Obsessão ou amor Livro 3 Entre o dever e o coração
18 O Último Suspiro do Leão
A Capela da Floresta estava adornada com flores brancas e hera, um santuário de paz que parecia alheio às tempestades que açoitaram a família Mackenzie. Sob os olhos atentos de Michael e Catarina, e a benção relutante de Luan, Anastácia e Marcos trocaram votos. Quando Marcos deslizou o anel no dedo dela, não era apenas um compromisso de nobreza; era a entrega total de um homem que finalmente aceitara que seu lugar não era no exílio, mas ao lado da mulher que carregava seu futuro.
O banquete que se seguiu no palácio foi grandioso, mas para Dominic, o som das risadas e o brilho dos candelabros pareciam distantes, como se ele estivesse observando o mundo através de uma cortina de água.
O Adeus Silencioso
Dominic sentiu uma pontada aguda no peito, uma pressão que ele conhecia bem, mas que desta vez não recuou. Ele olhou para a mesa principal: viu Anastácia sorrindo para Marcos, viu Luan e Michael brindando como irmãos, e viu sua amada Ester, radiante em seu vestido de seda verde.
— Preciso de um pouco de ar, minha druida — sussurrou Dominic no ouvido de Ester, sua voz mais fraca do que o habitual.
— Quer que eu vá com você, Dominic? — ela perguntou, a preocupação instantânea nublando seus olhos claros.
— Não, fique. Aproveite a vitória. Eu só vou descansar um pouco nos nossos aposentos.
Ele se levantou devagar, recusando ajuda. Cruzou o salão com a dignidade de um rei, embora cada passo fosse uma batalha. Ao chegar ao quarto, a escuridão o acolheu. Dominic tentou alcançar a poltrona, mas suas pernas falharam. Ele caiu no chão de pedra, o ar escapando de seus pulmões como se o próprio tempo o estivesse expulsando.
O Beijo da Partida
Minutos depois, um pressentimento gélido atravessou o coração de Ester. Ela abandonou o banquete e correu para o quarto. Ao abrir a porta, encontrou o homem que fora sua rocha por décadas caído, lutando por cada grama de oxigênio.
— Dominic! Não, por favor! — Ester caiu de joelhos ao lado dele, as mãos trêmulas buscando ervas ou qualquer feitiço de cura em suas vestes, mas ela sabia, no fundo de sua alma de curandeira, que a vida dele estava se esvaindo.
Dominic estendeu uma mão trêmula, tocando o rosto dela. Um sorriso sereno, quase jovem, iluminou suas feições marcadas pelo tempo.
— Ester... — ele murmurou, a voz como um sussurro de vento. — Não lute contra o inevitável. Eu vi o círculo se fechar. O herdeiro está a caminho... a paz voltou.
— Você não pode me deixar, Dominic! Eu não sei ser eu mesma sem você — ela soluçou, pressionando a mão dele contra sua face.
— Você sempre foi a luz, eu fui apenas a sombra que te protegeu — ele tossiu, a respiração tornando-se mais curta. — Eu amei... amei ser seu companheiro. Seu marido. Seu homem. Cada dia ao seu lado... foi o meu verdadeiro reino.
Ester inclinou-se e selou seus lábios nos dele. Foi um beijo que carregava sessenta anos de história, batalhas vencidas e segredos compartilhados. Quando ela se afastou, os olhos de Dominic ainda estavam fixos nela, cheios de uma adoração eterna, mas a centelha de vida havia partido. O Leão de Tara havia descansado.
O Silêncio de Tara
Ester abraçou o corpo do marido e soltou um grito. Não foi um grito de dor comum; foi um lamento ancestral, um som que pareceu rasgar as pedras do castelo e apagar as velas do salão de banquetes.
Lá embaixo, a música parou abruptamente. Luan deixou a taça cair, o cristal estilhaçando-se no chão. Anastácia e Marcos levantaram-se, as mãos dadas, sentindo o frio repentino que invadiu o ambiente.
Ninguém precisou dizer uma palavra. O silêncio que se seguiu ao grito de Ester foi a resposta definitiva. O patriarca, o mentor, o homem que unira todos eles, não estava mais entre os vivos. A festa de casamento transformou-se, em um segundo, em um velório de estado, e o silêncio de mil pessoas no pátio foi a maior homenagem que o Velho Leão poderia receber.
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