Obsessão ou amor Livro 3 Entre o dever e o coração
8 O Rugido do Silêncio
O vento uivava do lado de fora da gruta como uma fera ferida, mas dentro das paredes de pedra, o silêncio era ainda mais ensurdecedor. Marcos estava encostado à rocha fria, a respiração pesada, sentindo o peso da confissão que acabara de escapar. A máscara de Conde, polida por dez anos em Mônaco, jazia estilhaçada aos pés de Anastácia.
Ela deu um passo à frente, entrando no espaço dele, desafiando a distância que ele tentava desesperadamente manter. A luz alaranjada das brasas acentuava as curvas de seu rosto e a intensidade de seu olhar, que agora não carregava mais dor, mas uma chama de vitória e expectativa.
— Você mentiu para me salvar — sussurrou ela, as mãos subindo lentamente pelo peito dele, sentindo o batimento frenético do coração sob o linho da túnica. — Mas quem vai salvar você de si mesmo agora, Marcos?
Ele fechou os olhos, lutando contra o impulso de envolvê-la em seus braços e esquecer os nomes, os títulos e as leis de Tara. O cheiro dela, uma mistura de chuva e flores silvestres, era um convite ao abismo.
— Anastácia... se cruzarmos essa linha, não há volta — murmurou ele, a voz falhando. — Luan nunca nos perdoará. Dominic...
— Dominic já sabe — ela o interrompeu, colando o corpo ao dele, forçando-o a sentir a realidade da mulher que ela se tornara. — Ele viu a verdade antes de nós dois. O dever é uma prisão que nós mesmos construímos, mas este fogo... este fogo é real.
Marcos abriu os olhos e, por um instante, o dever foi silenciado pelo desejo acumulado de uma década. Ele segurou o rosto dela com as mãos trêmulas, a pele dela queimando contra as suas palmas frias. A batalha entre o Conde e o homem estava perdida.
— Que o céu nos perdoe — ele sibilou, antes de finalmente quebrar a última barreira e selar seus lábios aos dela em um beijo que carregava toda a sede, a angústia e a paixão que ele tentara, em vão, negar.
Naquela noite, sob o teto de pedra e o rugido da tempestade, o Príncipe de Tara e a sua Princesa deixaram de ser tio e sobrinha para se tornarem apenas dois amantes entregues ao inevitável, enquanto as brasas da fogueira morriam lentamente, deixando-os protegidos apenas pela escuridão e pelo calor de seus próprios corpos.
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