Obsessão

7 Festa, Champagne e Assassinato


Era chegado o dia da festa. Depois de dias pensando se iam ou não ao evento, Verônica e Fábio decidiram ir. Eles sabiam que seria julgador cruelmente por irem, mas o julgamento seria muito mais cruel ainda se não fosse, seria dar o sabor da vitória para Flávia e Beatriz, e Verônica se recusava a isso, pois ela já havia perdido coisas demais para aquelas duas mulheres, principalmente Flávia.

Era um dos maiores eventos de gala do ano, muita gente do ramo da moda e do entretenimento do país passavam praticamente um ano inteiro se preparando para aquele evento. Eram as roupas mais elegantes, os sapatos mais chiques e as joias mais caras do pais reunidos em um mesmo local.

Beatriz como anfitriã da noite estava deslumbrante em seu vestido preto com um decote escandaloso e um fenda na perna que apenas alguém com “aquele corpo” se atreveria a usar. Ela sabia que as pessoas falavam dela pelas costas, mas ela não estava nem se importando com o que diziam, ela iria se divertir naquela noite e ponto final. Flávia como sua assistente escolheu um vestido em um tom de rosa claro. Era liso e “comportado”, o dress code de uma boa samaritana cristã.

Como era de costume, Verônica, Fábio e Carolina chegaram juntos. Eles andavam sempre juntos e a mídia adorava o trio, as lentes os amavam. Verônica usava um vestido preto com com alguns detalhes transparentes, elegantíssima e muito contida, já Carolina usava um vestido vermelho chamativo, era sua cor preferida e Fábio usava um terno risca de giz. No momento em que eles pisaram no tapete foi praticamente impossível se moverem por alguns minutos de tantos fotógrafos que apareceram para registrar aquele momento.

— você consegue imaginar as manchetes amanhã? — falou Verônica ao ouvido de Carolina.

— imagino e estou amando. Aquela mulherzinha racista vai ser massacrada – completou Carolina.

Então após várias fotos os três conseguiram sair dali.

Dentro do salão, nada diferente do esperado: a decoração era deslumbrante. A passarela estava montada no gigantesco hall de entrada do prédio onde era sediado o conglomerado Grimaldi Edições, o cérebro de todos os periódicos de Antenor. As mesas tiveram sua organização planejada por Beatriz que, obviamente, colocou a mesa de Verônica e sua família o mais longe possível da dela, e todos ficaram felizes com isso.

Antenor foi uma das últimas pessoas as chegar na festa. Devido aos últimos acontecimentos, ele nem queria ir, mas ele tinha a obrigação de ir ao evento. Quando ele chegou também foi muito assediado pelos fotógrafos, mas ele adorava tudo aquilo. Conforme ele passava pelo saguão, praticamente todos ali queriam cumprimentá-lo, então depois de muitos apertos de mão, ele encontrou Verônica.

— boa noite Verônica, como vai você? — perguntou ele. Ele havia apertado a mão de todos que havia encontrado até agora, mas em Verônica ele quis dar um abraço.

— eu estou ótima – disse ela retribuindo o gesto do ex-sogro – você já conhece meu marido Fábio?

— pessoalmente não, mas é um grande prazer – disse ele estendendo a mão a Fábio – e essa linda jovem? — perguntou ele, referindo-se a Carolina.

— essa é Carolina, minha cunhada.

Carolina então estendeu a mão para cumprimentá-lo.

— jovem só porque o senhor é um gentleman, não se deixe enganar pelas plásticas – respondeu sorridente Carolina. Ela tinha 38 anos mas jpa havia feito algumas intervenções estéticas.

— imagine eu então que não posso nem dizer que “o senhor está lá em cima” porque o último andar desse prédio é onde fica meu escritório.

Os três riram.

— Verônica minha querida, eu quero que você se divirta muito essa noite e fico muito feliz que você tenha vindo, afinal, nós somos amigos e as bobagens que Beatriz disse expressão a opinião apenas dela, ninguém mais na minha casa ou na minha empresa pensa como ela, eu posso te garantir isso – disse Antenor, mudando o tom da conversa para algo mais sério.

— eu sei meu querido, pelo tempo que convivi com você eu pude notar que você é uma pessoa completamente diferente desse tipo de coisa – respondeu Verônica confortando o ex-sogro.

— bom, foi um prazer conhecer vocês e revê-la Verônica – disse ele colocando a mão sobre o ombro de Verônica – preciso tenta achar a organizadora desse evento maluco. Acho que ano que vem eu contrato vocês, porque olha, eu não tenho talento pra essas coisas.

Todos riram e Antenor voltou a andar pelo salão. Verônica então disse que se ausentaria por alguns minutos, disse que ia ao banheiro e Carolina ofereceu-se para ir junto, porém ela não aceitou, disse que queria ir sozinha, então Carolina ficou sentada à mesa fazendo companhia para Fábio.

Antenor estava ainda candando pelo saguão, cumprimentou mais algumas pessoas e então seu telefone começou a tocar compulsivamente, normalmente ele ignoraria, porém foram muitas notificações, então ele pegou o celular e olhou que haviam 18 mensagens. Me encontre em seu escritório, é urgente!” e a mensagem vinha de um número desconhecido. Sendo um homem ligados a jornais e revistas, não era estranho para Antenor receber mensagens ou receber ligações de números desconhecidos, era um dos meios que suas fontes mantinham o sigilo e como ele estava envolvido em uma matéria sobre corrupção em uma enorme empresa farmacêutica e adulteração de medicamentos para obter lucros, ele pensou que era algo com suas fontes ou seus jornalistas, então ele discretamente despistou todos ali presentes e foi até seu escritório.

Quando Verônica voltou a mesa, Carolina notou que seu penteado não estava como antes.

— o que ouve com o seu cabelo? — questionou Carolina.

— a nada demais, eu tentei arrumar um fio que estava fora do lugar e me baguncei toda – respondeu Verônica sorrindo.

Do outro lado do saguão, Beatriz havia cumprimentado o pai na hora em que ele chegou, porém fazia algum tempo que ela não o via mais, então ela pediu que o encontrassem, pois ela faria a fala de abertura do evento e queria que ele estivesse ao lado dela. Ela havia pedido aos funcionários para que o encontrassem, porém eles disseram que ali no saguão ele não estava.

— vocês olharam na garagem? — perguntou Beatriz para um de seus funcionários.

— sim, eu falei com os seguranças lá debaixo e com os valets e ninguém o viu lá por baixo – respondeu um dos funcionários.

— o único lugar que a gente não olhou foi o escritório, alguém já foi lá? — perguntou outro funcionário para Beatriz.

— bom, eu vou lá em cima ver, vão segurando o pessoal e pede pros estilistas segurarem mais uns minutos, podem começar a servirem as champagnes personalizadas e eu vou lá ver se o papai está lá – ordenou Beatriz.

Ela então foi para o elevador de serviço que havia nos fundos para não ser notada. Levou alguns minutos até que ela chegasse no último andar. Quando chegou, ela foi até o escritório do pai e a porta estava fechada.

— pai? — Beatriz bateu na porta, porém não houve nenhuma resposta, então, ela bateu novamente – pai? — silêncio novamente – pai, se você estiver aí eu vou entrar tá bem? — anunciou Beatriz.

A porta não estava trancada, então Beatriz abriu e entrou. O escritório tinha dois ambientes, um com o desktop e uma segunda sala onde havia uma pequena biblioteca com um aconchegante jogo de sofás, um tapete felpudo lindo e uma mesa de centro, então Beatriz foi até lá e quando chegou, deparou-se o corpo já sem vida de seu pai caído ao pé da linda mesa de centro.