Obsidiar Poesias
1 A garota da bolsa amarela
Todo dia a vejo.
Lá ela senta, em um banquinho velho de uma praça deprimente.
Mas ela não procura por aparência, e nem parece se importar.
Ela apenas senta, e sente.
Sente? Sim, sente.
Deixa sua desgastada bolsa amarela de lado, e repousa suas mãos sobre o colo.
Ergue a cabeça e sente.
Sente aquilo que parece nunca ter sentido antes:
O sol penetrando em sua pele, e o silêncio de ruas vazias e abandonadas.
Consequentemente a garota os absorve, como se aquilo lhe fizesse bem.
E de fato, fazia.
Mal sabia eu, que, a garota da bolsa amarela classificava aquele momento como o melhor de seu dia.
Quando seus olhos se fechavam e sua cabeça erguia para sentir o calor do sol,
o mundo e o tempo, para ela, paravam.
E os minutos ali naquele velho banco se transformavam em magnificas horas,
e então, nada mais importava, nem mesmo sua existência.
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