Obsesso
38 37. Déjà vú
Notas iniciais
A ressaca, aparentemente, pulara um dia. No domingo Naruto estava razoavelmente bem, assim como Kiba. Shino estava acabado, e Karin ficara dormindo até quase cinco horas da tarde – nem chegara a se despedir dos dois homens de Worcester –. Agora, na segunda-feira, porém, a dor de cabeça estava a matá-lo! Saiu de casa em direção ao metrô, sentindo o peso do videogame em suas costas. Sentia-se nauseado, mas nada que já não tivesse sentido antes. Talvez estivesse ficando velho demais para aquilo… talvez devesse deixar as noites de bebedeira para trás.
Riu de si mesmo. Certo, com certeza deixaria seus dias mais divertidos para trás. Suspirou e sorriu. Aya e Naoto apareceram em sua mente. A pintura do quarto, a festa de chá, as brincadeiras, as guerrinhas… talvez os dias de bebedeira não fossem os mais divertidos, afinal.
Tão distraído estava, que esbarrou em uma mulher. Mutilou-se mentalmente, incomodado, e olhou para ela.
— Desculpa, eu…
Cabelos longos e escuros. Olhos que capturavam até mesmo sua alma.
— Emi…
— Naruto?
Aquilo pegou o Uzumaki de surpresa. Ontem falara sobre ela com Kiba, e agora a mulher resolvia aparecer? Não fazia sentido, não…
Olhos castanhos brilhantes e cabelos bagunçados. Um garotinho agarrado à mão dela, hiperativo demais para ficar parado. Naruto engoliu em seco.
— James?
Ele amara aquela criança mais do que a qualquer outra pessoa. Quando a conhecera, jamais pensara que ela poderia ter um filho, mas, depois de descobrir sobre ele, amou-o muito mais do que amou Emi. Mordeu o lábio inferior, sem conseguir acreditar naquilo. O garoto escondeu-se atrás das pernas dela.
— Quem é você?
Ele sentiu uma pontada. Talvez tenha sido a pior dor que poderia sentir. Recuou um passo, e depois olhou para a mulher como se a culpa fosse toda dela. Verdade fosse dita, era. Ela aproximou-se um passo, mas Naruto recuou mais três.
— Naruto…
Ele se virou e correu. Algumas lágrimas escorreram de seus olhos e o Uzumaki acabou esquecendo-se de que precisava ir ao hotel. Não conseguia sequer respirar. Ainda ouvia os gritinhos animados dele quando o girava no ar, conseguia se lembrar das noites insones de quando ele ficara doente. Foram seis meses de relacionamento, seis meses em que agiu como se fosse o pai daquele garotinho, e agora ele nem mesmo o reconhecia.
Naruto não poderia estar tão surpreso. James tinha apenas dois anos quando se conheceram, mas ainda assim doía. Ele, agora, estava com sete. Acabara de perder Jiraya quando Emi apareceu em sua vida. Ela era uma das médicas assistentes de Tsunade, e conhecera a mulher a partir da loira. Trovaram-se por dois meses antes de, finalmente, Naruto ser apresentado ao pequeno J. Fora amor à primeira vista. O garotinho vivia grudado em seus pés, imitando tudo o que Naruto dizia e fazia. O loiro não saía de perto dele, e sentia-se ainda mais próximo do menino do que Emi. Ela sentiu que havia encontrado o homem certo, até o pai de James voltar.
Foi como se todo o chão do loiro fosse arrancado de novo. Emi simplesmente terminou com ele, como se os oito meses nada tivessem significado para ela. Naruto passou um ano inteiro ligando quase diariamente, querendo falar com James, mas nunca pudera ouvir uma palavra do menino.
A despedida fora o pior. Estavam na sala, James no colo de Naruto, que brincava de aviãozinho com ele. O menino ria o tempo inteiro, adorando voar e ouvir os barulhos que Naruto fazia com a boca. Emi entrou e falou que precisavam ter uma conversa séria. Naruto fez uma cara meio de apavorado, e disse: “Ih, garotão, acho que estou com problemas…”. O menino riu como se nunca fosse ouvir aquilo novamente. Naruto o colocou para dormir, deu-lhe um beijo de boa noite e ficou acariciando os cabelos castanhos até os olhinhos se fecharem. Depois, descobriu por Emi que estava tudo acabado. Havia sido bom ficar com ele, mas seu verdadeiro amor era o pai James.
Ele ainda pediu para que ela reconsiderasse, para que o deixasse ser o tio legal, ou o que fosse, mas Emi fora irredutível. Seria melhor para todo mundo.
E o bastardo que abandonara mãe e filho quando descobriu que ela estava grávida ficara com a família que Naruto estava criando para si. Foi quase pior do que perder o avô. Ele ficou destruído de uma maneira tão intensa que fê-lo pensar em suicídio. Mesmo agora, depois de cinco anos, ainda amava o garotinho. Ele estava tão enorme…!
Escondeu o rosto entre as mãos e foi quando percebeu que chorava. Doía tanto! Ele não o reconhecia mais. Naruto cuidara de James quando ele se gripara, servira de babá por meses e até mesmo tivera que limpar o vômito dele de sua roupa. Ainda assim, ele não o reconhecia. Emi nunca o deixava vê-lo, e, em algum momento, a lembrança do titio loiro e bacana que brincava consigo simplesmente desaparecera. Sentia-se sem ar, sem chão. Tentou recompor-se, mas não conseguiu. Doía tanto…!
Seu celular começou a tocar. Naruto não sabia quanto tempo ficara ali. Parou com os soluços, mas não estava bem. Ninguém parara para saber o porquê de estar assim, nem mesmo um dos transeuntes preocupara-se com o loiro bonito que chorava. Mas aquela era Boston. Todos tinham os seus problemas, não precisavam se preocupar com os problemas dos outros.
Quando achava que sua voz estava normal, atendeu.
— Você ainda vem? – era a voz grossa de Sasuke.
Naruto sentiu-se ainda pior ao ouvi-lo. Tapou o fone, não querendo que sua respiração fosse ouvida pelo outro.
— Naruto?
— Eu vou – disse.
Sua voz tremia, mas achara que fizera um trabalho razoável. O Uchiha era exatamente como Emi. Sentia que tudo se repetia. Ficaria com ele, cuidaria de Aya e Naoto de todas as formas possíveis, e depois teria os pequenos arrancados de si. Soluçou, mas sabia que o Uchiha não ouvira. Sua mão ainda tapava o fone.
— Ok… vai demorar muito? Preciso sair.
Naruto respirou de novo. Quanto tempo precisaria para se recompor? Mais cinco anos?
— Preciso de uma hora.
Agora sua voz ficara quebrada demais. Amaldiçoava-se por não ter conseguido controlar, e aquilo apenas aumentou o choro. Odiava-se tanto naquele momento! Odiava Emi, odiava a si mesmo e odiava o universo no geral. James nem ao menos sabia quem ele era, e, em breve, provavelmente Aya e Naoto tampouco o saberiam.
— O que houve?
O tom preocupado não ajudou em nada. Naruto queria um abraço. Queria uma promessa de que nunca seria afastado dos sobrinhos do Uchiha. Não era nada de sangue deles, mas sentia aquele amor que queimava seu peito pelos dois. E se o destino se repetisse? E se, novamente, tivesse os pequenos arrancados de si?
— Nada, eu só preciso de uma hora.
— Onde você tá?
— Sasuke, por favor… Eu to bem. Só… me dê uma hora.
— Você tem duas, e depois vamos conversar.
Sasuke desligou. Naruto respirou fundo de novo. Precisava parar com o choro, precisava se acalmar. Sua casa estava perto, e o Uzumaki voltou para lá correndo. Chegou ao seu antro de solidão e caiu de joelhos. O soluço foi mais longo e forte. Soluçou, sentindo todo o seu corpo tremer.
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Sasuke desligou o celular com um incômodo em seu peito. Aya encarava-o ansiosa e estendia o braço, querendo falar com Naruto.
— Titio, eu queria falar com ele! – reclamou.
Sasuke guardou o celular no bolso.
— Naruto estava ocupado. Ele vai se atrasar um pouquinho.
Naoto apenas voltou a brincar com seu carrinho, tentando esconder sua tristeza. Parecia que o tio Naruto também estava deixando os dois.
— Mas o que é mais importante do que a gente?
— Eu também queria saber.
Sasuke ainda tentou pensar no caso de Itachi, mas aqueles números não faziam sentido nenhum a ele, e não possuía nem uma pista nova. Por que Naruto estava chorando? O Uzumaki podia cobrir o fone com as mãos o quanto quisesse, Sasuke conseguira ouvir perfeitamente os soluços. Mesmo a voz dele…
Queria simplesmente sair e ir tirar aquilo a limpo. Não o vira chorar nem mesmo quando fora acusado de assassinato – o quê, como ele sabia, conseguia fazer muitos homens chorarem como crianças –, portanto estava curioso para saber o que poderia ser tão ruim a ponto de causar tal desespero nele.
Claro, era apenas curiosidade, não preocupação.
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Naruto não estava mais calmo ou mais tranquilo, mas parara de chorar e tomara um banho para limpar seu rosto. Agora entrava no quarto de Sasuke com a chave que lhe fora reservada.
A porta se fechou e ele viu Aya correndo.
— TIO NARU!
Ele abaixou-se e a garota correu para seus braços. Naruto sentiu as lágrimas voltarem, mas não chorou. Estreitou o abraço e a pegou no colo. Aya ficou ali, com a cabeça apoiada no ombro dele. Ela sentia que Naruto precisava de si. Sentia que o loiro precisava daquele abraço. Não sabia como sentia aquilo, mas simplesmente… sabia.
— Aya?
— Que foi, titio?
— Eu te amo, tá?
A voz tremeu no final. A menina abriu seu melhor sorriu e beijou a bochecha dele. Naruto a manteve assim pertinho, sentindo o terror absurdo de nunca mais poder vê-la apertar seu peito.
— Eu também te amo, tio Naru.
Ele sorriu e assentiu com a cabeça. Naruto se afastou e beijou a bochecha dela também. Aya limpou o canto do olho de Naruto com sua mão e franziu o cenho.
— Tá chorando, tio?
— Não, little. É impressão sua.
Aya sorriu e limpou as lágrimas dele com seus dedinhos.
— Tá tudo bem, eu guardo o teu segredo.
Naruto riu e beijou a testa dela. A menina também riu e ficou abraçadinha nele enquanto o loiro a levava até o quarto principal. Já na sala, Naoto brincava com seu carrinho e Sasuke mexia em alguns papéis.
Naruto sorriu imensamente ao ver Naoto e deixou Aya no chão. Pegou o menino e o girou no ar, daquele mesmo jeito que sempre fazia com James, e beijou o menino na barriga. Naoto riu como a criança que era, e Naruto o envolveu em seus braços também. Queria, com todo o seu coração, não sentir o que sentia em relação a eles. Seria muito mais feliz se não os amasse.
— Naruto, no quarto.
Sasuke saiu, e o Uzumaki suspirou. Imaginava que aquilo poderia acontecer. As palavras: “Acho que estou em problemas” ficaram presas na ponta de sua língua, mas não as proferiu. Sentia medo. E se elas fossem um sintoma? Uma prévia de que tudo se repetia novamente?
— Já volto.
Caminhou até o quarto, e Sasuke fechou a porta assim que o Uzumaki passou. O Uchiha apenas ficou a encará-lo, como se pudesse obrigar Naruto a falar com ele apenas com aquele olhar. Mas o Uzumaki não diria uma palavra. Era pessoal demais, intenso demais... Forte demais.
— O que foi aquilo?
— Estava… estou bem. Só precisava de duas horas.
— Por quê?
Naruto suspirou e bagunçou seus cabelos. Estava incomodado com aquela conversa. Não queria falar com Sasuke sobre aquilo, não se sentia pronto. Talvez fosse a ressaca, porém sentia sua cabeça doendo. A vontade de chorar voltava.
— Não importa.
Naruto queria um abraço.
— Só fale, Naruto. Alguém fez alguma coisa? Alguém morreu? Foi a Akatsuki?
Aquilo o irritou.
— Não tem nada a ver com você, ok? Meus problemas, vou lidar com eles.
Queria só que Sasuke se aproximasse e o abraçasse. Envolvesse seus braços ao redor dele e dissesse que estava tudo bem, que ele estava ali e que tudo se ajeitaria. Naruto só queria chorar nos braços dele e ouvir que tudo ficaria bem eventualmente. A dor passaria um dia.
Mas Sasuke apenas ficou a encará-lo com aquele olhar vazio.
— Seus problemas, por enquanto, são meus problemas. Isso pode ter a ver com eles e você não…
— Acho que eles não estavam me vigiando quatro anos atrás, estavam? Não. Então não tem nada a ver com eles.
— Por que quatro anos, o que aconteceu?
— Nada, Uchiha. Só deixa eu passar, ok? Vou servir de babá pra você poder sair.
Sasuke voltou à sua inexpressão costumeira. Naruto estava cansado demais para brigar com o Uchiha por isso. Se Sasuke queria ficar fugindo de seus problemas, o Uzumaki nada tinha a ver com aquilo.
— Não preciso mais sair.
Ligara para Suigetsu, mas, aparentemente, ele estava ocupado demais para atendê-lo. O Uchiha sentia aquela tensão sexual e não podia descarregá-la em ninguém, o que, definitivamente, não melhorava seu humor já instável.
— Ok.
Naruto tentou passar pelo Uchiha, mas este o empurrou de volta. Naruto estralou os ombros, preparando-se para uma briga.
— Sasuke… deixa eu passar.
— Fala por que tava chorando.
— Você não tem nada a ver com isso. Eu, em breve, vou sair da sua vida, não é mesmo? Assim que não precisar mais de mim. Bem, se é assim, ótimo. Mas deixa eu aproveitar o tempo que tenho com Aya e Naoto enquanto isso.
— Naruto, você sabe que não é assim. Não vou te proibir de vê-los depois de tudo isso acabar.
— Bom mesmo. É melhor você fazer isso.
O Uchiha percebeu as lágrimas contidas nos olhos dele. Escorou-se na porta.
— Foi por causa disso? Achou que eu ia proibi-lo de ver Aya e Naoto?
Naruto bagunçou os cabelos loiros e virou-se de costas. Bagunçou seus cabelos e mordeu o lábio inferior. Não queria conversar sobre aquilo, não queria chorar. Só queria um abraço e uma promessa. Mas não teria nem um dos dois.
— Só… me deixa ir.
— Não. Quero saber o que aconteceu.
— POR QUÊ?!
Os olhos marejados. Naruto respirou fundo, não querendo chorar ou gritar. Só sentia raiva. Sasuke nunca ficaria sozinho, Emi nunca ficaria sozinha. Eles tinham o mundo em mãos, tinham uma família, algo que Naruto achava que nunca teria, e ainda reclamavam. Ainda se sentiam infelizes de alguma forma, e aquilo acabava com seu coração. Tudo o que ele queria era alguém para amar incondicionalmente, como amara James e como estava começando a amar Aya e Naoto. Mas sabia que, assim como o garotinho, em breve os dois pequenos Uchiha seriam arrancados de seus braços.
— Porque você está convivendo comigo agora. Eu preciso saber dessas coisas.
— Não precisa não. Por acaso você fala comigo sobre as dores do seu coração, sobre o quanto você sente a falta de Itachi, ou sobre o quanto você sofre com tudo o que o rodeia?! Não, não fala. Então eu também não preciso falar.
Sasuke assentiu com a cabeça, sentindo a raiva querer tomar lugar em seu rosto. Ficou apenas inexpressivo, tentando manter a calma.
— Ok. Se é assim…
— Sim, é.
Naruto saiu do quarto. Dessa vez, Sasuke não tentou impedi-lo. O Uchiha não demonstrou absolutamente nada. Se alguém olhasse para ele, pensaria que refletia sobre o tempo. Entretanto, estava irado de forma tão intensa que podia simplesmente sair quebrando tudo ao seu redor.
Estava estressado, nervoso, com tesão e confuso. Queria sexo, queria se livrar da Akatsuki, queria Itachi de volta… Queria tantas coisas ao mesmo tempo que nem conseguia compreender tudo o que queria. Respirou mais devagar, tentando levar mais oxigênio ao seu cérebro sem demonstrar sua raiva.
Podia simplesmente quebrar aquele quarto inteiro, porém não o fez. Acalmou-se mantendo o olhar perdido no nada, tentando racionalizar e se convencer de que não adiantaria nada incomodar-se com o Uzumaki. Naruto estava levemente correto; não podia exigir dele confissões sendo que não fazia nenhuma, porém ele era o diabo. Se quisesse uma confissão deveria recebê-la, não? Inspirou. Expirou. Aquela preocupação não era natural de si. Não gostava de se interessar pela vida dos outros como acontecia naquele momento. Era… desconfortável. Queria ser indiferente, como aparentava, mas não conseguia.
Expirou. Inspirou.
Aquela seria uma longa semana.
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Sasuke pensara que a Akatsuki levaria apenas cinco dias para descobrir que sua casa segura era apenas uma fachada, porém já era segunda-feira novamente. Tivera que pagar por mais alguns dias de moradia para o hotel, pois já estava há exatas duas semanas naquele quarto. E ficava um pouquinho mais maluco a cada segundo.
Naruto passara quatro dias com eles e fora embora. Estava de folga até o dia seguinte, pois Sasuke nem sequer pagava as horas extras. O Uchiha não sabia o que o Uzumaki fazia e não queria saber. Estava claustrofóbico. Haviam passado aqueles últimos dias numa tensão desconfortável e irritante. Não deixava de ser excitante ver Naruto daquele jeito – porque o desgraçado conseguia ser deliciosamente gostoso quando irritado –, o que tornava tudo pior. Sasuke precisava de sexo. Sua mão já não era mais tão satisfatória quanto deveria ser, o que fazia o Uchiha se sentir como um adolescente.
Ligou para Ino, que concordou em cuidar dos pequenos por aquela tarde. Chouji também estava ali no hotel e ficaria para fazer a proteção da loira e das crianças. Quando ela chegou, Gaara estava ao seu lado.
O Sabaku parecia saber exatamente o que Sasuke faria.
— Volte com um humor melhor – pediu ele.
Sasuke saiu. Suigetsu estava indisponível – de novo –, o que levava o Uchiha a se perguntar se Karin havia ou não conseguido o que tanto desejava. Ligara para Juugo, que concordara em encontrá-lo no motel de sempre.
O Uchiha dirigiu o carro de Gaara até lá – foi quando percebeu que precisaria comprar um novo imediatamente –. Juugo já estava a esperá-lo.
O homem levantou-se da cama – nu – e caminhou em direção ao Uchiha, que levantou a mão, impedindo-o.
— Eu não posso ter seu cheiro nas minhas roupas.
Juugo assentiu, sem fazer qualquer pergunta – como sempre – e esperou o Uchiha. Sasuke, depois de se despir, aproximou-se. Precisava descarregar seu tesão em alguém.
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Sasuke não ficou trocando carícias depois do sexo. Assim que a sensação pós-orgasmos – O Uchiha estava empolgado – passou, ele foi embora. Estava mais relaxado agora, até mesmo mais feliz. Sentiu que, talvez, fosse a hora de fazer as pazes com Naruto. Ligou para o loiro.
— Que é? – perguntou do outro lado, frio.
Sasuke revirou os olhos. Ele era o frio, não Naruto.
— Só quero saber se quer vir hoje.
— Não posso.
— Por quê?
— Porque não. Era só isso?
— Sim…
Naruto desligou. Sasuke franziu o cenho, confuso. O Uzumaki estava mais distante naquela semana, é claro, porém não daquele jeito. Não tão… indiferente.
Lembrou-se de todas as chamadas que ele recusava e sentiu-se incomodado. Não sabia o que acontecia na vida do loiro, e aquilo o incomodava muito. Passou em uma concessionária antes de chegar ao hotel e comprou um carro igual ao seu anterior. Não era fã de mudanças, e realmente gostava de seu antigo carro. Este seria entregue no Four Seasons ainda naquele dia.
Sasuke sentia que estava ficando encurralado. Fizera as malas quatro dias atrás e não deixava os sobrinhos bagunçarem-nas. Estava pronto para fugir assim que fosse necessário. Ele não sabia quando seria necessário, mas achava que o dia estava se aproximando.
Abriu a porta e pegou Naoto no colo assim que o menino veio correndo em sua direção. O garoto não quis descer e Sasuke carregou-o até o quarto. Sobre a cama, Aya, Ino e Gaara brincavam de alguma coisa que o Uchiha não sabia o que era.
— Cinderela – disse Ino.
— Príncipe do sapato.
— Ariel – Gaara.
— Príncipe de peixe.
A resposta fez os adultos rirem. Sasuke pigarreou e Ino sorriu para ele.
— Estamos brincando de falar as princesas e os príncipes.
Aya desceu da cama e foi dar um beijo de boas-vindas a Sasuke.
— Por que o tio Naru não vem nunca?
— Ele tá ocupado. Vem amanhã.
A menina suspirou, incomodada.
— Mas ele podia estar aqui!
— Ele tem a própria vida, Aya.
— Você também, mas tá aqui.
Ela emburrou e não quis mais saber de conversa. Sasuke voltou à sua inexpressividade. Aquela relação entre o Uzumaki e seus sobrinhos estava se tornando muito perigosa. Tentou acalmar a menina, mas ela não queria saber. Estava irritada, emburrada, e ficaria assim até mudar de ideia.
Sasuke lembrou-se da semana anterior. Ela ficara exatamente daquele jeito na quarta-feira por causa do almoço, que não fora do seu agrado. Sasuke tentara falar com ela e quase chegara ao ponto de fazer piruetas para acalmá-la, mas a menina não deixara a carranca. Naruto conseguira. Ele falara daquele jeito que era só dele e, de alguma forma, Aya se acalmara. Toda sorrisos, viera dar um beijo na sua bochecha e dissera que queria sim comer.
Encarou o chão. Sentia falta dele. Ele saberia o que fazer naquele momento. Deixou Gaara lidar com aquela pirracenta e voltou aos seus papéis. De birra infantil não entendia, mas de investigações sim.
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Três horas da madrugada. Espremidos na cama de casal, Sasuke dormia com Aya e Naoto. O telefone do Uchiha começou a tocar incansavelmente, e Sasuke amaldiçoou quem quer que fosse. Fazer os dois dormirem fora quase impossível, e agora um desgraçado o acordava. Sonolento, atendeu.
Não deu tempo nem de dizer “alô”. Shikamaru fora mais rápido.
— Explodiram a casa. Você precisa sair daí.
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