Obsessão ou amor Livro 3 Entre o dever e o coração
19 Capítulo 16: O Crepúsculo do Patriarca
O castelo de Tara, que horas antes transbordava o brilho dourado de um casamento, foi rapidamente envolto em estandartes de veludo negro e cinza. A alegria do banquete deu lugar ao som rítmico e sombrio dos martelos preparando o sarcófago de pedra e às orações sussurradas nos corredores. O funeral de Dominic não seria apenas uma despedida, mas o encerramento de uma era para o reino.
O Forjar da Aliança (Marcos e Luan)
No pátio de armas, sob um céu de chumbo, Luan e Marcos estavam parados diante da pira cerimonial que estava sendo erguida. O vento soprava frio, agitando os mantos de ambos. Pela primeira vez, não havia tensão de segredos ou mágoas entre eles; apenas o peso compartilhado da perda do homem que foi o pai de ambos, cada um à sua maneira.
— Ele esperou por isso, não foi? — perguntou Luan, a voz rouca, sem desviar os olhos dos trabalhadores. — Esperou ver você voltar, ver Anastácia protegida... ver a linhagem garantida.
Marcos assentiu, os olhos fixos no horizonte.
— Dominic sempre foi o estrategista final, Luan. Ele sabia que Tara precisava de um sacrifício para se curar. A morte dele é o último selo de paz que ele nos deixou.
Luan virou-se para Marcos e, em um gesto de trégua definitiva, pousou a mão no ombro do cunhado.
— Ele me disse uma vez que um rei não é medido pelas batalhas que vence, mas pela força dos homens que mantém ao seu lado. Eu quase falhei com ele, Marcos. Mas agora... precisamos organizar a guarda de honra. Nobres de todo o continente virão. Michael e Catarina estão ajudando com a recepção das delegações, mas o comando da escolta do caixão é seu.
— Será uma honra — respondeu Marcos, com uma firmeza que Luan não via há anos. — Ele será carregado como o leão que sempre foi.
O Consolo das Linhagens (Anastácia e Ester)
Enquanto os homens cuidavam da logística da morte, no andar de cima, a vida e a memória se entrelaçavam. Anastácia estava sentada aos pés da cama de Ester. A viúva do patriarca não chorava mais; ela parecia ter envelhecido décadas em poucas horas, mas mantinha uma serenidade mística.
— Ele não está sofrendo, vovó — sussurrou Anastácia, segurando as mãos secas de Ester.
— Eu sei, minha pequena fera — Ester sorriu fracamente, acariciando o ventre de Anastácia. — Ele está em cada pedra deste castelo agora. Mas sinto um vazio onde o coração dele batia em sincronia com o meu.
Ester olhou nos olhos da neta, uma intensidade súbita surgindo.
— Você precisa ser forte agora. O estresse da perda pode ser perigoso para o pequeno Dominic que você carrega. O funeral será longo, as caminhadas serão exaustivas. Eu preparei um tônico de ervas para mantê-la firme. Prometa-me que não deixará a tristeza vencer a vida que floresce em você.
— Eu prometo — Anastácia beijou as mãos de Ester. — Ele vai crescer sabendo que o bisavô foi o homem mais nobre que já pisou nesta terra.
O Protocolo da Dor
Catarina e Maya cuidavam dos detalhes que ninguém mais tinha forças para tocar. Elas escolhiam as flores — apenas as rosas brancas que Dominic tanto amava e os ramos de pinheiro que simbolizavam a eternidade de Tara.
— O protocolo exige que o corpo fique no Grande Salão por três dias — explicou Maya para Catarina, enquanto revisavam as listas de convidados. — Mas Ester pediu que na última noite, ele fique apenas com a família. Sem guardas, sem nobres. Apenas nós.
— É o justo — concordou Catarina. — Michael está garantindo que as fronteiras fiquem abertas para os aliados. O mundo precisa ver que, embora o Leão tenha caído, a matilha está mais unida do que nunca.
O funeral estava pronto. A cidade de Tara estava em silêncio absoluto, as lareiras apagadas em sinal de respeito, aguardando o momento em que o corpo do homem que lhes deu identidade cruzaria as ruas pela última vez em direção às Criptas Reais.
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