Obsessão

8 Quem Matou Antenor Grimaldi?


Em poucos minutos, o evento virou um completo pandemônio. O pessoal da segurança começou a correr e em poucos minutos a polícia estava lá pedindo que evacuassem o prédio pois aquele local havia se tornado uma cena de crime. Todos ficaram completamente chocados quando, após todos o prédio ter sido evacuado, Beatriz foi levada para fora aos prantos e gritos sendo escorada por dois policiais.

— gente, o que foi que aconteceu, que doideira foi aquele, será que alguém roubou alguma coisa no meio da festa? — perguntou Carolina, assim que os três chegaram em casa.

—eu não sei não, aquilo não era choro de vítima de roubo – disse Fábio, aflito.

— liga a TV no canal local que eu vou ver as redes sociais, eu estou achando que aconteceu algo muito pior – disse Verônica. Ela já havia passado por um tragédia em sua vida e sabia reconhecer outra quando acontecia ao seu redor.

No momento em que Carolina ligou a televisão estava passando um boletim de emergência, a repórter falava da frente do prédio onde todos eles estavam a minutos atrás.

“… o que se sabe é que o jornalista Antenor Grimaldi foi encontrado morto dentro de seu escritório. As informações preliminares dizem que o corpo do empresário foi descoberto pela própria filha, Beatriz Grimaldi...”

Verônica, então ela começou a chorar

— meu Deus, foi a Flávia, ela está fazendo de novo, aquela desgraçada, foi ela aquela vagabunda – ela então fez uma pausa lembrando-se dos minutos em que ficou ausente da presença de todos na festa e então olhou para o marido – eu sou a próxima, ela vai vir atrás de mim – ela então colocou as mãos sobre a cabeça – meu Deus, ela vai vir atrás de mim, ela vai me matar!

— calma meu amor – Fábio então abraçou a mulher – você não está sozinha, fica calma.

— sabe o que nós vamos fazer? Amanhã mesmo na primeira hora eu vou ligar pro meu agente de viagens e nós vamos pra longe daqui até que a polícia feche a investigação e prenda logo essa maldita. Vamos ficar bem longe desse pesadelo – disse Carolina.

— ótima ideia, vamos ficar longe disso daqui até que acabe. Eu vou agora mesmo fazer o planejamento do pessoal pra ficar nos nossos lugares – disse Fábio – vem comigo amor e daí você se distrai e nós resolvemos esse problema.

Verônica aceitou. Ela estava muito abalda e com medo, ela temia agora por sua vida.

Longe dali, no hospital Beatriz esperava. Ela ainda tinha esperanças que algum médico surgisse e dissesse que seu pai havia sobrevivido, porém até agora nada. Ela ainda estava com o vestido da festa, sua maquiagem estava toda borrada por causa do choro e ela usava um casado que um policial havia colocado nela, sentada a seu lado, abraçando-a e orando baixinho, Flávia, então finalmente no final daquele longo corredor surgiu um homem usando um jaleco.

— você quer que eu fale com ele? — perguntou Flávia.

Beatriz levantou-se e foi rápido em direção ao médico.

— pelo amor de Deus, me dê uma boa notícia – disse Beatriz. Ela tinha tanto desespero em sua voz que todos ao seu redor ficaram comovidos.

— eu sinto muito, fizemos todo o possível mas… — disse o médico.

Beatriz não ouviu mais nada, ela perdeu seus sentidos e desmaiou. Quando ela acordou, estava em uma cama do hospital e Flávia dormia na poltrona ao lado.

— Flávia? — chamou Beatriz, porém não teve resposta, então ela chamou mais alto – Flávia?

— oi amiga, como você está? — perguntou Flávia, ainda sonolenta.

— quanto tempo eu fiquei desacordada? — Beatriz ainda estava grogue.

— na verdade você ficou sedada. Os médicos acharam melhor te deixar descansando, tem umas 12 horas já.

— eu preciso ir cuidar do velório do meu pai – disse Beatriz, então lágrimas escorreram pelo seu rosto.

— eu espero que você não fique brava Beatriz mas eu já fui adiantando algumas coisas. Eu já contratei a funerária e já está tudo certo com eles e com a floricultura, mas claro, está tudo esperando a sua aprovação.

— não ficarei brava, na verdade é um favor que você me faz Flávia, me poupa a dor de ter que escolher um caixão para o meu pai – ela então sexou as lágrimas do rosto – você tem sido uma ótima amiga.

Flávia então levantou-se e foi até Beatriz e a abraçou.

— eu não posso nem imaginar o tamanho da dor que você está sentindo, mas você não está sozinha minha amiga. É a missão que Deus me deu estar aqui do teu lado nesse momento difícil. Conta comigo pro que precisar!

— com licença – disse a enfermeira entrando.

— claro, fique à vontade – disse Flávia.

— que bom que você acordou Beatriz, desculpe incomodar mais é que tem um pessoal da polícia aqui e eles gostaria de falar com você – disse a enfermeira – mas se você quiser eu peço pra eles voltarem outra hora.

— não, mande eles entrarem, eu quero acabar com isso o quanto antes e ver o culpado na cadeia.

— tá bem então Beatriz, eu vou mandá-los entrar.

Então depois de alguns minutos que a enfermeira havia saído os policiais entraram no quarto.

— boa tarde Verônica, eu sou a policial Clarice e esse é meu parceiro César, eu sinto muito por sua perda, mas preciso lhe fazer algumas perguntas, tudo bem?

— claro, eu quero ver o assassino na cadeia o quanto antes.

— ótimo, nós também. E essa é quem? — perguntou ela, olhando na direção de Flávia. Ela perguntou apenas para averiguar a situação, pois ela conhecia muito bem o rosto de Flávia.

— essa é Flávia, minha secretária.

— eu devo pedir que ela saia pra podermos conversar?

— não, ela é de minha total confiança.

— ótimo, então você pode me contar o que foi que aconteceu?

— bom, meu pai foi uma das últimas pessoas a chegar na festa, ele me cumprimentou e começou a andar pelo saguão para cumprimentar as pessoas, então ficamos longe uns quarenta minutos até que eu achei que deveríamos começar o evento então eu pedi que o pessoal do entourage do evento fosse procurá-lo, mas ninguém o encontrou, então eu decidi que ia olhar no escritório dele pois era só lá que não tinham olhado ainda então eu fui. Quando cheguei lá, eu bati na porta e não tive nenhuma resposta então eu entrei, a porta não estava trancada. Na hora que entrei a princípio parecia que estava tudo vazio, mas daí eu fui até o segundo ambiente e lá me deparei com o corpo do meu pai. Eu comecei a gritar e chorar e corri pegá-lo no colo pra ver se ele dava alguma sinal de vida, então eu peguei o meu celular e chamei uma das minhas funcionárias que chamou a polícia. A última coisa que me lembo é dos policiais e o pessoal do socorro, então me afastaram do corpo dele e levaram ele. Depois disso eu acho que comecei a tremer e os policiais me levaram pra fora.

— é, mais ou menos o que eu imaginei – disse Clarice – me diz mais uma coisa, quem foi que fez a lista de convidados do evento?

— eu mesma. Organizo o evento todo ano e o desfile e as listas de convidados ficam todos a meu encargo.

— ótimo, onde eu posso conseguir uma cópia da lista?

— Eu tenho tudo salvo no meu computador, assim que chegar em casa eu te mando.

— mais uma coisa, o prédio tem câmeras?

— temos câmeras de segurança nos andares de entradas dos prédios do complexo, nas áreas externas que dão acesso e nas garagens. Meu pais não queria ter câmeras internar porque ele faz muitas reuniões e encontros com suas fontes e uma das principais regras do meu pai era garantir a todo custo a confidencialidade das fontes, então não tínhamos câmeras internas para que não houvesse nenhuma imagem comprometedora de alguma possível fonte.

— e a pergunta mais clássica de todas, seu pai tinha algum inimigo?

— policial, meu pai era jornalista dono de um dos maiores conglomerados publicitários desse país, é óbvio que meu pai tem inimigos.

Clarice deu uma risada.

— mas isso é óbvio minha querida, eu quero saber se existe algum inimigo declarado. Alguém por onde eu possa começar a minha investigação.

— você soube do problema que tive recentemente com Verônica Albuquerque? — perguntou Verônica. O tom de voz dela deixava claro que ela queria dizer algo a mais.

— todo mundo que tem acessoa a internet nesse país ficou sabendo.

— então eu acho que você já tem por onde começar. A Verônica que eu conheço é o tipo de pessoa que faria muito para me atingir.

Clarice e César se despediram e estavam no carro, rumo a casa de Verônica.

— o que você acha? — pergunto César.

— a racista mimada empregou a assassina do irmão como secretária, eu estou chocada, alguma coisa tem nessa história.

— eu achei que você ia contar sobre as provas que encontramos na cena do crime pra ver como ela reagiria – disse César.

— não, ainda é muito cedo pra jogar assim. Se a gente for com muita sede ao pote a gente perde, e meu querido, uma trama dessas não dá pra perder.

***

“… a polícia confirmou a informação. O empresário foi encontrado em seu escritório e tinha três facadas, duas na região abdominal e uma na região do pescoço. A filha do empresário Beatriz Grimaldi, passou a noite no hospital devido a um colapso emocional. Ainda não temos confirmação do horário e do local do velório, mas os serviços funerários estão a encargo da funerária...” então Verônica desligou a TV.

— mas por que ela fez isso com o Antenor? — Verônica estava incrédula com tudo aquilo.

— realmente, não faço ideia, talvez foi alguma coisa passional, será que estavam no meio de uma briga? — perguntou Fábio.

— não sei, o que eu sei é que eu quero que a polícia… — Verônica teve sua fala interrompida pela empregada.

— com licença dona Verônica, desculpa interromper mas tem um pessoal da polícia está aqui pra falar com vocês.

— polícia? — perguntou Carolina – o que a polícia quer com a gente?

— eles devem estar falando com todo mundo que estava na festa – respondeu Carolina.

— pode mandá-los entrar – disse Fábio para a empregada.

— eu vou ligar pro nosso advogado – disse Carolina pegando o celular do bolso.

— não precisa, nós não devemos nada e não estamos sendo acusados de nada – disse Fábio – provavelmente eles só farão alguma perguntas triviais pra todos nós.

Então a empregada conduziu os policiais até a sala onde estavam os três.

— boa tarde, desculpem pelo incomodo, eu sou a policial Clarice e esse é o meu parceiro César – ela então fez uma pequena pausa e olhou para o cabelo de Verônica, então ela voltou a falar — eu gostaria de fazer algumas perguntas para vocês, tudo bem?

— claro, sem problemas, com quem vocês gostariam de falar primeiro? — perguntou educadamente Fábio.

— eu não falo com ninguém sem a presença do meu advogado – disse Carolina.

— mas ninguém aqui está sendo acusado de nada, claro, é um direito todo seu ligar para o seu advogado, mas não há necessidade alguma, é apenas um bate-papo – rebateu Clarice.

— bom, comigo vocês só falam com uma intimação – Carolina era irredutível – eu não vou me rebaixar a isso.

— bom, como eu disse é um direito todo seu – Clarice deixou claro seu descontentamento no tom de voz – na verdade, eu nem quero falar com você, eu gostaria de trocar algumas palavras com a dona Verônica – ela olhou para Verônica – quer um tempo para ligar pro seu advogado também?

— não, vamos até o escritório para podermos conversar.

Verônica conduziu Clarice até lá e as duas conversaram por alguns minutos, então voltaram para a sala.

— muito obrigado pela colaboração, nós já vamos indo – disse Clarice sorrindo gentilmente para todos.

— mas vocês não querem falar comigo? — perguntou Fábio estranhando.

— não será necessário agora, se precisarmos de mais depoimentos nós entramos em contato – então os dois começaram a andar em direção a porta, então ela virou-se novamente – Verônica me disse que vocês estavam planejando uma viagem? Querem um conselho? Não façam isso, pode ser interpretado de uma maneira ruim para vocês.

Então os dois foram embora. Quando entraram no carro, o telefone de Clarice tocou e ela atendeu.

— fala Carlos – era seu parceiro, ela fez uma pausa para ouvir e então voltou a falar – sim, eu estou aqui na frente da casa deles na verdade, saíram os resultados do DNA? …

Dentro da casa, Fábio havia achado tudo aquilo muito estranho.

— então eu contei a verdade horas, em um momento ela me perguntou quais eram os nossos planos e eu disse que viajaríamos até que isso acabasse pois eu temia agora que a Flávia está solta, ela fez uma cara meio estranha e depois disse que tinha tudo o que precisava – disse Verônica – será que isso significa alguma coisa?

Antes que mais alguém pudesse dizer algo, a empregada entrou com os policias novamente.

— hã, dona Verônica, eles disseram que precisa falar com a senhora novamente.

— Verônica eu preciso que você venha com a agente para a delegacia e dessa vez eu aconselho você a ligar mesmo para o seu advogado – disse Clarice.

— nós não vamos a lugar algum – rebateu Carolina.

— ninguém mais precisa ir a lugar algum se não quiser, mas precisamos que você venha conosco dona Verônica.

— mas por que, o que houve? — Verônica estava assustada.

— então vamos contatar nossos advogados e depois vamos – disse Fábio.

— bom, então vamos fazer do modo difícil – Clarice olhou para César e ele entendeu o sinal. Era a hora de pegar as algemas – Verônica Albuquerque, você está presa pelo assassinato de Antenor Grimaldi, tudo o que disser poderá e será usado contra você e você tem direito a um advogado.

Verônica ficou completamente em choque, ela apenas voltou a si quando César colocou as algemas e começou a conduzi-la para o carro da polícia.