— Bethany, quem é Michael? — questionei com a voz grave. Bethany ainda fitava o celular sem demonstrar nenhuma reação, então estalei os dedos em frente ao seu rosto, daí finalmente me olhou. — Quem é Michael, Bethany?

— Meu... Meu irmão... — disse. Mas seus olhos não me focavam. Era como se o seu cérebro tivesse entrado em pane.

Eu tirei o celular de sua mão e acessei a lista de chamada, checando as últimas ligações. Havia dezessete chamadas não atendidas em nome de Michael Sunnin e outras vinte de um número desconhecido. Eu engoli em seco. Cliquei em cima do número de seu irmão para iniciar uma chamada de retorno.

— Aleluia! — ouvi uma voz grossa gritar na linha. — Bethany, preciso-

— Se acalme, é a Mia. A namorada dela. — falei, sentindo uma sensação ótima ao dizer isso, mesmo sendo um momento aparentemente inválido para tal. — O que houve?

— Mia? Ah, Mia. Desculpa. — pediu em tom trêmulo. Eu realmente estava começando a me preocupar a este ponto. — Onde ela tá? Por favor, passa o celular pra ela.

— Ela está comigo. Leu sua mensagem. — Bethany me fitava ansiosa. Seus olhos estavam vermelhos. Eu sabia que se segurava para não chorar e não gostei disso. — É melhor falar comigo. Tem certeza sobre o que disse? Quem te informou?

— Ricchard ligou pro nosso pai porque não conseguia ligar pra Bethany porque teve um acidente de avião por lá e ele tá preocupado que a Denise tenha ido nele... Por enquanto tá tentando contatar a linha aérea pra ter mais informações agora. — explicou Michael afobado. — Se não conseguirem, vou pra Paris essa noite tentar ver alguma coisa. Vocês ainda estão aí?

— Não, acabamos de chegar em Nova Iorque. Denise disse que pegaria um voo mais tarde. Mas também posso voltar. — falei, não pensando duas vezes.

— Você não vai sozinha de jeito nenhum, Mia. — esbravejou Bethany.

— Não, não... Pensando melhor, não vai adiantar a gente ir sem confirmar nada, Mia. — ponderou Michael. Gostei de sua perspicácia. Bethany não era assim na maior parte do tempo. — Vocês podem vir pra cá? Por favor.

XXX

— Vira à direita. Não, não. É esquerda. Ah, meu Deus. Eu não lembro. — praguejou Bethany, esfregando o rosto.

— Lembra do endereço? Vou colocar no GPS. — falei, tentando soar a mais carinhosa possível. Só imagino o que Bethany esteja passando. Eu mesma não estou bem, mas devo me manter calma antes que ambas surtemos.

Ela me disse o endereço — mesmo gaguejando e falando alto demais — e inseri no GPS. Ao ouvir as coordenadas, rapidamente ajustei o caminho, acelerando um pouco demais. Admito estar com pressa, mas com Bethany não sabendo me dar as informações corretas, está complicado.

Estávamos em uma marginal. O GPS informou para virar à direita, como Bethany disse antes. Porém, ao prosseguir, um trânsito infernal nos barrou.

Eu respirei fundo, sem deixar que Bethany sentisse ou ouvisse meu aterro. Precisava me manter calma. Calma, calma, calma.

E se este é o avião em que Denise embarcou? E se sofreu alguma coisa? E se...

Peguei o celular e disquei o número de Denise, dando uma olhadela ao redor para verificar se não havia guardas de trânsito por perto. A chamada apitava, apenas. Ninguém atendia.

— Tá ligando pra quem? — perguntou Bethany. Eu abanei com uma mão para ela, pedindo para que ficasse quieta, então nada mais disse. A chamada foi para a caixa postal e desliguei, ligando para Ricchard em seguida.

— Alô? — pronunciou a voz de Ricchard, meio cansada e rouca. O interior da chamada estava bem barulhento.

— É a Mia. Explique melhor o que aconteceu, Ricch.

— Peguei o número de vocês com Wallace, que tá aqui comigo, mas vocês não atenderam. — explicava ele, com a voz trêmula. — Agora há pouco confirmei com a direção do aeroporto... e ela tava nesse voo, Mia.

— Sabe onde aconteceu? — perguntei, tentando manter minha atenção para o tráfico também.

— Disseram que... caiu no mar. — respondeu com a voz embargada. Eu engoli em seco. — Estão tentando resgatar o máximo de pessoas possíveis, mas até agora não tive notícias dela.

— Consegue nos manter informadas? Salve meu número, por favor. — pedi, sentindo meu coração acelerar a cada palavra.

— Consigo sim, pode deixar. — disse ele e ouvi a voz de Wallace no fundo. Nestas circunstâncias, não pude sentir nada com ele ali. Pelo menos fez algo de útil. — Avise o pai e os irmãos dela também, sim?

— Aviso. Obrigada, Ricch.

Desliguei e guardei o celular. Sem fitar Bethany, prossegui o caminho, diminuindo a velocidade. Ir rápido para quê? Não adiantaria. Nem sei em que mãos essa situação está agora.

— E aí? — questionou Bethany. Continuei com os olhos na rua. Saindo da marginal, o GPS seguiu por uma avenida um tanto deserta, o que me causava certo anseio. Só o que falta é esta coisa não estar funcionando direito.

Mas, em seguida, adentrei em um bairro bem chique. Eram casas gigantescas. No máximo, em cada quarteirão, haviam quatro. Estou falando sério. Duas de um lado e duas de outro.

— Mia. — chamou outra vez.

— Posso dizer quando chegarmos? — falei, olhando-a de canto. Bethany me analisou por um momento.

— Tá. — respondeu, cruzando os braços. O GPS apitou de novo.

Ao virar a rua seguinte, Bethany apontou para um muro gigantesco revestido por plantas. Analisando melhor, havia um padrão pelo bairro: uma enorme passarela que dava acesso à varanda das mansões esbranquiçadas, de baixos muros de vidro que proporcionavam a visão de seus interiores, plenamente bem planejados. A arquitetura era limpa, com bastante menção harmoniosa com a natureza; algumas árvores mantinham-se na parte da frente.

Contudo, onde nos encontrávamos, era o único local com aspecto distinto das outras residências — ao menos sua entrada. Muros gigantescos preenchidos por plantas não davam visibilidade ao lado de dentro. Parecia até um tipo de complexo.

À princípio, avistei o que parecia ser o portão. Ele se mesclava ao muro e era feito de madeira polida — também não oferecia visão do interior —. Havia um interfone em sua extremidade, ao lado esquerdo.

Eu estacionei em frente, tirei o cinto e abri a porta em seguida, mas ao tentar me deslocar para fora, Bethany me puxou para dentro novamente.

— Deixa comigo. Não sei se os seguranças vão te reconhecer. — disse com uma carranca séria. Eu assenti e sentei outra vez, fechando a porta. Bethany saiu do carro logo após, indo até onde jazia o interfone.

Aliás, aquele bairro, com certeza, era muito silencioso. Sentia-me em algum apocalipse. E admito que nunca me senti incomodada com o silêncio tanto como agora.

Houve um chiado vindo do aparelho onde Bethany se encontrava próxima. Pude ouvir um múrmuro em seguida, mas não compreendi a mensagem.

— Bethany. Estou de carro e acompanhada. — respondeu Bethany de maneira prática.

Ouvi mais um chiado, mais um múrmuro e não entendi o que foi dito novamente. Bethany voltou para o carro. Não se preocupou em adicionar o cinto, aliás.

O portão começou a abrir, subindo na vertical e ficando suspenso, como uma cobertura. Finalmente pude ter a visão interna do domicílio.

Sua entrada era deslumbrante. Ao me deparar com a casa, admito: não deveria chamar aquilo de casa ou o que seja. Chegava a ser inválido. A estrutura era imensa, absurda. O terreno deve ser igualmente enorme, pois, de onde estávamos, ela ainda parecia levemente distante.

— Bem-vinda a minha antiga casa. — murmurou Bethany.

— É incrível. — respondi, ainda estupefata.

— É. Espere só pra conhecer o dono.

XXX

Eu não quero ir. Sério. Prometi a mim mesma que não voltaria de jeito nenhum e, adivinha, estou voltando a este inferno.

Mia girou o veículo e passou pelo portão. Logo ele começou a descer à sua posição anterior enquanto seguíamos em frente.

A entrada sempre fora deste jeito: um gramado sem fim. Mas até para alguém que não curtia mato, como eu, tinha de admitir: a vista era fascinante. Havia esculturas de mato — e não consigo deixar de usar o termo “mato” — espalhadas por lá, também incríveis. Meu pai fazia questão de mandar refazê-las sempre que possível.

A casa é a mesma de sempre; luxuosa, enorme, linda e diferente das outras pelo quarteirão — inclusive, quarteirão esse que pertence(ia) ao meu pai. Lembro-me que, quando fugi, algumas residências ainda estavam em construção. Talvez aja vizinhos novos. Bom, deixando isso de lado: a residência Taylor era mais “quadriculada”, moderna, basicamente. Tinha muitas sacadas e nem havia porta no piso térreo. O que separava o interior do lado de fora era vidro, do chão ao teto ou nem isso. Era algo de muito bom gosto, muito planejamento. E, claro, muito dinheiro.

Aliás, bom gosto lembra quem? Denise. Claramente o meu pai não teria tamanho quesito, então, sim, o mérito é dela, total, por esta mansão ser tão genuína. E lembrar deste fato me estrangulou de uma maneira muito intensa agora.

— Vira aqui. Descendo, tem onde estacionar. — falei e sinalizei, engolindo em seco. Mia virou o volante, descendo o morro que dava acesso às garagens. Era onde também ficavam os salões de festas e jogos, além das quadras de futebol, vôlei e tênis. Sim, ali era muito grande.

— É enorme. — murmurou Mia. — Realmente morou aqui?

— Sim.

— E fugiu daqui? — questionou. Seu tom de voz estava estranho. Mas eu não queria fitá-la. Estava irritada por não me contar o que conversou com Ricchard.

— Por que faz perguntas que já sabe a resposta?

— Porque não está olhando para mim e isso incomoda. — admitiu com a voz um tanto grave demais. Eu a fitei com o cenho franzido. Mia me olhava da mesma forma. — Eu vou falar. Em momento algum mostrei que não diria o que quer saber. Só quero falar a seus irmãos também.

— Pode dizer agora e depois dizer pra eles.

— Eu teria dito se fosse uma boa notícia.

Meu coração palpitou forte ao ouvi-la dizer isso.

— Ele disse que retornaria à ligação se soubesse de mais alguma coisa. Paciência. — acrescentou, desviando o olhar para frente.

Admito que nunca senti tanta vontade de chorar igual neste momento. Por que Mia estava agindo assim? Caramba, a situação já não está boa. Minha mãe pode estar morta e eu, aqui, sem poder fazer nada.

— Desculpe. — murmurou ela. Eu não a fitei. Senti o motor do carro desligar. O barulho de grilos (é obvio que haveria bichos, só tem mato neste lugar) por perto invadiu meus ouvidos. — Eu apenas não sei o que fazer, Bethany.

Eu também não sei. Nunca soube, na verdade.

XXX

— Aleluia, Beth! — clamou Michael ao me ver entrar no Hall. Mesmo naquela situação, abri um sorriso e abracei meu irmão ternamente. Eu adorava Michael, não adianta. Ele é só o melhor irmão do mundo.

Tentei me desvencilhar dele, mas não consegui. Michael não me soltava. Eu sentia seu coração palpitar forte.

Eu sei, Michael. Também estou preocupada, mano.

— Vai esmagar a guria, rapaz. — ouvi uma voz conhecida. É claro que era Jason. Aí Michael teve a obrigação de me soltar para que eu pudesse abraçar aquela pessoinha terrível. E abracei forte, só não durou muito tempo. Eu e Jason nunca fomos de muito contato corporal, admito.

— Você é a Mia. — murmurou Jason, apontando para ela, que jazia atrás de mim, perto da varanda. Mia só assentiu, sem mudar a feição e sem fazer menção para entrar. — E eu não me lembrava de você ser tão alta.

— Pelo menos se lembra de mim. Já não posso dizer o mesmo. — respondeu ela, levantando um canto da boca. Ô bicha charmosa, viu. — E isso não é uma afronta, aliás. — acrescentou, aproximando-se e apertando a mão de Jason. — Prazer.

— Não tem problema não se lembrar do Jason. Ele não faz diferença mesmo. — provocou Michael, cumprimentando Mia também. Jason lhe deu um tapa na testa.

— Menos, gente. Passar vergonha na frente da namorada, não. — alertei, cruzando os braços. — Lembrem-se do que pediam quando traziam as suas, por favor.

— Puta merda. Lembra a vez que o pai começou a falar dos dedos dos pés do Michael? Nunca mais vi aquela guria. — relembrou Jason, nostálgico e rindo alto. Eu comecei a rir também. Os pés de Michael eram um caso sério.

— Cara... Era só passar um creminho. Maior preconceito isso aí. — murmurou Michael, parecendo chateado.

— Talvez ela não estivesse disposta a receber tantas informações. — comentou Mia. Eu engasguei de rir ao ouvir. Jason me acompanhou nessa.

— Ah, mas se eu te contar de umas coisa da Bethany, meniiiinaa do cée-

— Cala essa tua boca agora, Michael. — cortei-o, tapando sua boca com as mãos. Ele ria abafado e babando na minha palma. Ai, que nojo.

— Eeeeu vou contar! — gritou Jason. Eu levei um susto, mas já tinha me afastado de Michael para censurá-lo. Mas a peste correu e subiu em cima do sofá, pulando para o outro lado. — ELA... PEIDA!

— Ah, vai à merda, Jason. — xinguei, me deitando no sofá. Mas gargalhando junto com estes alheios. Exceto Mia, que prosseguia quieta.

Eu a fitei. Ela me olhava de um jeito muito meigo. Não resisti em sorrir. E consegui arrancar um sorriso de volta. Meu Deus, sempre me desmonta com isso.

— Vocês só sabem fazer bagunça. Quando vão tomar jeito? Os dois já tem barba na cara... — pronunciou alguém.

Eu não olhei. Continuei fitando Mia. Ela não me fitava e sua feição estava séria, atenta, além da linguagem corporal, rígida, ambas as mãos dentro dos bolsos da calça. Isso definia mais seus músculos e curvas do corpo, o que, com certeza, prendia a minha atenção, então, imagine se eu me concentrar só nele. Até senti o (meu) corpo esquentar.

— Bethany. — chamou William. Meu pai apareceu na minha visão. Vestia um terno — como sempre. Posso ressaltar que foram poucas as vezes em que o vi utilizando qualquer outro tipo de vestimenta. — Quanto tempo, filha.

— Oi, pai. — Levantei, dando um meio sorriso. A gente já se resolveu, não? Ou mais ou menos isso. Quer dizer, não muito. Mas eu ainda estava nervosa para caralho.

Fui em sua direção. Ele abriu os braços e deu um singelo sorriso, então eu sabia que realmente estava feliz em me ver. Aceitei o abraço.

Mas a única coisa que rondava minha mente era... a Mia.

Mia.

Mia.

Meu Deus, a Mia.

Mia, a minha namorada.

Namorada. NamoradA. NAMORADA.

— E quem é esta mocinha? — questionou meu pai, virando-se e fitando Mia. Mas sua feição mudou imediatamente. — Oras, o que faz aqui?

— Pai, isso é jeito de falar com ela? — esbravejei, não entendendo. Ele franziu o cenho.

— Não, desculpe. Na verdade, estou surpreso. — disse, aproximando-se dela. Mia permanecia imóvel, sem tirar os olhos dele. — Mia Delilah, não é? Ouvi falar muito de você. É conhecida de Jason?

— De Bethany. — respondeu Mia, não entendendo por que meu pai sugeriu que conhecesse Jason (alô, famoso galinha), creio eu. — Na verdade, mais que isso.

Meu coração ia sair pela boca. Puta que pariu. Ela realmente vai falar!

— Oh, realmente. Faz sentido que as duas se conheçam. — ponderou William, assentindo consigo mesmo. E meu nervosismo só aumentando. — Você trabalha pra Denise.

Com isso, ouvir o nome de minha mãe, fez minha memória fluir de novo.

— Mia. — chamei. Os olhos de todos jaziam em mim agora. É que minha voz saiu grave demais.

— Sim? — disse ela, me fitando intrigada. Mesmo assim, sua voz foi mansa ao proferir. A diferença de como me tratava em relação aos outros era cada vez mais visível. E admito gostar de perceber isso.

— Ah... — murmurei. Até esqueci o que ia dizer. — Não fica aí fora. Entra, ué. Tá frio.

— É, rapazes. Vamos subir. Essa parte da casa esfria muito nesse horário. — comentou meu pai, sinalizando com a mão para que o seguíssemos, mas antes estendeu-a para cumprimentar Mia. Ela retribuiu educada, porém não tirou a carranca séria.

William foi em direção à escadaria de cristal — sim, cristal. Praticamente grita “Denise!!!” — e começou a subir. Estava realmente começando a esfriar e eu só de regata era cruel.

Em vez de seguir para o próximo andar de imediato, deixei meu pai e irmãos subirem primeiro. Após me virei frenética para Mia.

— Você ia contar? — questionei, antes verificando se subiram mesmo.

— Contar o quê? — questionou ela, se aproximando com o olhar sereno e as mãos ainda dentro dos bolsos.

Ah, meu Jesus. Mia estava irresistível.

Eu não sei o que é, mas ainda estou muito brava com ela. Mas é só olhar naqueles olhos... É como se eu esquecesse de tudo. É como se algo cutucasse a minha mente: “Ei, ela é incrível. Não seja assim com ela.” E eu concordo, mas continuo brava. Mas quero muito jogá-la no sofá e... e....

— É difícil ter de esperar você falar enquanto me olha assim, Beth. — comentou Mia, olhando através de mim. Após, deu um passo adiante, ficando a milímetros afastada do meu rosto. — Sei que está brava. Desculpe. E não direi nada que não queira, fique tranquila.

Seu hálito quente batendo em meu rosto ao pronunciar dava-me arrepios. Sem perceber, uma de minhas mãos pousou na lateral de seu rosto, acariciando. Ela inclinou a cabeça na minha palma, cerrando os olhos.

Mia era muito linda. Muito mesmo. Eu sou totalmente obcecada por ela. Não tem como não ser quando alguém tão atraente e incrível é sua.

Minha. Minha namorada.

Por que estou com medo?

— Não quer mesmo que eu diga? — indagou. Suas mãos alisavam minha cintura. Eu tinha esquecido que não se sente confortável escondendo as coisas. Estou sendo realmente egoísta.

Quando ia respondê-la, ouvi um toque de celular. E não era o meu, pois quando toca, também vibra, e meu bolso estava intacto. Se bem que, recordando agora, não compreendo como Mia não o ouviu ou sentiu quando Michael estava tentando ligar.

Ela tirou as mãos de mim e se afastou um pouco, pegando o seu celular do bolso detrás da calça e atendendo quem quer que fosse.

— Ricchard? — pronunciou.

Eu fiquei sem ar. Apenas a encarei. O que era? O que ele estava dizendo?

— Coloca no viva voz, por favor. — pedi. Mia me fitou e fechou os olhos por um momento. — Mia?

Continuou com os olhos fechados e o celular pousado no ouvido. Depois, seu braço desceu, como se tivesse perdido conexão com alguma parte essencial do corpo.

E Mia não me olhou nos olhos.

— Eu sinto muito, Beth.

Notas finais
Descanse em paz, senhora Cortês.