Obstáculos da Vida
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Passado meia hora, chegaram a uma fábrica abandonada. Entraram e atiraram-nos para o chão. Com este movimento brusco, Charles e George acordaram.
– Agora indes pagar por tudo o que fizeram. — disse o homem do sotaque francês.
Os outros dois rufias pegaram em Josh e começaram a dar-lhe murros e pontapés no corpo todo. Logo que começou a sangrar, largaram-no e fizeram o mesmo a George e depois a Charles.
– Podem passar ao próximo passo. — disse o suposto chefe em francês.
Os dois homens pegaram nos raptados e amarraram-nos em cadeiras. Depois pegaram em espingardas e começaram a atirar em direção aos braços e pernas das cadeiras, sem atingirem-nos. Estes assustaram-se e começaram a gritar, o que fez rir os raptores.
– Agora vem a melhor parte. — disse o chefe rufia em inglês.
– Estamos feitos ao bife... — disse Charles.
Os dois homens pegaram cada um em uma faca de cozinha que estavam numa mala gigante de onde pegaram nas espingardas e depois viraram-se para os três coitados.
– Com que então andaram a roubar a cozinha da vossa mulher, sois mesmo uns macacos... — troçou George rindo-se, com a intenção de os enervar.
– Estúpido americano. São todos uns armantes e convencidos. — resmungou o chefe em francês. — Atirem ao mesmo tempo.
Preparando-se para a ordem, os dois criminosos, colocaram-se numa posição "profissional" e depois atiraram para Josh e para George.
Ambos gritaram e cuspiram sangue. As facas tinha-lhes atingido o osso. Charles ficou cheio de medo e mexeu-se todo na cadeira.
– Tu, atira para o restante. — ordenou o chefe apontando para um deles, como se não soubesse o nome.
Este atirou e Charles gritou mais que os outros juntos. Saiu mais sangue mais depressa que os outros.
– Charles, estás bem?! — gritou Josh ao perceber que o amigo ficara inconsciente.
– Cala-te, imbecil! — ralhou o chefe em inglês no seu sotaque francês.
George acabou por demaiar como Charles. Josh foi o único que se aguentou, apesar de a dor ser tanta.
– É pena só um assistir á sua morte. Como te chamas, americano?
– Chamo-me filho da mãe. — respondeu num tom forte e ameaçante.
O chefe belga não gostou e chegou-se perto de Josh e arrancou-lhe a faca do joelho, fazendo-o gritar mais. Depois apontou-lhe a faca no pescoço e ameaçou num tom severo:
– Voltas a troçar de mim, espeto esta faca no teu cu, ouviste?
Josh não respondeu, ficando com uma cara séria sem retirar o olhos dele.
– Agora estás com medo? Ou estás-te a fazer de forte?
Josh cuspiu-lhe sangue na cara e depois deu-lhe um pontapé nas partes baixas.
O belga dobrou-se todo e ficou vermelho. Os outros dois homens não agiram. Pareciam umas estátuas.
– Filho de uma grande cabra! — gritou dando-lhe um pontapé no mesmo sítio.
Josh resistiu menos ao golpe e desfaleceu de imediato.
Com os três desmaiados, os belgas aproveitaram para os despirem e deitaram-nos no chão sujo e mijaram-lhes em cima. Sentaram-se e começaram a jogar ás cartas, enquanto esperavam que eles acordassem.
Passado meia hora, Charles acordou. Reparou que estava completamente nu e estava virado de costas. Ergueu a cabeça e espreitou para o que faziam os belgas.
Um deles viu Charles a mexer-se e avisou o chefe.
– Já acordaste, meu? O meu mijo sabe bem? — perguntou começando-se a rir ás gargalhadas, sendo acompanhado dos amigos.
Charles ao ouvir a frase nojenta do belga, sentiu e cheirou em si próprio um podre cheiro a mijo.
O chefe belga virou Charles e olhou para as suas partes baixas, começando-se a rir.
– Que tintins pequenos que tens! — disse na sua língua.
– Com a fala toda, os coisos ficam pequenos e a boca cresce! — disse outro explodindo de riso os colegas, como se estivessem todos bebêdos.
Charles estava envergonhado, mas aproveitou para dar um outro pontapé nas partes baixas do chefe belga e levantou-se de imediato, a tempo de atirá-lo para o chão e dando um soco na cara de um e depois um pontapé na barriga do outro.
Pegou nas suas roupas e vestiu-as. Colocou ligaduras no corpo e depois pegou nas armas que estavam na mesa com as cartas e guardou uma nas calças e ficou com as outras apontadas aos belgas que estavam desarmados e inseguros de atacarem.
Charles assobiou e acordou George e Josh. Estes levantaram-se e taparam logo as partes baixas.
– Vistam-se depressa e despachamos estes loiros cabrões!
Ambos vestiram-se e aproveitarão as ligaduras que restavam em cima da mesa.
Coxearam até perto de Charles e olharam para os belgas que estavam deitados e assustados.
– Acaba com eles. — disse Josh olhando para Charles para ter a certeza se o fazia.
– É claro que o faço. — respondeu como se tivesse-lhe lido os pensamentos.
Deu vários tiros neles e depois fugiram na carrinha dos belgas.
Foram diretos para o aeroporto e pagaram com o dinheiro de George a próxima viagem para Charlestone. No dia seguinte pela manhã, chegaram a casa. Foram os três para casa de Charles e ficaram lá até ao fim da tarde, menos George que foi buscar Harry á casa da sogra. Voltaram para casa e conversaram:
– Correu bem a viagem de trabalho com o teu colega? — perguntou Harry acreditando na mentira que o pai lhe dera.
– Correu... — respondeu sem argumentos. — E com os teus avós?
– Foi fixe. O avô ensinou-me a pescar ontem de tarde e fomos jantar ao Burger King.
– Ótimo. Tem comprimissos para esta tarde?
– Não, porquê?
– Eu vou sair depois do almoço. Ficas bem aqui? Se saíres, manda-me uma mensagem.
– Ok. Onde vais?
– Fazes-me sempre essa pergunta. — resmungou sem má intenção.
– Incomoda-te? — estranhou Harry.
– Não, mas tu sabes. O teu pai é advogado e tem muitos clientes. E se eu não te tivesse, talvez até trabalhava a tempo inteiro. Agora, vai arrumar a tua mochila e desce para preparares o almoço.
– O quê?
– Sim, hoje és tu que cozinhas.
– Está bem. — respondeu aborrecido.
Em casa de Charles, os dois amigos conversavam seriamente:
– Temos de matar o filho da mãe do Bloom. E depois os outros.
– Não, Josh. Não vou matar mais ninguém.
– Como assim?
– Vamos fazer como o George disse. Vamos arranjar provas para os prender.
– E como pensas fazer isso?
– Como o meu irmão disse, ele quando entrou na casa do Bloom reparou que lá estavam câmaras. Temos de arranjar maneira de entrar na casa dele e recolher as imagens e o som da conversa que eles tiveram.
– E como isso incrimina os outros?
– O gajo tem de confessar tudo. — respondeu com confiança.
– Eles vão ser preso pelo o quê? — perguntou como se fosse um professor, ao saber as respostas.
– Rapto, tentativa de homicídio e homicídio. — respondeu Charles na função de aluno.
– E a morte do Ben Smith?
– O George matou-o em defesa.
– Está tudo bem planeado. Agora temos de conseguir entrar na casa do Bloom.
– Vamos fazer com que aqueles sacanas paguem pela morte do meu pai. — disse Charles num tom refletivo.
– Posso te fazer uma pergunta?
– Claro.
– Não achas estranho os serviços secretos não te chamarem este mês?
– Se bem me lembro, há um mês e três semanas que não estou na vista deles. Acho estranho, sim. Talvez arranjaram um substituto meu.
– Mas tu és o melhor, certo?
– Não sei... Aquela administração consegue arranjar pessoas suprendentes e por vezes, os serviços secretos americanos são capazes de superar três serviços europeus juntos.
– Mas não recebes notícias... Refiro-me também a isso.
– Josh, eu sou despedido quando me disserem na cara, ok? Eu acho que eles são incapazes de me tirar de lá. Nunca estive a centímetros do Obama, mas eu acredito que ainda possa vir a estar, e também acredito que os administradores acreditam.
– Mas continuo a estar preocupado. Não é melhor passares por lá?
Charles levantou-se e falou:
– Vou tomar um chá, também queres?
– Eu estou a falar a sério. A minha vida depende da tua, e se te afastarem de lá, eu também perco. Eu preocupo-me em esforçar-me para conseguir e manter as coisas. Até agora sempre foi assim. Não vou para a rua por tua causa, está bem?
– Josh, eles podem-me despedir, mas irão se arrepender, percebes? E eu sou incapaz de te deixar na rua. Aliás, não sei se tu sabes, mas eu tenho o meu futuro seguro. Se enfraquecer numa coisa, já tenho algo para me fortalecer.
– Deixemos este assunto. Sim, quero um chá.
– Que bom. Verde?
– Com certeza.
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