Obsessão
13 O Julgamento do Ano
— vocês simplesmente não vão acreditar nisso! — disse Carolina ao entrar na sala onde estavam Verônica e Fábio e então começou a ler a mensagem que havia aberta em seu celular — Nota de esclarecimento: Beatriz Grimaldi, na posição de dona e diretora das empresas pertencentes a Grimaldi Edições, gostaria de esclarecer por meio dessas que não tem mais nenhum vínculo com Flávia Oliveira. A mesma reconhece que dar apoio a ela foi um equivoco no qual está trabalhando o mais rápido possível para corrigir. Beatriz gostaria de deixar claro ainda que pedirá desculpas formalmente para Verônica Albuquerque, a quem se arrepende imensamente de ter ofendido no episódio recente ao qual todos se lembram além de deixar claro, a partir desse momento, seu apoio total a incondicional para provar a inocência de Verônica, colocando-se a disposição para depôr em favor dela no processo que ela responde injustamente pelo assassinato de seu pai, Antenor Grimaldi.
Verônica e Fábio estavam sem palavras depois de ouvir aquilo.
— foi postado hoje no site oficial da Beatriz e logo em seguida saiu uma notícia de que Flávia foi atacada fisicamente por um ladrão, inclusive foi parar no hospital – completou Carolina.
— gente, o que foi que houve pra ela mudar de ideia? — perguntou Fábio.
— será que mudou mesmo? — indagou Verônica – e essa história dela ter sido assaltada?
— então, na noite do prêmio que ela concorria, que aliás, ela perdeu, ela foi agredida no banheiro, e disse que foi uma mulher que roubou sua bola, mas não sei não, depois dessa nota eu posso apostar que foi a Beatriz quem bateu nela – respondeu Carolina.
— eu estou em choque gente, que loucura, mas não podemos esquecer que… — a fala de Verônica foi interrompida pelo toque de seu celular.
Ela então atendeu, era seu advogado. Depois de alguns minutos conversando, el agradeceu e desligou.
— Beatriz ligou pro meu advogado dizendo que está colocando todo o setor jurídico da Grimaldi estará a nossa disposição e ela disse que quer depor a meu favor pois ela tem informações e fotos que vão me inocentar. Qual será a jogada por trás disso? — perguntou Verônica.
— a Flávia vem mentindo e tanto tempo, ela deve ter pisado em falso e Beatriz descobriu – respondeu Fábio.
— eu acho que você deveria falar com ela. Se ela estiver mentindo, você vai saber – sugeriu Carolina.
— eu não sei, prefiro deixar o meu advogado cuidando disso. Prefiro não envolver mais do que o necessário nisso sabe, eu confio neles pra saberem se as testemunhas convocadas estão a meu favor ou não.
Os meses foram passando. Flávia havia sido demitida e expulsa do apartamento que havia sido cedido a ela e as três, Flávia, Verônica e Beatriz, haviam ficado fora da mídia. Marcela havia apresentado as fotos a polícia, porém estava por fora da mídia e Clarice agora, acreditava na inocência de Verônica mais do que nunca, então chegou o dia do julgamento. O julgamento de Verônica pelo assassinato de Antenor vinha sendo chamado de “O Julgamento do Ano” pela mídia.
Estava marcado para às 15h de uma terça-feira. A mídia estava em massa na frente do fórum esperando todos chegarem lá. Verônica , Fábio e Carolina foram os primeiros a chegar junto com seu time de advogados. Logo em seguida começaram a chegar as testemunhas do caso, Marcela, Beatriz e Flávia também foi. Ela havia sido cotada para ser uma testemunha de acusação, porém quando Beatriz deixou claro publicamente suas desconfianças contra ela, ela havia perdido completamente a credibilidade, então a promotoria tirou seu nome da lista. Embora as expectativas com as provas novas do caso fossem todas otimistas a favor de Beatriz, Flávia tinha esperanças de ver a vida da inimiga ser destruída.
As considerações inicias foram feitas pela juíza do caso. A mídia teve duas fileiras para acompanharem o julgamento, mas foram advertidos pela juíza que se atrapalhassem a sessão, seriam colocados para fora e fotos eram permitidas apenas sem flash. A promotoria apresentou as pessoas do júri o caso e as provas que haviam contra Verônica e os advogados de Verônica fizeram toda sua fala inicial tentando mostrar que as provas eram circunstancias e que não eram suficientes para decretar a culpa de sua cliente, então a juíza começou a chamar as testemunhas, começando pela acusação.
— a promotoria chama a senhora Regina Claymor para depôr – disse o promotor.
Uma senhora de cabelos grisalhos levantou-se e foi até a cadeira das testemunhas para depôr. Depois de jurar dizer a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade, o promotor começou a fazer suas perguntas.
— onde a senhora estava na noite no crime?
— eu estava na festa onde o senhor Antenor foi assassinado. O prédio da Grimaldi, pra ser mais exata.
— e você reconhece a ré? — disse o promotor apontando para Verônica. A senhora Regina acenou positivamente com a cabeça, então o promotor voltou a falar – a senhora viu algum tipo de interação entre a ré e a vítima naquela noite?
— bom, quando eu fui me sentar na minha mesa eu notei que os três estavam conversando com o Antenor e logo em seguida, ele se despediu e saiu.
— e essa conversa foi calma ou houve alguma tipo de alteração entre eles?
— então, eu não consegui ouvir nada, pois o saguão estava cheio de gente e tinha muito barulho, mas parecia que a conversa era meio tensa sim, não digo no sentido de briga, mas dava pra ver que eles não estavam confortáveis com aquela situação.
— e você notou mais alguma coisa estranha além disso?
— teve um momento em que ela, a Verônica, saiu da mesa sozinha. Eu imagino que ela não teria ido ao banheiro porque nós mulheres sempre vamos juntas sabe, e ela foi sozinha… — então a fala de Regina foi interrompida pelo advogado de defesa.
— objeção excelência, isso é pura especulação!
— aceito. Senhor promotor, oriente a testemunha para descrever apenas os fatos, não vou considerar achismos no meu tribunal – respondeu a juíza.
— então a senhora disse que ele saiu da mesa, e ela ficou muito tempo fora da mesa?
— sim, ela ficou uma meia hora fora da mesa.
— obrigado meritíssima, sem mais perguntas.
A juíza aceitou e permitiu que a próxima testemunha fosse chamada.
— então Clarice, você é a investigadora que montou o caso, correto?
— sim, eu e meu parceiro César montamos o caso.
— você poderia descrever para mim a cena do crime quando você chegou lá?
— primeiro foi acionada a polícia militar que fechou o local e logo em seguida nós fomos acionados e chegamos. O corpo estava no escritório, caído no chão em meio a uma poça de sangue. Numa avaliação prévia deu para notar que ele tinha três golpes que o perfuraram o pescoço e duas na região do abdome. Não havia nenhum sinal de luta, não havia nada fora do lugar, mas havia um pequeno chumaço, aliás, um chumaço não, ele tinha alguns fios de cabelo nas mãos que depois os testes de DNA comprovaram como pertencendo a senhora Verônica e foi em cima desse fato que montamos o caso.
— e você acha que Verônica é a autora do crime?
— prefiro não responder nada de cunho pessoal, prefiro ater-me apenas aos fatos.
— você como policial pode me responder uma questão então, quanto tempo uma pessoa leva para entrar em um escritório, dar três facadas em uma pessoa e fugir?
— pode ser uma ação rápida.
— menos de mais hora?
— sim, é perfeitamente possível.
— então suponhamos que Verônica teve todo o tempo necessário para fazer isso, não é mesmo? Para dar três facadas em Antenor e voltar para a festa?
— sim, é possível.
— sem mais perguntas.
A juíza dispensou a testemunha, então essa era o momento em que o julgamento se complicava para Verônica, pois a promotoria estava a uma passo de convencer juri de que Verônica havia matado Antenor, pois haviam testemunhas de que ela tinha se ausentado da mesa tempo suficiente para cometer o crime, além dos fios de cabelo nas mãos da vítima.
Agora, era tudo ou nada, os advogados de Verônica precisariam ser muito bons para virar o jogo.
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