Notas iniciais
Yo minna-san! Agradeço pelos comentários e mais ainda pela espera kkk. Vejam, a história tem spoilers do mangá, e para situá-los, acontece logo depois da escolha dos nomes heróicos (que é logo depois dos Jogos da Yuuei) e antes do Treinamento com o Gran Torino (treinador do All Might). EEEEE, o que acontece aqui é bem interessante. Fiquei pensando no ataque do Stain, sabem? O Assassino de Heróis. Vocês talvez entendam talvez não, mas nas notas finais eu explico. Se não quiserem ver spoiler, não leiam então considerem-se abraçados. o/ Boa leitura.

...

Quando Midoriya enfrentou sua primeira decepção amorosa, ele não tinha sentido decepção, de verdade.

A primeira vez que sentiu a dor da rejeição o fez perceber que o que sentia, além de ser apenas o comumente primeiro amor, também tinha sido uma mera paixão adolescente.

Midoriya era bem consciente de que nunca teria chance. A menina era uma das mais bonitas do colégio, era muito inteligente e vivia andando com as amigas para baixo e para cima. E acabou ficando com Bakugo Katsuki durante um tempo.

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O rapaz não prestava nem um pouco a atenção aos amigos. Estavam todos muito empolgados falando sobre as recomendações e os contratos logo após as últimas preparações. Aizawa-sensei estava parecendo feliz em despachar finalmente os alunos. Bem, ele sempre pareceu não gostar de dar aula. E Midoriya estava alheio a tudo, pensando na situação que ocorreu naquela manhã.

Bakugo já havia tido alta, mas logo após pegar sua carta de recomendação e continuar furiosíssimo, saiu direto e reto para algum lugar, lançando olhares mortais para ambos, Midoriya e Todoroki.

Midoriya pensou que essa situação era a melhor. Talvez Kacchan conseguisse se distrair durante o estágio e ele próprio conseguisse focar somente em ser herói profissional. Separados os dois ficavam melhores.

Foi quando All Might apareceu para lhe dizer que tinha recebido uma indicação de Gran Torino.

—Quem será esse cara? -Midoriya se perguntava, caminhando por um dos campos de esportes da Yuuei, onde eles tinham feito educação física no primeiro dia de aula. O garoto não tinha boas lembranças daquele dia.

—Falando sozinho, Midoriya?

O esverdeado olhou para os lados, reconhecendo aquela voz. Em um dos bancos de estádio que se espalhavam por lá, o seu colega de cabelos bicolor estava sentado, com uma garrafa e vestido com um conjunto de ginástica.

—Todoroki!

—Yo.

Midoriya foi até ele, sentindo uma leve tensão da última vez que se enfrentaram. Sentou-se, coçando a cabeça e sorriu levemente. Todoroki não estava com uma cara muito séria naquela hora, algo bom devia ter acontecido.

—Está melhor? -Todoroki perguntou, apontando sua mão.

—Hm, eu já me acostumei com a dor. E você?

—Está tudo bem, eu não sofri nenhum ferimento grave. -respondeu o outro.

O silêncio prevaleceu por cerca de um minuto quando o talentoso filho de Endeavor finalmente foi ao ponto.

—Midoriya, acredito que melhorei um pouco mais depois do festival esportivo. Não quero dever nada a você, então acho que "obrigado" não custa muito.

Aquilo era de espantar. Geralmente no universo heroico os protagonistas tendem a deixar as palavras de lado e demonstrar seus sentimentos através de ações. Midoriya entendia bem disso e podia jurar que o Todoroki seria um desses personagens orgulhosos e descolados que apenas sorriem de forma enigmática como se fosse óbvio o que queria dizer. Mas o garoto bicolor era incrivelmente honesto.

—Bem, agora esquece isso. Você tem meu contato?

—Não, ainda não. -Midoriya sorriu internamente, sentindo que de alguma forma tinha conseguido deixar o aluno mais forte da Classe A um pouquinho mais feliz do que antes. Seus olhos não pareciam tão frios como antes do festival. -Seria legal a gente ter formas de se comunicar nesse período de estágio. Nunca se sabe o que pode acontecer.

—É, não duvido disso. Agora, se me der licença eu vou continuar o treino, Midoriya.

—Ah, claro, Todoroki.

O esverdeado se afastou do campo, deixando-o para trás com suas corridas e lançamentos. Ele devia treinar também.

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Bakugo agradeceu mentalmente várias vezes que ele iria ser privado de ter Deku em seu campo de visão por um tempo. Se ele tivesse que olhá-lo ainda mais, ele talvez fosse obrigado a dar uma explicação detalhada para a direção da Yuuei, especialmente depois do incidente.

—Ei, Bomberman! Você tá com essa cara fechada desde cedo! –exclamou Kirishima, batendo no ombro do “Barão” enquanto este olhava para sua mochila e suas roupas estendidas pela cama.

O garoto tinha ido ao novo quarto para arrumar imediatamente suas coisas, garantindo que tudo estaria lá, como um bom profissional deve fazer. Mas naquele momento ele não esperava a chegada do ruivo espontâneo.

—O que você quer?

A pergunta fora feita curta e grossamente. Bakugou o olhou sem expressão alguma, incapaz de ficar raivoso, não quando ele estava com o Deku na cabeça outra vez. Ver Kirishima era um prazer nessa situação.

—Uhh, você está mesmo esquisitão. O Midoriya disse que você estava normal, mas deu para ver que ele estava mentindo. Ele tem um tique nervoso quando mente hahaha!

Bakugou sentiu sua sobrancelha tremer ouvindo aquilo.

—Tch. –ele estalou a língua. –Aquele merdinha...

O ruivo deixou de dar risadas e ficou sério num instante. Ele olhou para a porta e novamente para o colega, que estava decididamente quieto.

—Bakugo... Eu sei que não é da minha conta, mas você realmente está estranho. –disse o ruivo, chamando-lhe a atenção. –Você não gostou nada do desafio que o Todoroki fez ao Midoriya nos Jogos, mas não é só isso. Depois de vencer-...

—Cala a boca. –Bakugo o interrompeu, olhando-o furioso. –Foda-se. Eu cuido do meu nariz, então dá o fora.

Kirishima ainda tentou falar algo e Bakugo só não o mandou voando por causa do olhar irritado do ruivo.

—Você tem que pensar melhor no jeito que age! Eu entendo a sua irritação por ver a coragem dele, mas você exagera, você é muito mimado e não sabe lidar direito com a situação!

—O que você disse?!

—É isso aí! O Midoriya está passando a perna em todo mundo, então fica ligado! Você não pode perder a paciência por causa da sua frustração. Você é um herói ou não é, porra?!

Houve silêncio. Bakugo tremia e sua respiração era como a de um touro enfurecido, mas ainda, na defensiva.

Kirishima deu um tempo, sentindo finalmente ter dito o que precisava. Ele até podia ser um cabeça de pedra, mas ele compreendia os outros quando queria, especialmente o Bakugo, que era bem mais teimoso. Nesse instante ele sentiu que a mensagem estava dada.

—Eu não sei nada sobre vocês dois, mas pelo que eu vejo, na verdade você não o odeia. Se fosse isso tudo bem, mas já que não é, você devia pensar um pouco mais sobre o que realmente pensa sobre o Midoriya. Ele estava claramente preocupado com você, mas ele te conhece tão bem que ele resolveu mentir para todo mundo para não te envergonhar.

Bakugo engoliu em seco. O Deku não faria isso... Não, ele faria. Era estranho, mas era a cara do nerd fazer uma coisa dessas. Só que ele não estava disposto a aceitar.

—Hnf. Ele deve ter alguma coisa que quer em troca... Não é benefício para ele fazer alguma coisa por mim. Não é do meu estilo ficar em dívida também. –respondeu, cruzando os braços.

Kirishima soltou um risinho zombeteiro.

—Pelo que eu saiba você está em débito com ele desde o dia em que foi atacado antes de vir para a Yuuei. –o ruivo retrucou, rindo sarcástico.

O rosto de Bakugo avermelhou intensamente, tão forte, que Kirishima sentiu vontade de rir de verdade.

—Suma daqui. –Bakugo avisou, olhando-o mortalmente. Sua aura era intensa, de raiva e constrangimento.

—Okay, okay! Não precisa ficar zangado. –Kirishima levantou as mãos, se desculpando e se afastando para a porta o mais rápido possível.

Quando o colega desapareceu, o garoto ainda estava de pé, bufando. Sua cabeça estava uma bagunça ainda maior por causa daquele idiota.

Se por acaso ele fosse idiota o bastante para ver Deku de outro ângulo...

“NUNCA!”

Bakugo balançou a cabeça, impaciente, envergonhado. Ele se moveu rapidamente pelo cômodo, jogando as roupas para dentro da mochila e rangendo os dentes. Seu corpo estava queimando e ele simplesmente não conseguia parar as imagens de Deku, vindo à mente com velocidade. Aquele idiota tinha olhos muito grandes e um sorriso imbecil! Ele o tirava do sério, mesmo!

As palavras de Kirishima o atormentavam: “Na verdade você não o odeia.”

Bakugo se jogou na cama, afundando o rosto no travesseiro.

Era mentira. Ele o odiava, ou melhor, o desprezava. Ele não sentia que devia alguma coisa, mesmo que a vida dele tivesse sido salva, e por isso ele não agradeceu propriamente.

Deku continuava insistente em sua cabeça: “Kacchan, eu nunca te subestimei. Você sabe disso não é?”

Bakugo apertou suas pálpebras, afundado em frustração.

“Porra, não me faça de idiota, Deku!” Pensava, agarrando seus dedos suados de nitroglicerina as roupas da cama. “Não preciso da compaixão de ninguém, seu verme.”

Naquele momento Bakugo sentiu seu peito doer. Uma sensação desconhecida, como se de repente seus órgãos fossem pressionados. Quem diria que ele poderia um dia sentir tal choque.

Deku não tinha nada a ganhar sendo intrometido daquele jeito. Por que ele ainda insistia em falar consigo? Por que ele ficou esperando a madrugada inteira até que ele saísse da enfermaria?

All Might foi bem duro naquela manhã quando lhe deu o sermão. Ele disse que estava passando dos limites, e até que o entendia em parte, mas assim como Kirishima, o aconselhou a ser mais passivo com o esverdeado. Ele apenas estava gastando saliva por pouca coisa, que Deku se preocupava com ele... Que os dois eram companheiros.

“Companheiros onde?!” Bakugo revirou-se, olhando o teto. Ele tinha queimado todo o teto do outro quarto do mesmo jeito que agora, pensando em Deku. “Eu tenho que parar de pensar nele. E foi exatamente isso que pensei ontem... Eu perdi o controle por causa dele.”

O garoto estava cansado pela primeira vez.

Contra quem ele estava lutando? Ele odiava mesmo Deku? Ele nunca tinha pensado nisso.

Por que Deku se preocupava tanto com ele? Por que ele se sentiu tão envergonhado quando Deku estendeu a mão?

—Tch... Como se importasse... –Bakugo discutiu consigo mesmo, incapaz de aceitar as respostas absurdas em sua cabeça.

Deku tinha dito que seus olhos pediam ajuda.

—Isso não é verdade.

O garoto mordeu os lábios, sentindo a parte de sua bochecha onde havia sido queimado pelas cinzas. Não que doesse... Era que a mão de Deku havia tocado ali...

“Na verdade você não o odeia.”

Os olhos rubis arregalaram e um som estrangulado saiu de sua garganta. Bakugo suou frio e ele ficou chocado lembrando-se da expressão de Deku naquele instante, quando o salvou da fumaça tóxica.

“Parecia que ele estava preocupado... Eu acho que até desesperado.” Bakugo respirou alto, sentando-se na cama. Era um engano. Deku não era “fofo”, digamos assim.

—Além disso, ele é um homem. –resmungou baixo, levantando-se decidido a ir ao banheiro.

Coçando a cabeça, Bakugo suspirou, jogando os pensamentos para bem longe. Fez cálculos mentais e pensou no estágio, nos bolinhos da sua mãe, em qualquer coisa. E quando a pôs a mão na maçaneta e a girou, uma sensação de perigo rondou por toda a atmosfera.

Ali estava ele, pela terceira vez.

“Ugh!”

Seus olhos grandes e sua altura combinavam com sua postura de coelhinho assustado. As sardas realçavam seu rubor. Ele prendia as mãos do lado do corpo e precisava olhar para cima para poder encará-lo.

Ele abriu a boca lentamente.

Se aquilo à sua frente era um homem... Bakugo duvidou um instante.

—Kacchan...

—O que você quer Deku?

O visitante ficou quieto um segundo, desviando o olhar lentamente para os lados, como se não soubesse o que devia dizer primeiro.

Bakugo bufou internamente, mas sustentou seu peito, apenas se permitindo assistir às reações. Agora ele faria um experimento de observação... Não custava nada. Ele sabia que ia ver a mesma coisa de sempre.

—Ah... É que... –o garoto coçou a cabeça, sorrindo amarelo para o chão, sem conseguir manter contato visual.

—Hm? –Bakugo o incitou a continuar, cruzando os braços.

—É que antes de anoitecer eu estou transferindo contatos.

O albino ergueu uma sobrancelha. Não tinha entendido nada.

—O que, nerd? –questionou grossamente, lhe dando uma face de desgosto.

O menor encolheu-se, mas balançou uma mão, suando.

—Ah, você sabe. O seu celular... Por causa do estágio seria legal manter contato caso se acontecer alguma coisa. –ele explicou, com aquele sorriso imbecil.

Bakugo ficou sem compreender um segundo e depois, quando entendeu que o nerd estava pedindo seu número, algo fez sentido em sua cabeça.

—V-Você está insinuando que eu vou correndo ligar para você quando eu for lutar com um vilão, seu nerd do caralho?! –gritou o albino, transbordando de raiva. Mas que raiva! Até num momento desses! –Quem você pensa que é?!

—A-Ah! Não, Kacchan, calma! É só se você quiser também. Todoroki deu o dele para mim.

Bakugo se calou instantaneamente.

—O cuzão te passou o número? –Bakugo franziu a testa. Não compreendia. Todoroki tinha dito abertamente que enfrentaria Deku... Por que se aliaria com ele?

—Hm? Sim. –o esverdeado assentiu, apesar de aparentar não gostar do jeito que ele tinha chamado o filho de Endeavor.

Bakugo fechou a boca, sentindo um gosto amargo na língua. Com Deku bem na sua frente era difícil descrever suas emoções. Ele não gostava dele, mas quando estavam sozinhos soava bem diferente de quando estavam em turma. Ele agia do mesmo modo, mas ainda assim, depois da noite anterior, o clima estava muito estranho.

—Entre.

O garoto explosivo agarrou seu ombro e o empurrou para dentro. Tinha sido puro instinto, ele não queria fazer isso!

—O-O quê...?

Bakugo fechou e trancou a porta. Aquilo era idêntico a antes!

—Kacchan, por que trancou a porta? –o esverdeado fechou os punhos do lado do corpo, parecendo com medo.

—Foi você que quis o número daquele desgraçado? –Bakugo indagou numa exigência.

Deku arregalou os olhos, confuso, e negou.

—O que importa se eu que pedi? –perguntou, olhando-o como se fosse uma situação muito comum os dois estarem sozinhos num quarto, conversando de igual para igual.

Bakugo estalou a língua e se aproximou.

—Você pode ficar nessa coisa de mariquinha com ele então. Agora você troca contatos com outros caras? Não podia estar pior. –zombou o albino, com um ar maligno ao falar. –Não me misture com sua raça, viadinho.

Só que por essa Bakugo não esperava:

—O que você disse, Kacchan?! Eu acho que dessa vez você foi longe demais! –Deku reagiu, saindo de sua postura para um ar ofensivo e lhe apontando o dedo. –Eu estou aqui por sua causa, será que pode deixar de ser tão ingrato?!

Bakugo sentiu seus músculos contraírem, assim como sua temperatura subir.

—Você tá’ levantando a voz para mim! Huh?! –retrucou, zangado, agarrando o colarinho do menor. –Eu arrebento você, gayzinho nerd!

Continua

Notas finais
É isso aí! O próximo está sendo postado no mesmo dia ;) então aproveitem o/