethany.

— Eu sei que namoram. E isso não me impressiona, crianças. Sabia que havia algo, mas não sabia se era sério. Mas não me importa. Não cabe a mim decidir se ficam juntas. Só vocês mesmas. — admitiu, levantando-se e chegando perto da lareira. — Mas Bethany, quando realmente vou poder confiar em você? — questionou com o semblante triste, voltando a fitar Bethany. — Quando realmente vai valorizar os meus esforços e se esforçar da mesma forma? Deixei explícito pra não vir e mesmo assim veio. Perdeu aulas, perdeu-se de novo. Até quando, Bethany?

— Mãe, eu sei que-

— Sim, você sabe. Sempre soube. E continua fazendo as coisas. Continua me decepcionando. Continua uma criança. — murmurou Denise, meneando a cabeça. — E você, Mia? Realmente não sabia que Bethany era minha filha? Devo duvidar das suas intenções também? Sabendo que pedi pra ela não vir, acobertou? É assim que quer que eu permaneça confiando em você, Mia?

— Eu sinto muito por Ricchard. — murmurei, mas senti uma raiva crescente em meu ser. — Mas se é uma decepção amorosa que a faz desconfiar de mim, podemos resolver isso com facilidade.

— Espera, o que quer dizer? — questionou Bethany, pegando um de meus braços.

— Eu me demito. — falei e, de imediato, senti um alivio imensurável.

— O quê? — quase gritou Denise. Olhava-me pasma. — Está falando sério?

— Mia, o que está fazendo? — questionou Bethany, balançando meu braço freneticamente. Eu continuei a fitar Denise.

— Estou cansada. Essas coisas estão me fazendo mal. Não é o que quero. Nunca visei isso. — admiti, sentando-me na poltrona mais próxima. Olhei de Bethany para Denise. — O que me propôs é direito de Bethany por nome. — ressaltei, mas decidi me expressar melhor: — Quer dizer, por sangue.

— Sabe bem porque propus a você. Se for esse o problema, basta rejeitar. Não é necessário chegar a esse ponto, Mia. Sabe quão é importante à agência. — argumentou Denise, aparentando estar mais calma. Agora era a CEO, não mais mãe irritada com a filha ou com o ex-namorado traíra. Eu revirei os olhos por dentro.

— Já me decidi. Sei que consegue alguém melhor para este serviço. Você é muito capaz e prova isso como ninguém. — falei e me levantei novamente. — Eu vou voltar com Bethany para Nova Iorque. Ela sabe que errou. Inclusive, menti sobre ter pedido para que viesse. Eu nem sabia, senão teria impedido. Mas, para começo de conversa, nem ao menos eu queria vir. — acrescentei. Cansei de guardar tudo para mim. — Aliás, sei que está em meu nome, mas venderei o apartamento e depositarei o que for arrecadado nos fundos da empresa. A única coisa que não quero me desfazer é de Bethany e espero que realmente não tenha nada contra isso.

— Eu não tenho nada contra, Mia, já lhe disse, mas-

— Pois ótimo. — cortei, suspirando alto e caminhando ao corredor. — Fiquem à vontade. Prepararei as malas.

XXX

— Não achei certo, Mia. Sinto que-

— Sente o quê? — questionei, fitando Bethany. Ela piscou várias vezes e abriu a boca para pronunciar, mas depois a fechou. Após, desviou o olhar de mim e pareceu querer continuar caminhando. Eu a parei com o braço. — O que foi? Diga.

Estávamos no aeroporto. Dormi a viagem inteira de Paris até aqui. Viajar de avião, com certeza, não é algo que desejarei experimentar outra vez tão em breve. É enjoativo demais.

Após tudo, Denise disse para que voltássemos de primeira classe, pois bancaria, mas rejeitei a oferta. Não estou mais debaixo de suas asas para aceitar qualquer coisa. A partir de agora será diferente.

Mas, novamente, Bethany parece incomodada com algo. E a pior parte é que, não importa o quanto eu pense ou cogite, não faço a mínima ideia do que está pensando.

O local estava bem barulhento naquele horário. Minha cabeça não gostava de tanta agitação ao redor, mas admito ser surreal visualizar estruturas tão grandes saindo do solo e subindo ao céu pelas enormes janelas que iam do chão ao teto do aeroporto. E admito também que dava medo. Muito medo. Mas, bem, não pude visualizar isso dentro do avião, afinal, o remédio me fez adormecer quase instantaneamente.

— Não é o melhor momento, acho... — murmurou ela, sem me fitar ainda. Tirou meu braço da frente e continuou a caminhar, enquanto uma mão puxava a mala de rodinhas.

— Por quê?

— Porque você parece não querer me ouvir.

Foi minha vez de piscar várias vezes. Eu? Não querendo a ouvir? Acho que isso nunca aconteceu. Nem uma mera vez — e me refiro a desde que estamos juntas de maneira íntima, é claro.

— Por que esta impressão? — tornei a perguntar, curiosa.

— Você tá me olhando de um jeito que passa essa sensação, Mia.

— Delilah. — corrigi, me aproximando dela. — Que jeito?

— Aí, Delilah. Eu preciso realmente descrever pra você?

— Por que está irritada?

— Eu não tô... — Ela parou de caminhar e respirou fundo. Já nos encontrávamos fora do aeroporto. Eu sinalizaria para algum táxi, mas vejamos o que se passa pela cabeça desta pérola rica. Porém, o tempo estava quente. Minha blusa estava me cozinhando. — Tipo... Você olha como se fosse já dizer N motivos pra ter decidido as coisas e que não importa minha opinião, não vai mudar o que já tá definido.

— É sobre minha demissão, não é? — quis confirmar. Ela deu de ombros. Vestia uma regata degrade, e reconheço querer beijar seus ombros neste momento. — O que seria melhor? Estou te ouvindo.

— Parece que fez isso porque estava chateada com a minha mãe por ter desconfiado de você como Wallace.

— Então o que faria em meu lugar, Beth? — questionei, a fitando com atenção.

— Ah, sei lá... Tentaria esfriar a cabeça antes... — disse ela, sinalizando para um taxi próximo. Um rapaz alto e magricela saiu do veículo e veio em nossa direção.

— Olá, moças. Querem ajuda com as malas? — ofereceu-se o rapaz, com um sorriso saliente para Bethany. Saliente demais.

— Nos deixe entrar primeiro. Está calor. — falei. Ele não me fitou até então. Mas, ao virar-se, seu sorriso pareceu aumentar ainda mais, intercalando de mim para Bethany. Em seguida, correu até a porta traseira do carro e a abriu, sinalizando para que entrássemos. Fui arrastando a mala para perto, Bethany em meu encalço.

— Lembra das paredes do meu quarto, Beth? — questionei, enquanto Bethany entrava no veículo. Fiquei checando se o rapaz colocava nossos pertences corretamente no porta-malas antes de entrar logo após.

— Lembro, Delilah. — respondeu Bethany, sem me fitar. Admito que detesto quando as pessoas não me olham ao dizer as coisas. Que mania desprezível.

— E aí, meninas. Estão voltando de viagem ou passeando só? — questionou o motorista, puxando assunto. Eu revirei os olhos internamente enquanto o mesmo dava partida.

— Voltando, querido. Já passeamos demais. — respondeu Bethany, dando uma risada simpática. Depois informou o nosso destino.

Eu juro que não estou naqueles dias “vermelhos”, mas meu humor não está dos melhores. Também admito sentir um forte e desconfortável ciúme no momento.

Então vamos brincar um pouco.

— Pois é. — comentei, puxando um pouco o rosto de Bethany para perto, fazendo-a finalmente fitar meus olhos. Ela franziu o cenho na hora. Eu gostava tanto daqueles olhos. Por que evitava me olhar? — Vou fazer aquelas pinturas no quarto da nossa casa também.

— Nossa casa? — repetiu Bethany, com os olhos arregalados, dando uma olhadela para o banco da frente imediatamente. Eu assenti, como um diálogo normal — e era, mas você sabe como as pessoas são.

Senti o motorista nos fitando pelo retrovisor interno, o que me incentivou a continuar.

— Sim. A ideia te incomoda?

— Não, Delilah... De verdade, não mesmo. — respondeu ela, sorrindo com sinceridade. Eu não pude deixar de sorrir. O sorriso dela mexe comigo. Sempre mexeu.

— Vamos resolver isso em breve. — murmurei, movendo meus olhos dos seus para sua boca, depois voltando a fitá-los. Bethany pareceu um pouco hipnotizada com isso. E às vezes esqueço que tenho, em certas circunstâncias, um pouco de encanto sobre ela.

O que é injusto, já que vivo em seu encanto sempre.

Mas vamos incrementar mais um pouco.

Virei-me no centro do banco, de frente para o retrovisor interno e comecei a tirar a blusa (eu vestia uma camiseta por baixo). Porém, senti um puxão muito, muito forte e selvagem. Depois, rapidamente Bethany me abraçou — ou me agarrou, mais precisamente.

Eu queria rir.

— Se tirar essa blusa, juro que fico sem falar com você por dias. — sussurrou em meu ouvido.

— Pimenta nos olhos dos outros é refresco. — recitei no mesmo tom. Bethany me apertou mais forte.

— O que eu fiz, Delilah? — questionou ainda em um sussurro.

— Não sei, querida. — murmurei de modo cínico. — Ainda bem que já passeamos demais.

Bethany começou a rir. Eu continuei a fitando séria. Olhei para o retrovisor outra vez, mas os olhos do motorista estavam fixos no trânsito. Então não tinha mais graça. Virei de volta e a beijei com força, mas o cessei de modo que não fizesse barulho nenhum vindo de nossos lábios.

— Não ache essas coisas. Nunca mais pense que não te ouço. Sei que sou ignorante na maior parte do tempo, mas não quero ser assim com você. E Beth, eu queria fazer aquilo faz muito tempo. Só me faltava coragem. — expliquei, retomando o assunto anterior. Bethany me analisava com atenção agora. E foi minha vez de não conseguir olhá-la nos olhos. — Mas desculpe por não ter contado a você.

— Mia, sabe que não é obrigada a me contar... É só que...

— Sim, eu sei. Mas iria querer o mesmo de ti. Então, me desculpe. — falei, sentindo um peso esvair do meu corpo. Até respirar ficou melhor.

— Tá tudo bem. Sei que estava fazendo mal. Nunca foi o seu objetivo, não é? — comentou ela, assentindo consigo mesma.

— Sabe que não. E não se preocupe comigo. — pedi, acariciando o seu rosto.

— Moças, chegamos. — anunciou o motorista, já em frente ao nosso condomínio.

Mesmo com os protestos de Bethany, paguei o táxi e assim descemos do carro, retirando as coisas rapidamente do porta-malas — desta vez, o rapaz não se prontificou a ajudar — e passando pelo portão do prédio. Cumprimentamos o vigia e caminhamos pela recepção, indo até o elevador.

— Não peça o impossível. — murmurou Bethany, do nada, enquanto selecionava nosso andar.

— O quê?

— Não peça pra não me preocupar com você. — disse ela, me fitando com franqueza. — Eu me importo com você. E às vezes sinto como se-

Cortei sua fala ao empurrá-la na parede da cabine e beijá-la.

— Está se preocupando à toa. — sussurrei, dando-lhe um beijo na testa. Bethany realmente estava se preocupando demais.

Chegando ao andar, lembrei que o celular de Bethany estava comigo — na verdade, recordo que foi me dado na hora em que passamos pelo detector de metais do aeroporto.

— Beth, seu celular. — relembrei e o entreguei. Ela me deu um sorriso caloroso em agradecimento. Eu caminhei até a porta do meu apartamento. — Vou só guardar minhas coisas e depois venho falar com você, OK? — falei, abrindo a porta e depois me virando para fitá-la. Mas Bethany fitava fixamente a tela do celular. — Beth?

Não me respondeu de novo. Continuava parada no corredor olhando para o aparelho. Eu franzi o rosto e a passos largos me aproximei, visualizando a tela.

Havia uma janela de conversa aberta. Michael Sunnin; era o nome do contato. Não lembro de ninguém conhecido dela que se chamasse assim — se bem que possuo uma péssima memória para essas coisas.

Li as mensagens e constatei o que a prendia como uma estátua no lugar.

MICHAEL SUNNIN

Online

ATENDE ESSA PORRA DE CELULAR, BETHANY

ACHO QUE A DENISE SOFREU UM ACIDENTE

BETHANY, ATENDE PELO AMOR DE DEUS

Notas finais
Você já se encontra quase no final de Oculta, infelizmente. :c Mas possuo outro projeto sendo postado na Nyah!: chama-se "Mnemônico". Se tiver um tempinho livre, que tal dar uma olhada? Ah, também é yuri, viu. Acesse o meu perfil aí e seja feliz. c: Beijo!