— quem diabos é você? — Flávia estava assustada. Tudo o que ela havia conquistado estava prestes a ser ameaçado.

— aí depende da sua proposta, eu posso ser sua melhor amiga e cúmplice ou eu posso ser a mulher que vai acabar com a tua farsa.

— e o que você quer?

— simples, eu vou te ajudar a conquistar tudo o que você quer se você me garantir que vai me permitira escrever a sua biografia, onde pretendo contra a sua comovente história de assassina louca a cristã convertida ou eu posso ir até a polícia agora mesmo e ser a jornalista que vai cobrir tudo, mas confesso que a primeira opção em seduz mais, afinal a fama será bem maior.

— eu não faço ideia do que você está falando. Você está me acusando de ter matado o Antenor? — Flávia tentou fingir que estava ofendida.

— eu não estou de acusando, eu estou afirmando minha querida, e as fotos que você tem nas mãos provam o que estou dizendo, simples.

— você vem no meu escritório me chantagear a acha que eu vou confiar em você? — disse Flávia mudando completamente a expressão.

— claro que sim. Se você me garantir que poderei escrever a sua biografia, não há o do que ter medo.

Flávia ponderou por alguns segundos.

— que garantias eu tenho? — perguntou Flávia.

— a sua inteligência ué. Se eu fosse te entregar eu teria ido direto a polícia, mas não, eu estou aqui fazendo um acordo pra que ambas ganhemos dinheiro – o tom de Marcela era sarcástico, e isso irritava muito Flávia.

— e o que você quer que eu faça?

— espere. Segue o seu plano do jeito que tiver que ser e se a gente precisar agir eu te aviso – disse Marcela, então ela começou a andar em direção a porta, então virou-se para Marcela – a, e só uma coisinha, pessoa da minha confiança tem acesso a essas fotos, então nem pensem em fazer nada comigo, se não você está acabada – Marcela então abriu a porta e saiu.

Flávia ficou chocada, ela precisava pensa o que fazer com Marcela. Será que ela poderia confiar em Marcela? Mas essa semana ela não ia ligar para aquilo, afina ela estava a três dias de um mega-evento empresarial, um prêmio concedido pelo sindicato dos editores no qual ela concorria a editora revelação. Beatriz havia garantido a ela que faria o possível para que ela ganhasse, afinal aquilo traria a ela, e a revista que era nova, muita visibilidade.

***

— algum problema na empresa amor? — perguntou Verônica ao notar que Fávio não estava bem.

— imagina amor, nem quero te chatear com esse assunto.

— se fosse me incomodar eu não perguntava, eu quero saber.

— ai amor – ele deu uma suspirada profunda – a nossa sorte é que tínhamos eventos programados para praticamente uns dois anos, nesse último mês não tivemos nenhum cliente novo e tivemos alguns que pagaram a multa para rescindir contrato.

Verônica então ficou com os olhos marejados, ela estava segurando o choro.

— simplesmente inacreditável que eu estou indo mal enquanto uma assassina condenada está concorrendo a um prêmio – ela então virou-se e começou a olhar pela janela – editora revelação, aquela imunda nem sabe nada sobre revistas. O que há de errado com essa gente? Eu deveria ir nessa premiação e subir no palco e dar uma surra nela de mandar ela pro hospital. A sorte dessa infeliz é que eu não sou uma psicopata igual a ela.

— e nem valeria a pena meu amor. Logo logo a sua inocência vai ser provada e ela vai voltar pro lugar de onde ela nunca deveria ter saído – disse Fábio. Então ele foi até onde estava Verônica e a abraçou e os dois ficaram ali olhando pela janela.

Os dois tentavam, porém eles não conseguiam ver nada melhor vindo no horizonte, mas isso não iria matar a esperança deles dois.

***

Era chegado o dia do prêmio. Era a primeira vez na vida que Flávia se arrumaria para um evento e nunca em sua vida ela imaginou que seria indicada a algum prêmio em sua vida. Ela queria usar um vestido vermelho com um decote imenso, porém não combinava com a personagem “cristã” que ela estava interpretando, então ela escolheu um vestido preto longo com mangas douradas e sem decote. Preto, justamente para acompanhar Beatriz que estava enlutada pela morte do pai, porém Beatriz pouco havia falado com ela desde o dia anterior. Ela tentou ligar para Beatriz, porém ela não obteve resposta ou retorno de Beatriz. O que deu nessa piranha mimada dessa vez? Será que ainda está com drama por causa da morte do velho?”.

O evento começaria às 20h, então às 19h Beatriz ligou para Flávia e mandou que ela descesse que a limousine dela já havia chegado e que as duas se encontrariam no evento. Então Flávia foi. Ela tinha em mente que aquela seria uma das noites mais memoráveis de sua vida.

Quando ela chegou ela foi ovacionada pela mídia que estava ali. Todos os fotógrafos tirando fotos dela, fazendo perguntas e dando-lhe os parabéns. Nos últimos dias, a mídia estava comprando a história dela de “cristã arrependida” e vendia muito mais a história da “volta por cima” dela do que crucificá-la. Era um sonho de Flávia sendo realizado, ela estava livre, famosa e sua rival estava prestes a pagar por um crime que ela havia cometido.

Quando ela entrou no evento, foi ao encontro de Beatriz que estava deslumbrante em um terno feminino preto.

— oi amiga, como você está? — perguntou Flávia ao abraçar Beatriz.

— eu estou péssima, é o primeiro evento que venho sem o meu pai, e sem contar que o dia foi mega estressante – disse Beatriz ao sentar-se.

Flávia notou que Beatriz estava apática. “meu Deus, que mulher mais chata” ela pensou.

— eu não consigo nem imaginar o tamanho da sua dor amiga – disse Flávia, ao sentar só lado de Beatriz.

Embora Flávia tivesse adorado o assédio da mídia, a noite foi longa. Ela não conhecia ninguém e pouco conhecia dos jargões que estavam sendo falados ali, então depois de uma hora, que passou como se fossem cinco na percepção de Flávia chegou o momento da noite em que seria dado o prêmio ao qual ela concorria. Ela estava sentada aflita na mesa quando ouviu a frese que não acreditou que ouviria E o prêmio de editor revelação via para: Reinaldo Almeida” e todos começaram a aplaudir. Flávia ficou chocada. Ela tinha muita esperança que o prêmio seria dela, porém foi não daquela vez.

— eu já volto — anunciou Beatriz ao levantar-se e sair da mesa.

Ela não vai me dizer nada? O que deu nessa vaca louca?” pensou Beatriz. Ela havia acabado de perder o prêmio e sua patroa e amiga não havia lhe dito nada. Ela então manteve-se na personagem, ela bateu palmas para o vencedor e ficou sorrindo. Alguns minutos depois, ela recebeu uma notificação no celular: me encontre no banheiro do segundo andar, do lado direito do saguão” e o remetente era desconhecido. “será a maluca da Marcela?”, então ela levantou-se e foi até lá.

Quando ela chegou no banheiro, Marcela surgiu atrás dela e trancou a porta.

— o que você quer? — perguntou Flávia.

— primeiro, sinto muito por não ter levado o prêmio. Se você tivesse levado, seria uma capítulo ótimo em sua biografia, tens que aprimorar pro ano que vem ser melhor. Você precisa ganhar algum prêmio pra nós fecharmos a sua volta por cima com chave de ouro, mas eu te chamei aqui porque eu preciso de uns detalhes da trama toda – disse Marcela.

— detalhes do que? — Flávia achou estranho tudo aquilo.

— você sabe muito bem do que eu estou falando – então ela notou a desconfiança de Flávia, e deu uma gargalhada – acha o que, que eu estou com escuta? — ela então deu um volta e esgue a camisa para mostrar que não havia nada – quer me revistar?

— detalhes do que? Por que eu deveria dar algum detalhe de alguma coisa pra você?

— eu quero te ajudar e pra eu poder te dar cobertura eu preciso saber da história toda.

Flávia então olhou ao redor e foi até a porta conferir se ela estava mesmo trancada, então aproximou-se de Marcela.

— bom, na verdade foi fácil. Só precisei me aproximar da Beatriz pra ter as costas quentes – ela então deu uma gargalhada – aquela dondoca racista sempre detestou a Verônica só porque ela é negra e eu troquei umas cartas com ela na cadeia e logo vi que seria super fácil de engambelar ela, era só massagear o ego sabe, riquinha tola, foi quem mais comprou o meu papinho de convertida.

— e como foi que você conseguiu incriminar a Verônica?

— aquela noite mesmo eu provoquei a Verônica e ela me atacou, então eu parti pra cima dela e arranquei alguns fios de cabelo dela e depois coloquei na mão do Antenor . Eu só precisava da Beatriz pra ter acesso total a empresa e foi muito mais rápido do que eu imaginei. Eu achei que ia levar mais de um ano pra colocar todo o meu plano em prática, mas tudo está indo melhor do que o imaginado.

— então você matou o filho, manipula a filha e matou o pai, nossa. Vai dar uma ótimo livro essa história – então Marcela virou-se para um dos reservados do banheiro atrás dela – viu só Beatriz, eu falei que não era nada pessoa com você, ela quer mesmo é atingir a Verônica.

Flávia ficou sem entender até o momento em que a porta do reservado se abriu e Beatriz saiu de lá. Ela ficou completamente se reação.

— riquinha tola? — perguntou Beatriz.

— bom, vou deixá-las mais à vontade pra que vocês possam conversar – disse Marcela ao começar a andar em direção a porta.

Assim que Marcela saiu, Flávia tentou correr em direção a porta para fugir, mas Beatriz a agarrou pelos cabelos e a jogou longa. Quando Flávia perdeu o equilíbrio e caiu no chão, Beatriz trancou a porta. Flávia então levantou-se.

— Beatriz não é nada do que você está pensando. Essa mulher, essa Marcela está me chantageando a um tempo e eu só falei essas coisas porque eu tenho medo dela e… e… pelo amor de Deus Beatriz, você é minha melhor amiga, era tudo mentira o que eu falei e… — então a fala de Flávia foi interrompida pelo primeiro tapão na cara.

— cala essa maldita boca sua desgraçada! Você me enganou todo esse tempo e matou meu pai pra incriminar a Verônica? — então ela deu outro tapão que fez Flávia cair no chão – você nunca mais vai esquecer quem é essa riquinha mimada!

Beatriz então subiu em Flávia imobilizando seus braços e começou a dar-lhe tapas na cara.

— assassina imunda, eu vou acabar com a tua vida, eu vou te mandar pra cadeia mais suja desse país e te fazer apodrecer lá – dizia Beatriz.

Flávia tentava gritar, mas Beatriz não deixava. Cada tentativa de grito por socorro era mais um tapa. Depois de vários tapas e de ficar praticamente sem fôlego. Então ela levantou-se e foi até o espelho, onde ela começou a arrumar seu cabelo.

— eu vou destruir você. Eu vou colocar os melhores advogados desse país pra defender a Verônica e vou garantir que polícia venha pra cima de você com tudo e não pare enquanto não te meter na cadeia mais suja do país.

Beatriz então saiu e deixou Flávia ali no chão. Ela estava muito machucada, tinha vários arranhões no rosto e haviam pequenos filetes de sangue escorrendo pela boca e pelas narinas de Flávia.